AGENDA CULTURAL

11.4.21

Justiça organizacional - Gervásio Antônio Consolaro

Você é ouvido em decisões de trabalho que impactam seu cotidiano? Seu chefe trata as pessoas da sua equipe da mesma forma? Você sente que seu esforço é recompensado, mesmo com um simples elogio? Se você respondeu “não” a uma ou a todas essas questões, muito provavelmente sua motivação para trabalhar está aquém do ideal. Estas questões exemplificam aspectos distintos, mas complementares, do conceito de justiça organizacional.

O escritor e pesquisador organizacional Jerald Greenber, divide o conceito de justiça organizacional em três aspectos; a justiça procedimental; a distributiva e a interacional, que resumimos abaixo.

A procedimental diz respeito como são estruturados os processos de decisão. Em outras palavras, trata-se da justiça percebida nos processos que determinam resultados de interesse das partes envolvidas. Em praticamente todos os relacionamentos sociais existem conflitos ou potencial para conflito. O que vai definir a satisfação com a resolução desses conflitos é, ao contrário do que nos diria nossa intuição, menos os resultados e mais o processo de decisão pelo qual esses resultados são alcançados.. As regras do jogo precisam ser claras e baseadas em critérios objetivos.

O segundo aspecto é a chamada justiça distributiva, que compreende a percepção relacionada a esforços e resultados. Não se trata apenas de recompensar o esforço, mas de reconhecer a contribuição diferenciada quando ela existe e é relevante. Aspectos de justiça distributiva no trabalho costumam se tornar salientes nas equipes diante de situações comuns, como a distribuição desigual do trabalho, a ausência de critérios claros para a atribuição de tarefas, menos desejadas, e a ausência de recompensas diante do esforço diferenciado. As recompensas não são apenas financeiras. Outros recursos como, nomes de determinados cargos, elogios, oportunidades de carreira – também são consideradas recompensas gerenciáveis em um contexto organizacional .

Já a justiça interacional compreende acesso igualitário a informações que impactam a vida do profissional, bem como o tratamento digno e respeitoso na relação interpessoal. Ninguém se sente bem ao saber que apenas um grupo mais próximo ao chefe tem acesso a informações importantes. Similarmente, ninguém gosta de ser tratado com desprezo, sem respeito e sem consideração. Isso para não falar de extremos de comportamentos desrespeitosos, como o assédio moral.

Por fim, a justiça interacional compreende duas facetas como o sugerido acima. Uma delas é a justiça informacional, que está relacionada à distribuição adequada e equânime de informações. A outra faceta interacional engloba ainda aspectos como o feedback  dado no tempo certo e existência de uma ambiente de acolhimento emocional para o profissional.

Gervásio Antônio Consolaro, ex- delegado regional tributário do estado/SP, agente fiscal de rendas aposentado. Administrador de empresas, contador, bacharel em Direito e pós-graduação em Direito Tributário. Curso de Gestão Pública Avançada pelo Amana Key e coach pela SBC.  

Chamar o cara de doutor é demais! - Alberto Consolaro

Muitos profissionais trabalham muito para receber o título de Doutor!

 A competitividade leva as pessoas à busca de habilidades em cursos de aperfeiçoamento, especialização, mestrado e doutorado. Muitas pessoas têm o sonho de ter o título de Doutor, correspondente ao “PhD”. A pós-graduação na forma de mestrado e doutorado representa programas de atividades em pesquisa e treinamento avançado para se ganhar competência científica.

Não há uma escala de valor entre programas de pós-graduação “sensu lato” como a especialização, residência e aperfeiçoamento. A pós-graduação “sensu stricto” representa o mestrado e doutorado com objetivos de formação científica e cultural para pesquisa e docência com uma escala crescente de valor intelectual entre graduados, mestres e doutores.

O título de “Mestre” tem origem medieval e é peculiar da universidade britânica e americana. Na idade média, chamavam-se de Mestres todos os professores de faculdades, com exceção da faculdade de direito onde se intitulavam Doutores. Na universidade medieval, professor, mestre e doutor eram absolutamente sinônimos equivalentes.

No final da idade média, os professores das faculdades assumiram o título de Doutor em substituição ao de Mestre.  O título de Mestre ficou restrito às faculdades das artes. Nas artes, é comum chamar o mais experiente de Mestre, como os técnicos de futebol, Mestre-Cuca, Mestre de Obras e Mestre Cervejeiro. O termo mestre em vários idiomas “máster, mister e maître” tem raízes profissionais. São profissionais exímios que ganharam respeitabilidade por que sabem fazer, domina a arte e o oficio.

A palavra e o título Doutor advém de “doctors”, doutores ou senhores da “doctrina” ou doutrina. O programa de doutorado baseia-se em atividade de busca, investigação, questionamento e pesquisa. Um Doutor tem autonomia científica e pode orientar estudantes na iniciação científica, mestrado e doutorado. Pode pleitear financiamentos para pesquisas e pleitear postos de comando e gerenciamento na universidade. O título de Doutor abre o caminho para pleitear outros títulos como o de Professor Livre-Docente e o de Professor Titular.

Um país com mais doutores, terá uma produção maior de trabalhos científicos, teremos mais inventos, marcas registradas e patentes. No conjunto, isto se chama produção científica. Entre as nações, as mais ricas são as que têm mais registros de marcas e patentes, enquanto as demais pagam para usar este conhecimento gerado. Quanto mais pesquisas, maior será o rendimento com os seus produtos. Ministérios da Educação e da Ciência devem estimular a formação de Doutores.

Um Doutor para receber este título trabalhou muito, fez vários concursos públicos, desenvolveu muito produtos e serviços em suas atividades profissionais. Chamar alguém de Doutor é uma referência e reverência muito grande e significa o reconhecimento de muito trabalho e no popular significa alguém para se tirar o chapéu. A atividade legítima de um doutor é o exercício pleno da ciência e ou de uma elevada intelectualidade caracterizada pela profundeza do conhecimento humano.

Singela, sincera e humildemente, fiz todo este preâmbulo para pedir a nossa sociedade um pouquinho de consideração e discernimento: parem de chamar o rapaz de “Doutor” Jairinho! 

