AGENDA CULTURAL

30.8.26

Comentários sobre a entrevista de Lula ao JN - Ângela Carrato - UFMG

 


O presidente Luiz Inácio da Silva não foi entrevistado pelo JN. Foi interrogado por uma espécie de tribunal de inquisição, cuja parte visível eram os amarra-cachorros da família Marinho, César Tralli e Renata Vasconcellos.

Os desrespeitos e tentativas de diminui-lo e intimidá-lo foram permanentes.

Os dois jornalistas não o trataram com o respeito devido a um presidente da República. A boa regra jornalística recomenda que a referência  deveria ter sido como presidente, candidato à  reeleição ou a um novo mandato. Tratá-lo apenas como "candidato" foi uma maneira para desconsiderar seu status de presidente.

Na apresentação de sua trajetória politica esta tentativa já ficava clara, ao desconhecerem seu papel fundamental na cena global, como um dos líderes mais ouvidos e prestigiados. 

Outro truque para tentar diminuí-lo, foi a cadeira que lhe destinaram no estúdio onde aconteceu a entrevista. Era a mesma ocupada pelos candidatos que o procederem porém com um detalhe: o  espaldar estava mais baixo do que o dos jornalistas-inquisidores.  O truque ficou visível para quem observou o enorme salto do sapato da Renata, que é  baixa. Sem ele, seus pés não tocariam o chão e sua imagem ficaria achatada, como ficou a do Lula.

Considerações estéticas à  parte, é absolutamente inconcebível que numa entrevista com duração de  40 minutos, os  17 iniciais tenham sido dedicados a perguntas sobre "corrupção no governo".

Os amarra-cachorros da família Marinho inquiriram Lula sobre  acusações de corrupção do filho Fábio Luiz, do ex-chefe de gabinete, Marcola, do senador Jacques Wagner e do ex-ministro Carlos Luppi. 

Nos quatro casos faltam provas e sobram convicções. Mesmo assim  os inquisidores  trataram denúncias baseadas em vazamentos seletivos como se fossem processos já  julgados e concluídos.

Lula custou a acreditar que trechos de vazamentos de processos,  sem qualquer contextualização, pudessem estar sendo citados como "provas".

A  sua resposta para os quatro casos foi a mesma: tudo deve ser apurados e todos têm o direito a se defender. Especificamente sobre Fábio Luiz, lembrou o que disse para o próprio filho:

 "você  tem obrigação de provar que é  inocente", acrescentando que o Palácio do Planalto não moverá  uma palha para auxiliá-lo, diferentemente de outros presidentes que trocaram delegados a fim de proteger familiares.

Os dois inquisidores não se deram por satisfeitos. Questionaram o fato de Lula ter aparecido em solenidade pública  pedido votos para Jacques Wagner, candidato a um novo mandato como senador. Lula foi categórico: "somos amigos há 45 anos e eu respeito a presunção de inocência. Não sou daqueles que fingem não ver um amigo na rua, porque ele está  sendo  acusado".

Era previsível que o tema da corrupção seria explorado pelo JN, mas não da forma torpe em que foi. 

Outros assuntos que compõem o kit neoliberal da extrema-direita e dos Marinhos também  não faltaram: privatização dos Correios, rombo das estatais e aumento da dívida pública.

Lula descartou privatizar os Correios e desmascarou a mentira do tal rombo nas estatais. Ao recordar os absurdos cometidos pela Operação Lava Jato, ele disse que ainda aguarda um pedido de desculpas da mída, pelos injustos 580 dias em que esteve preso.

A inquisidora Renata ainda tentou rebate-lo citando "a política editorial da empresa", que lhe deve ter sido soprada pelo ponto no ouvido, mas percebeu que o melhor era  não levar o assunto adiante. 

A desfaçatez dos inquisidores era tamanha, que ainda tentaram jogar casos explícitos de corrupção descobertos e combatidos na atual administração, como o do banco Master e dos descontos de aposentados do INSS no colo de Lula. Algo tão  grotesco como acusar de corrupto alguém que denúncia a presença de ladrões em sua  casa. Um absurdo total para uma emissora de TV que  diz praticar jornalismo profissional e ter compromisso com os fatos. 

