AGENDA CULTURAL

21.2.26

AROEIRA: meu aniversário - Marcos Francisco Alves

AROEIRA: palavra síntese do editor do Blog do Consa em homenagem ao aniversariante

Boas noites. Quero agradecer a todos e todas que me felicitaram os/as quais agradeci e aqui completo meus agradecimentos com aqueles/as que não consegui. Hoje 75 anos. 60 anos de lutas, desde os meus 15 anos iniciadas nas Comunidades Eclesiais de Base. Movimento estudantil universitário a partir de 1.973, no PCdoB a partir de 1976 , nos movimentos sociais contra a ditadura e no sindical, APEOESP, a partir de 1.978 quando  conseguimos tirá-la das mãos do atraso. Muitas lutas. Vitórias. Derrotas. Aprendizados. Erros.  Importante, não perdi os rumos: cada vez mais procurando ser marxista-leninista na construção do  Socialismo.

Gabriel Garcia Márquez, disse que “a idade não é a que temos, mas a que sentimos”, assim como “a vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”, mesmo porque somos produtos de tantas outras vidas passadas.. Nestes tempos ainda de incertezas, precisamos nos livrar das mentiras, da ignorância e seus derivados, da  negação das Ciências, do racismo, do machismo e todas as fobias de gênero, de etnia, de raça, de nacionalidade e de classe, e  gostaria  contar  essa  data como mais um momento de brado, de luta para  a plena libertação dos espíritos  e da resistência, contra todas as formas de opressão, que aflige nosso país na forma  do bolsonarismo e do nazifascismo.

As lutas esse ano não serão fáceis para impedir a volta desses facínoras. Contam eles/as com apoios da burguesia,  de setores do agro, das mídias e parcelas da população, ainda alienada por falsas religiões, por medo, por interesses e do imperialismo decadente dos EUA com o pervertido  Trump a frente.

Neste 04 de fevereiro, celebro minha VIDA para as pessoas queridas, pois como também escreveu o grande escritor colombiano, “a vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver”, sendo que “a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a este artifício conseguimos suportar o passado”, pois “os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos” , com a plena convicção que saberemos superar nossas diferenças, nos unirmos e construirmos um país melhor, civilizado e que nosso humano possa florescer.

Então, essa data para mim é  um momento de lembrança das permanências de  todas as outras vidas que compõem as nossas e  um   brado de luta para a plena libertação dos espíritos  e de resistência, contra todas as formas de opressão, preconceitos. Lembro Dostoiévsk: “ ...O homem tem tudo em suas mãos, e tudo escapa entre seus dedos por pura covardia...” Em frente, o futuro pertence a quem luta.

Marcos F. Alves/ fevereiro.2026, professor aposentado.

20.2.26

LIVRO DE MINICONTOS SERÁ LANÇADO NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA - Antônio Reis


Reynaldo Mauá Júnior
(ARAÇATUBA – 19 DE FEVEREIRO/2026) - "Uns poucos contos curtos" é o título do segundo livro de Reynaldo Mauá Júnior, que será lançado em Araçatuba na próxima terça-feira (24), a partir das 19h30, no Quintal Cultural, no evento denominado Balada Literária, de iniciativa do Grupo Experimental (GE). A obra poderá ser adquirida por R$ 30,00 e o serviço de bar será de responsabilidade do próprio consumidor. O livro também estará disponível na versão e-book, na Amazon.

Os textos são o resultado de anos de produção, que ficam explícitos na diversidade de assuntos abordados por Reynaldo Mauá Júnior, que revela seu poder de síntese em contraste com os artigos publicados periodicamente na imprensa araçatubense. Logo na introdução, o autor chama a atenção para um gênero literário que não é novo, porém, ganhou relevância com as redes sociais, onde tudo tem de ser rápido e instantâneo: "Várias nomenclaturas concorrem para classificá-lo. São chamados, também, de microconto, nanoconto, microrrelato, minificção, ministória, conto brevíssimo, além, é claro, de miniconto".

