AGENDA CULTURAL

10.9.11

Morreu Lúcia Maria Milani Piantino

Faleceu em 9/9/2011, a escritora,  professora, membro fundador da Academia Araçatubense  de Letras,  Lúcia  Milani Piantino. Ela foi velada na Capela Cardassi e sepultada no cemitério Recanto da Paz. Deixou o marido, José Márcio Piantino e um filho.


"A literatura araçatubense perdeu na manhã de ontem uma de suas personagens." - Folha da Região, 10/9/2011


"A cidade perdeu uma gande conhecedora da língua portuguesa e que sente muito a perda da amiga. Ela foi professora de meus filhos e ministrava aulas na Retomada - Espaço Cultural, que eu mantinha. Fiquei muito triste com a morte dela" - Marly Garcia Souto, escritora e professora, membro da AAL.


FLÁVIO LAMÔNICA: Leio Lúcia desde quando ela usava o pseudônimo L.Lins. Sempre desejei conhecer aquela que impressionava pelo tom nostálgico, alma de mulher-menina, discreta paciência, romântica, forte..


HÉLIO NEGRI: Lúcia, cujos artigos tantas vezes me emocionaram, pela sensibilidade com que dominava os assuntos, pelo refinado estilo, pela sutileza com que abordava os temas de suas crônicas. Liguei em várias ocasiões para cumprimentá-la: do outro lado, sempre encontrei uma figura de extraordinária serenidade, que recebia as palavras com humildade. Sabia, porém, de seus muitos talentos, próprio de quem queria crescer sempre mais. Uma grandeza que, infelizmente, somente agora (pela inexorabilidade do tempo) Araçatuba saberá dimensionar.
Uma perda lamentável !





RIBEIRO TENGUNA (escritor angolano): Lúcia Maria Milani Piantino, a literatura ficou órfã! E nós, escritores como você foi e sempre será pensaremos em você em cada momento em pensarmos em literatura.

Mas temos um consolo, escritores não morrem, apenas vão para lugares onde eles escrevem sem tédio e as ideias fluem sem limites.
Reproduzimos abaixo crônica escrita pela acadêmica Maria Luzia  Villela.
Lúcia Piantino

Nasceu em Campo Grande/MS a 09/05/1944. Estudou no Colégio N. S. Auxiliadora de C. Grande, onde concluiu o Curso Clássico. Estudou Belas Artes, ênfase em Arte Moderna, no RJ. Formada em Letras. Professora de Português e Inglês. Lecionou em várias escolas particulares. Efetiva por concurso na EE Genésio de Assis onde se aposentou. Jornalista, escreve crônicas desde os 14 anos. Trabalhou em vários jornais: Ultima Hora em SP; em Araçatuba: Tribuna da Noroeste, A Comarca e Folha da Região, como redatora. Autora de livros de poesias, contos e do premiado romance “Boi Nu”. Membro da Academia Araçatubense de Letras. Casada, um filho.

UMA NOTÁVEL VISITANTE DO MUNDO

            . 
            Lúcia, filha de italiano e de uma índia bororo, é prova concreta de que a mistura de raças dá bons frutos. Com seu pai, pessoa liberal, teve ligação espiritual e artística  intensa. Aprendeu com ele a desenhar, a pintar e a apreciar a leitura. Com a mãe, quase uma menina, pois se casara aos 14 anos, aprendeu a amar extremosamente, mais que mãe ela era fã número um da filha, fato que contribuiu para a firme estrutura de Lúcia tornando-a um ser à frente de seu tempo.
 Sua gentil presença despertou nas irmãs do Colégio N. S. Auxiliadora laços de afeto, fortalecidos pela história, pois as missões salesianas de MS se voltavam para os bororos. Percebendo o talento da menina e sua vocação para o jornalismo, entraram em contato com o jornal da cidade que mandava um funcionário buscar no colégio as crônicas. Tinha então 14 anos!
            A moça de traços delicados saiu do ninho, voou para o Rio de Janeiro, estudou Arte Moderna. Morou em São Paulo. Parou um tempo em Minas Gerais. Mas de onde estivesse, voltava sempre para Araçatuba, para a casa de seus pais, para o carinho de seus muitos amigos. Viveu intensamente os “anos dourados”.
Mas onde se radicasse, ali escrevia para jornais, e lecionava.
Quando estudante na Faculdade Toledo, teve formação esquerdista. Na repressão do governo militar foi detida, interrogada e liberada. Explica sua paixão pelo social por ter visitado a Bolívia e condoer-se do povo tão sofrido, tão explorado. Não queria que o Brasil se tornasse símile.
Quando jovem, ligada à UBE, participou de um abaixo assinado para a libertação de Mandela. Leu sobre sua vida e luta, sonhou-o livre. Temeu não ver a libertação desse grande homem. Diz, neste ano de 2009, que chorou de emoção e felicidade por vê-lo livre, dançando por ocasião de seus 92 anos. O sonho dela estava ali!
 Aposentada no ensino estadual e também no particular, mas ainda leciona na UNIESP, escreve na Folha de Região como redatora, cronista do Caleidoscópio, dirigente de projetos culturais. Se Araçatuba está hoje entre as cidades em que mais se leem jornais, Lúcia Piantino é uma das responsáveis por isso, dirigindo o projeto Folha da Região na Sala de Aula, em que há décadas ensina o professor a utilizar o jornal em suas aulas.
Aos alunos procura transmitir a importância da liberdade de pensamento, a justiça social, o amor aos desvalidos e o espírito de vanguarda. Diz: - “Ainda que de bengala sempre me verão no bloco da frente, nunca atrás.”
            Entre suas obras, destaca-se o romance “Boi Nu”, que recebeu o Prêmio Graciliano Ramos, da Academia Brasileira de Letras. É ambientado na tribo de sua mãe. Também são valiosos os outros livros: “Coisas de Você, de Mim e dos Outros” (poesia); “Versos Escritos n’água” e “Um Tempo em Cinco Contos”.
            Mulher forte de tantas realizações, ameiga-se ao falar do marido: o seu melhor amigo, do filho: seu xodó, do grande amigo Hélio Consolaro, da saudosa Odete Costa, e vai por aí, ressumando amor.
            Para ela, a vida é um sonho para amanhã, pois a realidade do dia-a-dia desfaz o sonho. Mas afirma que é preciso sonhar, sempre um passo à frente é dado.           
             

