AGENDA CULTURAL

26.1.22

Endrick brinca em serviço

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP


Abel Ferreira descarta Endrick no Mundial (Abu Dhabi nos Emirados Árabes) e diz que garoto do Palmeiras precisa brincar e ir à Disney: "Não tenham pressa". Apesar de o treinador pertencer ao futebol negócio, mostrou ter dele uma visão crítica.


Endrick veio ao mundo a serviço. E segundo o mestre Masaharu Taniguchi, a pessoa chega à perfeição quando não sabe mais se brinca ou trabalha tal o nível de satisfação. Diante do sucesso e de uma novo estilo de vida que se avizinha, o garoto ainda brinca. Está até brincando com uma menina bem loirinha.
    
O garoto, quando tinha 10 anos, nascido em Valparaíso de Goiás, município limítrofe de Brasília, num dia de fome aguda, vendo o desespero do pai disse-lhe que ia tirar a família da miséria com seu futebol, tinha consciência de seu potencial.
 
Assim, família focada procurou uma escolinha de futebol em Brasília. O Seu Douglas Ramos de Souza, o pai, que era um jogador de futebol mal-sucedido, conhecedor do caminho das pedras, amparado pela escolinha, mandou vídeo com as jogadas para o mundo da bola. Eles sabiam que, numa sociedade de brancos, a ascensão social dos negros se dá pelo futebol e pela música. 


Isso foi em 2016. Os times só ofereciam merreca, a oferta mais encorpada que acolhia toda a família foi a do Palmeiras, oferecendo casa e empego.  Mudaram-se para São Paulo, o novo domicílio. O próprio Douglas foi acolhido no Allianz Park com emprego. O menino ficou sendo o mascote do time principal. O goleiro Jailson custeou um tratamento dentário para o pai do garoto. 


Quando vi pela primeira vez o Endrick jogar, Copinha São Paulo 2022, ele marcou dois gols no Real Ariquemes. Um deles parecia Endrick um bailarino, as chuteiras viraram sapatilhas diante de tanta leveza. O goleiro foi o passo final.


Dia 21 de julho deste 2022, Endrick porá as mãos na fortuna, quando completará 16 anos, idade em que pode assinar um contrato profissional. Tomara que permaneça ileso nesta roda-viva até o próximo aniversário, e que seja esperto. 


Brinque com a bola, nos entretenha, imite o Mané Garricha nos dribles, mas não o siga no exemplo de vida, toda torta. 

16.1.22

A alucinante imunidade coletiva - Alberto Consolaro

O gato Garfield criado por Jim Davis tem frases intrigantes como: - Se não puderes convencer os outros, confunda-os!


O gato Garfield filosofa: se não puderes convencer os outros, confunda-os! Muitos nem sabiam que eram infectologistas, alguns agora são imunologistas, outros epidemiologistas, virologistas e microbiologistas. Eu ouço atentamente, pois quero aprender sempre e sempre é tempo de aprender!

Depois faço o que é elementar na ciência: a crítica com ceticismo para ver se o que foi dito tem alguma lógica, contradição ou fundamento! Procuro fontes para checar o que foi dito, afinal algo só é científico se foi publicado em revistas como Lancet, Science, Cell, New England e outras.

ENTRETANTO

A grande maioria das informações não resistem a uma análise mais cuidadosa e criteriosa. Parece que os “especialistas” entrevistados nunca leram os livros básicos da graduação sobre imunologia, virologia e patologia.

Queria ter superpoderes para me reunir a sós com cada uma dessas pessoas e dizer: - se falar a verdade terá o paraíso garantido, então responda: você nunca leu nada mais profundo sobre este assunto? Assim, sob esta coação emocional, a resposta será: nunca li mesmo, mas eu atendo muitos pacientes! Sinto muito, experiência não é científica!

EXPERIÊNCIA

Para ser científico deve se aplicar um método criterioso de análise sobre o problema. Uma vez a análise concluída, os resultados devem passar por uma criteriosa interpretação e discussão para se chegar a conclusões. Agora deve se publicar em uma boa revista científica para que, apenas depois de publicado, possa se dizer que aquela informação é científica, antes disso ainda é mera especulação!

Experiência pessoal ou profissional pode ser científica se for analisada metodologicamente, quantificada e analisada de forma comparativa. Se esta experiência for publicada, terá a qualidade de ser científica! Experiência pessoal ou profissional tem enorme valor social, profissional e econômico, mas não do ponto de vista científico, mesmo que se tenha atendido milhares de pacientes. Experiência é o somatório de erros e acertos, que pode gerar aprendizado na maioria das vezes. Mas é uma atividade aleatória e não metódica, ou seja, não é avaliável por métodos criteriosos como regem os princípios científicos.

