2.10.26
A GLOBO PERDEU, MAS A ATENÇÃO DEVE SER REDOBRADA
1.10.26
A política nas ruas da cidade
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
A vó do Carlinhos está com dificuldade de sentir a eleição
de 2026.
- Vi um tal de DILADOR, parece uma criança...
Carlinhos caiu na gargalhada.
- Ele já tem 70 anos, vó! É um tal de Photoshop que faz o
serviço. É o nosso eterno suplente.
EDNA BRUXINHA
Já foi Edna Flor, Edna Dilador, Edna Santinha. Até que está
bonitinha, sob efeito da IA, na foto da bandeira de rua.
Minha amiga Ruth, feminista de sovaco cabeludo, andando nas
ruas de Araçatuba, me perguntou;
- Só Edna Flor como candidata mulher?
Respondi-lhe que as outras são candidatas laranja. Só
existem para completar a cota feminina dos partidos e pegar dinheiro da Justiça
Eleitoral.
Edna Federal, Boatto Estadual formam uma boa dupla para quem
prefere votar em candidatos de Araçatuba
O CANDIDATO PIRUQUENTO
O presidente Milei da Argentina é chamado de "El peruca" pela oposição. Não precisa andar muito em Araçatuba para encontrar alguns piruquentos, gente de destaque. Nesta eleição de 2026, está lá o piruquento de novo a candidato a deputado. Eleição virou meio de vida.
FRANGUINHOS DO CU PELADO
Há alguns candidatos a deputado com sede eleitoral em
Araçatuba que estão na metade do primeiro mandato de vereador (2025-28). Podem
ser um novo fenômeno político, surgindo uma nova liderança ou Araçatuba estará
criando novos políticos nanicos. A vida é um risco.
ARAÇATUBA SEM O BRAÇO ESQUERDO
Não vi bandeira da esquerda em ruas de Araçatuba, só tem a
direita. A política por aqui está aleijada. Os candidatos parlamentares da
esquerda estão trabalhando no quieto, completam votação por aqui. Aliás, se
candidatos de Araçatuba não completarem votação noutra base eleitoral, se danam.
MEUS CANDIDATOS
Permita-me apresentar os meus candidatos. Sou de esquerda,
mas sei respeitar quem é de direita. Paulo Teixeira cuidou da reforma agrária
no terceiro mandato do governo Lula, deputado por vários mandatos. A professora
BEBEL é presidenta da APEOESP, sindicato das professoras do Estado de São
Paulo. Terra e educação, dois temas em e vi evidência na realidade.
Não estou dizendo que meus são melhores, apenas atendem à
minha expectativa.
26.9.26
Sou de direita, sim. E vou votar no Lula.
E não, não sou exceção. Somos milhões de pessoas que começaram a perceber as incoerências, as farsas e as mentiras repetidas à exaustão pela direita mundial. Narrativas que prometem liberdade, mas entregam concentração de poder. Que falam em moral, mas praticam hipocrisia. Que se dizem defensoras do povo, enquanto os dados nunca fecham e a realidade social só piora para a maioria.
Quando se olha com honestidade para os números, para os resultados concretos e para a história recente, algo fica claro: muito do discurso foi construído para gerar medo, dividir a sociedade e blindar interesses específicos. Não para resolver problemas reais. A retórica é forte, mas a entrega é fraca. As promessas são altas, mas os fatos desmentem.
Minha escolha não nasce de idolatria, nem de paixão por político algum. Nasce da comparação entre projetos, contextos e consequências. Nasce da constatação de que o extremismo travestido de “direita” abandonou princípios básicos como racionalidade, responsabilidade institucional e compromisso com a verdade. Em muitos casos, flertou abertamente com o autoritarismo, com o culto à força e com o desprezo pela democracia quando ela não entrega o resultado desejado.
Não escrevo isso para convencer ninguém, nem para dizer em quem você deve votar. Cada pessoa tem o direito — e o dever — de pensar por si. O que defendo é algo mais simples e mais profundo: continue estudando. Continue questionando. Não aceite discursos prontos, não trate líderes como salvadores e não confunda barulho com verdade.
O fascismo não se impõe apenas pela violência explícita. Ele avança, muitas vezes, pelo medo, pela repetição acrítica de slogans e pela recusa em lidar com fatos inconvenientes. Libertar-se disso é um processo. Exige humildade intelectual, coragem para rever posições e disposição para encarar a realidade como ela é, não como gostaríamos que fosse.