Lula citou novamente os esquemas da TV Globo com o ex-juiz Sérgio,  Deltan Dallagnol e  com os crimes da Operação Lava Jato, para desespero da Renata e do Tralli.

Outra estocada excelente na Globo foi a respeito dos juros altos. Defensora histórica da autonomia do Banco Central, Lula lembrou este aspecto e o fato de que ele é que sempre se bateu pela redução da taxa de juros e que herdou de Jair Bolsonaro um país quebrado e com um rombo de R$ 94 bilhões, nunca mencionados pela Globo e pelos demais veiculos da mídia corporativa.

Outra baixaria foi a tentativa da Globo de criar atrito entre Lula e seu atual ministro da Economia, Dario Durigan. na qual o calejado Lula obviamente não caiu.

Quanto à  situação da dívida pública, que a midia alinhada aos interesses do    "andar de cima" considera catastrófica, Lula foi cirúrgico: a dívida brasileira é  de 82% em relação ao PIB, enquanto a dos Estados Unidos ultrapassa 120%, sem que haja qualquer alarme na mídia de lá  e  na de cá.

Foi óbvia a ênfase em temas mais complexos e distantes do domínio  público, para ocupar o  tempo restante e evitar que Lula pudesse falar das enormes conquistas e avanços de seu terceiro governo na saúde, educação, geração de empregos e assistência social, que tem interesse direto para a população. 

Lula novamente foi certeiro. Seus governos anteriores pagaram a dívida externa e puseram fim aos tormentos com o FMI, além do superavit que possibilita a estabilidade de que desfruta o Brasil no cenário internacional.

Chamou atenção igualmente, os dois inquisidores terem fugido de abordar os enormes avanços do governo Lula no plano internacional, uma vez que ele é  reconhecido como um dos maiores estadista contemporâneos.

Chamou atenção, igualmente, as pressões de Donald Trump contra o Brasil não  terem sido sequer mencionadas. O nome disso é  manipulação e conivência com o imperialismo estadunidense e os interesses da "casa grande" brasileira.

Para encerrar o interrogatório, não  poderia ter ficado de fora o tema da segurança pública, apresentado pelos amarra-cachorros dos Marinho como responsabilidade exclusiva do governo federal. Lula, outra vez, teve que recolocar o assunto no seu devido lugar, ao  citar a PEC da Segurança Nacional, que deve ser aprovada nos próximos dias, e a criação do ministério da Segurança Pública, que aguarda apenas a aprovação desta PEC.

Se a dupla de inquisidores achava que ia lacrar contra o presidente, deixando para o final a questão da fila de espera no SUS,  Lula concluiu convidando a dupla para a solenidade, na próxima semana em Brasília, quando vai anunciar que seu governo zerou esta fila. 

Indescritível a cara de perplexidade dos dois empregados da familia Marinho, que ainda tiveram que dormir com as  frases finais de Lula: aos 80 anos vivo o melhor momento da minha vida e depois de termos tirado o Brasil duas vezes do  Mapa da Fome, agora é  a vez de investir em ciência, tecnologia, inteligência artificial e na qualificação dos nossos jovens.

Pelas estocadas de Lula na Globo e na mídia golpista, os Marinho também devem ter ido dormir certos de que, mesmo não  tendo dito, a regulação da mídia corporativa e das big techs entrarão em pauta no quarto governo Lula, que eles vem fazendo de tudo para que não ocorra.

Nenhuma inquisição é  capaz de deter quem tem compromisso com o povo.

Lula entrou grande e saiu gigante, enquanto a Globo apenas reforçou o seu golpismo e condição de porta-voz da "Casa Grande" e dos interesses imperialistas.

26.8.26

Na maré da campanha eleitoral


 
Os bolsonaristas querem provar a honestidade de Jair fazendo um filme financiado por Flávio com dinheiro de acusados de roubo.

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Antigamente mais, hoje menos, a campanha eleitoral é uma espécie de trote estudantil. Até passam a mão na bunda do candidato. Quer chegar lá, vai submeter. Quem é candidato por uma vez, fazendo campanha, nem que seja a vereador, conhece bem o nosso povo. Conhece mais a voz do capeta do que a de Deus.