"Mentia a idade sempre. Cada soma de anos se transformava em um. Chegou à senilidade aos 15 anos", "Tinham uma relação tão tórrida que suas bocas ansiavam por lábios mais úmidos" e "O tesão desaparecera no meio do ato. Mas bem que ele       tem tara" são três exemplos do que o leitor encontrará em "Uns poucos contos curtos". O autor desafia o politicamente correto e por outro lado romantiza a várias possibilidades do cotidiano: ''Achou o segurança tão lindo que desistiu de entrar na boate. Fez a festa fora". 

Os minicontos são ilustrados com imagens criadas por inteligência artificial, todas em preto e branco, que não têm o objetivo de explicar o texto, mas de complementá-los.  "Uns poucos contos curtos" contribui para que os adeptos do minimalismo na literatura travem um debate, no mínimo, consigo mesmo na definição ou redefinição de seus conceitos sobre o que é o gênero, que pode ter apenas uma linha, mais de uma linha ou poucas palavras. "Contos curtos, sim; pequenos, não", é o título do prefácio, de autoria do editor Antônio Reis.

Reynaldo Mauá Júnior ocupa a cadeira número 6 da Academia Araçatubense de Letras (AAL), é autor de "Entretantoscantos", de poemas, lançado em 2019. Tem trabalhos publicados em coletâneas, principalmente da série "Experimentânea", editado pelo Grupo Experimental da AAL. Na Balada Literária, além do lançamento do livro, terá música ao vivo e palco livre para quem quiser mostrar o próprio talento, cantando ou declamando textos de livre escolha.

 
SERVIÇO:
Lançamento: "Uns poucos contos curtos"
Dia: 24 de fevereiro
Horário: a partir das 19h30
Local: Quintal Cultural
Endereço: Rua Cussy de Almeida, 2.088, em Araçatuba
Preço: R$ 30,00

19.2.26

Procissão e escola de samba

 

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Olha lá vai passando a procissão
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
Acreditam nas coisas lá do céu
(Gilberto Gil)

 

Seja no bloquinho de rua, assistindo pela TV ou em um camarote caríssimo. O importante é deixar a alegria contagiar seu coração no Carnaval. (O Pensador)

 

No calendário de cada ano, vem primeiro o carnaval e depois a quaresma. Na quarta-feira de cinzas, a igreja católica dá início à Campanha da Fraternidade.

Em 2026, fraternidade e moradia, tendo como lema: "Ele veio morar entre nós". Tendo no cartaz um morador de rua dormindo no banco da praça. É o discurso da inclusão.

No tempo em que carnaval era coisa do capeta, e ainda é para setores do evangelismo, pecava-se na folia e na quaresma pedia-se perdão, era o tempo da penitência. Há pregador que senão existisse o diabo, não consegue catequisar. 

No Congresso Nacional, segundo pesquisa o site Agência Pública, capeta domina os discursos de políticos do PL (Partido Liberal). Não se trata de mera coincidência.  

Na verdade, na linha da brasilidade, primeiro vem a procissão, depois o carnaval. Primeiro, os negros foram à procissão, ficavam no fim do cortejo. Depois, na hora de organizar o desfile, alguém ensinou:

- Vamos em fila, como na procissão, em vez de andor, vamos ter carro alegórico. 

E assim fizeram. Na cidade do Rio de Janeiro, onde a africanidade brota do chão, deu-se início à criação de escolas de samba. Depois São Paulo imitou.

Durante a ditadura militar, as escolas eram trazidas no cabresto. Nada de crítica. E assim o enredo era conduzido conforme o desejo das autoridades, até nos votos dos jurados. Naquele tempo, se Lula fosse o ditador, a Acadêmicos de Niterói seria a primeira colocada. 

Durante a democracia, cada escola escolhe o tema, conforme as normas elaboradas pelos organizadores do desfile. Isso é tão verdade que o prêmio ganho pelo ufanismo (ou puxa-saquismo) da Acadêmicos de Niterói foi o rebaixamento.   

