AGENDA CULTURAL

2.10.26

A GLOBO PERDEU, MAS A ATENÇÃO DEVE SER REDOBRADA



Ângela Carrato
A fisionomia do amarra-cachorro mor da família Marinho, Merval Pereira, diz tudo.
A Globo não esperava que o seu debate desta quinta-feira (1/10), o último antes das eleições em primeiro turno, cuidadosamente preparado para ferrar Lula, desse no que deu.
Simplesmente foi cancelado.
Foi cancelado, porque Lula anunciou que não iria e Flávio Bolsonaro disse que também não compareceria.
Não dava para César Tralli comandar um debate apenas com os mequetrefes do Caiado, Zema e Cury, regras 3 do Flávio.
Além de não terem o que falar, esses senhores somados representam uma insignificância em termos de intenções de votos.
Zema, por exemplo, corre o risco de ver seu 1% transformado em pó até domingo.
Enquanto isso, a estratégia de Lula mostrou-se acertada. Sua entrevista ao podcast Flow, no mesmo horário, foi um sucesso. Ele não tinha o que debater com o filho desqualificado, corrupto, amigo de milicianos e dado a orgias, do golpista e prisioneiro Jair.
Mais de 1,5 milhão de pessoas assistiram à entrevista de Lula, com o número de comentários o aplaudindo batendo todos os recordes.
Na Globo e na Globo News o clima era um misto de indignação com velório.
Os amarra-cachorros da família Marinho se revezavam no vídeo e fora dele para criticar a Justiça que os impediu de colocar um púlpito vazio para marcar a ausência de Lula e igualmente os impediu de permitir que os candidatos mequetrefes fizessem perguntas aos candidatos ausentes.
Flávio, que chegou a pensar que a ausência de Lula iria beneficiá-lo, também desistiu de comparecer ao saber que o candidato do Missão, que lhe é muito crítico, tinha obtido na Justiça o direito de participar do debate.
A noite desta quinta-feira foi de vitória para Lula e o campo progressista.
Por isto mesmo, esse setor precisa redobrar a vigilância nestes dias que antecem às eleições em primeiro turno, diante da possibilidade de Lula liquidar já a fatura.
A mídia corporativa brasileira tem escondido este dado, mas sabe-se que Trump destinou mais de um milhão de dólares para entidades brasileiras dispostas a questionar e desgastar o STF.
A jogada aí é previsível. Diante da derrota de Flávio, a orientação do imperialismo - estadunidense e sionista - é para que não se reconheça o resultado do pleito.
Claro que Flávio topa a parada.
Mas dificilmente esse falso questionamento irá prosperar.
Alguns dos mais conceituados veículos da mídia internacional como The Gardian, Le Monde Diplomatique e Pagina 12 já estão prevendo a vitória de Lula, que arrastou multidões em seus comícios e caminhadas por todo o Brasil, ao passo que os candidatos de oposição quase não tiveram agenda e Flávio levou até ovo na cara por onde passou.
Conhecendo Trump como a mídia internacional conhece, não dá para descartar atuações criminosas como criar alguma falsa perseguição a narcotraficantes ou mesmo bombardear uma favela.
Seria uma situação extrema, que poderia desencadear uma crise tamanha para o próprio Trump, que são raras as pessoas a admitir que ele possa seguir por esta linha.
É importante lembrar que em 3 de novembro, ele enfrentará as eleições de meio de mandato e sua popularidade nunca esteve tão baixa: meros 30%.
Número que indica que os democratas devem vencer as eleições para a Câmara, com chances de vitória também para o Senado.
Na semana passada, 21 deputados democratas e o senador Bernie Sanders assinaram documento condenando qualquer interferência de Trump nas eleições brasileiras. Nesta semana, mais deputados democratas se somaram a eles.
Isso é positivo, mas está longe de significar que a coordenação da campanha de Lula e os setores progressistas brasileiros possam baixar a guarda.
Ao contrário.
Mais do que nunca, nesta reta final da mais importante eleição da história republicana brasileira, todo cuidado é pouco.

Divulgação Científica e Popularização da Ciência

1.10.26

A política nas ruas da cidade


 Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP


VOVÓ EM TEMPO DE ELEIÇÃO  

A vó do Carlinhos está com dificuldade de sentir a eleição de 2026.

- Vi um tal de DILADOR, parece uma criança...

Carlinhos caiu na gargalhada.