Em 1988, uma senhora entrou no meu comitê (naquela época era uma exigência) dizendo que precisava fazer o aniversário de sua filha. Relacionou o que cada candidato a prefeito ia dar para fazer a festa. E passou qual era a minha cota. Olhei bem na cara dela e disse: "Na minha casa, quando não tenho dinheiro, não faço festa. Passe bem!" Já fui malvado!

DEBATE POLÍTICO

EM 1988, fui candidato a prefeito. Eu era um menino de 40 anos. Hoje me acho assim, mas na época me considerava preparadíssimo com meus seis anos na vereança.
A SPTV Rio Preto organizou um único debate dos candidatos de Araçatuba no dia 27/10/1988. Na época, a eleição acontecia no feriado de 15 de novembro. Como não tínhamos canal de televisão no município, o horário gratuito era só no rádio.
O debate do dia 27/10 foi de manhã. Chuva torrencial, todos em casa, minha candidatura cresceu. Fui bem.
Mas a candidata vitoriosa nas urnas, Germínia Venturolli, não compareceu. No resultado eleitoral, eu fiquei em terceiro e o deputado federal João Rezek em quarto lugar, ganhei do fazendeiro. Nesse ano, 1988, Erundina elegeu-se prefeita de São Paulo.
NÃO TEMOS DIREITA DEMOCRÁTICA

Dentre os presidenciáveis mais expostos, todos são de direita autoritária, vão dar anistia aos golpistas caso sejam eleitos.
Como admitir que um ex-governador de dois mandatos tenha apenas 10% dos votos em Minas Gerais. Zema, em vez de conhecer o Brasil, vai visitar El Salvador, um país menor que estados brasileiros, que é governado por um ditador
Zema precisa viajar pelo Brasil. Aproveitar a campanha eleitoral para fazer isso.

QUEM FICA COM O CENTRÃO?

Fizeram essa pergunta ao presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) quando recentemente esteve em Araçatuba-SP. E ele respondeu que seria com o Lula, pois os partidos que compõem o Centrão se declararam neutros.
A neutralidade ficou barata depois da aprovação do financiamento de campanha pelos cofres públicos, os candidatos do legislativo não precisam do dinheiro do candidato do executivo para fazer campanha.
O Centrão espera 2030 para apoiar Tarcísio Freitas para presidente, pois todos eles apoiam o governador na rua reeleição.
Aguardemos.

19.8.26

Obra não é sinônimo de livro


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
 
ESCREVEU O GRAFITEIRO EDUARDO KOBRA EM SUA PÁGINA DO INSTAGRAM: a mais recente pesquisa "Retratos da Leitura" trouxe um dado alarmante: pela primeira vez tem mais brasileiro que não lê do que brasileiro que lê. Como podemos imaginar um futuro melhor se as pessoas estão lendo cada vez menos? Mais do que uma reflexão, esta é uma preocupação. Inaugurei recentemente este mural no Rio de Janeiro com o objetivo de fazer um convite e uma provocação: vamos ler mais?

CONSA: a pesquisa foi feita pelo Instituto Pró-Livro (IPL). Para a entidade, a leitura só acontece em livros. Isso não invalida a pesquisa, por que mostra que o suporte livro está em decadência, mas é preciso dizer que o conceito de leitura é muito mais amplo, continua noutros suportes. Ela vai muito além de páginas de livros impressos ou digitais. Ler é um processo de decodificação e interpretação de símbolos, informações e significados em diversos suportes.

Outra distinção se faz necessária: entre livro e obra. Dom Casmurro, de Machado de Assis, é uma obra que pode estar num livro (conforme foi publicado originalmente), mas ela pode estar sendo fruída em audiolivros ou ebooks. Livro não é sinônimo de obra. 

 

AGOSTO: o mês brindou Araçatuba com o lançamento de dois livros. "Memórias de Araçatuba 2", onde o advogado Alceu Batista lembra o tempo passado de Araçatuba e faz suas homenagens. Ele começou este trabalho com uma página do Facebook. Não aguentou a pressão da terceira idade, tratou de editar livros com o mesmo assunto. Este croniqueiro está no índice da página H. O lançamento foi na biblioteca municipal Rubens do Amaral. Preço por exemplar: R$70,00   


HÉLIO NEGRI - A VOZ DE ARAÇATUBA

O meu xará é a marca de uma geração. Cresceu, foi exercendo outras profissões, mas não abandonou o rádio, tendo programas exclusivos, com um fã-clube imenso. Quis deixar sua experiência registrada em livro "Programa Hélio Negri, 40 anos", um suporte mais nobre e perene para suas mensagens. Sua companheira Maria da Penha foi primeiro que a minha Helena Shizuko. Ambos viúvos. Preço: R$100,00 - 300 páginas. 