IMUNIDADE COLETIVA

A imunidade natural induzida quando se adquire a Covid-19 dura em média 4 a 6 meses. Isto é científico! A imunidade induzida pelas vacinas contra o coronavírus, também é de 4 a 6 meses. Isto é científico!

Se toda população tiver Covid em 1 ano e se todos estiverem vacinados neste mesmo ano, ainda assim, não haverá uma imunidade coletiva, fazendo desaparecer o coronavírus. Um ano tem 3 quadrimestres.

E se isto fosse feito em um período fechado de 4 meses? Sim, neste caso haveria, mas convenhamos, não vamos conseguir isto e não dá para negociar uma dilatação deste prazo com o coronavírus! E se chegasse um coronavírus na cidade depois desses utópicos 4 meses, haveria a possibilidade de começar tudo de novo? Claro que sim.

SOLUÇÃO DEFINITIVA

1ª opção: Vacinar “todos” os humanos da terra em curto período de tempo e, aos que ainda pegarem, administrar antivirais já desenvolvidos para o coronavírus!

2ª opção: Fabricar vacinas mais eficientes que forneçam uma imunidade de décadas como ocorre com as vacinas para a caxumba, sarampo, poliomielite, varicela e outras. Por que as vacinas para gripe e coronavírus são tão curtas quanto a imunidade induzida? Intrigante!

 Alberto Consolaro - professor titular
pela USP - consolaro@uol.com.br

 


Construa pontes - Gervásio Antônio Consolaro

Muro na fronteira entre México e Estados Unidos, cuja construção foi iniciada no governo Trump 
 

Todos ganham

      Cada um deve ser líder da sua própria vida, do seu sonho, do seu projeto; ninguém pode fazer isso exceto você mesmo. Liderança é sinônimo de influência, condução e construção.

     O que significa isso? Que um bom líder constrói pontes, sabe se conectar com as pessoas, procura pontos em comum, não aquilo que os diferencia, mas sim o que os une e os conecta. Um líder de excelência ajuda os outros a triunfar!

Egoísta não é aquele que pensa em si mesmo, mas sim o que não pensa nos outros.

     Na mente do egoísta existe o paradigma de que há gente que ganha e gente que perde, pelo qual ele diz para ele mesmo: “Eu não quero perder, quero ganhar”; ao contrário, a pessoa que ajuda pensa: “Eu ganharei porquê você vai ganhar, e assim todos sairemos no lucro”.

     Um egoísta não ajuda o outro triunfar, pensa: ”A vitória dele é a minha derrota”. Por sua vez, os que sabem ajudar dizem: “A sua vitória é minha também e, quando triunfar, todos  ganhamos”.

    Quando uma pessoa se torna uma ponte para outra, ela gera um fruto, algo que chegará a sua vida pelo simples fato de ajudar alguém a alcançar o sucesso. Esse é um princípio que funciona.

“Não canse de fazer o bem, porque, ao final, você terá uma bela colheita” Paulo de Tarso

Mãos à obra

     Uma das emoções mais maravilhosas que se pode ter é ajudar a vencer obstáculos. Ao mesmo tempo, precisamos entender corretamente a que nos referimos com ajudar o outro.

     Ajudar não significa: “Vou hipotecar a minha casa por você”; Vou lhe emprestar dinheiro”; “Pode pegar o meu título de propriedade”; “Vou me sacrificar, eu aceito a dor para que você esteja bem”

Ajudar é construir uma ponte para que o outro alcance seu sonho

 Há diferentes formas de fazer isso:

Reconhecendo as pessoas. John Maxwell, um dos maiores líderes do momento, aplica a regra dos 30 segundos: use os primeiros 30 segundos para dizer algo positivo à pessoa que tiver ao seu lado. O mais importante em uma relação são os primeiros segundos, e devemos utilizá-los para reconhecer; parabenizar e dar uma palavra de incentivo. Cada vez que fizer contato com alguém, não coloque o foco em si mesmo, mas nele. Se souber fazer isso, gerará uma ótima impressão e conseguirá receptividade à sua mensagem.

Dar mérito ao outro. Criar uma ponte é ser capaz de dar crédito ao trabalho dos outros. Pense como você se sente cada vez que alguém o reconhece, o elogia e ressalta algo maravilhoso da sua vida. Não se sente melhor? Quando uma pessoa tem a capacidade de fazer isso, conquistará simpatia das outras; há, basicamente, dois tipos de pessoas: as que tiram proveito de você, sem oferecer nada em troca; e as que farão uma conexão com você, o aproximando de seu propósito.