Esse jeito informal de viver, com democracia e pluralidade, é a cara do Brasil no mundo. Os Estados Unidos perderam a graça. Não queremos dominar o mundo, desejamos paz para todos, isso se chama multilateralismo. O Brasil está se tornando de fato uma pátria amada. 

11.2.26

Centro Cultural Ferroviário - por que foi desprezado?

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor, membro da Academia Araçatubense de Letras. Ex-secretário da Cultura
Aquele grande galpão antes de ser centro cultural foi uma casa das máquinas e foi tombado (registrado) assim. Depois de tombado, se deu um destino para a construção: centro cultural, porque em nossa tradição brasileira um prédio que participou da história da cidade é destinado às atividades culturais.

E a cultura não é sempre a prioridade dos prefeitos. Não foi diferente em Araçatuba. E assim o centro cultural ficou como está, no chão.

Estou me propondo a fazer um roteiro histórico desse abandono. Aquele grande galpão antes de ser centro cultural foi uma casa das máquinas e foi tombado (registrado) assim. Depois de tombado, se deu um destino para a construção: centro cultural, porque em nossa tradição brasileira um prédio que participou da história da cidade é destinado às atividades culturais.
E a cultura não é sempre a prioridade dos prefeitos. Não foi diferente em Araçatuba. E assim o centro cultural ficou como está, no chão.
Estou me propondo a fazer um roteiro histórico desse abandono.

ARAÇATUBA-FERROVIA. Araçatuba, como outras cidades da Noroeste, surgiu duma estação ferroviária. Algumas estagnaram, outras conseguiram se desenvolver, outras desapareceram. Araçatuba foi a que mais cresceu. A nossa lei municipal de política de conservação de memória e patrimônio histórico tem como centro a ferrovia. Daí a importância do Centro Cultural Ferroviário.
CASA DAS MÁQUINAS. A linha foi retirada do centro de Araçatuba, a prefeitura recebeu todos os antigos prédios da ferrovia. Alguns foram tombados (declarados patrimônios históricos pela prefeitura e governo do estado) dando-lhes finalidades. À oficina foi dada a função de centro cultural, foram feitas algumas reformas. Em 2009. a convite do prefeito Cido Sério, assumi a condução da Secretaria Municipal de Cultura. Lá foram feitos vários eventos culturais. De repente, rachaduras nas paredes. Engenheiros da prefeitura interditaram o local. E até hoje está assim. O prédio é tombado -

RESTAURAR É ARTE. Reforma busca mudar, modernizar ou renovar um espaço, permitindo alterações estruturais (como derrubar paredes) e funcionais, focando na criação de algo novo ou melhorado, sem compromisso com a originalidade, enquanto a Restauração visa preservar a identidade e autenticidade de um bem, consertando o desgaste e mantendo-o o mais próximo possível de seu estado original, utilizando técnicas e materiais específicos para bens históricos ou antigos, exigindo um especialista (IA).


INTERDITADO. Retomemos a linha de tempo. Espaço interditado pelos engenheiros. Prefeito Cido Sério, então PT, e sua equipe, inclusive eu, acharam fácil obter recursos sendo o governo federal também PT. Várias viagens a Brasília. Neste ínterim, o prédio foi reconhecido patrimônio pelo governo estadual, Quando faltava apenas a assinatura da presidenta Dilma, aconteceu impeachment dela. Quem iria mesmo restaurar o Centro Cultural Ferroviário seria mesmo Dilador Borges, atualmente no PSD. 

HAVAN. Na última edição destas notas, expliquei que o ex-prefeito Cido Sério não conseguiu a verba federal diante do impeachment da presidenta Dilma. O secretário municipal do Desenvolvimento, Antônio Carlos Faria, pôs o prefeito Cido em contato com o senhor Luciano Hang, dono da Havan, para que a empresa restaurasse o centro cultural usando a renúncia fiscal nos impostos estaduais. O tempo foi curto, a restauração ia ser feita mesmo por Dilador Borges.