Alberto Consolaro – professor titular da USP - FOB Bauru-SP - consolaro@uol.com.br 

Inventário válido

 
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP


Há 30 dias, minha mãe faleceu. Já tenho condições emocionais de escrever uma crônica a respeito. Morreu assim: repentinamente, estava bem ao lado de meu irmão e parou de conversar. A morte em si é mesmo um momento, alongado é a precedência. 

Eu e meus irmãos (Hélio, Gervásio, Alberto e Luís Augusto), nenhuma irmã, fomos criados a suportar o sofrimento em silêncio. Ela morreu e ninguém chorou a sua morte, a não ser alguns vizinhos. 

Não somos filhos ingratos. Estávamos com a consciência tranquila, sem brigas na irmandade e ouvindo-a pedir a morte a Deus nos últimos cinco anos: "Ele se esqueceu de mim!" 

Talvez tenha faltado carinho de nossa parte, pois fomos criados no rigor disciplinar e na carência de recursos, embora o tratamento dela nos últimos anos estava muito alto, não lhe faltou nada.  

Após o sepultamento, os móveis que ela juntou em 94 anos, já não estão juntos. Nada de valor, tudo muito simples, mas foi um inventário afetuoso, cada um queria ficar com alguma coisa de lembrança: filhos, noras, netos, bisnetos.  

O inventário da casa, aquele feito no fórum local, está em andamento. Se os herdeiros não o fizer, o poder público acabará ficando com o imóvel. Estamos enfrentando a burocracia, como se estivéssemos dividindo fazendas.

Esta casa foi deixada pelos avós paternos. Após a venda do sítio, deu para comprar aquela casa. Isso foi há 30 anos. Antes, a família pagava aluguel, passando por 16 casas em Araçatuba. Ninguém mais do que eles tinham sofrido a falta de uma política habitacional.  

O apego do casal àquele imóvel era intenso, tanto é que meu pai Luís deixou à minha mãe Augusta um testamento verbal: "se eu morrer primeiro, Gusta, não saia dessa casa, não vá morar em casa de filhos". E assim, embora com 10 anos de intervalo, ambos morreram na mesma casa e no mesmo sofá.

A herança que era um sítio virou uma casa; a que que era uma casa pode virar um carro usado, assim as propriedades foram baixando de valor. Viraram pó.

O verdadeiro inventário que não são os móveis e nem os imóveis, que passa apenas pelo crivo da justiça social são os nossos diplomas, os estudos. Eles triplicaram nossas propriedades. Todos moram em suas casas, tem suas aposentadorias, cada um com seus carros e posição social.

O casal Luís e Augusta puseram na cabeça que estudar os filhos era o único procedimento a fazer para tirá-los da pobreza. Confiaram, fizeram e conseguiram. Esse é o único inventário válido.

8.4.21

Bolsonaro e Dória, é o sujo falando do mal-lavado

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Já vi os dois juntinhos em campanha eleitoral, até justapuseram os nomes: Bolsodoria. Era uma gracinha. Até houve fanáticos que diziam ter encontrado a fórmula mágica de gato e rato formarem uma dupla de amor. Tom e Jerry estavam superados.  

O eleitor fanático, seja ele de esquerda ou de direita, tem o mesmo perfil de quem acredita em Papai Noel. A gente percebe que não está levando vantagem, mas precisa de ter um imbecil para chamar de seu. O eleito faz tudo ao contrário, assim mesmo o fanático arruma desculpas. "Coitado, deixa o homem trabalhar."

Se o fazendeiro é contra a reforma agrária, ele faz campanha por um candidato que tenha propostas conservadoras, nada de democratizar a propriedade da terra. Ele está defendendo seus interesses. Mas fazendeiros são poucos, não elege ninguém, mas se é assim, como no Congresso Nacional a maioria dos parlamentares são contra a reforma agrária.  Por quê?  O eleitor pobre não tem nada, só o voto dele vale alguma coisa nas eleições, então ele troca esse tesouro por mixaria. Nem sabe por que vota. Vota contra seus interesses.



Tenho alguns amigos que foram Bolsodoria, agora são apenas Bolsonaro ou Doria. Uma porcaria a menos. E eles se pegam como gato e cachorro. Este cronista que votou no Haddad vive dando risada na cara desse povo. Meu candidato perdeu, mas ganhei o voto, porque confiava e confio no meu candidato. Meus amigos votaram em candidatos vencedores, mas perderam o voto, porque fazem tudo ao contrário, embora alguns continuam brigando por eles. É igual torcer para time ruim. É o sujo falando do mal-lavado.

Em Palmas, estado de Tocantins, andam esparramando na cidade de outdoor contra o Bolsonaro, o tal do "pequi roído"; em Araçatuba-SP, o malhado é o Dória com o tradicional "Fora Dória", e o prefeito Dilador Borges vai a reboque, já que continua ao seu lado. 

Conheço pequi, a marca registrada do povo goiano. Dizer que o sujeito vale menos que um pequi roído é uma desfeita muito grande. Para o pequi, claro.

E assim os dois enganam o povo encenando uma briga entre si, fazendo uma cortina de fumaça. Na verdade, os dois juntos não valem o que um gato enterra, ou seja, merda. Bolsonaro chamou Doria de vagabundo; o governador paulista, que tem um cérebro melhorzinho, pede-lhe calma e responde que o Butantan fabrica a vacina antirrábica e que vai aplicá-la no Bozo. Na minha época de moleque, as brigas eram mais animadas.

Enfim, é melhor a cada eleição ter uma anta para a gente escolher na hora de votar do que ser governado por alguém imposto pela força. A democracia, pelo menos, nos permite a escolha, nem sempre perfeita. Vamos trocando seis por meia dúzia, e assim caminha a humanidade. 

7.4.21

Tem gente ganhando dinheiro com a falta de vacina

 


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Você, caro leitor, pode dizer que o Brasil está vacinando por faixas etárias, começando com os mais velhos, mas está demorando muito. Não podia ser mais ligeiro, mais rápido?