Gervásio Antônio Consolaro, diretor da AFRESP, ex-delegado regional tributário, auditor fiscal da receita estadual aposentado, formado em administração, ciências contábeis e bacharel em Direito.                      g.consolaro@yahoo.com.br 

Complexo de vira-lata

 

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Dizem que o brasileiro tem complexo de vira-lata, se acha um coitado. Tudo que existe no mundo é bom, tudo que é brasileiro não presta, principalmente o país onde mora.

Para os pregadores do complexo de vira-lata, o povo brasileiro não tem identidade, Deus deu um território bom para o Brasil (embora poucos sejam donos dele), mas colocou aqui um povinho desclassificado. 

Hoje, 2022, temos mais de quatro milhões de brasileiros trabalhando fora porque a economia não criou oportunidades de emprego no Brasil. Contrariando a desqualificação do brasileiro, são os trabalhadores mais versáteis no mercado estrangeiro. 

Esse amor ao lugar onde mora, esse sentimento de pertencer ao torrão, não se promove com patriotada. Ele é feito com muita cultura, educação e economia inclusiva. 

Na época do presidente Lula, houve um resgate do orgulho de nossa brasilidade, nossos emigrantes descobriram que a economia ficou mais inclusiva, até voltaram. Houve um slogan: “Brasileiro não desiste nunca”! Valoriza a democracia e responderá nas urnas.

14.1.22

Thiago de Mello com escritores de Araçatuba

Presidente da AAL Tito Damazo e o prefeitoCido Sério, na soleira da porta, para sobrar mais lugares para os visitantes
Na quarta-feira, 05/02/2014, à noite, o poeta Thiago de Mello visitou a sede da Academia Araçatubense de Letras a convite do presidente Tito Damazo.
Momentos finais da palestra
Muitos escritores compareceram, até Cido Sério (PT), que é sócio honorário da entidade na condição de prefeito de Araçatuba, para ouvir a mensagem do poeta octogenário, que está ao lado de Ferreira Gullar e Manoel de Barros, como poetas brasileiros, vivos, mais idosos.
Acadêmico Antônio Luceni entrega a Thiago de Mello dois exemplares de seus livros. Ao fundo, de chapéu panamá, Hélio Consolaro, secretário municipal de Cultura
As dependências da Academia Araçatubense de Letras ficaram lotadas para ouvir as palavras de Thiago de Mello sobre poesia, leitura, literatura e sua história de vida.
Thiago de Mello doando à biblioteca da AAL um exemplar de seu último livro: "Poetas da América de canto castelhano"
Dentre os escritores araçatubenses, destacamos a presença de Marilurdes Martins, Cidinha Baracat, Geraldo da Costa e Silva, Yara Pedro de Carvalho, Hélio Consolaro (também secretário municipal de Cultura de Araçatuba), Antônio Luceni, Maria Luzia Villela, Marli Garcia, Emília Goulart, Marianece Paupitz, Rafael Batista, Tharso José Ferreira, Paulo Batista (Birigui), Hosanah Spíndola, Amarildo Brilhante, José Hamilton Costa Brito, Vicente Marcolino, Antenor Rosalino, Maria José da Silva e outros.
Gylce Maria Teixeira, de Guararapes, em conversa com o poeta

    THIAGO DE MELLO COM PROFESSORES DO SISTEMA MUNICIPAL DE ENSINO

CLIQUE E LEIA A CRÔNICA DA JOVEM AMANDA STUCK SOBRE A ESTADA DE THIAGO DE MELLO NA ACADEMIA ARAÇATUBENSE DE LETRAS 


BIOGRAFIA DE THIAGO DE MELLO

ESTATUTO DO HOMEM - DECLAMADO, COM A POESIA ESCRITA AO LADO

A hora e a vez da justiça climática - Marina Amaral

 


OBS: há várias palavras e expressões lincadas no texto  

O ano começou com más notícias que fazem o coração disparar. As inundações da Bahia, que atingiram 850 mil pessoas, provocaram 26 mortes e deixaram mais de 80 mil sem casa, foram seguidas por chuvas pesadas em Tocantins, Maranhão, Goiás e Minas Gerais, onde também se viu mais lama, mais uma vez pelo transbordamento de uma barragem, além do deslizamento de terra que provocou a destruição de dois prédios históricos em Ouro Preto. 