A política deveria ser instrumento para melhorar a vida das pessoas, não um campo de guerra permanente. Quando o debate vira ódio, quando a mentira vira método e quando o inimigo interno passa a ser inventado todos os dias, algo está profundamente errado.
Por isso, reafirmo: minha escolha é consciente, crítica e responsável. Não peço que sigam meu caminho. Peço apenas que ninguém abandone o próprio pensamento. O conhecimento liberta. E todos são capazes de se libertar do fascismo quando escolhem a razão no lugar do medo e os fatos no lugar da propaganda.
Autor desconhecido
23.9.26
Gênios e loucos são necessários
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
A Fátima acompanha grupos cinéfilos
nas redes sociais e veio sugerindo “O gênio e o louco”. O ator me chamou a
atenção: Mel Gibson. Como gosto de seguir sugestões, assistimos junto. Não era um
filme à toa. Contava a história de como foi composto Oxford English Dictionary, por onde se deu a consolidação do idioma inglês. Plataforma:
PrimeVídeo.
Mel
Gibson comprou os direitos do livro em 1998 e tentou rodar o filme por duas
décadas. Durante a pós-produção, uma disputa judicial entre a produtora de
Gibson e o estúdio sobre o direito ao corte final e gravações adicionais fez
com que Gibson e o diretor Farhad Safinia se desvinculassem da promoção do
longa.
O Gênio e o Louco (2019) é um drama
biográfico e histórico dirigido por Farhad Safinia (assinado como P.B. Shemran)
e estrelado por Mel Gibson e Sean Penn. O longa adapta o livro O Cirurgião
de Crowthorne de Simon Winchester.
Narra
o nascimento do Oxford English Dictionary, um projeto acadêmico ambiciosos
da história para a língua inglesa.
OS PROTAGONISTAS:
James
Murray (Mel Gibson): O linguista autodidata encarregado de catalogar todas as
palavras da língua inglesa. O corpo docente da universidade não deu conta da
tarefa, fazer um dicionário acabou delegando a um autodidata.
William Chester Minor (Sean Penn): um médico e veterano de guerra americano
que, enquanto estava recluso em um manicômio judiciário por homicídio durante
um surto psicótico, tornou-se o maior colaborador do dicionário, enviando mais
de dez mil definições. Ele alugou mais uma sala do manicômio para pôr a sua biblioteca.
O
relacionamento epistolar entre Murray e Minor durou anos antes que o professor
descobrisse a verdadeira condição e localização de seu maior colaborador:
internato de manicômio.
ALGUMAS
CURIOSIDADES
O
espaço continha 1.029 nichos de madeira (pigeonholes) para separar as
fichas alfabeticamente. Não havia computador na época.
A equipe recebia mais de 1.000 fichas manuscritas de citação
por dia via correio.
O projeto original previa levar 10 anos e ocupar 4 volumes;
o Oxford English Dictionary levou 70 anos para ser concluído, reunindo
mais de 3,5 milhões de citações em 10 volumes.
Além dos eventos centrais do crime e
do trabalho no dicionário, a história real do Dr. William Minor e de James
Murray esconde detalhes logísticos, psicológicos e humanos impressionantes.
A maioria dos
voluntários do dicionário lia livros aleatoriamente e enviava citações conforme
as encontrava. O Dr. Minor, porém, desenvolveu um método muito mais rigoroso.
Pode-se
dizer que “O gênio de louco” traz três denúncias em seus subtextos:
a) O mundo acadêmico (das universidades) estava embalsamado, não dava conta de suas
tarefas;
b) A língua de um país não é composta apenas por palavras dos livros, o acervo
popular precisa também estar nos dicionários;
c) O
tratamento psiquiátrico precisava na época de modernização, novos métodos.
OBSERVAÇÃO:
ajuda da IA
19.9.26
Há candidato querendo entregar o país para aumentar sua riqueza pessoal
Edson Nunes Andrade Jr.*
Eu não sou Lulista, mas essa conversa é muito séria!
16.9.26
STF - reality show
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Não ando segurando em dogmas, a verdade não existe e a
mentira também não. Sou pelo contexto, pelas circunstâncias, pela relatividade.
Isso não quer dizer que Deus que mora dentro de mim. De
vez quando Deus e o diabo se pegam lá dentro.
Facilmente, caro leitor, você chegará à conclusão em que não
acredito em gente totalmente incorruptível. O cara fechado numa sala cheia de
dinheiro, sem ninguém com ele e sem câmara, dificilmente ficará sem roubar.