Continuaremos, há mais capítulos.

7.2.26

E a porteira bateu!

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP  

Desafios e autodidatismo são os jeitos de eu enfrentar a realidade. Sempre avalio meus conhecimentos e minhas forças, analiso os objetivos e enfrento aquilo que me proponho ou outros o fazem.

Assim, diante de palestrar sobre romance, numa das reuniões do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras, escolhi o romance histórico. Recaindo sobre o livro “E a porteira bateu!” (1968), de Francisco Marins (1922-2016), escritor e médico de Botucatu, foi membro da Academia Paulista de Letras.

Com E a porteira bateu! Francisco Marins completa a tríade SAGA DO CAFÉ, iniciada por Clarão na serra e Grotão do café amarelo. Também produziu livros infantojuvenis, criando um espaço em Pratânia, sua terra natal, um sítio chamado Taquara-Póca.

Série Taquara Póca -Nas Terras do Rei Café; Grotão do Café Amarelo; Os Segredos de Taquara-Póca; O Coleira Preta; Gafanhotos em Taquara-Póca.

Série Vagalume – A Aldeia Sagrada; O Mistério dos Morros Dourados; A Montanha das Duas Cabeças; Em Busca do Diamante; Viagem ao Mundo Desconhecido; A Aldeia Sagrada; O Mistério dos Morros Dourados; Em Busca do Diamante; Canudos; O Sótão da Múmia.

Série Roteiro dos Martírios – Expedição aos Martírios; Volta? Serra Misteriosa; O Bugre do Chapéu de Anta; Verde era o Coração da Montanha; Território dos Bravos.

Romances – Clarão na Serra; Grotão do Café Amarelo; … E a Porteira Bateu!; Atalho Sem Fim; O curandeiro dos olhos em gaze.

Durante o meu magistério, adotei o livro E a porteira bateu nas oitavas séries da Escola Estadual Genésio, onde lecionei por 21 anos. Era uma leitura extraclasse (ou paradidática) que contribuía na formação histórica da nova geração, pois o livro tinha como cenário e personagens a colonização da região Noroeste, da qual faz parte Araçatuba. 

O romance histórico é um gênero narrativo que mistura personagens e tramas ficcionais com fatos, cenários e contextos históricos reais. O gênero busca recriar epicamente o passado, analisando eventos coletivos (como guerras ou revoluções) através da perspectiva de indivíduos. Nem tudo é verdade, mas também nada é mentira.Hélio Consolaro é professo,

Quem é Francisco Marins? "Francisco Marins não é somente o grande romancista do café, é o poeta de um Brasil de essência, brotado na saga dos povoadores, dos padres missionários, dos desbravadores, dos sertanejos rudes, dos plantadores de café e dos construtores de ferrovias no sertão misterioso". (Fábio Rodrigues Mendes). Também lembrou em seus livros de que os indígenas foram massacrados pelos colonizadores.

A abertura da ferrovia, o rio Aguapeí (também conhecido por rio Feio), padre Claro, bugreiros, a vida dos donos das terras, como se dava a grilagem. Tudo está no livro de forma romanceada.

Cândido Rondon aparece no livro com seu lema como indigenista, mas nem sempre bem-sucedido: “Morrer se preciso for, matar nunca”.

Ler o livro E a porteira bateu é conhecer mais profundamente Araçatuba. Venda pela internet, em sebos e livrarias.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna-RJ.

    

5.2.26

Vida de cachorro

 Eduardo Kobra

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Vamos nos colocar na linha do tempo. Na minha infância, me lembro bem daquela caneta que esfregava em nosso antebraço, fazendo riscos na pele, e depois, às vezes, virava uma bolha pustulenta. Aquilo deixava uma cicatriz. Era a vacina antivariólica. A primeira de todas. Moleque que vivia descalço, estrepando o pé na rua ou nas estradas, precisava tomar a vacina (injeção) antitetânica. 