- Ele já tem 70 anos, vó! É um tal de Photoshop que faz o serviço. É o nosso eterno suplente.

EDNA BRUXINHA

Já foi Edna Flor, Edna Dilador, Edna Santinha. Até que está bonitinha, sob efeito da IA, na foto da bandeira de rua.

Minha amiga Ruth, feminista de sovaco cabeludo, andando nas ruas de Araçatuba, me perguntou;

- Só Edna Flor como candidata mulher?

Respondi-lhe que as outras são candidatas laranja. Só existem para completar a cota feminina dos partidos e pegar dinheiro da Justiça Eleitoral.

Edna Federal, Boatto Estadual formam uma boa dupla para quem prefere votar em candidatos de Araçatuba

O CANDIDATO PIRUQUENTO

O presidente Milei da Argentina é chamado de "El peruca" pela oposição. Não precisa andar muito em Araçatuba para encontrar alguns piruquentos, gente de destaque. Nesta eleição de 2026, está lá o piruquento de novo a candidato a deputado. Eleição virou meio de vida.

FRANGUINHOS DO CU PELADO

Há alguns candidatos a deputado com sede eleitoral em Araçatuba que estão na metade do primeiro mandato de vereador (2025-28). Podem ser um novo fenômeno político, surgindo uma nova liderança ou Araçatuba estará criando novos políticos nanicos. A vida é um risco.

ARAÇATUBA SEM O BRAÇO ESQUERDO

Não vi bandeira da esquerda em ruas de Araçatuba, só tem a direita. A política por aqui está aleijada. Os candidatos parlamentares da esquerda estão trabalhando no quieto, completam votação por aqui. Aliás, se candidatos de Araçatuba não completarem votação noutra base eleitoral, se danam.

MEUS CANDIDATOS

Permita-me apresentar os meus candidatos. Sou de esquerda, mas sei respeitar quem é de direita. Paulo Teixeira cuidou da reforma agrária no terceiro mandato do governo Lula, deputado por vários mandatos. A professora BEBEL é presidenta da APEOESP, sindicato das professoras do Estado de São Paulo. Terra e educação, dois temas em e vi evidência na realidade.

Não estou dizendo que meus são melhores, apenas atendem à minha expectativa.


26.9.26

Sou de direita, sim. E vou votar no Lula.

      Digo isso com tranquilidade, sem medo de rótulos e sem necessidade de aprovação. Porque posição política não é torcida organizada, nem identidade fixa. É resultado de análise, experiência, comparação e, sobretudo, estudo.

      E não, não sou exceção. Somos milhões de pessoas que começaram a perceber as incoerências, as farsas e as mentiras repetidas à exaustão pela direita mundial. Narrativas que prometem liberdade, mas entregam concentração de poder. Que falam em moral, mas praticam hipocrisia. Que se dizem defensoras do povo, enquanto os dados nunca fecham e a realidade social só piora para a maioria.

      Quando se olha com honestidade para os números, para os resultados concretos e para a história recente, algo fica claro: muito do discurso foi construído para gerar medo, dividir a sociedade e blindar interesses específicos. Não para resolver problemas reais. A retórica é forte, mas a entrega é fraca. As promessas são altas, mas os fatos desmentem.

      Minha escolha não nasce de idolatria, nem de paixão por político algum. Nasce da comparação entre projetos, contextos e consequências. Nasce da constatação de que o extremismo travestido de “direita” abandonou princípios básicos como racionalidade, responsabilidade institucional e compromisso com a verdade. Em muitos casos, flertou abertamente com o autoritarismo, com o culto à força e com o desprezo pela democracia quando ela não entrega o resultado desejado.

      Não escrevo isso para convencer ninguém, nem para dizer em quem você deve votar. Cada pessoa tem o direito — e o dever — de pensar por si. O que defendo é algo mais simples e mais profundo: continue estudando. Continue questionando. Não aceite discursos prontos, não trate líderes como salvadores e não confunda barulho com verdade.

      O fascismo não se impõe apenas pela violência explícita. Ele avança, muitas vezes, pelo medo, pela repetição acrítica de slogans e pela recusa em lidar com fatos inconvenientes. Libertar-se disso é um processo. Exige humildade intelectual, coragem para rever posições e disposição para encarar a realidade como ela é, não como gostaríamos que fosse.