Enquanto o Brasil sofria, Bolsonaro passeava de jet ski, se internava por razões obscuras, e persistia com sua campanha criminosa contra a vacinação - desta vez tendo como alvo as crianças, que são prioridade na proteção social, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente. Fake news sobre a vacina, disseminadas por bolsonaristas e seus apóstolos, e a exposição de epidemiologistas favoráveis à proteção dos mais jovens pela deputada Bia Kicis estão entre os expedientes sujos adotados pela horda do ódio e da ignorância. 

Um espetáculo de horror desnecessário em um país já assombrado por desastres ambientais - o mais recente é a onda de calor e estiagem no Sul - e que enfrenta mais um pico de Covid com a rápida disseminação da variante Ômicron, ainda com um apagão parcial nas estatísticas do Ministério da Saúde. 

Mas, como diz o ditado português, não há mal que sempre dure: epidemiologistas dizem que será esse o último ano da pandemia. No momento em que escrevo, 1,2 milhão de doses de Pfizer chegam ao aeroporto de Guarulhos para vacinar crianças, de acordo com os grupos prioritários. Um alento que, infelizmente, veio tarde demais para proteger a comunidade escolar na volta às aulas, o que pode consagrar o Brasil como um dos recordistas na morte de crianças para o coronavírus, como alertou a Sociedade Brasileira de Pediatria na semana passada.

Do front político as notícias também são progressivamente melhores, com a clara rejeição de Bolsonaro por 66% da população, e a disparada de Lula à frente nas pesquisas eleitorais. E essa não é apenas uma opinião política: remover Bolsonaro é uma questão humanitária e democrática (vide relatório da Human Rights Watch) e Lula parece ser o único candidato viável na disputa. Principalmente se conseguir manter a aliança com Geraldo Alckmin, o que para mim seria uma “vacina” contra a antipatia de boa parte dos veículos de imprensa em relação ao candidato do PT. De falsa equivalência e vieses editoriais estamos fartos.

O milagre mais difícil nesse momento parece ser mesmo o econômico e o ambiental, intrinsecamente ligados às tragédias que presenciamos. Se ainda não há consenso sobre as causas iniciais da pandemia, e não se sabe exatamente o peso que tem as mudanças climáticas nas enchentes e secas, o certo é que a mistura de desmatamento e desigualdade já elegeu suas principais vítimas: as populações mais pobres e desassistidas que dependem mais diretamente da natureza para viver - seja da agricultura familiar, como indígenas e quilombolas, seja os que vivem às margens do rio nas favelas de Itabuna. Serão elas também as principais vítimas dos eventos extremos que prometem se multiplicar e se intensificar com a progressão do aquecimento global que, no Brasil, tem no desmatamento e na agropecuária seu principal motor. 

Um novo governo em 2023 terá que ir muito além do Bolsa Família para recuperar o Brasil. Também terá que fazer mais do que reconstruir as políticas ambientais destruídas por Bolsonaro. Não há futuro sem a inclusão da questão do clima nas prioridades nacionais. Nem desigualdade que minore sem que o fator social caminhe lado a lado com as estratégias ambientais. É esse debate que temos que provocar nas campanhas eleitorais. 

Se 2018 foi o ano de voltar ao passado, que 2022 nos leve enfim ao futuro. 



Marina Amaral 
Diretora Executiva e editora da Agência Pública

13.1.22

Um homem menor que a sua obra - Antônio Reis

O sérvio Novak Djokovic está no centro das atenções não pelo talento que o fez um dos maiores tenistas de todos os tempos, mas por se recusar a tomar vacina contra a covid-19, doença que já matou 5,5 milhões de pessoas no mundo em pouco mais de dois anos.

Detido por cinco dias ao tentar entrar na Austrália sem ter tomado o imunizante, o sérvio teve cassado o visto de permanência naquele país e, consequentemente, impedido de disputar o badalado Grand Slam de Melbourne. No sexto dia, o juiz federal Anthony Kelly  (lá também se faz lambança nos tribunais) devolveu ao craque da raquete o direito de continuar em solo australiano e disputar o torneio.

A decisão do marreco pode ser reformada pelo Ministério da Imigração e, nesse caso, o número 1 do mundo no ranking da Associação de Tenistas Profissionais ficaria impedido de entrar na Austrália nos próximos três anos. Ou se ficar provado que mentiu às autoridades por omitir viagem nos 14 dias anteriores à sua chegada àquele país, poderá ficar preso por até 12 meses. Será uma grande perda para o famoso Grand Slam do Austrália Open. Logo...