POR QUE RUAS TÊM NOME

Nem todas as cidades homenageiam suas personalidades com nomes, mas todas procuram facilitar encontrá-las. Usam-se nomes de plantas, flores e números.

A cidade de Tupã, aqui do Oeste Paulista, nomeou as suas principais e etnias e nações indígenas, como forma de homenagear os habitantes originais.

Está no prelo um livro interessante que vai explicar os nomes e logradouros públicos de cada rua de Araçatuba. Aguarde.


13.8.26

Touch, hibakusha


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba 

Os filmes de que mais gostei de assistir na vida adulta foram recomendados por amigos e parentes. E não faço questão de acompanhar os últimos lançamentos, sempre escapam filmes bons.

A Fátima conhece o meu gosto, viu TOUCH (2024), que significa em inglês tocar (tato) ou tocar (emocionar), e me recomendou. Pela Netflix.

No enredo, bem devagar, romântico, sendo um dos destaques da história é que a humanidade influencia na vida das pessoas; daí a palavra japonesa “hibakusha”, que significa "pessoas atingidas pela bomba de Hiroshima".  Gente rejeitada por conter efeitos da radiação. Miko era hibakusha, por isso voltou para o Japão com o pai, fugindo de Kristófer.

Por que as histórias dramáticas dos povos nórdicos, é o caso de Touch, não são iguais em clima como as latinas. Trata-se de representar as próprias características do espírito daquele povo. As latinas são melodramáticas. Exemplo: novelas brasileiras na TV.   

SINOPSE

O ponto de partida do romance drama é uma consulta médica. Kristófer (idoso), viúvo e dono de restaurante na Islândia, ouve do médico que há deterioração avançada de sua memória e que é hora de resolver assuntos pendentes enquanto ainda for possível. Então buscou Miko, o seu grande amor, pelo mundo. Ele era viúvo e tinha uma filha.Não se trata de uma busca carnal, mas de um velho querendo saber como está sua antiga namorada com quem curtiu um grande amor. Nesse encontro, há uma grande descoberta. Não vou dar spoiler.

O roteiro oscila entre 2020, com Kristófer (idoso) chegando a Londres nos dias que antecederam o lockdown global (pandemia covid 19); e 1969, quando um jovem islandês radical largou um doutorado na London School of Economics para trabalhar na cozinha de um restaurante japonês. Uma história que corre paralelamente presente e passado, a exemplo do livro “Olhai os lírios do campo”, de Érico Veríssimo.

No filme não há perseguições de carros, nem violência nas paixões. É para assistir e encher os olhos.

FICHA

10 de outubro de 2024 para filmes online | 2h 01min | Drama, romance

Direção: Baltasar Kormákur | Roteiro Ólafur Jóhann Ólafsson, Baltasar Kormákur

Elenco: Egill Olafsson, Pálmi Kormákur Baltasarsson, Kōki

Título original Snerting

Touch é adaptação do romance homônimo de Ólafur Jóhann Ólafsson, publicado em 2022 e roteirizado pelo próprio autor em parceria com Kormákur. 


12.8.26

Elena Ferrante: feminilidade ao extremo


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor- Araçatuba

Na Itália, a napolitana Elena Ferrante combina um enorme orgulho cultural pelo sucesso internacional com um debate fervoroso sobre seu anonimato e o retrato nu e cru da sociedade italiana. Semelhante a Paulo Coelho no Brasil. Ambos são fenômenos mundiais.

As protagonistas de seus livros são mulheres, com o tema entre feminismo e maternidade. Filhos cansam, deixar os filhos com o pai e sumir no mundo por um período para exercer sua individualidade é uma prática de suas personagens.