      A política deveria ser instrumento para melhorar a vida das pessoas, não um campo de guerra permanente. Quando o debate vira ódio, quando a mentira vira método e quando o inimigo interno passa a ser inventado todos os dias, algo está profundamente errado.

      Por isso, reafirmo: minha escolha é consciente, crítica e responsável. Não peço que sigam meu caminho. Peço apenas que ninguém abandone o próprio pensamento. O conhecimento liberta. E todos são capazes de se libertar do fascismo quando escolhem a razão no lugar do medo e os fatos no lugar da propaganda.

Autor desconhecido

23.9.26

Gênios e loucos são necessários

 

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

A Fátima acompanha grupos cinéfilos nas redes sociais e veio sugerindo “O gênio e o louco”. O ator me chamou a atenção: Mel Gibson. Como gosto de seguir sugestões, assistimos junto. Não era um filme à toa. Contava a história de como foi composto Oxford English Dictionary, por onde se deu a consolidação do idioma inglês. Plataforma: PrimeVídeo.

Mel Gibson comprou os direitos do livro em 1998 e tentou rodar o filme por duas décadas. Durante a pós-produção, uma disputa judicial entre a produtora de Gibson e o estúdio sobre o direito ao corte final e gravações adicionais fez com que Gibson e o diretor Farhad Safinia se desvinculassem da promoção do longa.

O Gênio e o Louco (2019) é um drama biográfico e histórico dirigido por Farhad Safinia (assinado como P.B. Shemran) e estrelado por Mel Gibson e Sean Penn. O longa adapta o livro O Cirurgião de Crowthorne de Simon Winchester.

Narra o nascimento do Oxford English Dictionary, um projeto acadêmico ambiciosos da história para a língua inglesa.

​OS PROTAGONISTAS:

James Murray (Mel Gibson): O linguista autodidata encarregado de catalogar todas as palavras da língua inglesa. O corpo docente da universidade não deu conta da tarefa, fazer um dicionário acabou delegando a um autodidata.

William Chester Minor (Sean Penn): um médico e veterano de guerra americano que, enquanto estava recluso em um manicômio judiciário por homicídio durante um surto psicótico, tornou-se o maior colaborador do dicionário, enviando mais de dez mil definições. Ele alugou mais uma sala do manicômio para pôr a sua biblioteca.

O relacionamento epistolar entre Murray e Minor durou anos antes que o professor descobrisse a verdadeira condição e localização de seu maior colaborador: internato de manicômio.

 

​ALGUMAS CURIOSIDADES

O espaço continha 1.029 nichos de madeira (pigeonholes) para separar as fichas alfabeticamente. Não havia computador na época.

​A equipe recebia mais de 1.000 fichas manuscritas de citação por dia via correio.

​O projeto original previa levar 10 anos e ocupar 4 volumes; o Oxford English Dictionary levou 70 anos para ser concluído, reunindo mais de 3,5 milhões de citações em 10 volumes.

Além dos eventos centrais do crime e do trabalho no dicionário, a história real do Dr. William Minor e de James Murray esconde detalhes logísticos, psicológicos e humanos impressionantes.

​A maioria dos voluntários do dicionário lia livros aleatoriamente e enviava citações conforme as encontrava. O Dr. Minor, porém, desenvolveu um método muito mais rigoroso.

​Pode-se dizer que “O gênio de louco” traz três denúncias em seus subtextos:

a) O mundo acadêmico (das universidades) estava embalsamado, não dava conta de suas tarefas;

b) A língua de um país não é composta apenas por palavras dos livros, o acervo popular precisa também estar nos dicionários;

c) O tratamento psiquiátrico precisava na época de modernização, novos métodos.  

OBSERVAÇÃO: ajuda da IA

19.9.26

Há candidato querendo entregar o país para aumentar sua riqueza pessoal



 Edson Nunes Andrade Jr.*

Eu não sou Lulista, mas essa conversa é muito séria!