Sou defensor ferrenho do controle social, um vigiando o
outro.
Por isso sou cronista, navego por cima da água num
caiaque sem rumo num rio caudaloso. Contando o que vejo em volta aos meus leitores.
O Supremo Tribunal Federal. promoveu um reality show ou
BBB. As palavras corte e supremo foram trocadas por pixuleco. Só não peidaram
alto.
A sessão do STF não me escandalizou, é normal ter
conflitos em reunião de colegiado, seja câmara municipal ou reunião de
condomínio. Somos seres humanos, de vez em quando a gente sai da caixinha. O
mais bobo lá no STF tira a meia do pé sem mexer no sapato.
A ministra Carmem Lúcia faz o papel de madre superiora.
Quer salvar o mundo passando lições de moral.
SENADORES POR SÃO PAULO
São senador atuais, no exercício do mandato: Marcos
Pontes (PL) o astronauta que ainda está na lua. Mara Gabrilli (PSD).Giordano
(MDB / Podemos- suplente que assumiu com a morte do Major Olímpio. Já tivemos
nomes significativos, tanto da direita como da esquerda. Agora temos pixulecos.
Está na hora de São Paulo voltar a ter nomes
significativos no Senado com bandeiras significativas. Tenho as minhas
candidatas.
PRÉDIO VAZIO NO CENTRO DE ARAÇATUBA
A força dos supermercados Rondon fecharam mais um concorrente, o Stock Atacadista, que funcionava num baita prédio na avenida dos Araçás. Há uma platibanda para estacionamentos bem na fachada que serve a quem for alugar o prédio (quase um quarteirão). Motoristas abandonados pela Zona Azul e moradores de ruas sem assistência social se servem do espaço coberto afastado da calçada.
FESTARA 2026 - Programação completa
18 de setembro
ABERTURA 20h | Da Cor de Cobre Clarin Cia. de Dança
Local: Teatro São João
Classificação: livre
Acessibilidade: Libras
19 de setembro
11h | Ester Com Odília Nunes
Local: Calçadão Marechal Deodoro e Princesa Isabel
Classificação: livre
16h | Histórias para Contar e Cantar! Cia. Koi
Local: Biblioteca Municipal Rubens do Amaral
Classificação: livre
17h | Decripolou Totopeou Com Odília Nunes
Local: Praça Paraíso
Classificação: livre
20h | Ilíada em Libras, Canto I Cia. Ilíada de Homero e
Fluindo Libras
Local: Teatro Municipal Castro Alves
Classificação: 12 anos
Acessibilidade: Libras
20 de setembro
17h | Cordelina Com Odília Nunes
Local: Praça Getúlio Vargas
Classificação: livre
18h | Lobo em Apuros Cia. Vem Vento
Local: Teatro Municipal Castro Alves
Classificação: livre
21 de setembro
8h30 e 13h | Lobo em Apuros (evento fechado) Cia. Vem Vento
Local: EMEB Maria Mercedes Cassiolatto de Souza
Classificação: livre
Acessibilidade: Libras
20h | Ideias para adiar o fim do mundo Com Yumo Apurinã
Local: Teatro Municipal Castro Alves
Classificação: 12 anos
Acessibilidade: Libras
22 de setembro
9h e 14h | Fábulas de Esó-Pó (evento fechado) Grupo TODAVIA
Teatral
Local: EMEB Henny Ferraz Homem
Classificação: livre
23 de setembro
9h e 14h | Lobo em Apuros (evento fechado) Cia. Vem Vento
Local: EMEB Hélia Pinholi Mungo
Classificação: livre
Acessibilidade: Libras
20h | Retalhos: entrelinhas, fios e versos LAPA, Laboratório
de Pesquisa Artística da Casa Amarela
Local: Teatro Municipal Castro Alves
Classificação: 16 anos
Acessibilidade: Libras
24 de setembro
ENCERRAMENTO
14h | Fábulas de Esó-Pó (evento fechado) Grupo TODAVIA
Teatral
Local: EMEB Eglés Gabas de Carvalho Classificação: livre
20h | Não me entrego, não! Com Othon Bastos
Local: Teatro Unip
Classificação: 12 anos
Acessibilidade: Libras
13.9.26
Conversa para boi dormir
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Estive no supermercado, como estou quase todos os dias. Eu
me lembrei dos preços das mercadorias no tempo do governo Bolsonaro. Até pé de
frango se comprava para não se comer sem mistura. Lá na região Norte, os pobres
avançavam avidamente em monte de ossos.