​​A Tetralogia Napolitana transformou Ferrante no maior fenômeno da literatura italiana no exterior desde Umberto Eco. Isso gerou um forte orgulho nacional, mas o mistério envolvendo a sua identidade divide a imprensa e o público.

Os quatro livros da série

Os livros devem ser lidos na ordem cronológica de publicação:

1.A Amiga Genial (2011): Introduz a infância e a adolescência das personagens na periferia de Nápoles. É considerado um dos melhores livros do século XXI pelo jornal The New York Times.

2.História do Novo Sobrenome ( 2012): foca na juventude, no início da vida adulta e nos casamentos e caminhos divergentes que as duas começam a trilhar.

3.História de Quem Foge e de Quem Fica (2013): explora a maturidade das protagonistas em meio aos movimentos políticos, greves operárias e transformações sociais dos anos 1970.

4.História da Menina Perdida (2014): o desfecho da saga, focado na velhice das amigas, no retorno às origens e nas consequências das escolhas de uma vida inteira.

Outros Romances

Um Amor Incômodo (1992): Uma mulher investiga a morte estranha da mãe em Nápoles.

Dias de Abandono (2002): O drama de uma mãe sozinha após o fim do casamento.

A Filha Perdida (2006): Férias na praia que trazem lembranças difíceis sobre maternidade.

A Vida Mentirosa dos Adultos (2019): O crescimento de uma jovem em meio a segredos de família.

OUTRAS OBRAS DE NÃO FICÇÃO

Uma Noite na Praia (2016): Livro infantil sobre uma boneca que passa a noite sozinha.

A Frantumaglia (2016): Cartas, entrevistas e reflexões sobre a sua escrita.

As Margens e o Ditado (2021): Textos Sobre o ato de ler e escrever

Quando uma investigação jornalística tentou desmascarar Ferrante em 2016, rastreando registros financeiros, a reação da comunidade leitora na Itália foi de forte repúdio à violação de sua privacidade. Segundo a autora, para se gostar de uma obra, admirá-la, não precisa conhecer o nome do autor, família, biografia etc Numa população de 60 milhões de habitantes, que é a da Itália, em tempo de internet, é difícil descobrir o nome que está atrás de um pseudônimo. Há especulações, lendas.  

Elena Ferrante é uma escritora pós-guerra, terminada em 1945. No início de sua carreira literária, seus livros eram criticados pela direita de Nápoles como honestidade visceral, cidade onde nasceu. Outro aspecto constatado é que seus livros traziam um preconceito contra o Norte da Itália. O sucesso Internacional calou as vozes discordantes na Itália. 

FONTES: leitura de artigos e dados nos arquivos da IA; leitura de livros da escritora. Principalmente “Frantumaglia”, onde ela explica seu processo de criação literária, o caos interior, termo do dialeto napolitano. Assisti a vários filmes baseados em livros dela, com seus enredos.

 

5.8.26

Morreu afogado


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

O cidadão morreu afogado nas águas da Prainha Municipal de Araçatuba-SP no último domingo. Trata-se dum lugar público para lazer.

Eu, quando vou à prainha, posso morrer afogado num copo de cerveja. Mas nunca morrerei nas águas do Rio Tietê, porque minha mãe até hoje não deixaria. Por isso cheguei aos 77 anos.

Se tentasse entrar nas águas, seria uma surra de varinha, lembranças da meninice. Dona Augusta estaria hoje com 100 anos.

TAVEIRA MALDITO

Depois de quase um século de espera, Engenheiro Taveira vive a maior transformação de sua história.

O bairro de Araçatuba fundado em 1927 às margens da ferrovia (antiga estação Potiguar), o bairro Engenheiro Taveira começa a superar uma espera de quase um século por infraestrutura. Eng. Taveira certamente era um profissional que trabalhou na construção da antiga ferrovia.

Diz a lenda de que há muito tempo moradores bateram num padre em Taveira, lá tem uma capela, e ele, que não perdoava facilmente, rogou a praga em latim: "Anathema sit!".

Ninguém entendeu nada. A verdade é que Eng. Taveira não foi para frente. Aí veio a lenda.

Cada povo interpreta a realidade conforme seus conhecimentos. Na verdade, Taveira foi vítima de circunstância históricas desfavoráveis. 