Djokovic vive a contradição de ser filantropo e misantropo ao mesmo tempo. Com infância e adolescência marcadas pelos horrores da guerra da Bósnia, o tenista mantém em seu país uma instituição filantrópica, a Fundação Novak Djokovic, que constrói pré-escolas e treina professores para dar às crianças de famílias pobres a oportunidade de brincar em ambiente seguro e serem estimuladas a se dedicaram aos estudos. Patriota de carteirinha, distribui raquetes para jovens com queda pelo seu esporte para que um dia defendam a pátria nas quadras e onde mais puderem.

Por outro lado, o misantropo mostra seu desprezo pela espécie ao organizar um torneio de tênis no auge da pandemia, em meados de 2020, como se o mundo todo estivesse em completa normalidade. Em dezembro passado, ele contraiu a doença e mesmo assim foi ao encontro de jovens tenistas para a distribuição das raquetes. Sem máscara, abraçou os meninos e posou para fotos, igual a um filme que os brasileiros veem diariamente. Com sua prática e pregação negacionistas, se tornou também um ícone do movimento antivacina.

Considerado arrogante e comparado a uma criança mimada, ele é costumeiramente vaiado e xingado em quadra pelos torcedores, apesar do inegável talento. Djoko é um exemplo de ser humano que não está à altura de sua obra, seu talento não desperta a simpatia e a altivez comuns às estrelas do mundo esportivo, pelo contrário, acende nos seus iguais o sentimento de indiferença pelo sofrimento e pela vida alheia. Talvez procure na ioga, na meditação e no veganismo a espiritualidade para compensar sua misantropia.

Djokovic, o espanhol Rafael Nadal e o suíço Roger Federer, os três maiores da atualidade, conquistaram cada um 20 Grand Slams. Se o sérvio ficar na Austrália e conquistar o título em Melbourne, deixará os concorrentes para trás, além de levar ao êxtase a bolha negacionista. A disputa irá mexer com torcedores e bolsas de apostas em todo o mundo. Eu já fiz minha escolha. 

(*) Antônio Soares Reis é jornalista e ativista do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras.

12.1.22

Por que a lancha chamava Jesus?


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

 Viajei muito com o perueiro Mané até Penápolis, para fazer faculdade lá, fiz isso por dois anos. Isso foi em 1969-70, motor da combi era fraquinho, na subida de Coroados, rodovia Marechal Rondon, pista simples, o motor gemia com os 12 passageiros. 

Ela foi apelidada de "Jesus me chama", pois era costume, em acidentes com a combi VW 1.200, não sobreviver nenhum passageiro.  

Nas primeiras notícias da tragédia na cidade de Capitólio-MG, vi que a lancha onde estavam as dez vítimas tinha o nome de Jesus. Lembrei-me da perua combi. 

Por que aquela lancha batizada com o nome de Jesus foi escolhida para receber o impacto do paredão descolado? Você, caro leitor, vai me dizer que foi por acaso; mas o acaso, às vezes, tem causas desconhecidas. 

Será que os seu dono usou o santo  nome para veículo mundano? Não usar o nome de Deus (ou filho dele) em vão, diz o mandamento.

Naveguei pela internet, sem me afogar, e descobri no jornal O Tempo (MG) alguns detalhes da tragédia. A família vítima (dez mortos), antes de embarcar, trocou de balsa para veranear com uma balsa mais segura: Vamos com Jesus! E zarparam. O marketing deu certo.

Dessa vez Jesus chamou mesmo!         

Comece pelo difícil - Gervásio Antônio Consolaro

www.omunicipio.com.br
   

A partir de hoje vou escrever um pouco sobre a ciência da  administração.

    Vivemos numa época maravilhosa. Nunca dispusemos de tantas possibilidades e oportunidades para alcançar nossos objetivos. Estamos  mergulhados em opções. Aliás, temos tantas alternativas que a capacidade de fazer escolhas corretas pode ser o fator determinante para o sucesso.

       Se você é como a maioria das pessoas, está sobrecarregado de tarefas e não tem tempo de cumprir todas elas. À medida que se esforça para ficar com tudo em dia, surgem novas responsabilidades. Por causa disso, você nunca consegue fazer tudo que precisa fazer, vive revendo prazos e refazendo cronogramas, está sempre atrasado com determinadas obrigações – provavelmente, a maior parte delas.

      Mark Twain disse que sua primeira ação de manhã é comer um “sapo” vivo, você pode passar o dia com a satisfação de saber que não importa o que aconteça no restante do dia, nada será pior.