Estou lendo muitos comentários sem noção de uma galera que não tem a menor idéia do que significa esse assunto.
Terras raras será o ativo "MAIS IMPORTANTE" do SÉCULO, em menos 30 anos o petróleo só servirá para fabricar plástico, tintas e solventes.
O 🇧🇷Brasil e a 🇨🇳China juntos têm 70% das terras raras do mundo, ou seja, o 🌎🌏🌍MUNDO inteiro vai depender desses dois países para andar de carros elétricos, fabricar aviões, produzir aparelhos eletrônicos, armamentos militares de última geração, equipamentos médicos e etc.
Vcs acham que isso é brincadeira?
O Brasil pode se tornar a 2a ou 3a maior economia do mundo em 20 anos no máximo, mas isso só vai acontecer se nós não formos governados por pessoas entreguistas que para obter benefícios pessoais estão dispostas entregar de mão beijada as riquezas do país.
Quem têm terras raras deve valorizar e processar esses minérios para vender.
Quem não tem vai tentar tomar de quem têm, seja produzindo guerras ou comprando políticos vagabundos entreguistas, e desse tipo aqui no Brasil está cheio.
Nesse momento mesmo existem dois candidatos a presidência prometendo entregar nossas maiores riquezas para outra 🇺🇸nação (Caiado e Flávio).
Isso não é sobre ser Esquerda ou Direita, é sobre estar ou não na vanguarda da economia global.
"É disso que se trata".
Por:
Edson Nunes de Andrade Jr.
Geógrafo, Historiador e Cientista Político.

16.9.26

STF - reality show

 


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Não ando segurando em dogmas, a verdade não existe e a mentira também não. Sou pelo contexto, pelas circunstâncias, pela relatividade.

Isso não quer dizer que Deus que mora dentro de mim. De vez quando Deus e o diabo se pegam lá dentro.

Facilmente, caro leitor, você chegará à conclusão em que não acredito em gente totalmente incorruptível. O cara fechado numa sala cheia de dinheiro, sem ninguém com ele e sem câmara, dificilmente ficará sem roubar.

Sou defensor ferrenho do controle social, um vigiando o outro.

Por isso sou cronista, navego por cima da água num caiaque sem rumo num rio caudaloso. Contando o que vejo em volta aos meus leitores.

O Supremo Tribunal Federal. promoveu um reality show ou BBB. As palavras corte e supremo foram trocadas por pixuleco. Só não peidaram alto.

A sessão do STF não me escandalizou, é normal ter conflitos em reunião de colegiado, seja câmara municipal ou reunião de condomínio. Somos seres humanos, de vez em quando a gente sai da caixinha. O mais bobo lá no STF tira a meia do pé sem mexer no sapato.

A ministra Carmem Lúcia faz o papel de madre superiora. Quer salvar o mundo passando lições de moral.

 

SENADORES POR SÃO PAULO

São senador atuais, no exercício do mandato: Marcos Pontes (PL) o astronauta que ainda está na lua. Mara Gabrilli (PSD).Giordano (MDB / Podemos- suplente que assumiu com a morte do Major Olímpio. Já tivemos nomes significativos, tanto da direita como da esquerda. Agora temos pixulecos.

Está na hora de São Paulo voltar a ter nomes significativos no Senado com bandeiras significativas. Tenho as minhas candidatas.

PRÉDIO VAZIO NO CENTRO DE ARAÇATUBA

A força dos supermercados Rondon fecharam mais um concorrente, o Stock Atacadista, que funcionava num baita prédio na avenida dos Araçás. Há uma platibanda para estacionamentos bem na fachada que serve a quem for alugar o prédio (quase um quarteirão). Motoristas abandonados pela Zona Azul e moradores de ruas sem assistência social se servem do espaço coberto afastado da calçada. 

FESTARA 2026 - Programação completa


18 de setembro

ABERTURA 20h | Da Cor de Cobre Clarin Cia. de Dança
Local: Teatro São João
Classificação: livre
Acessibilidade: Libras

19 de setembro
11h | Ester Com Odília Nunes
Local: Calçadão Marechal Deodoro e Princesa Isabel
Classificação: livre

16h | Histórias para Contar e Cantar! Cia. Koi
Local: Biblioteca Municipal Rubens do Amaral
Classificação: livre

17h | Decripolou Totopeou Com Odília Nunes
Local: Praça Paraíso
Classificação: livre

20h | Ilíada em Libras, Canto I Cia. Ilíada de Homero e Fluindo Libras
Local: Teatro Municipal Castro Alves
Classificação: 12 anos
Acessibilidade: Libras

20 de setembro
17h | Cordelina Com Odília Nunes
Local: Praça Getúlio Vargas
Classificação: livre
18h | Lobo em Apuros Cia. Vem Vento
Local: Teatro Municipal Castro Alves
 