PRECISAMOS DE UMA ARCA

Minha mãe era ligada ao fim do mundo. Se ela estivesse viva, neste momento com incêndio de um lado do mundo e dilúvio do outro, ela estaria querendo fazer a arca. Mas cadê o Noé? Deus não encontrou uma pessoa justa.

Segundo o texto bíblico, diante da corrupção da humanidade, Deus decidiu enviar um grande dilúvio para purificar a Terra. Noé, descrito como um homem justo e íntegro, recebeu instruções para construir uma gigantesca embarcação: a arca.

Atualmente, a humanidade está dividida. Os negacionistas dizem que largue pra lá, a Terra não vale mesmo a pena. Os outros, esperançosos, querem consertar os efeitos dos erros cometidos pela humanidade. Ainda há tempo.

ESTUPRAVA A CADELA

Zoofilia: zoofilia é a atração sexual de pessoas por animais e a prática de atos sexuais com eles. Não sei se o sujeito era tímido, misógino, ou nasceu com o espírito canino. Na zona rural, quando a relação sexual entre pessoas era disciplinada, havia a égua barranqueira. Este cronista aprendeu a saber que havia sexo vendo os animais treparem. Tanta mulher querendo amar, e o cara cruzando na marra com uma cadela. Talvez quisesse o nascimento de um homem-cão.



29.7.26

Guarda municipal prendendo bêbado

 

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Não era comando, pegou sujeito alcoolizado sozinho. Levou-o pelo cangote.

E o cara é policial penal descumprindo a regra. Lascou-se. Não houve perdão corporativo, foi levado ao delegado.

As guardas municipais agora têm poder de polícia, não é um guardinha qualquer que apenas cuida de prédios públicos. Isso é bom, a população se sente mais protegida.

Já foram chamados de guardinhas da Germínia. Sem preparo, sem exercícios físicos, a barriga e a bunda cresciam. Agora a situação é outra.

Outro dia fui a Birigui, vi os guardinhas arrastando armas pesadas. Dava até dó. Não sei se a prefeita continua pondo o pelotão no sacrifício.

Em Araçatuba, neste ano, fui abordado duas vezes pelo comando do bafômetro. Nas duas vezes, mostrei a língua para o policial militar, assoprei e não constataram nada. O setentão aqui anda arisco, pois quando está trolado está montado num 99 (motorista se aplicativo).

PROFESSORA MUNICIPAL

As professoras estaduais se acharam aliviadas, não somos nós; Tarcísio Freitas, governador, empurrou o caso para Lucas Zanatta, prefeito. A professora é feia ou bonita? Beleza se põe em sala de aula? 0 concurso púbico exigia honestidade? Vai ver que ela ouviu a frase: quem não rouba nunca fica rico. Sei lá... Isso é coisa para o delegado.

INFLUENCIADORA

Num rolo qualquer, de repente surge da lama uma influenciadora qualquer,  só rolo.

Senhor Valdomiro Zago, Sapataria Belas Artes, fez a vida como sapateiro em Araçatuba, se hoje é o Rei dos Calçados, nunca precisou de uma influenciadora.

Essa função só cria espuma, só impressiona os incautos, não produz nada.

Meus leitores andam me chamando, para minha ira, de influenciador.

Eu respondo:

- Sou cronista!

E eles respondem com maior graça:

- Nem cronista e nem influenciador serve para nada. São sinônimos.

FRENTISTAS LERDOS

Eu abasteço meu carro sempre no mesmo posto de combustíveis. Procurar sempre o combustível mais barato, dançando para lá e para cá, é transferir a diferença de preço na oficina mecânica.  

E no meu posto preferível, sempre dou gorjeta, assim os frentistas ficam espertos. Pedem para calibrar os pneus, verificar o óleo. Estão sempre prontos para servir.

Não se trata de corrupção, é colaborar com seus baixos salários.

 

 

28.7.26

Elena Ferrante: feminilidade ao extremo


 Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor- Araçatuba 

ELENA FERRANTE: feminilidade ao extremo

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor- Araçatuba

Na Itália, a napolitana Elena Ferrante combina um enorme orgulho cultural pelo sucesso internacional com um debate fervoroso sobre seu anonimato e o retrato nu e cru da sociedade italiana. Semelhante a Paulo Coelho no Brasil. Ambos são fenômenos mundiais.