Houve greve dos caminhoneiros, faltava mercadorias nas gôndolas.
Sem falar da pandemia que Bolsonaro não soube administrar. Ria dos doentes. Foi
um governo do absurdo, do sofrimento.
Não posso querer a volta de um governo assim, de
milicianos cariocas. Eu me amo, não sou masoquista.
A coisa mais fácil era comprar armas. As mulheres estão
pagando hoje o preço com o feminicídio.
Governo do Lula é cheio de providências, não deixa a peteca
cair, nem mesmo a guerra inventada por Trump abalou o homem. O presidente
norte-americano roncava grosso, Lula chamava-o para conversar.
Os bolsonaristas são monarquistas. O filho sucede o pai. Pôs
o filho bobo para ser candidato. Os partidários dele ficam desesperados. Se
numa roda de conversa alguém fica falando que nada está bom, o cara é bolsonarista,
distribuindo o pessimismo graciosamente. Deixe esse cara falando sozinho,
conversa para boi dormir.
NÃO EXISTE NADA IMUTÁVEL
Quando na escola me apresentaram pela primeira vez o
atlas e o globo terrestre fiquei chocado.
Agora se muda, porque temos aparelhos mais exatos. A
Terra continua a mesma, só vai mudar um pouquinho o desenho.
Avise o pessoal da terra plana que a Terra continua
redonda. Há gente que não acredita que o homem tenha ido à Lua. Para essa
gente, a ciência viva numa fantasia.
Há gente pensando em aumentar as medidas de seu terreno
na Prefeitura. O MST vai ter mais terras devolutas para invadir. O desenho da
terra espichou um pouquinho, não vai ter reforma agrária.
ELEIÇÃO DIFERENTE
Apenas para fazer comparação, em 1982, campanha começou
depois do carnaval. Era ano de copa também. Nenhum poste ficava sem papel
fixado. Gráfica, faixeiros, pintores de muro ficava todos ocupados. Nunca se
tiravam tantas fotos 3x4 para que a população tivesse o título de eleitor. O
candidato pagava as fotos para os eleitores ficarem aptos a votar. Camisetas
eram distribuídas aos punhados. Ruas forradas de santinhos.
Como professor de escola pública e particular, convidei
meus alunos para a massiva boca-de-urna. Conduções dos candidatos distribuíam
lanches e água para a turma. Cada aluno com a camiseta do candidato. Tudo
dentro da lei.
Dei um churrasco no antigo Country Clube para a turma que trabalhou, pois fui um candidato vitorioso.
2.9.26
Brincou com fogo
FOI BRINCAR COM ARMA DE MENTIRINHA E
MORREU DE VERDADE
Hélio Consolaro
O que escrever e quando morrer são coisas surpreendentes. Até domingo, eu estava sem assunto, de repente um tiro seco de arma de fogo cortou o silêncio da vizinhança.
Por não ser repórter policial e por ser um bom covarde, fui dormir. A vizinha Roseli Luiz que estraçalha corpos no IML deve ter pensado: amanhã tenho cadáver.
Noutro dia, segunda-feira, fui consultar o Edmilson, nosso gari particular do quarteirão, para saber o que houve a viva voz. Notícia já tinha ouvido no RP10. O repórter Fabinho Ishizawa chega primeiro que a morte.
Ouvindo a história por um, por outro. Pensando no restaurante (bar), que constrói o point com tanto sacrifício e de repente acontece essa tragédia na porta de seu estabelecimento.
Pensando também no portador da arma de brincadeirinha, por que andar com aquilo, ter que enfrentar uma arma de verdade, como aconteceu no domingo. O policial pensando que ele ia matar os outros dois, baleou o falso atirador, matando-o. A arma era de brincadeirinha, mas por causa dela morreu.
E o policial, querendo cumprir seu papel nas horas vagas, complicou sua vida. O crime dele foi o açodamento, não gritou, não deu ordens, já foi atirando querendo salvar as duas possíveis vítimas. Apesar de ter tirado uma vida, sua presteza precisa ser reconhecida.
Todos agentes da catástrofe correram para o local para prestar socorro, mas a morte inevitável aconteceu. Quem não queria matar, por isso carregava uma arma de brincadeira, morreu
Os clientes do bar, ou da lanchonete ou do restaurante estavam no local para conversar, sorrir, espairecer, encontrar amigos. mas de repente foi para casa dormir, sem conseguir pegar no sono.