Naquela época, na minha infância, a expectativa de vida do brasileiro era viver 45,5 anos. Meu avô morreu velho para caramba, 60 anos. À medida que surgiram novas vacinas, implantaram rede de água e esgoto nas cidades, a média foi aumentando. Hoje é 76,6, eu estou na lambujem, com 77 anos. Minha relação de vacinas, que carrego na carteira, é quilométrica.

Naquela época, ter cachorro era mais uma prática rural, E ninguém ficava nesse agarramento com os animais. Os homens usavam os chutes para enxotá-los, enquanto as mulheres tratavam-nos na vassourada. Eram todos comedores de resto, nada de ração e outros exageros.

Nome de gente em cachorro era heresia. Merecia um sermão do padre. Presente, Duque, Lola, Totó, Lorde, Pingo, Chico, Rex, Princesa eram os nomes antigos. Bob, Fred, Billy, Mel, Belinha, Flora, Floquinho são os nomes mais modernos.    

Cachorro bravo era posto na corrente. Nada de centro de zoonose, havia mesmo uma carrocinha da Prefeitura que recolhia os caninos de rua, sem dono. Se deixasse escapar para a rua, o totó era laçado e posto na carrocinha. 

Enquanto hoje, há a caridade de resgatar cães abandonados, com feiras públicas, na minha meninice, os cães eram recolhidos  e mortos, eutanásia geral. Um prazinho para pagar multa e retirar o cachorro.

A vida vai mudando conforme as novas realidades, se a gente se preocupa tanto com os cães, certamente nos preocupamos com os humanos. Mas há gente que se apega tanto ao cachorro porque se desiludiu com os humanos.

CACHORRO ORELHA

O Orelha era para ser mais um cachorro de rua (agora é comunitário), um vira-lata morto, mas Deus escreve certo nas linhas tortas da história, de repente virou um caso nacional. Vítima eloquente da violência contra a vida. A indignação geral diante do exemplo de Orelha empoderou os idealistas.

Tais fatos ocorreram em Santa Catarina, a UF (estado) mais branco e o mais bolsonarista do Brasil. "Mera coincidência, Consa!", disse meu amigo. Esse pessoal é arrogante. Qualquer aperto, foge para os Estados Unidos. Agora, nem o Trump querem-nos por lá. Leia o noticiário Nacional, caro leitor. 


29.1.26

Lágrimas de crocodilo

 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou suas redes sociais para se manifestar sobre o caso do cachorro Orelha, que comoveu Santa Catarina e repercutiu em todo o país. Lágrimas de crocodilo. Será que ele chorou as 700 mil vítimas da covid-19?

28.1.26

Inícios das aulas


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Início das aulas

Hélio Consolaro*  

Como cronista de longa carreira, já escrevi sobre o tema início das aulas várias vezes, ainda mais sendo professor. Para alguns alunos, um momento poético, para outros, vale o sacrifício, pois fazem colegas. O momento do encontro.

Até outro dia, estávamos em férias escolares, quando os pais não aguentavam mais os filhos em casa: "Não vão começar logo essas aulas!" Férias para o professor, trabalho pesado em casa. Aguentar os pirralhos 24 horas.

Além do IPVA, IPTU, há também a compra dos materiais escolares. É o 13o. às avessas. Nas escolas públicas, estão dando tudo. Só não estuda quem não quer. 

Atualmente, aposentado, nem saboreio bem as férias. Como avô, nessa época, encho a casa de netos em curtos períodos. Mas há vantagem de não ter ônus administrativo sobre os pirralhos. Só beijinhos e o presentinho do Natal.

Não sou aquele avô pegajoso, que denga neto. Fico observando, dou um beliscão e pergunto o que anda acontecendo. 

De vez em quando, ouço a pergunta de meus filhos pergunta:

- A gente dava tanto trabalho assim, pai?

- Sim, muito mais - respondo. 

Preciso me valorizar! Fazer uma média com os netos.  