As protagonistas de seus livros são mulheres, com o tema entre feminismo e maternidade. Filhos cansam, deixar os filhos com o pai e sumir no mundo por um período para exercer sua individualidade é uma prática de suas personagens.

​​A Tetralogia Napolitana transformou Ferrante no maior fenômeno da literatura italiana no exterior desde Umberto Eco. Isso gerou um forte orgulho nacional, mas o mistério envolvendo a sua identidade divide a imprensa e o público.

Os quatro livros da série

Os livros devem ser lidos na ordem cronológica de publicação:

1.A Amiga Genial (2011): Introduz a infância e a adolescência das personagens na periferia de Nápoles. É considerado um dos melhores livros do século XXI pelo jornal The New York Times.

2.História do Novo Sobrenome ( 2012): foca na juventude, no início da vida adulta e nos casamentos e caminhos divergentes que as duas começam a trilhar.

3.História de Quem Foge e de Quem Fica (2013): explora a maturidade das protagonistas em meio aos movimentos políticos, greves operárias e transformações sociais dos anos 1970.

4.História da Menina Perdida (2014): o desfecho da saga, focado na velhice das amigas, no retorno às origens e nas consequências das escolhas de uma vida inteira.

Outros Romances

Um Amor Incômodo (1992): Uma mulher investiga a morte estranha da mãe em Nápoles.

Dias de Abandono (2002): O drama de uma mãe sozinha após o fim do casamento.

A Filha Perdida (2006): Férias na praia que trazem lembranças difíceis sobre maternidade.

A Vida Mentirosa dos Adultos (2019): O crescimento de uma jovem em meio a segredos de família.

OUTRAS OBRAS DE NÃO FICÇÃO

Uma Noite na Praia (2016): Livro infantil sobre uma boneca que passa a noite sozinha.

A Frantumaglia (2016): Cartas, entrevistas e reflexões sobre a sua escrita.

As Margens e o Ditado (2021): Textos Sobre o ato de ler e escrever

Quando uma investigação jornalística tentou desmascarar Ferrante em 2016, rastreando registros financeiros, a reação da comunidade leitora na Itália foi de forte repúdio à violação de sua privacidade. Segundo a autora, para se gostar de uma obra, admirá-la, não precisa conhecer o nome do autor, família, biografia etc Numa população de 60 milhões de habitantes, que é a da Itália, em tempo de internet, é difícil descobrir o nome que está atrás de um pseudônimo. Há especulações, lendas.​  

Elena Ferrante é uma escritora pós-guerra, terminada em 1945. No início de sua carreira literária, seus livros eram criticados pela direita de Nápoles como honestidade visceral, cidade onde nasceu. Outro aspecto constatado é que seus livros traziam um preconceito contra o Norte da Itália. O sucesso Internacional calou as vozes discordantes na Itália. 

FONTES: leitura de artigos e dados nos arquivos da IA; leitura de livros da escritora. Principalmente “Frantumaglia”, onde ela explica seu processo de criação literária, o caos interior, termo do dialeto napolitano. Assisti a vários filmes baseados em livros dela, com seus enredos.

 

21.7.26

Fábrica de carme




Araçatuba acordou com uma nomenclatura: fábrica de carne. Um lugar normalmente chamado de açougue, casa de carnes. Logo, logo vão chamar granja de fábrica de ovos.

Toda a mercadoria clandestina (que incluía espetinhos, hambúrgueres e linguiças) foi levada em um caminhão basculante para destruição no aterro sanitário. O estabelecimento foi interditado e o caso segue sob investigação da Polícia Civil. A vizinhança que denunciou o estabelecimento disse que o lugar fedia carniça. As autoridades encontraram 2.700 kg de carne crua.  

Segundo autoridades sanitárias, na fábrica de carne não havia muita higiene. A carne de espetinhos vendidos em calçadas saía de lá. Até o povo esquecer, os comerciantes de beira de rua vão perder a freguesia.
Comida limpa, feita na higiene é a da minha mãe, a comidinha caseira; nem tanto, mas é com ela que estou acostumado. Quando Araçatuba era mais provinciana, comer fora de casa aos domingos era uma raridade. Agora, os comerciários, durante os trabalhos diários, comem uma comida ligeira em lanchonetes, não vai para casa. Marmitas daqui e dali.
Alguns comerciantes só querem ganhar dinheiro, aumentar os lucros, não pensam em servir bem os seus clientes.