      “Para vencer, é preciso ter algumas qualidades: clareza de propósito, conhecimento do que se quer e um desejo insaciável de alcançar seu objetivo”.    Napoleon Hill

Existe uma fórmula valiosa para estabelecer e alcançar objetivos. Consiste em sete passos simples, estudados e pesquisados pelo cientista Stephen Covey: 

1º passo: determine exatamente o que você quer. Decida por si mesmo ou sente-se com seu chefe e discuta com eles seus objetivos até ter certeza do que se espera de você e do que é prioridade, É incrível como muitas pessoas trabalham com dedicação em tarefas sem importância, dia após dia, porque não tiveram essa discussão fundamental com seus gestores.

“Uma das piores formas de usar o tempo é fazer muito bem algo que não precisa ser feito”  Stephen Covey

2º passo: escreva o que você deseja alcançar. Pense por escrito. Ao passar seus objetivos  para o papel ou micro, você os cristaliza, os torna tangíveis, cria algo que pode ser visto e tocado. Uma meta não escrita ou registrada não passa de um desejo ou uma fantasia. Não há energia por trás dela. Objetivos não registrados ou escritos causam confusão, imperfeição desorientação e erros. 

3º passo: estabeleça um prazo; se necessário, divida-o em etapas menores. Uma  meta sem data limite não tem urgência, início nem fim. Sem um prazo definido e sem atribuição de responsabilidades específicas, você proscratinará naturalmente e realizará pouco.

4º passo: Prepare uma lista de tudo o que você acha que precisará fazer para alcançar seu objetivo. Sempre que pensar em alguma nova atividade que contribuirá para a conclusão de sua meta, acrescenta-a à lista.

5º passo: transforme a lista num plano organizado. Defina prioridades. Desenha, na forma de uma série de quadros e círculos no papel, mostrando a relação em todas as atividades.

6º passo: Coloque seu plano em ação imediatamente. Ponha a mão na massa. Comece a fazer algo. Um plano mediano executado com determinação é bem melhor que um plano brilhante nunca posto em prática. Para ter sucesso, executar é fundamental.

7º passo: todos os dias faça algo que o aproxime de seu objetivo principal. Inclua a atividade de sua programação diária.

       Por fim, siga em frente, sempre; Quando começar, não pare. Essa postura por si só pode aumentar sua produtividade pessoal e reduzir muito o tempo necessário para alcançar seu objetivo.

Gervásio Antônio Consolaro, diretor da AFRESP, ex-delegado regional tributário, auditor fiscal da receita estadual aposentado, formado em administração, ciências contábeis e bacharel em Direito.                      g.consolaro@yahoo.com.br 

 

10.1.22

Você está mesmo imune? - Alberto Consolaro

Sonhar é necessário, até com a solução da pandemia!

1. Quando você contrai a covid, ela te oferece uma imunidade natural que estudos revelam variar entre 4 a 6 meses em média.

2. Quando você toma a vacina contra a covid a imunidade também varia entre 4 a 6 meses. É por isto a dose de reforço deve ser tomada entre 4 a 6 meses depois da ultima dose recebida.

3. Se pode dizer que está vacinado apenas se a última dose foi 4 a 6 meses atrás. Mais que isso a sua vacinação não conta mais.

4. Os dados revelam que 75% dos brasileiros tomaram a primeira dose, mas isto tem valor histórico, pois a maioria destas pessoas tomaram a primeira e a segunda dose há mais que 6 meses, já não está mais imunizada.

5. O que a mídia poderia publicar todos os dias seria o percentual de pessoas que já tomaram a dose de reforço até 4 a 6 meses atrás. As demais nada significam em termos protetivos eficientes.

6. A imunidade de “rebanho” ou imunidade coletiva de um país, se um dia fosse obtida, também iria durar 4 a 6 meses e depois as pessoas estariam aptas a ter a doença novamente por qualquer coronavírus, não precisa ser variante nova. Ou seja, a imunidade coletiva não é a solução para o problema, veja Israel.

7. Se todos os habitantes da terra tomarem a vacina anticovid a cada 4 meses, estaremos protegidos, mas convenhamos não é viável do ponto de vista social e econômico, como já foi referido por pesquisadores dos próprios fabricantes.

EIS A SOLUÇÃO

1. Teremos que todos, quase que simultaneamente no mundo, tomar a vacina anticovid conforme recomenda os planos de imunização dos países sérios. Desta forma, não haverá corpos disponíveis para o vírus contaminar e desaparecerá.

2. Para isso teremos que ter uma coordenação mundial, tipo OMS (ONU), para que, como músicos de uma grande orquestra, possam imunizar de forma generalizada as pessoas de todos os continentes, especialmente os africanos e asiáticos, sem exceção, incluindo todas as religiões e etnias. Ressalta-se que isto já foi feito com o sarampo, poliomielite e varíola.