Na filmagem do filme policial, certa vez, aconteceu ao contrário, passaram para o artista uma arma carregada. A tragédia deixou de ficção.
O cenário da tragédia grega foi montada naquele lugar, numa faísca de tempo, pelo Senhor do Destino.
30.8.26
Comentários sobre a entrevista de Lula ao JN - Ângela Carrato - UFMG
O presidente Luiz Inácio da Silva não foi entrevistado pelo JN. Foi interrogado por uma espécie de tribunal de inquisição, cuja parte visível eram os amarra-cachorros da família Marinho, César Tralli e Renata Vasconcellos.
Os desrespeitos e tentativas de diminui-lo e intimidá-lo foram permanentes.
Os dois jornalistas não o trataram com o respeito devido a um presidente da República. A boa regra jornalística recomenda que a referência deveria ter sido como presidente, candidato à reeleição ou a um novo mandato. Tratá-lo apenas como "candidato" foi uma maneira para desconsiderar seu status de presidente.
Na apresentação de sua trajetória politica esta tentativa já ficava clara, ao desconhecerem seu papel fundamental na cena global, como um dos líderes mais ouvidos e prestigiados.
Outro truque para tentar diminuí-lo, foi a cadeira que lhe destinaram no estúdio onde aconteceu a entrevista. Era a mesma ocupada pelos candidatos que o procederem porém com um detalhe: o espaldar estava mais baixo do que o dos jornalistas-inquisidores. O truque ficou visível para quem observou o enorme salto do sapato da Renata, que é baixa. Sem ele, seus pés não tocariam o chão e sua imagem ficaria achatada, como ficou a do Lula.
Considerações estéticas à parte, é absolutamente inconcebível que numa entrevista com duração de 40 minutos, os 17 iniciais tenham sido dedicados a perguntas sobre "corrupção no governo".
Os amarra-cachorros da família Marinho inquiriram Lula sobre acusações de corrupção do filho Fábio Luiz, do ex-chefe de gabinete, Marcola, do senador Jacques Wagner e do ex-ministro Carlos Luppi.
Nos quatro casos faltam provas e sobram convicções. Mesmo assim os inquisidores trataram denúncias baseadas em vazamentos seletivos como se fossem processos já julgados e concluídos.
Lula custou a acreditar que trechos de vazamentos de processos, sem qualquer contextualização, pudessem estar sendo citados como "provas".
A sua resposta para os quatro casos foi a mesma: tudo deve ser apurados e todos têm o direito a se defender. Especificamente sobre Fábio Luiz, lembrou o que disse para o próprio filho:
"você tem obrigação de provar que é inocente", acrescentando que o Palácio do Planalto não moverá uma palha para auxiliá-lo, diferentemente de outros presidentes que trocaram delegados a fim de proteger familiares.
Os dois inquisidores não se deram por satisfeitos. Questionaram o fato de Lula ter aparecido em solenidade pública pedido votos para Jacques Wagner, candidato a um novo mandato como senador. Lula foi categórico: "somos amigos há 45 anos e eu respeito a presunção de inocência. Não sou daqueles que fingem não ver um amigo na rua, porque ele está sendo acusado".
Era previsível que o tema da corrupção seria explorado pelo JN, mas não da forma torpe em que foi.
Outros assuntos que compõem o kit neoliberal da extrema-direita e dos Marinhos também não faltaram: privatização dos Correios, rombo das estatais e aumento da dívida pública.
Lula descartou privatizar os Correios e desmascarou a mentira do tal rombo nas estatais. Ao recordar os absurdos cometidos pela Operação Lava Jato, ele disse que ainda aguarda um pedido de desculpas da mída, pelos injustos 580 dias em que esteve preso.
A inquisidora Renata ainda tentou rebate-lo citando "a política editorial da empresa", que lhe deve ter sido soprada pelo ponto no ouvido, mas percebeu que o melhor era não levar o assunto adiante.
A desfaçatez dos inquisidores era tamanha, que ainda tentaram jogar casos explícitos de corrupção descobertos e combatidos na atual administração, como o do banco Master e dos descontos de aposentados do INSS no colo de Lula. Algo tão grotesco como acusar de corrupto alguém que denúncia a presença de ladrões em sua casa. Um absurdo total para uma emissora de TV que diz praticar jornalismo profissional e ter compromisso com os fatos.
Lula citou novamente os esquemas da TV Globo com o ex-juiz Sérgio, Deltan Dallagnol e com os crimes da Operação Lava Jato, para desespero da Renata e do Tralli.