Claro que podia, mas as farmacêuticas e países que são donos da patente da vacina não dão conta de fabricar tanta vacina, mas eles também não deixam que outros laboratórios fabriquem. Sem pensar nas mortes, nos países pobres, enfim, na humanidade, não ensinam aos outros como se faz a vacina, só pagando milhões de direito intelectual

A vacina é do Butantã  (estadual), mas o governo de São Paulo está pagando milhões para isso acontecer. Assim acontece também com a Fiocruz (federal). E está acontecendo com a Sputinik V, da Rússia. a frase da resposta é a seguinte: "põe dinheiro na minha mão, ou todos vão morrer intubados" (se houver UTI para todos). Para não perder propaganda, as televisões brasileiras não fazem esse debate.  

A Índia e a África do Sul querem quebrar o monopólio em nível mundial, fazer a vacina sem pagar a patente, mas o governo Bolsonaro não apoia a ideia, disse que é pirataria. Esse ato de rebeldia seria por tempo determinado, até atingir  a falada imunização de rebanho ( 90% dos brasileiros).

A vida é mais importante que a propriedade privada, há momentos, no próprio capitalismo,  esse dogma precisa ser quebrado. O Brasil conseguiu combater a AIDS porque governos brasileiros da época, que valorizaram mais a vida dos brasileiros do que o lucro dos capitalistas, não pagaram patentes dos remédios, num ato de rebeldia. 

Então, caro leitor, não leia (ou veja) apenas publicações da direita, nem só da esquerda, leia tudo que estiver a seu alcance e forme a sua própria opinião.

Ouça áudio da Folha de São Paulo sobre o assunto. Clique aqui! 

6.4.21

Já estamos no mapa da fome

 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Eu estava olhando as mensagens de um grupo de zap, quando vi um amigo, que se dizia empresário, e se orgulhava disso,  comunicando que havia fechado sua empresa e ia trabalhar como empregado. Era o empreendedorismo às avessas, ao contrário do que tanto prega o Sebrae. 

Esse meu amigo deixava o grupo de zap porque não podia ser mais voluntário, precisava mesmo era cuidar da vida dele. E agradecia a Deus por ter arrumado pelo menos um emprego. E culpava a pandemia por sua decadência.

A covid-19 não é coisa boa, todos sabem, mas precisamos ter um governo comprometido com a população para enfrentá-la coletivamente. E os governos que temos aí estão mais preocupados em fazer política partidária e eleitoral do que com a pandemia. Não estou livrando a cara de ninguém.

Fome cresce e, pela 1ª vez em 17 anos, mais da metade da população não tem garantia de comida na mesa (Site do jornal Extra, 6/04/2021)

Meu amigo deixou de ser empresário e é empregado porque instalou no país um política neoliberal que não se importa com os pequenos. A pandemia para Bolsonaro foi a salvação, ela esconde a sua incompetência. 

Por aquilo que sei, o SESI não é só contra a fome na pandemia

Li um meme bem interessante. Apontava que o problema do Brasil não é esquerda ou direita, mas de sanidade mental. Temos um presidente que precisa ser interditado pelo Congresso Nacional.  

Voltamos no tempo. No mundo, já estamos no mapa da fome: fazendo campanha para arrecadar alimento, para isso basta ressuscitar slogans e cartazes do Betinho na década de 90. E os bolsonaristas renitentes vão dizer que foi por causa da pandemia. 

Temos uma elite no país, e o pensamento vem desde 1500, que não quer alimentar o trabalhador, ela deseja que as pessoas lhe prestem serviços sem comer, como se carro  andasse sem combustível.

Daqui a pouco, as "pessoas de bem" estarão invadindo supermercados para poder comer. E vão dizer que estão sendo insufladas pela esquerda.  

O planeta Terra é de todos. Aqui, ninguém é inquilino, devíamos nos tratar como irmãos.

ÁUDIO DA FOLHA DE SÃO PAULO. CLIQUE AQUI PARA OUVI-LO 

 

4.4.21

Quiabada de Páscoa - Antônio Reis


Já que nenhum coelho veio me visitar, no domingo de Páscoa comi quiabo. O dia amanhecera lindo, com um sol alegre, temperatura amena e céu infinitamente azul. Como nem tudo nessa vida se resume ao belo e ao agradável, sou impelido à feira da semana, pois coelho nenhum ou outro animal fará isso por mim.

A caminho do supermercado decido que um dia tão especial merece uma refeição que fuja do cardápio que há três anos me fora recomendado, com zelo e exclusividade, por competente nutricionista. Sair da rotina abandonando por um dia a batata doce e a carne grelhada também deve ser saudável para o corpo, pois o astral, com domingo tão agradável, vai muito bem obrigado.

Na feirinha do mercado, enquanto matutava no que poderia ser o cardápio da ressurreição, deparo-me como ele. Sim, aquele alimentozinho caboclo, presente nas mesas mais modestas, de sabor indefinido, que exibe sua liga, como o queijo da pizza, quando o garfo o espeta no prato para levá-lo à boca. Quiabo. Prazer, há quanto tempo!

Desconheço quiabo gourmet, mas na culinária mineira o seu picadinho é muito apreciado na caldeirada com frango caipira. Há também quem goste do refogado com carne moída, nacos de tomate despelado e sem sementes. Na salada, cortado em pedaços maiores, substitui a vagem com o benefício de custar menos ao bolso. Porém, fatiado em lascas fritas é um baita aperitivo para acompanhar cerveja gelada enquanto se prepara alguma opção anterior.

Além das tradicionais receitas, há também dicas de como evitar, ou reduzir ao máximo, a baba do quiabo. Lavá-lo com bucha e sabão, enxugá-lo com pano seco hora antes do preparo. Evitar mexê-lo muito durante o cozimento. Colherada de vinagre no momento do refogado e por aí vai... Pura bobagem, pois quiabo sem baba é igual a chope sem colarinho: não tem graça.

Embora poucos saibam, até meados dos anos 1990 Araçatuba era a capital nacional do quiabo, por ser a maior produtora.  A cidade perdeu este status quando da emancipação de Santo Antônio do Aracanguá, que amealhou grande parte da área plantada com os frutos de origem etíope.