Classificação: livre
 
21 de setembro
 
8h30 e 13h | Lobo em Apuros (evento fechado) Cia. Vem Vento
 
Local: EMEB Maria Mercedes Cassiolatto de Souza
 
Classificação: livre
 
Acessibilidade: Libras
 
20h | Ideias para adiar o fim do mundo Com Yumo Apurinã
 
Local: Teatro Municipal Castro Alves
 
Classificação: 12 anos
 
Acessibilidade: Libras
 
22 de setembro
 
9h e 14h | Fábulas de Esó-Pó (evento fechado) Grupo TODAVIA Teatral
 
Local: EMEB Henny Ferraz Homem
 
Classificação: livre
 

23 de setembro
9h e 14h | Lobo em Apuros (evento fechado) Cia. Vem Vento
Local: EMEB Hélia Pinholi Mungo
Classificação: livre
Acessibilidade: Libras
 
20h | Retalhos: entrelinhas, fios e versos LAPA, Laboratório de Pesquisa Artística da Casa Amarela
Local: Teatro Municipal Castro Alves
Classificação: 16 anos
Acessibilidade: Libras
 
24 de setembro
ENCERRAMENTO
14h | Fábulas de Esó-Pó (evento fechado) Grupo TODAVIA Teatral
Local: EMEB Eglés Gabas de Carvalho Classificação: livre
 
20h | Não me entrego, não! Com Othon Bastos
Local: Teatro Unip
Classificação: 12 anos
Acessibilidade: Libras
 

13.9.26

Conversa para boi dormir


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Estive no supermercado, como estou quase todos os dias. Eu me lembrei dos preços das mercadorias no tempo do governo Bolsonaro. Até pé de frango se comprava para não se comer sem mistura. Lá na região Norte, os pobres avançavam avidamente em monte de ossos.

Houve greve dos caminhoneiros, faltava mercadorias nas gôndolas. Sem falar da pandemia que Bolsonaro não soube administrar. Ria dos doentes. Foi um governo do absurdo, do sofrimento.

Não posso querer a volta de um governo assim, de milicianos cariocas. Eu me amo, não sou masoquista.

A coisa mais fácil era comprar armas. As mulheres estão pagando hoje o preço com o feminicídio.

Governo do Lula é cheio de providências, não deixa a peteca cair, nem mesmo a guerra inventada por Trump abalou o homem. O presidente norte-americano roncava grosso, Lula chamava-o para conversar.

Os bolsonaristas são monarquistas. O filho sucede o pai. Pôs o filho bobo para ser candidato. Os partidários dele ficam desesperados. Se numa roda de conversa alguém fica falando que nada está bom, o cara é bolsonarista, distribuindo o pessimismo graciosamente. Deixe esse cara falando sozinho, conversa para boi dormir.

NÃO EXISTE NADA IMUTÁVEL

Quando na escola me apresentaram pela primeira vez o atlas e o globo terrestre fiquei chocado.

Agora se muda, porque temos aparelhos mais exatos. A Terra continua a mesma, só vai mudar um pouquinho o desenho.

Avise o pessoal da terra plana que a Terra continua redonda. Há gente que não acredita que o homem tenha ido à Lua. Para essa gente, a ciência viva numa fantasia.

Há gente pensando em aumentar as medidas de seu terreno na Prefeitura. O MST vai ter mais terras devolutas para invadir. O desenho da terra espichou um pouquinho, não vai ter reforma agrária.

ELEIÇÃO DIFERENTE

Apenas para fazer comparação, em 1982, campanha começou depois do carnaval. Era ano de copa também. Nenhum poste ficava sem papel fixado. Gráfica, faixeiros, pintores de muro ficava todos ocupados. Nunca se tiravam tantas fotos 3x4 para que a população tivesse o título de eleitor. O candidato pagava as fotos para os eleitores ficarem aptos a votar. Camisetas eram distribuídas aos punhados. Ruas forradas de santinhos.

Como professor de escola pública e particular, convidei meus alunos para a massiva boca-de-urna. Conduções dos candidatos distribuíam lanches e água para a turma. Cada aluno com a camiseta do candidato. Tudo dentro da lei. 

Dei um churrasco no antigo Country Clube para a turma que trabalhou, pois fui um candidato vitorioso.  

2.9.26

Brincou com fogo

FOI BRINCAR COM ARMA DE MENTIRINHA E

MORREU DE VERDADE

Hélio Consolaro

O que escrever e quando morrer são coisas surpreendentes. Até domingo, eu estava sem assunto, de repente um tiro seco de arma de fogo cortou o silêncio da vizinhança.