3. Os recursos financeiros viriam de um fundo monetário formado por dinheiro de todos os países do mundo, mesmo que os mais pobres contribuam com um mínimo simbolicamente para se sentirem envolvidos e motivados no processo.

4. Os negócios, incluindo turismo, se adaptariam por um a dois meses para que todos tivessem acesso e oportunidade de se vacinarem. Por estes dois meses, a prioridade seria a vida humana.

5. Depois de todos este empreendimento mundial, os eventuais focos em qualquer parte do mundo seriam tratados com isolamento e revacinação em massa.

6. Além das vacinas nestes focos eventuais, todos os doentes tomariam os novos medicamentos antivirais que abreviam e cura a doença. O vírus não teria mais chance de ficar entre nós.

7. As mutações virais na covid não haveriam mais, pois o coronavirus parou de circular entre as pessoas. Os vírus precisam de outro organismo para se multiplicar e mutar.

REFLEXÃO FINAL

1ª) Depois deste empreendimento que a tecnologia e o dinheiro atual permitem, com certeza a espécie humana se sentiria muito diferente e motivada. O esforço coletivo venceria o instinto individual de sobrevivência isolada.

2ª) Me permitam: sem esse esforço comum, o cenário é que nossos dias ficarão muito chatos de ser vividos por muito tempo.

3ª). Já pensou se Angela Merkel, que está livre, topasse ser presidente da ONU e liderasse este processo! Sonhar é preciso.

Alberto Consolaro – professor titular pela USP  consolaro@uol,com.br 

8.1.22

Gosto de infância

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Texto alterado em 11/01/2022

Cronista precisa viver antenado, olhar por todos os lados, descobrir as subjetividades da urbe. Passo pela avenida, defronte ao atacadão Assaí, no sentido bairro-centro, quando vejo uma placa bem caseira ao lado do carro, nela havia escrito apenas “IMBU”.

Claro, o cara vendia do porta-malas de seu carro também outras frutas, mas o fruto da árvore que dá de beber por suas raízes, na língua tupi-guarani, era o carro-chefe daquela feirinha, comandada, certamente, por um desempregado.

Parei mais à frente sob os protestos da Helena, desci do carro e encontrei o fruto de minha infância. Comprei um quilo, R$ 10,00. Nem em minhas viagens ao Nordeste encontrei a fruta, nem mesmo em Rosana-SP, que era cheia de nordestinos.

Apesar de eu ser cabeçudo, não sou nordestino. Conheci o umbuzeiro no sítio do tio Vicente Fortin, no bairro rural Cafezópolis, Araçatuba-SP. A árvore ouviu os gritos de minha mãe na tulha ao lado, dando à luz um anjo rebelado.

Debaixo da copa enorme, a criançada enchia a pança de tanto chupar embu em sua vasta sombra. Três palavras designam o fruto: umbu, embu, imbu.

Já em casa, frutos lavados, tomei o porre, sentindo o gosto de infância. Não sei como aquele umbuzeiro foi parar naquele sítio. Naquela época, eu não tinha a curiosidade de descobrir as origens das coisas.

O meu reencontro com as frutas silvestres de minha infância não foi sempre cordial, principalmente aquelas que agora grudam nas próteses dentárias, como o jatobá e a macaúba. Isso não ocorreu com embu, meio parecido com a jaboticaba no jeito de saboreá-lo. 

O meu embu de menino se encontrou com umbu do literato, cheio de empáfia, quando li o livro “Os sertões”, de Euclides da Cunha, onde escreveu que o umbuzeiro é “árvore sagrada do sertão”: sombra e água.

Então, caro leitor, para agradar seu avô ou sua avó, não precisa dar-lhes presentes comprados em shopping. Escute suas histórias antes de fazer a compra do presente.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE UMBU: 

https://www.cerratinga.org.br/especies/umbu/

7.1.22

Lições do caso goleiro Fábio

Nada disso valeu. Tchau, belo! 

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Depois de muitas manifestações críticas nas redes sociais, o Cruzeiro se pronunciou oficialmente nesta quinta-feira (6) sobre a saída do goleiro Fábio, de 41 anos. Ídolo na história do clube celeste, o experiente jogador não chegou a um consenso com a gestão SAF, que vem promovendo reformulações no time mineiro, e se despediu de forma amarga (Torcedores.com)

 Administrar é enfrentar conflitos e resolver problemas. O Cruzeiro associativo, sem ser empresa, não geriu o clube de forma correta, pois o grupo que afundou o time era ligado ao Aécio Neves, que apesar do respeito que se tem com seu avô, Tancredo Neves, o neto não tem boas recomendações.