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

Lecionei cinco anos em Rosana-SP (1972-1977). Não havia energia elétrica. Matava-se boi no pasto em final de semana. Durante a semana, comia-se galináceo. Cortava-se o bovino a "zóio". As partes da rês tinham um valor só. Como o povo não valorizava o filé-mignon, tomei porre.
Não havia posto de saúde, nem médico. Higiene cabocla. Vivia-se. Cemitéro não faltava.
Voltei para Araçatuba, me enquadrei aos novos padrões.

TODA MADRASTA É MÁ?

Flávio chegou a ter inveja do pai Jair por ter arrumado madrasta tão linda. Teve maus pensamentos. A família misturou política com relacionamento que a fada virou madrasta bruxa. Agora ela quer dar veneno ao seu enteado. Flávio não entende as mulheres, é um misógino.

FAKE NEWS EM RUBIÁCEA

Rubiácea-SP tem 2.700 habitantes. Na verdade, são boateiros, fuxiquentos. Em anos atrás, esse problema era resolvido na porrada, não precisava tanta burocracia.
Já morei em cidade do tamanho de Rubiácea. Um habitante solta um pum na esquina, a cidade inteira fica sabendo em 10 minutos.
E de que partido são os dois boateiros? PL, aquele bando de mentirosos.

JOGADOR ARGENTINO RECUSA
Um jogador da Argentina recusa o aperto de mão de Donald Trump na fila de cumprimentos e passa direto por ele após a derrota. Trata-se de Cristian Romero. Foi chamado de comunista pelo presidente norte-americano.

15.7.26

Tietê poluído em toda sua extensão

 


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 

Sempre eu disse a amigos de outras cidades que o rio Tietê em Araçatuba não é poluído. Descobri recentemente, com frustração, por uma reportagem do portal IG que não existe lugar não poluído do nosso caudaloso manancial. Há níveis de poluição.

Tietê é um rio que quase nasce no mar (Sales-SP, onde é limpo) e deságua no rio Paraná, sendo essencialmente paulista, 1 100 km. Em Araçatuba, fornece água para o consumo depois de tratada, e em sua margem há belíssimos locais para o lazer. Por ele, passa uma longa ponte ligando as duas partes do estado.

Um estudo inédito apresentado pela deputada Marina Helou (PSB), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) derruba essa percepção. Pela primeira vez, uma expedição percorreu toda a extensão do Tietê e concluiu que não existe mais nenhum trecho completamente livre de contaminação.

Sofre há décadas com o impacto do esgoto doméstico, resíduos industriais e descarte incorreto de lixo. Na época das secas, a poluição sacrifica mais o Tietê.

 Em Salto, ao passarem pelas corredeiras e quedas, a agitação da água produz enormes camadas de espuma tóxica com a poluição trazida da Grande São Paulo, que pode causar irritações na pele e nos olhos.   

A despoluição do rio Tietê, principalmente na Grande São Paulo, sempre é objetivo dos governos estaduais, mas as ações caminham lentamente, principalmente no governo Tarcísio. O rio precisa constar com força na pauta dos candidatos. 

SÍNDICO E PREFEITO

Em Araçatuba-SP, há tantos condomínios, tantos verticais como horizontais, que há contabilistas e advogados especializados prestando serviços na área.

Poucos condomínios não têm uma questão jurídica a ser resolvida diante da pequenez humana, não são diferentes dos políticos. O cantor Tim Maia era chamado de síndico pelos artistas, porque queria consertar o Brasil.

Erroneamente chamam os prefeitos de síndicos, pois os prefeitos são lideranças maiores, com uma visão global do mundo. O prefeito antigo tinha as obras para ver, o atual tem educação, saúde, cultura, assistência social e muitos outros encargos.

Os síndicos não são prefeitinhos, mas ajudam o prefeito na manutenção da cidade mantendo seus condomínios em ordem. Solidários. Que todos os síndicos se levantem todos os dias bem-humorados. Assim construiremos dias melhores.