Por não ser repórter policial e por ser um bom covarde, fui dormir. A vizinha Roseli Luiz que estraçalha corpos no IML deve ter pensado: amanhã tenho cadáver.

Noutro dia, segunda-feira, fui consultar o Edmilson, nosso gari particular do quarteirão, para saber o que houve a viva voz. Notícia já tinha ouvido no RP10. O repórter Fabinho Ishizawa chega primeiro que a morte.

Ouvindo a história por um, por outro. Pensando no restaurante (bar), que constrói o point com tanto sacrifício e de repente acontece essa tragédia na porta de seu estabelecimento.

Pensando também no portador da arma de brincadeirinha, por que andar com aquilo, ter que enfrentar uma arma de verdade, como aconteceu no domingo. O policial pensando que ele ia matar os outros dois, baleou o falso atirador, matando-o. A arma era de brincadeirinha, mas por causa dela morreu.

E o policial, querendo cumprir seu papel nas horas vagas, complicou sua vida. O crime dele foi o açodamento, não gritou, não deu ordens, já foi atirando querendo salvar as duas possíveis vítimas. Apesar de ter tirado uma vida, sua presteza precisa ser reconhecida.

Todos agentes da catástrofe correram para o local para prestar socorro, mas a morte inevitável aconteceu. Quem não queria matar, por isso carregava uma arma de brincadeira, morreu

Os clientes do bar, ou da lanchonete ou do restaurante estavam no local para conversar, sorrir, espairecer, encontrar amigos. mas de repente foi para casa dormir, sem conseguir pegar no sono.

Na filmagem do filme policial, certa vez, aconteceu ao contrário, passaram para o artista uma arma carregada. A tragédia deixou de ficção.

O cenário da tragédia grega foi montada naquele lugar, numa faísca de tempo, pelo Senhor do Destino.

FURTO DE FIOS DE COBRE

O furto cresceu porque o receptador paga R$40,00 por kg de fios de cobre.
Vamos prender o receptador? Vamos! Mas ele é o ferro-velho, o mesmo cara que compra materiais recicláveis. A faxineira aqui de casa, por exemplo, anda catando pedacinhos de fios para fazer um dinheirinho.
Os ladrões gostam de roubar fios de casas velhas cujos fios ficam expostos. Nessas casas as torneiras são de cobre. Nas reformas dessas casas devemos pôr a rede elétrica em segurança. Igrejas, clubes, sedes de entidades são assaltadas com facilidade.

30.8.26

Comentários sobre a entrevista de Lula ao JN - Ângela Carrato - UFMG

 


O presidente Luiz Inácio da Silva não foi entrevistado pelo JN. Foi interrogado por uma espécie de tribunal de inquisição, cuja parte visível eram os amarra-cachorros da família Marinho, César Tralli e Renata Vasconcellos.

Os desrespeitos e tentativas de diminui-lo e intimidá-lo foram permanentes.

Os dois jornalistas não o trataram com o respeito devido a um presidente da República. A boa regra jornalística recomenda que a referência  deveria ter sido como presidente, candidato à  reeleição ou a um novo mandato. Tratá-lo apenas como "candidato" foi uma maneira para desconsiderar seu status de presidente.

Na apresentação de sua trajetória politica esta tentativa já ficava clara, ao desconhecerem seu papel fundamental na cena global, como um dos líderes mais ouvidos e prestigiados. 

Outro truque para tentar diminuí-lo, foi a cadeira que lhe destinaram no estúdio onde aconteceu a entrevista. Era a mesma ocupada pelos candidatos que o procederem porém com um detalhe: o  espaldar estava mais baixo do que o dos jornalistas-inquisidores.  O truque ficou visível para quem observou o enorme salto do sapato da Renata, que é  baixa. Sem ele, seus pés não tocariam o chão e sua imagem ficaria achatada, como ficou a do Lula.

Considerações estéticas à  parte, é absolutamente inconcebível que numa entrevista com duração de  40 minutos, os  17 iniciais tenham sido dedicados a perguntas sobre "corrupção no governo".

Os amarra-cachorros da família Marinho inquiriram Lula sobre  acusações de corrupção do filho Fábio Luiz, do ex-chefe de gabinete, Marcola, do senador Jacques Wagner e do ex-ministro Carlos Luppi. 