22 comentários:

Cicilita disse...

Lúcia é esse ser humano incrível, merece esta homenagem e outras tantas.

Zemarcos disse...

::: Sou muito fã da Lúcia. Uma mulher muito inteligente e uma grande escritora. "Boi Nu" é um dos meus livros prediletos.

Maria Cristina disse...

Sou fanzoca da Lucia ,,,,mulher guerreira, pessoa extremamente engajada em principios de etica e de educação,,,,compartilhou tanto de sua cultura de sua luz, vamos fazer uma visita a ela que está doente precisando de amigos..

Anônimo disse...

Leio Lúcia desde quando ela usava o pseudônimo L.Lins. Sempre desejei conhecer aquela que impressionava pelo tom nostálgico, alma de mulher-menina, discreta paciência, romântica, forte...
O prof. Sérgio Alves me delatou a identidade dela. Eu a conheci por acaso enquanto fazíamos fisioterapia. Autografou e presenteou-me com Boi Nu. Tenho mais de 50 recortes de jornal (Caleidoscópio). Na última vez que a vi, cobrei dela o livro que sonhava publicar: SELEÇÕES. Aspirava a edição dos melhores textos. "Um dia vou tirar um tempo e fazer isso", prometeu. Não deu tempo. Minha coleção recortada será o meu livro de folhas soltas. Beijos na mãos, poeta que escrevia que para mim.

Flávio Lamônica disse...

Leio Lúcia desde quando ela usava o pseudônimo L.Lins. Sempre desejei conhecer aquela que impressionava pelo tom nostálgico, alma de mulher-menina, discreta paciência, romântica, forte...
O prof. Sérgio Alves me delatou a identidade dela. Eu a conheci por acaso enquanto fazíamos fisioterapia. Autografou e presenteou-me com Boi Nu. Tenho mais de 50 recortes de jornal (Caleidoscópio). Na última vez que a vi, cobrei dela o livro que sonhava publicar: SELEÇÕES. Aspirava a edição dos melhores textos. "Um dia vou tirar um tempo e fazer isso", prometeu. Não deu tempo. Minha coleção recortada será o meu livro de folhas soltas. Beijos na mãos, poeta que escrevia que para mim.

antonio luceni disse...

O Brasil perde uma grande escritora e Araçatuba está de luto por isso.

WANIA disse...

TRISTE NOTÍCIA!
ELA AJUDOU NÓS PROFESSORES DA REDE MUNICIPAL NO NOSSO PLANO DE CARREIRA ATUAL!

conselio disse...

Caro Helio

Não consegui postar em seu blog, porém gostaria de externar e compartilhar a
minha perplexidade pela noticia ! Que tristeza, logo a nossa querida amiga
Lúcia, cujos artigos tantas vezes me emocionaram, pela sensibilidade com que
dominava os assuntos, pelo refinado estilo, pela sutileza com que abordava os
temas de suas crônicas. Liguei em várias ocasiões para cumprimentá-la: do
outro lado, sempre encontrei uma figura de extraordinária serenidade, que
recebia as palavras com humildade. Sabia, porém, de seus muitos talentos,
próprio de quem queria crescer sempre mais. Uma grandeza que, infelizmente,
somente agora (pela inexorabilidade do tempo) Araçatuba saberá dimensionar.