Outra estocada excelente na Globo foi a respeito dos juros altos. Defensora histórica da autonomia do Banco Central, Lula lembrou este aspecto e o fato de que ele é que sempre se bateu pela redução da taxa de juros e que herdou de Jair Bolsonaro um país quebrado e com um rombo de R$ 94 bilhões, nunca mencionados pela Globo e pelos demais veiculos da mídia corporativa.
Outra baixaria foi a tentativa da Globo de criar atrito entre Lula e seu atual ministro da Economia, Dario Durigan. na qual o calejado Lula obviamente não caiu.
Quanto à situação da dívida pública, que a midia alinhada aos interesses do "andar de cima" considera catastrófica, Lula foi cirúrgico: a dívida brasileira é de 82% em relação ao PIB, enquanto a dos Estados Unidos ultrapassa 120%, sem que haja qualquer alarme na mídia de lá e na de cá.
Foi óbvia a ênfase em temas mais complexos e distantes do domínio público, para ocupar o tempo restante e evitar que Lula pudesse falar das enormes conquistas e avanços de seu terceiro governo na saúde, educação, geração de empregos e assistência social, que tem interesse direto para a população.
Lula novamente foi certeiro. Seus governos anteriores pagaram a dívida externa e puseram fim aos tormentos com o FMI, além do superavit que possibilita a estabilidade de que desfruta o Brasil no cenário internacional.
Chamou atenção igualmente, os dois inquisidores terem fugido de abordar os enormes avanços do governo Lula no plano internacional, uma vez que ele é reconhecido como um dos maiores estadista contemporâneos.
Chamou atenção, igualmente, as pressões de Donald Trump contra o Brasil não terem sido sequer mencionadas. O nome disso é manipulação e conivência com o imperialismo estadunidense e os interesses da "casa grande" brasileira.
Para encerrar o interrogatório, não poderia ter ficado de fora o tema da segurança pública, apresentado pelos amarra-cachorros dos Marinho como responsabilidade exclusiva do governo federal. Lula, outra vez, teve que recolocar o assunto no seu devido lugar, ao citar a PEC da Segurança Nacional, que deve ser aprovada nos próximos dias, e a criação do ministério da Segurança Pública, que aguarda apenas a aprovação desta PEC.
Se a dupla de inquisidores achava que ia lacrar contra o presidente, deixando para o final a questão da fila de espera no SUS, Lula concluiu convidando a dupla para a solenidade, na próxima semana em Brasília, quando vai anunciar que seu governo zerou esta fila.
Indescritível a cara de perplexidade dos dois empregados da familia Marinho, que ainda tiveram que dormir com as frases finais de Lula: aos 80 anos vivo o melhor momento da minha vida e depois de termos tirado o Brasil duas vezes do Mapa da Fome, agora é a vez de investir em ciência, tecnologia, inteligência artificial e na qualificação dos nossos jovens.
Pelas estocadas de Lula na Globo e na mídia golpista, os Marinho também devem ter ido dormir certos de que, mesmo não tendo dito, a regulação da mídia corporativa e das big techs entrarão em pauta no quarto governo Lula, que eles vem fazendo de tudo para que não ocorra.
Nenhuma inquisição é capaz de deter quem tem compromisso com o povo.
Lula entrou grande e saiu gigante, enquanto a Globo apenas reforçou o seu golpismo e condição de porta-voz da "Casa Grande" e dos interesses imperialistas.
26.8.26
Na maré da campanha eleitoral
Os bolsonaristas querem provar a honestidade de Jair fazendo um filme financiado por Flávio com dinheiro de acusados de roubo.
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Antigamente mais, hoje menos, a campanha eleitoral é uma espécie de trote estudantil. Até passam a mão na bunda do candidato. Quer chegar lá, vai submeter. Quem é candidato por uma vez, fazendo campanha, nem que seja a vereador, conhece bem o nosso povo. Conhece mais a voz do capeta do que a de Deus.
Em 1988, uma senhora entrou no meu comitê (naquela época era uma exigência) dizendo que precisava fazer o aniversário de sua filha. Relacionou o que cada candidato a prefeito ia dar para fazer a festa. E passou qual era a minha cota. Olhei bem na cara dela e disse: "Na minha casa, quando não tenho dinheiro, não faço festa. Passe bem!" Já fui malvado!
DEBATE POLÍTICO