Nos quatro casos faltam provas e sobram convicções. Mesmo assim  os inquisidores  trataram denúncias baseadas em vazamentos seletivos como se fossem processos já  julgados e concluídos.

Lula custou a acreditar que trechos de vazamentos de processos,  sem qualquer contextualização, pudessem estar sendo citados como "provas".

A  sua resposta para os quatro casos foi a mesma: tudo deve ser apurados e todos têm o direito a se defender. Especificamente sobre Fábio Luiz, lembrou o que disse para o próprio filho:

 "você  tem obrigação de provar que é  inocente", acrescentando que o Palácio do Planalto não moverá  uma palha para auxiliá-lo, diferentemente de outros presidentes que trocaram delegados a fim de proteger familiares.

Os dois inquisidores não se deram por satisfeitos. Questionaram o fato de Lula ter aparecido em solenidade pública  pedido votos para Jacques Wagner, candidato a um novo mandato como senador. Lula foi categórico: "somos amigos há 45 anos e eu respeito a presunção de inocência. Não sou daqueles que fingem não ver um amigo na rua, porque ele está  sendo  acusado".

Era previsível que o tema da corrupção seria explorado pelo JN, mas não da forma torpe em que foi. 

Outros assuntos que compõem o kit neoliberal da extrema-direita e dos Marinhos também  não faltaram: privatização dos Correios, rombo das estatais e aumento da dívida pública.

Lula descartou privatizar os Correios e desmascarou a mentira do tal rombo nas estatais. Ao recordar os absurdos cometidos pela Operação Lava Jato, ele disse que ainda aguarda um pedido de desculpas da mída, pelos injustos 580 dias em que esteve preso.

A inquisidora Renata ainda tentou rebate-lo citando "a política editorial da empresa", que lhe deve ter sido soprada pelo ponto no ouvido, mas percebeu que o melhor era  não levar o assunto adiante. 

A desfaçatez dos inquisidores era tamanha, que ainda tentaram jogar casos explícitos de corrupção descobertos e combatidos na atual administração, como o do banco Master e dos descontos de aposentados do INSS no colo de Lula. Algo tão  grotesco como acusar de corrupto alguém que denúncia a presença de ladrões em sua  casa. Um absurdo total para uma emissora de TV que  diz praticar jornalismo profissional e ter compromisso com os fatos. 

Lula citou novamente os esquemas da TV Globo com o ex-juiz Sérgio,  Deltan Dallagnol e  com os crimes da Operação Lava Jato, para desespero da Renata e do Tralli.

Outra estocada excelente na Globo foi a respeito dos juros altos. Defensora histórica da autonomia do Banco Central, Lula lembrou este aspecto e o fato de que ele é que sempre se bateu pela redução da taxa de juros e que herdou de Jair Bolsonaro um país quebrado e com um rombo de R$ 94 bilhões, nunca mencionados pela Globo e pelos demais veiculos da mídia corporativa.

Outra baixaria foi a tentativa da Globo de criar atrito entre Lula e seu atual ministro da Economia, Dario Durigan. na qual o calejado Lula obviamente não caiu.

Quanto à  situação da dívida pública, que a midia alinhada aos interesses do    "andar de cima" considera catastrófica, Lula foi cirúrgico: a dívida brasileira é  de 82% em relação ao PIB, enquanto a dos Estados Unidos ultrapassa 120%, sem que haja qualquer alarme na mídia de lá  e  na de cá.

Foi óbvia a ênfase em temas mais complexos e distantes do domínio  público, para ocupar o  tempo restante e evitar que Lula pudesse falar das enormes conquistas e avanços de seu terceiro governo na saúde, educação, geração de empregos e assistência social, que tem interesse direto para a população. 

Lula novamente foi certeiro. Seus governos anteriores pagaram a dívida externa e puseram fim aos tormentos com o FMI, além do superavit que possibilita a estabilidade de que desfruta o Brasil no cenário internacional.

Chamou atenção igualmente, os dois inquisidores terem fugido de abordar os enormes avanços do governo Lula no plano internacional, uma vez que ele é  reconhecido como um dos maiores estadista contemporâneos.

Chamou atenção, igualmente, as pressões de Donald Trump contra o Brasil não  terem sido sequer mencionadas. O nome disso é  manipulação e conivência com o imperialismo estadunidense e os interesses da "casa grande" brasileira.