Além de dar aulas, eu participava do sindicato. Organizar greve era um saco, mas necessário. Hoje não ouço tanta reclamação. Parece que os ajustes trabalhistas passaram a ser automáticos, como o piso salarial. Resultado das lutas passadas.

Hoje, vou à sede do sindicato (Apeoesp) para acertar as contas da Unimed. Os mais velhos, que deram a cara a tapa, andam dizendo por aí que o sindicato pelegou. Não vejo o problema assim. Estamos colhendo o resultado das lutas anteriores.

Os professores brasileiros não são tão prestigiados como no Japão, mas também não somos tão renegados como em tempos passados. Estou dizendo sobre os três níveis: federal, estadual e municipal. 

Até a elite brasileira descobriu que ter gente estudada é melhorar o mercado de trabalho, é ter empregados (ou colaboradores) mais preparados.

As aulas se iniciaram. Mais gente se engaja na caminhada da humanidade. Educar é passar aos mais novos os ensinamentos acumulados pelos mais velhos. Educação é uma revolução silenciosa.   

26.1.26

Escola de samba Acadêmicos de Niterói homenageia Lula em seu samba-enredo

Preparados pra se arrepiar?! A Acadêmicos de Niterói está pronta pra fazer história na avenida com um samba-enredo que narra a trajetória de um dos maiores brasileiros de todos os tempos: Luiz Inácio Lula da Silva! E nós aqui do PT já preparamos um clipe pra ir entrando no clima…  

21.1.26

Antigamente só há a saudade


 Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 

Até outro dia, para velho parece que foi ontem, eu não saía de casa sem ficha de telefone público, chamado de orelhão porque a cabine parecia uma orelha, pois numa urgência lá estava o equipamento para ser útil. 

Se servia ao bem, mas estava à disposição dos malandros também, pois os golpes eram dados pelos orelhões. Indicação de orelhão para um bairro era o pedido mais frequente de um vereador. Quando conseguia, dava uma festa.

Neste ano, 2026, os orelhões serão retirados, desafixados, pois os contratos de telefonia fixa serão encerrados com as operadoras. Nem sei se ainda existem usuários.  Não só ligavam, como também recebiam telefonemas, era apenas saber o número e combinar local e horário. Até o amor passava pelo orelhão.

Segundo os linguarudos, diziam que a convenção do PCdoB era feita debaixo de um orelhão de tão pouca gente.

Na minha adolescência, fazer uma ligação interurbana era perder um dia de serviço. Pedia-se de manhã para o telefonema sair à tardezinha e falava-se aos gritos. Na Telesp, esquina das ruas Joaquim Nabuco com a 15 de Novembro (Arçatuba), havia cabines para a população mais pobre, sem telefone em casa, fazer suas ligações interurbanas.

Nas décadas 70/80, ter uma linha fixa em casa era sinal de riqueza. Havia locadoras de linhas e telefones fixos. O preço de uma linha dava para comprar um carro.  

Com o advento do celular, décadas 90/00, o famoso tijolão, analógico, com baterias de consumo rápido, ter um na cintura era sinal de status. 

No ano 2000, fui obrigado a comprar um celular, pois passei a ser consultor de língua portuguesa do jornal Folha da Região. É o mesmo número até hoje, aumentando as casas à esquerda.

No início do terceiro milênio, eu profetizava a meus alunos que em breve o telefone celular seria vendido em postos de combustíveis. Errei no tipo de estabelecimento, porque já são vendidos em quiosques.

A saudade do orelhão vai se aguçar com a retirada deles das ruas da cidade, a partir de então, vamos vê-los apenas nos museus e nas fotos. 

Na língua portuguesa do Brasil, o orelhão vai deixar rastro no cotidiano na expressão "cair a ficha" que ainda continua. Sujeito de raciocínio lerdo, que demora para chegar à conclusão, como os aparelhos cujas fichas eram colocadas e demoravam para entrar em ação, para dar sinal.