Tanto os modelos associativo e empresarial são bons, basta que estejam nas mãos de gente competente. Palmeiras, Flamengo e Fortaleza são modelos associativos e não estão falindo. Enquanto o Figueirense de Santa Catarina se afundou quando se tornou empresa.

Além dessa questão toda, há por trás de tudo isso uma grande sacada filosófica. Quem comprou o Cruzeiro quer fazer tudo para sair no lucro, e o Fábio era um estorvo (idade avançada, muita dívida para receber), seguiram ao pé da letra a cartilha neoliberal, não levaram em conta as subjetividades, tanto de Fábio como dos torcedores, não foram humanistas. Quem compra empresa falida (há gente especializada nisso), não pode ter coração, não é gente que chora fácil.

Se os dirigentes da SAF (Sociedade Anônimo de Futebol) fossem poetas, gente de bem, pessoas filantrópicas, enfim humanistas, que não pensassem só no lucro, o desfecho teria sido outro.

5.1.22

Fato e opinião: notícia falsa

 


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Quando eu lecionava no ensino fundamental II, antigo primeiro grau ou ginasial, eu usava um kit da Universidade Federal de Santa Catarina para formar o senso crítico nos alunos ao ver televisão. Havia a fita de vídeo e os caderninhos.

Desenvolvia também o projeto “Jornal na sala de aula” da Folha da Região de Araçatuba, na mesma linha de formar o senso crítico e aprender a ler jornal escrito. Como professor de Português, eu ensinava a língua na literatura, mas também na mídia.

Atualmente, com tantas fake news espalhadas pelas redes sociais, internet, se devia fazer o mesmo na escola. Ensinar ao aluno ser seletivo diante desinfomações. Como estou aposentado do magistério, talvez haja esse trabalho e não tenho conhecimento.

Um dos pontos mais importantes que o professor deve ensinar, principalmente nas aulas de redação, é a diferença entre OPINIÃO (juízo de valor) e FATO (juízo de fato).

Exemplo apresentado por apostilas: Se disser: "Está chovendo", estará enunciando um acontecimento constatado e o juízo proferido é um juízo de fato. Se, porém, falar: "A chuva é boa para as plantas" ou "A chuva é bela", estará interpretando e avaliando o acontecimento. Nesse caso, proferiu um juízo de valor.

Passando para a política. Se disser que Bolsonaro passou a semana do ano novo em Santa Catarina e saiu de lá internado num hospital, trata-se de fato, juízo de fato. Se escrever que o presidente Bolsonaro terminou suas férias em Santa Catarina e foi descansar num hospital, pois não gosta de trabalhar, então o trecho é opinativo. Ambos não são fake news.

Seria fake news se o redator escrevesse: Bolsonaro foi internado num hospital, após passar férias em Santa Catarina porque sentiu dores na barriga por consequência da facada levada em 06/09/2018 em Juiz de Fora. Aí se tem fake news, pois a causa da dor não foi essa.

Às vezes, ou quase sempre, o presidente faz da fake news uma mentira deslavada, sem sutileza. Tais comportamentos aparecem mais nele porque é uma alta autoridade, mas esses dois comportamentos nada éticos existem desde quando a humanidade está na Terra. 

Sem fazer política partidária em sala de aula, mas desenvolvendo o senso crítico nos alunos, que já é uma revolução, o professor faz avançar a educação para a cidadania. Nos tempos atuais, principalmente nas aulas de Ciências (Biologia, Física, Química, etc), por onde grassa a desinformação.

A sociedade precisa descobrir a importância do professor, e o magistério ter consciência de sua força. Por isso que os seres das sombras detestam tanto os mestres.     

  

3.1.22

Araçatuba: placas de identificação de rua com prazo de validade vencido

Placa na esquina das ruas Humberto Bergamachi e Pedro Álvares Cabral - Paraíso. Leitura impossível: rua Pedro Álvares Cabral Há muitas assim pela cidade. Local próximo à agência do Banco do Brasil.
Placa na esquina das ruas Humberto Bergamachi e Pedro Álvares Cabral - Paraíso. Ainda dá para ler. Local próximo à agência do Banco do Brasil.

Há dezenas de ruas de Araçatuba que perderam sua identidade. Ninguém as arrebentou e nem caíram, foram desbotadas pelo tempo.

Não estou falando de ruas com placas fixadas em postinhos, que também foram danificadas pelo tempo.

Só as placas do tempo do prefeito Valadão Furquim, ferro com ferro, continuam cumprindo sua função.

A população sofre com isso, os visitantes xingam o prefeito e nós queremos ser cidade turística. O GPS não dá conta! HÉLIO CONSOLARO