Uma perda lamentável !

Hélio Negri

Ribeiro Tenguna disse...

Lúcia Maria Milani Piantino, a literatura ficou órfã! E nós, escritores como você foi e sempre será pensaremos em você em cada momento em pensarmos em literatura.
Mas temos um consolo, escritores não morrem, apenas vão para lugares onde eles escrevem sem tédio e as ideias fluem sem limites.

Ribeiro Tenguna

José Augusto Lopes Borges. disse...

Araçatuba perde uma figura simplismente fantástica.........

Silvana Paupitz disse...

Araçatuba perdeu uma figura da Língua portuguesa e leteratura simplismente FANTÁSTICA...

Anônimo disse...

Lucia
Fiquei muito triste.
E a Luza soube registrar tão bem.
Saudade.
Wanilda Borghi.

Anônimo disse...

Lúcia

Fiquei muito triste.
E a Luza soube registrar tão bem!

Wanilda Borghi.

Enéas Raimundo disse...

Lúcia deixará saudades....Lamento muitíssimo. Tinha por ela grande simpatia, admiração e afinidades...

claudia colli disse...

Lucia, segue em paz. Você cumpriu uma missão importante: espalhou sementes de sabedoria e amor por onde passou. Sentiremos sua falta.

Claudia Colli

Junpones disse...

Mais do que uma professora... uma amiga!!
de uma simpatia sem fim, perdi uma amiga.
sentirei falta de sua figura carismática, humilde, que ensinou me a ver a beleza de nossa língua portuguesa.
infelizmente não estava eu sabendo de sua enfermidade.
que ela esteja com Deus.

Junpones disse...

Mais do que uma professora... uma amiga!!
de uma simpatia sem fim, perdi uma amiga.
sentirei falta de sua figura carismática, humilde, que ensinou me a ver a beleza de nossa língua portuguesa.
infelizmente não estava eu sabendo de sua enfermidade.
que ela esteja com Deus.

Marianice Paupitz Nucera disse...

Adeus a Lucia veio e foi como um anjo.

Osvaldir magrão disse...

Caro Hélio, fui aluno da professora Lucia no Genésio de Assis da quinta a oitava série ( 1980 a 1983), a D Lucia foi um diferencial na minha vida em termos de aprendizado, confesso e ela sabia que eu me sentia mal por ela pegar no meu pé por caligrafia , mas agradeço a ela por isso e por me fazer ler livros e ter gostopela leitura ,mesmo que seja tecnica de trabalho, e minha filha ja tem gosto pela leitura, do jieto dela ela sabia como nos ensinar .....

ela vai fazer falta...

conselio disse...

COMENTÁRIO DE YONE MITIDIERO

Bom dia! Ontem de manhã fiquei sabendo, através de meu irmão, do passamento da Lúcia. Fiquei surpresa e triste demais pelo acontecido. Há mais ou menos um mês falei com ela, por telefone, e me disse que já estava começando a dar os primeiros passos, depois da cirurgia que fez. Em janeiro ela caiu e quebrou o fêmur. Ficou um mês internada no Hospital da Unimed. Também não soube desse acontecimento, na época. Falei-lhe que iria fazer uma visitinha, mas por motivos alheios à minha vontade, acabei não indo.
Telefonei na Capela Cardassi, pois queria saber notícias e fui informada que no dia 09/09 ela faleceu no período da manhã, mas como não havia lugar para o velório (as salas estavam ocupadas), houve necessidade de esperar até , segundo a pessoa que me atendeu,
mais ou menos 14:30 horas. O enterro foi no fim da tarde, após as 17 horas.
Antes, quando algum colega ou amigo falecia, nós tínhamos o Joãozinho ,que tão gentilmente nos avisava, e hoje infelizmente não temos ninguém.
Há mais ou menos dois meses o nosso colega Roberto também partiu. A morte é um verdadeiro carrasco! Sabemos que ela existe e está sempre presente em nossas vidas, levando pais, irmãos, filhos, netos, amigos...
Obrigada pela atenção. Yone.

Eduardo Moreira disse...

Recebi a notícia da morte da Profa. Lúcia Milani com o pesar de perder não só uma excepcional escritora e mestra. Perdi alguém que me ajudou efetivamente na vida. Durante 4 anos (período em escola pública - 5ta a 8va série - Genésio de Assis), fui aluno da melhor professora que tive em minha vida. Se hoje atuo profissionalmente como blogueiro, escrevendo todos os dias, é justamente por causa de Lúcia Milani. Por ela incentivar o interesse à leitura e à boa redação. Araçatuba perde uma das suas maiores educadoras.

Lúcia Milani, tudo o que tenho a dizer é... muito obrigado!

Fernando Aoki disse...

Fique sabendo somente hoje do ocorrido.
Araçatuba perde uma grande filha.