Quiabo não é manjar dos deuses e nem papo de anjo. Entretanto, nos leva ao céu que temos dentro da boca.  A quiabada de Páscoa obrigou-me a emprestar os versos do compositor baiano: “Quem não gosta de quiabo bom sujeito não é”.

(*) Antônio Reis é jornalista e ativista do Grupo Experimental da ALL.

Lidar com as dificuldades - Gervásio Antônio Consolaro

 


Lidar com problemas, adaptar-se às mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas, vai depender de nossa resiliência.

Nossa capacidade de  elasticidade diante dos desafios da vida. O poder de levar porrada e não reagir automaticamente. Não seja impulsivo em suas relações, por que isso pode acabar com você. Você perde muita energia com essa brincadeira de passa ou repassa, bateu-levou.

Toda estrutura quando é abalada, se não tiver dilatação e elasticidade, pode vir a ruir. Um exemplo prático é a Torre Eifel, idealizada por Gustave Eiffel. Essa torre foi desenvolvida para durar apenas 20 anos, mas já tem 132 anos. Durante o período do calor, ela aumenta em até 15 cm seu tamanho devido a dilatação do ferro. Ela contém em sua programação uma pequena folga, para que nos dias quentes a dilatação ocorra sem nenhuma resistência. A Torre Eiffel, com 324 metros de altura, consegue se adaptar às novas temperaturas, e você? Resiste às mudanças ou se adapta a elas?

Temos que ter o poder da flexibilidade e da elasticidade. Sempre que alguém te atacar ou te provocar, deixe o outro falar, soltar todo o armamento que ele tem, através da fala. Fique em silêncio e observe o tiro no pé que ele mesmo está dando. Veja a intenção do acusador fala com você. Ser resiliente é aguentar pressão. E para isso é necessário força mental.

Não dependa das pessoas. Os resilientes aprendem a todo momento, ele sempre se multiplica e não se deixa levar pelas situações momentâneas.

Entenda que quando alguém de magoa, e te irrita, não é culpa do outro. As pessoas te irritam porque sabem que você é irritável. Você pode melhorar isso, você precisa ser transformado completamente.

Toda estrutura que é rígida vai se quebrar ao meio. A resiliência é para não deformar, para se adaptar ao movimento e por isso é flexível.

Como ser resiliente ou mais resiliente? É simples:

 Empatia – Simpatia – Altruísmo.

 Se você tiver esses três pontos, é impossível não ser resiliente, afinal, você compreenderá o outro dentro do  potencial que ele tem.

 Por fim, esclarece a dra. Lisete Barlach professora e psicóloga da USP, que a “resiliência não é tornar-se uma saco de pancada e aceitar qualquer situação como se aquilo fizesse parte, de certa maneira, do crescimento emocional e psíquico individual.  Há batalhas que não temos que enfrentar, e fazer essa escolha  não nos coloca frente a frente com o fracasso ou fraqueza. Muito pelo contrário; resiliência também é saber que temos limites e valores – e precisamos respeitá-los.  

Gervásio Antônio Consolaro, ex- delegado regional tributário do estado/SP, agente fiscal de rendas aposentado. Administrador de empresas, contador, bacharel em Direito e pós-graduação em Direito Tributário. Curso de Gestão Pública Avançada pelo Amana Key e coach pela SBC.  

Só faltou um quase. Parabéns, Sueli

Sueli Rodrigues deixa a final do The Voice+ 
Texto de Hélio Consolaro 

Vamos supor que eu fosse o assessor de imprensa de nossa cantora Sueli Rodrigues  participante do reality show "TheVoice+" da TV Globo (não sou, estou apenas imaginando). E fosse encarregando de fazer uma crônica.

A cantora araçatubense chegou até a semifinal, mas perdeu para Dudu França. Todos os envolvidos na torcida por Sueli (principalmente os araçatubenses) estavam com seus celulares e computadores apontados para Sueli. Em 2021, em plena pandemia, num Domingo de Páscoa, todos isolados em casa, na frente de televisão. Seria a consagração, mas assim mesmo consagrou-se.

Os corações aos pulos:

- Vou teclar até o dedo doer!

Até parecia que o celular fosse uma arma a laser que derrubaria todos os concorrentes de Sueli Rodrigues, mas ela não dependeu da participação popular, porque não ficou entre os quatro finalistas. 

Presa nas eleições indiretas, no caso, quem NÃO a escolheu foi Ludmila. Tudo bem, sem mágoa. Quem entrar numa disputa tem a chance mínima de ganhar, mas ela existia.  

Há anos que ouço a Sueli falar que vai participar do The Voice. Eu a conheci cantando o Hino Nacional a capela nas solenidades, também sendo cantora do grupo Amigos da Seresta. Precisando, Sueli estava com sua voz animando festas. Já ouvi várias vezes o Ariobaldo Manfredini dizer que ela era cria de "Os Guanabaras", mas agora, nesse negócio de cantar na TV, fiquei sabendo que ela quis fugir com o circo em sua juventude. Sueli estava predestinada ao mundo artístico.

Ela deixou de ganhar R$ 250 mil como prêmio, mas o cachê vai subir um pouco mais, afinal, será a Sueli do The Voice. Se não fosse a pandemia, já teria show para amanhã. Não se vende mais disco, a saída é gravar às plataformas. Não interessa qual seja a recompensa, o importante é que sua arte foi reconhecida. E só a mídia para fazer isso. 

Quem sabe? Receber título da Câmara Municipal,  ser recebida pelo prefeito da cidade. Mordomias pagas pela Globo e um prêmio consolação de R$ 10 mil. Só espuma, mas vale como reconhecimento.

O tempo anda e as portas não se fecharam.  

Zé Alexanddre é o vencedor do “The Voice+”

Clique aqui para ver os detalhes


Agradecimentos de Sueli Rodrigues

Herpangina gera confusão diagnóstica

Exemplos de herpanginas na mucosa do palato mole e úvula.

Certas doenças são mais frequentes do que se imagina, pois em boa parte das pessoas são subclínicas e nem se procura um diagnóstico profissional, elas se autorresolvem. Isto acontece com o herpes simples intrabucal, molusco contagioso e especialmente com a herpangina.

