AGENDA CULTURAL

21.4.14

Paramotor. O motor parou

Foto: Massato Ito
Hélio Consolaro*

Sou indiferente a esportes radicais,ou melhor,não pratico esporte algum, mas há um tendência humana em praticá-lo, o alpinismo deve ser um exemplar advindo de nossa ancestralidade. Na atualidade, há inúmeras modalidades, envolvendo equipamentos e máquinas. A Fórmula 1 é um exemplo, levou Ayrton Senna.

Em Araçatuba, há um grupo praticante do paramotor (parapente motorizado) que se reunia no bairro rural de Engenheiro Taveira, mas que foi impedido dos voos serem feitos naquele local porque punham em risco as aeronaves do Aeroporto Dario Guarita. Assim, passaram a fazer suas manobras no Jardim Universo.

O grupo formalizou-se num clube: Clube Paramotor de Araçatuba, que passou a organizar eventos e competições da categoria em Araçatuba, sempre solicitando o apoio da Prefeitura, pois era mais uma opção de divulgar a cidade e trazer investimentos para o município.

Assim, organizou-se de 18 a 21 de abril de 2014 o 4.º Encontro de Paramotor - recorde de voo. Reunindo pilotos de várias cidades do Brasil e alguns países do mundo. O evento não terminou bem, morreu um piloto e deixou outro gravemente ferido. 

Faleceu Edson Luiz de Paulo, 52 anos, que não era nenhum adolescente descabeçado, morador de Osasco-SP, que estava acompanhado no evento por sua família, filhos e esposa. Machucou-se bem o paraguaio Mário Benjamin Benites, 43 anos, que também não era um imberbe desajuizado.

Não se trata de fatalidade, voar em paramotor é como viajar de carro de Araçatuba a a São Paulo, há sempre um risco. O viajante pode voltar vivo, morto, aleijado ou hospitalizado. Sempre parece que voar de avião ou de paramotor seja mais perigoso do que percorrer nossas rodovias, porque tiramos nossos pés do chão. 
Aos parentes do falecido, nossos sentimentos, mas vai também uma frase de consolo do artista araçatubense Massato Ito em sua página no Facebook: " Morre feliz quem morre fazendo aquilo que ama".


Aos organizadores do evento, uma mensagem: não se deixem levar pela ideologia burguesa de que a vida precisa ter suas garantias, sua segurança. Viver é muito arriscado, não há seguro que a garanta. Organizemos outros eventos, não desanimemos.  

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba-SP

Um comentário:

Elyane Lacerdda disse...

Amigo, seu post é muito interessante, pois hoje parece que as pessoas estão preferindo esportes radicais a esportes tranquilos, sem perigos e sem adrenalina.
A humanidade quer emoção e não mede mais os perigos,nem os mais maduros, que possuem discernimento!
realmente morrer fazendo aquilo que amamos deve ser mais compensador, ou pelo menos, aqueles que ficam se sentem mais conformados.
bjus coração
http://www.elianedelacerda.com