Para encerrar o interrogatório, não  poderia ter ficado de fora o tema da segurança pública, apresentado pelos amarra-cachorros dos Marinho como responsabilidade exclusiva do governo federal. Lula, outra vez, teve que recolocar o assunto no seu devido lugar, ao  citar a PEC da Segurança Nacional, que deve ser aprovada nos próximos dias, e a criação do ministério da Segurança Pública, que aguarda apenas a aprovação desta PEC.

Se a dupla de inquisidores achava que ia lacrar contra o presidente, deixando para o final a questão da fila de espera no SUS,  Lula concluiu convidando a dupla para a solenidade, na próxima semana em Brasília, quando vai anunciar que seu governo zerou esta fila. 

Indescritível a cara de perplexidade dos dois empregados da familia Marinho, que ainda tiveram que dormir com as  frases finais de Lula: aos 80 anos vivo o melhor momento da minha vida e depois de termos tirado o Brasil duas vezes do  Mapa da Fome, agora é  a vez de investir em ciência, tecnologia, inteligência artificial e na qualificação dos nossos jovens.

Pelas estocadas de Lula na Globo e na mídia golpista, os Marinho também devem ter ido dormir certos de que, mesmo não  tendo dito, a regulação da mídia corporativa e das big techs entrarão em pauta no quarto governo Lula, que eles vem fazendo de tudo para que não ocorra.

Nenhuma inquisição é  capaz de deter quem tem compromisso com o povo.

Lula entrou grande e saiu gigante, enquanto a Globo apenas reforçou o seu golpismo e condição de porta-voz da "Casa Grande" e dos interesses imperialistas.

26.8.26

Na maré da campanha eleitoral


 
Os bolsonaristas querem provar a honestidade de Jair fazendo um filme financiado por Flávio com dinheiro de acusados de roubo.

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Antigamente mais, hoje menos, a campanha eleitoral é uma espécie de trote estudantil. Até passam a mão na bunda do candidato. Quer chegar lá, vai submeter. Quem é candidato por uma vez, fazendo campanha, nem que seja a vereador, conhece bem o nosso povo. Conhece mais a voz do capeta do que a de Deus.

Em 1988, uma senhora entrou no meu comitê (naquela época era uma exigência) dizendo que precisava fazer o aniversário de sua filha. Relacionou o que cada candidato a prefeito ia dar para fazer a festa. E passou qual era a minha cota. Olhei bem na cara dela e disse: "Na minha casa, quando não tenho dinheiro, não faço festa. Passe bem!" Já fui malvado!

DEBATE POLÍTICO

EM 1988, fui candidato a prefeito. Eu era um menino de 40 anos. Hoje me acho assim, mas na época me considerava preparadíssimo com meus seis anos na vereança.
A SPTV Rio Preto organizou um único debate dos candidatos de Araçatuba no dia 27/10/1988. Na época, a eleição acontecia no feriado de 15 de novembro. Como não tínhamos canal de televisão no município, o horário gratuito era só no rádio.
O debate do dia 27/10 foi de manhã. Chuva torrencial, todos em casa, minha candidatura cresceu. Fui bem.
Mas a candidata vitoriosa nas urnas, Germínia Venturolli, não compareceu. No resultado eleitoral, eu fiquei em terceiro e o deputado federal João Rezek em quarto lugar, ganhei do fazendeiro. Nesse ano, 1988, Erundina elegeu-se prefeita de São Paulo.
NÃO TEMOS DIREITA DEMOCRÁTICA

Dentre os presidenciáveis mais expostos, todos são de direita autoritária, vão dar anistia aos golpistas caso sejam eleitos.
Como admitir que um ex-governador de dois mandatos tenha apenas 10% dos votos em Minas Gerais. Zema, em vez de conhecer o Brasil, vai visitar El Salvador, um país menor que estados brasileiros, que é governado por um ditador
Zema precisa viajar pelo Brasil. Aproveitar a campanha eleitoral para fazer isso.

QUEM FICA COM O CENTRÃO?

Fizeram essa pergunta ao presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) quando recentemente esteve em Araçatuba-SP. E ele respondeu que seria com o Lula, pois os partidos que compõem o Centrão se declararam neutros.
A neutralidade ficou barata depois da aprovação do financiamento de campanha pelos cofres públicos, os candidatos do legislativo não precisam do dinheiro do candidato do executivo para fazer campanha.
O Centrão espera 2030 para apoiar Tarcísio Freitas para presidente, pois todos eles apoiam o governador na rua reeleição.
Aguardemos.