Quando uma destas doenças se apresenta com sinais e sintomas típicos, o diagnóstico pelo profissional se complica pela simplicidade da doença, principalmente se estiver acostumado a quadros mais graves de outras doenças. Por mais experiente, inteligente e estudioso que um profissional seja, jamais saberá tudo!

Na boca de pacientes com covid-29, a única manifestação específica da doença é a disgeusia ou alteração do paladar. As demais, são secundárias do estresse, falta de higiene adequada e outras, são doenças que aconteceriam independente da pandemia. Na revista “Nature Medicine” saiu um trabalho exemplar sobre o coronavírus nas estruturas bucais e saliva, escrito por um grupo muito grande cientistas liderados por Ni Huang da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

HERPANGINA

Quando uma criança, especialmente entre 3 a 10 anos, abre a boca e você percebe pápulas e vesículas na mucosa vermelha com petéquias limitando-se ao palato mole, úvula, e os pilares tonsilares na passagem da boca para a orofaringe, a possibilidade de ser Herpangina é muito grande. Se paciente e pais relatarem a ocorrência de febre que apareceu subitamente e com a dificuldade de deglutir, o diagnóstico caminha para a confirmação.

O interessante da herpangina é a limitação a esta área que a doença se apresenta. O quadro parece muito com a estomatite herpética que tipicamente envolve a gengiva, o dorso da língua, bochechas e os lábios, o que não ocorre na herpangina. A herpangina afeta a linha média e quase que exclusivamente no palato mole, úvula e orofaringe, sendo bem menos incomodativa que a lesão herpética. E não envolve as gengivas!

É difícil ver, mas a base da língua também está afetada com os nódulos linfáticos da região muito doloridos. Pode ter cefaleia, anorexia, vômitos e dores abdominais. Apesar de ser típica de crianças, pode ocorrer em adultos, apesar de menos comum. A febre dura 2 a 3 dias e as lesões entre 4 a 6 dias. Em 7 a 10 dias a cura completa se estabelece.

A herpangina, descrita em 1924, teve o vírus identificado em 1948 em surto na cidade de Coxsakie (NY) que recebeu o nome de Coxsakievírus A e B. O contágio se faz pelo contato próximo de familiares e em escolas infantis, pelas gotículas de saliva, aerossol da respiração e objetos contaminados por via orofecal. O período de incubação varia de 2 a 10 dias. Alguns subtipos do vírus provocam manchas vermelhas populosas no dorso das mãos e dos pés, especialmente entre os dedos e nas bases das falanges e, eventualmente, nas nádegas, quando se chama Doença das Mãos e Pés.

REFLEXÃO FINAL

A herpangina se autorresolve e não é manifestação de outras doenças. O tratamento envolve repouso, ingestão de líquidos e analgésicos. Se tiver qualquer dúvida quanto ao diagnóstico, consulte um estomatologista, pediatra ou odontopediatra. E não esqueçamos que nas ruas só cumprimentamos quem conhecemos. Com as doenças também, só diagnosticamos o que sabemos previamente!


Alberto Consolaro – professor titular da USP - FOB Bauru-SP - consolaro@uol.com.br 

3.4.21

O novo normal será tempo de maluco beleza

Clá Imagem: Instituto de Psicologia da USP

Controlando a minha maluquez/ Misturada com minha lucidez (Raul Seixas /  Cláudio Roberto Andrade de Azevedo)

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Normal, normal ninguém é. "De perto, ninguém é normal", canta Caetano Veloso em Vaca profana. Millor Fernandes foi mais preciso: como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.

Se fosse no século passado, diria que todos os humanos têm um parafuso solto, mas como estamos no século 21, é melhor atualizar a linguagem, passando para a informática: todas as pessoas são bugadas, só variando o nível, algumas menos e outras mais.  

A moda agora é falar em sanidade mental em tempo de pandemia. Psicanalistas, terapeutas, psiquiatras estão com suas agendas cheias. Mas há quem diga que há gente dando uma de doida só para sair de casa, as crises dão geralmente acontecem à noite.

Meus amigos não se cansam de falar em videoconferências, telefones, mensagens de zap que suas mulheres aprenderam a fazer pão no isolamento social e já estão gordos de tanto comer massa. É pão quentinho todos os dias. 

O Francisco Antônio, outro amigo, disse que sua companheira dobrou o gasto com supermercado durante a pandemia. Faz comida para todos os parentes e vizinhos, como pretexto de começar uma conversa no zap e depois entregar o prato pessoalmente.

Tenho um amigo que vivia só, num apartamento. O cara já era meio deprê, mas o boteco salvava a situação. Com pandemia, ele foi tomado por um medo medonho do vírus, compra tudo por telefone, via internet. Nem preciso contar que ele chamou a sua falecida mãe por várias vezes. Buteco? Nem pensar.  

Aqui em casa, baixamos o decreto: nada de profissionais estranhos. Como só tínhamos a faxineira bissemanal, ela perdeu o emprego. Sobrou mais um pouco dos serviços domésticos para mim. E a pecha de aposentado foi fatal. 

Pais de adolescentes estão abençoando os que só ficam isolados no quarto, participando de jogos e de outras atividades on-line, despreocupados com baladas. 

As rezas são feitas virtualmente, como missa, reza do terço. Até o par de testemunha de Jeová me passa mensagens bíblicas por zap. Tenho amigos que até eram meio sem religião, viraram beatos. De cada três palavras ditas, duas são de louvação ao Senhor.

Virtualmente se intensificaram as sacanagens. Sexo sozinho ou a distância é a moda pandêmica. Amores clandestinos cortados. Plataformas de videoconferências sendo usadas para bacanais.

O mundo não vai mesmo voltar ao que era, o novo normal será bem diferente: tempo de maluco beleza. 

2.4.21

Alcatra, uma reportagem policial - Antônio Reis*

Dois homens encapuzados invadiram a casa da vendedora Maria Cloroquina Pascoal e levaram três quilos de alcatra que estavam na geladeira. O furto aconteceu na noite de 31 de março. No momento do crime a vítima ouvia um disco de Edith Piá. A vendedora registrou boletim de ocorrência na tentativa de reaver o alimento, estimado em R$ 150,00 e comprado em prestações pelo cartão de crédito.

O crime revoltou os moradores do bairro Nosso Senhor Acima de Tudo, que no dia seguinte, em 1º de abril, fizeram um protesto em frente à casa da vítima pedindo justiça e punição exemplar aos bandidos. Os manifestantes vestiam camisa amarela da seleção brasileira, faziam arminhas com as mãos e prometiam linchar os criminosos. Os mais exaltados exigiam a volta do AI-5.

Além de gritar palavras de ordem, como “bandido bom é bandido morto”, um rapaz loiro, de físico atlético e uma suástica tatuada no braço direito, propôs uma pauta de costumes. Ele colhia adesão a um abaixo-assinado para expulsar do Nosso Senhor Acima de Tudo um designer assumidamente gay. “Esse lixo defende ideologia de gênero e prega o racismo inverso”, discursou o loiro bombado.

O marido da vendedora, José Terraplana, acompanhou a conja até a delegacia de polícia. Ele é assessor parlamentar de Jacinto Oficialato de Jesus, um ex-tenente da PM que cumpre o quarto mandato de vereador, agora pelo PSL (Partido dos Sacanocratas e Liberticidas). Assessor e vereador são acusados de peculato mediante a prática de rachadinha.

O delegado Miliciano Colt e Silva, que presidirá o inquérito da alcatra, suspeita que os encapuzados façam parte de uma quadrilha especializada em roubo de carnes em casas de família com o objetivo de posteriormente pedir resgate. “Nos últimos dois anos temos várias ocorrências com o mesmo modus operandi”, declarou Miliciano.

De acordo com o policial, “a res furtiva” tem sido sempre carne de primeira, que por se tratar de um alimento caro é exposto nas redes sociais quando adquirido pelas famílias baixa renda, como se fosse conquista da inegável gula ou soberba gastronômica. Miliciano pede aos munícipes que denunciem suspeitos pelo telefone 17-171. Caso o denunciante tenha algum problema com a Justiça, ele não descarta a possibilidade de delação premiada.

(*) Antônio Reis é jornalista e ativista do Grupo Experimental da ALL.

1.4.21

Circo trágico retoma sua magia na solidariedade

Foto: Folha da Região


Circo Mundo Mágico, parado em Araçatuba por causa da pandemia 

Costumamos dizer em nosso cotidiano que cada um deve ficar no seu quadrado. Dividir a vida em quadrados não é legal, pois todos precisam se importar com a vida do outro, é uma forma de solidariedade. Todos juntos e misturados. Quando falamos de arte, a situação se complica mais, porque tudo é redondo.

O circo, um teatro popular, um coliseu de lona, é redondo, circulava pelas cidades nos tempos ermos, divertindo as pessoas isoladas nas vilas, povoados, que no máximo tinham apenas o rádio. O grande grito das crianças era "O circo chegou!", sinal de dias felizes. Terreno sobrava, nem precisava alugar algum.  

A alegria do circo / é ver o palhaço pegar fogo./ O fogo do circo é ver o palhaço pegar a alegria

Em Araçatuba, o circo "Mundo Mágico" chegou no dia 26/02/2021. Nome bem sugestivo, apenas a lona, equipamentos, a trupe, veículos, os funcionários. E não pôde dar espetáculos por causa da pandemia: nada de aglomeração. Não é tão mambembe, mas precisa de ajuda, vende maçã do amor, pipocas como se houvesse espetáculo. Está recebendo até cestas básicas da população.

As crianças estão com saudade de ver [...] o palhaço Sanhaço/ leva cada tombaço/ de quebrar o espinhaço. 

Não sei se sabia, caro leitor, o circo é um negócio, um meio de vida, seus artistas e  operadores precisam comer. Os gestores dormem em hotéis, o pessoal mediano em trailers. E os trabalhadores menos qualificados profissionalmente são contratados na própria cidade.  

O fogo  do circo / é ver o palhaço pegar alegria

Algumas pessoas de Araçatuba reclamaram: "Não havia hora melhor para chegar?". "Quando vão embora." A gente nem se lembra que circo não tem endereço, não chega e nem vai embora, ele mora na cidade em que está. 

Os circenses vão passar suas dificuldades junto com os araçatubenses. Mudar de cidade agora é arrumar mais prejuízos, porque a pandemia está em todos os lugares, por isso é "pan". Bacalhau e ovos de páscoa, nem pensar!

O "Circo Mágico" podia estar instalado em Birigui, por exemplo, então lá estaria morando. As crianças de circo vão se matriculando em escolas, conforme as paradas. Os sedentários, como este cronista que mora há quase 40 anos na mesma casa, nem imagina como deve ser nômade. 

A figura romântica do circo sempre mobiliza as almas mais sensíveis, como Sheila Zambon, Carlos Nova, Zilma, Escola Judá que encabeçam campanhas a favor da população circense, mas as nossas crianças vendo a situação de penúria do circo já estão mudando o nome dele, de mágico para trágico. 

O palhaço Sanhaço / não conhece o fracasso./ O palhaço Sanhaço/ parece feito de aço

É bonito ver Araçatuba e o circo se dando as mãos, até o palhaço está rindo com tanta solidariedade, cada um fora de seu quadrado, todos juntos e misturados.

OBSERVAÇÃO: versos do poeta Elias José.

LEIA NOTÍCIA SOBRE A SITUAÇÃO DO CIRCO 

Uma mulher muito a frente de seu tempo

 Esta homenagem póstuma, publicada num blog de Araçatuba, acanhado para caber a grandeza de Maria Scintila de Almeida Prado Por, se deve a uma figura lendária do magistério araçatubense: Professor Fernandão (Fernando de Almeida Prado) irmão de Scintila, pais de Cláudia e Júnior (Hélio Consolaro)

Maria Scintila de Almeida Prado Por

Hoje (01/04/2021) está fazendo uma semana que a tia Scintila morreu, sim ela sempre falava, quando eu morrer use a palavra correta, não diga partiu. Ela não conseguia entender o porque de falar de forma mais leve, queria a palavra exata com todo sofrimento que ela trás.

Abaixo um texto sobre ela, do meu irmão
Fernando Almeida Prado Jr.
acho perfeito o texto (Cláudia Prado)
Ajudou a construir a Oceanografia Brasileira Maria Scintila de Almeida Prado Por, na juventude em seu tempo no Colégio Bandeirantes, planejava estudar medicina, mas acabou se direcionando para estudar Ciências Naturais na USP.

Nos anos 50 esse era um curso eclético que reunia diferentes especialidades como a Biologia, Zoologia, Geologia e outras ramificações. Essa diversidade fez toda a diferença na formação de Scintilla (assim mesmo em latim uma centelha de vida e amor) que se apaixonou pela zoologia, mais especificamente pelos animais marinhos. Costumava brincar que seus animais preferidos eram os microplânctons.

Essa dedicação ao tema ajudou que ela fosse uma das pioneiras da Escola de Oceanografia da USP, na Cidade Universitária, unidade para a qual foi nomeada em 1961 no cargo de Oceanógrafo na carreira de professor universitário quando começava a separação das carreiras especificas da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.

Ainda nos anos 60, foi ao Reino Unido para complementar seus estudos de pós-graduação, trabalhando intensamente na ilha de Man situada no mar entre Inglaterra e a Irlanda em uma estação experimental de biologia Marinha. Suas cunhadas e irmãs admiraram sua coragem pois na época não era usual este tipo de “aventura”.

Sua dedicação a ciência lhe rendeu homenagens, inclusive uma bem inusitada, tendo seu nome associado a uma medusa marinha, a “MASTIGIAS SCINTILLAE” nome designado por colega ao identificar uma nova espécie descrita em um artigo cientifico. Costuma dizer que sua tarefa principal era descrever novas espécies, pesquisar novas funções e explorar os diferentes padrões de comportamento das mesmas. Havia sempre muito o que fazer. Escreveu livros e deixou uma legião de ex-alunos que a admiravam.

Scintilla posteriormente encontrou o amor de sua vida associada à profissão de oceanógrafa, o Dr. Francis Dov Por, professor emérito da Universidade Hebraica de Jerusalém, cidade onde viveu entre 1979 e 2015. O casal sempre visitava o Brasil onde interagiam em programas cooperativos de pesquisa na USP. A interação universitária praticada pelo casal foi replicada em inúmeras universidades ao longo do mundo, o que propiciou que eles viajassem muito e conhecessem várias dezenas de países, fato que enchia Scintilla de alegria pela percepção de ser uma cidadã do mundo.

Não teve filhos, mas sempre foi de um extremo carinho e generosidade com seus sobrinhos, enteada e netos.
Scintilla nos deixou dia 24 de março de 2021, aos 85 anos, por conta de complicações advindas da COVID-19. Teve vida longa e feliz, mas deixa muitas saudades."

28.3.21

Grudar na vida

 


Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Araçatuba-SP

Nessa ameaça constante da morte durante a pandemia, o único jeito de continuar a caminhada é grudar na vida. Em qualquer época, com ou sem coronavírus, quem não encontrar força para viver, acaba cometendo atitudes tresloucadas ou no suicídio.  

Confesso-me um sujeito otimista, cheio de explicações para continuar grudado na vida. Meu discurso me satisfaz. Devido à idade,  não tenho muita coisa para realizar, mas acordo todos os dias animado: estou vivo. Não desejo chegar à blasfêmia: Deus se esqueceu de mim, quero morrer. 

Acredito no criador e não uso o nome dele em vão. Aliás, acho que ele é meu amigo, tenho longas conversas com minha voz de dentro. Apenas digo-lhe: "Seja feita a sua vontade. Sou seu servo". Entre mim e ele, não há um balcão para fazermos negócios: prometo isso, você me dá aquilo. O Movimento dos Focolares e a Teologia da Libertação me ensinaram a me relacionar bem com o divino.

Escrevo isso porque não me conformo ver a pessoa contaminada com o coronavírus e tentar conscientemente contaminar os outros também. Cuspindo em supermercado, passando saliva em carros, frequentando aglomerações. Como a vida dela está ameaçada, quer fazer o mesmo com as outras pessoas.

Por que nasci? Qual é a minha importância para o universo... Que lugar ocupo na sociedade? São respostas básicas para ser um cidadão do mundo. Do contrário, como ser pensante, não sou protagonista de minha própria narrativa, apenas sou um barco à deriva, sem rumo nas águas da vida. 

Nessa falta de rumo, ausência de uma interpretação para a vida, qualquer ameaça deixa a pessoa transtornada, desde matar a outra, querer distribuir a sua desgraça para todos ou cometer o suicídio. Vade retro satana! Não quero isso para mim.

27.3.21

Egolatria - Gervásio Antônio Consolaro

 As redes sociais alimentam, mas não são as únicas responsáveis pela egolatria que tomou conta do mundo. Vivendo numa bolha chamada sociedade de consumo, cada um de nós passou a ser encarado como um produto e, como tal, precisa se “vender”. 

Para se colocar bem no mercado do amor e mercado de trabalho, tornou-se obrigatório apresentar um perfil, e então tratamos de falar muito sobre nós, sobre nossos atributos e de tudo o que possa fazer a gente avançar em relação à concorrência, que não é pequena. Somos os publicitários de nós mesmos, uns mais discretos, outros mais exibidos, mas todos procurando encantar o próximo, que propaganda nada mais é do que isso: a arte de seduzir.

 Contraditoriamente, quando se torna necessário falarmos não de nossos atributos, mas de nossas dores, de nossas inseguranças e de nossos defeitos, fechamos a boca. Mesmo os que estão bem perto, aqueles que nos são íntimos, não escutam a nossa voz. Calamos por temer um julgamento sumário. Produtos precisam ser eficientes, não podem ter falhas.

A boa notícia é que tudo isso é um absurdo. Não somos um produto. Não precisamos de slogan, embalagem, jingle. Estamos aqui para conviver, e não param ser consumidos. Em se quisermos que realmente nos conheçam, o ideal seria parar de nos anunciarmos como o último copo d’água do deserto.

Convido a todos assistir o documentário “Eu maior” muito tocante, traz depoimentos de filósofos, artistas, cientistas e ambientalistas sobre quem verdadeiramente somos e como devemos nos relacionar com o universo Uma das colocações que é uma lição de comportamento: “Você descobre a qualidade de uma pessoa não quando ela fala de si, mas quando ela fala dos outros”.

Ou seja, o que revela sua verdadeira natureza são os comentários venenosos que você costuma distribuir ou os elogios que faz sobre amigos e desconhecidos. São as fofocas que oculta para não menosprezar seus semelhantes o que espalha com gosto por aí, acrescentando uma maldadezinha extra. 

Você é avaliado de forma mais precisa através da sua capacidade de enaltecer o positivo que há ao seu redor ou de propagar o negativismo que se sobressai em tudo o que vê. Você demonstra que é uma pessoa maior - ou  menor – de acordo com sua necessidade de diminuir ou de valorizar aqueles que o rodeiam, de acordo com um olhar que deveria ser justo, mas quase sempre é apenas é competitivo. 

É através das suas palavras amorosas ou das suas declarações injuriantes que os outros saberão exatamente quem é você – pouco importando o que você diz sobre si mesmo.

 Por fim, deixe que falemos nós, sobre você mesmo   

Gervásio Antônio Consolaro, ex- delegado regional tributário do estado/SP, agente fiscal de rendas aposentado. Administrador de empresas, contador, bacharel em Direito e pós-graduação em Direito Tributário. Curso de Gestão Pública Avançada pelo Amana Key e coach pela SBC.        

Palavras de Holger Knaack presidente do Rotary Internacional diante da vacinação contra a covid-19

AOS ROTARIANOS: 

Utilizar seus conhecimentos sobre segurança e eficácia de vacinas, com base na nossa experiência com a erradicação da poliomielite, para apoiar as iniciativas de vacinação da comunidade.

Fazer parceria com organizações ou autoridades locais do setor de saúde para apoiar os esforços de vacinação, conforme a distribuição de vacinas começar.

Ajudar a combater a desinformação e resistência a vacinas, que estão aumentando cada vez mais. A sensibilização das nossas comunidades é fundamental – precisamos disseminar a mensagem sobre o poder das vacinas para proteger vidas.

Interromper a propagação da covid-19, continuando a participar de projetos que apoiem o uso de máscaras, o distanciamento social, boas práticas de higiene e a doação de equipamento de proteção individual — antes e após a vacinação.

Forma e volume ósseo: quem? - Alberto Consolaro

Cada centímetro de osso mineralizado tem milhares de células osteocíticas intercomunicantes

Osso é úmido, maleável, plástico e se remodela a todo instante. O que acostumamos ver como esqueleto não é osso, são restos secos dos 206 ossos que temos, cada um com sua forma e jeito de ser!

Além da parte mineralizada, osso tem muitas células. Por dentro do osso tem a medula e um revestimento interno em camada conhecida por endósteo. Na parte externa óssea tem o periósteo, uma membrana muito importante cheia de vasos sanguíneos e células. Quando o cirurgião atua no osso, tem que levantar o periósteo para acessá-lo.

ESPONJA

Deformável, o osso parece uma esponja com milhões de pequenos orifícios ou microcavidades que se comunicam por bilhões de túbulos aleatoriamente distribuídos. Dentro de cada orifício, ou osteoplasto, tem uma célula chamada osteócito que parece uma aranha com 20 a 50 pernas ou prolongamentos dentro dos túbulos se comunicando com outras 20 a 50 células.  

Se removermos ou derretermos quimicamente a parte mineralizada do osso, sobram os osteócitos e seus prolongamentos se intercomunicando, o que desnuda uma rede tridimensional como se fosse os neurônios do cérebro, ou seja, é neural-like ou parecida com uma rede neural com o formato de um andaime.

Quem controla tudo no osso são os osteócitos com sua rede tridimensional. Osso forte ou fraco, torto ou reto, volumoso ou fragilizado, tudo é culpa primariamente dos osteócitos. As doenças ósseas, quase sempre, têm causas nos osteócitos. Pelo formato do corpo e do esqueleto dá para saber se é uma bailarina, violinista, atleta de basquete, nadador, sedentário, futebolista. Com o passar dos anos, se a demanda funcional cessar, uma nova readaptação acontece e volta-se ao formato original!

FORMA E VOLUME

Cada osso tem sua rede osteocítica tridimensional e sobre ela tem se o manto do periósteo. Logo abaixo, o osso é mais denso como uma tábua chamada de cortical da qual partem para dentro ripas conhecidas como trabéculas e que formam uma grade irregular apelidada de trabeculado.

Quando submetida a forças repetitivas, a rede 3D se altera e capta o sinal mecânico ou físico para que os osteócitos liberam substâncias intercomunicantes para que todos componentes ósseos contribuam aumentando a parte mineralizada, via parceiros osteoblastos, ou para as células clásticas reabsorverem o osso e refazê-lo agora de forma adaptada. O osso fica volumoso e com a forma readequada, com mais trabéculas e corticais mais espessas para absorver melhor a demanda funcional a que foi colocado! Assim o esqueleto se adapta ao basquetebol, natação, dança, futebol, música e sucessivamente.

Se submetido ao desuso, vida sedentária, falta de exercício e movimentos, a rede osteocítica não receberá deformações ou estímulos e ficará metabolicamente quieta, com produção muito baixa de substâncias intercomunicantes para os demais componentes do osso! Sem comunicação, a parte mineralizada vai sendo reabsorvida, as células se reduzem numericamente e o volume ósseo diminui com a baixa atividade física! É a inatividade que leva o esqueleto a ficar frágil e diminuído. Até na face!

 REFLEXÃO FINAL

 A forma do osso, seu volume e resistência são ditadas pela rede tridimensional osteocítica que capta as forças e direções ditadas pelos músculos e ligamentos. Todos os osteócitos se comunicam entre si e com todas as outras células ósseas. Mexeu com um, mexeu com todos. A rede osteocítica capta tudo e se adapta a cada situação que passa. Poderíamos aprender muito com os osteócitos e seus parceiros no osso. Se nos comportássemos como eles, ou seja, todos por um e um por todos, não estaríamos como hoje nos encontramos! Mas ...

Alberto Consolaro – professor titular da USP - FOB Bauru-SP - consolaro@uol.com.br