AGENDA CULTURAL

27.6.22

O modo "debilidade orgânica" existe? - Alberto Consolaro

Fatores que provocam a “debilidade orgânica”, direta ou indiretamente, estão relacionados com o estresse mental.

É moda dizer que pegou covid ou gripe porque esteve debilitado! Esta rapidez de entrar e sair do modo “debilidade orgânica” tem este dinamismo? Claro que não é tão rápido e automático ligar ou desligar esse botão. A resistência orgânica é construída dia a dia em um somatório de efeitos que inclui boa alimentação constante e uso continuado de boas atitudes como exercícios e prevenção no uso de medicamentos e drogas desnecessárias, incluindo o álcool e tabaco nas suas variadas formas.

“Debilidade” tem como sinônimo “astenia” (do grego a-/na = "sem" e sthénos = "vigor"), empregados em medicina para designar uma fraqueza orgânica, uma falta de vigor, porém sem perda real da capacidade muscular. É fadiga do corpo de origem orgânica ou psíquica que pode ser sintoma de doenças sérias como a diabetes, anemia, esclerose múltipla etc. Caso ocorra perda muscular, passa a ser chamado de miastenia, já a fraqueza mental é neurastenia.

Comer e beber, quase tudo passa pelo fígado. Como centro metabolizador, recicla e processa o que ingerimos e distribui para as outras partes na forma de glicose, aminoácidos, peptídeos, lipídeos etc. Fazendo analogia com a indústria de carros, ele representa os fabricantes das autopeças. Para formar anticorpos, precisamos de aminoácidos na estrutura e combustível para as outras células fabricá-los. Para sintetizar proteínas e enzimas, também. Células inflamatórias e imunológicas precisam de glicose e grande produção proteica e o principal fornecedor de autopeças e combustível é o fígado que, se saudável é igual vida boa e longa!

INIMIGOS FIGADAIS

Duas coisas são inimigas figadais com diminuição importante de suas funções: o vírus da hepatite e o álcool. A ingestão diária de álcool leva ao acúmulo gradativo de gordura conhecido como esteatose hepática, e dificulta sobre maneira seu funcionamento. Se alguém disser que não é bem assim, pergunte a ele se bebe de vez em quando? Com certeza, ele bebe!

Todo indivíduo que bebe regularmente tem fígado não totalmente saudável. Não dá para afirmar qual o mínimo de álcool que agride o fígado, mas é claro que a ingestão diária, mesmo que pequena, é lesiva. A ingestão eventual, maltrata o fígado eventualmente, lembrando-se que ele tem enorme capacidade de regeneração. A ingestão frequente de álcool mata, gradativamente, as células hepáticas que irão ser substituídas por tecido conjuntivo fibroso, o que é conhecido como cirrose hepática, com redução de sua capacidade. Sem fígado funcionando adequadamente, teremos debilidade orgânica.

ANEMIAS E ALIMENTOS

Entre as causas da debilidade orgânica estão as anemias associadas a dietas inadequadas e regimes de emagrecimentos rápidos sem a devida orientação e acompanhamento médico. Temos dieta da lua, da melancia, dietas do Dr. Fulano e assim por diante. Diria Luciano Huck: loucura, loucura, loucura! Emagrecimentos rápidos e dietas inadequadas não fornecem íons, aminoácidos e outros produtos necessários para o funcionamento do sistema imunológico e da inflamação. Ao mesmo tempo, medicamentos que tentam substituir os alimentos, podem ser hepatóxicos e atrapalhar o funcionamento do fígado.

As anemias são doenças em que as hemácias, ou glóbulos vermelhos do sangue, estão deficientes na função de levar oxigênio para as demais células e, sem ele, não haverá produção de energia suficiente para tudo funcionar como os sistemas de defesa imunológico e a inflamação. As hemácias, para ser produzidas e funcionarem, precisam de íons como o ferro e algumas vitaminas B.

DIABETES E NEOPLASIAS

Em cada três diabéticos, um não sabe que tem a doença. Como o pâncreas não produz insulina que abre a porta das células para a entrada da glicose, todas as células do corpo diabético ficam deficientes por falta de combustível para produzir energia e cumprir suas funções, incluindo defesa imunológica e inflamatória. Os diabéticos não controlados têm debilidade orgânica, já os controlados retomam a normalidade com o controle da dieta e ou com medicação de reposição.

A debilidade orgânica está estabelecida, infelizmente, nos pacientes oncológicos sem ou em tratamento. O sistema imunológico e a inflamação são diminuídos, pois haverá uma indução a redução de sua proliferação celular como efeito colateral dos medicamentos que assim o fazem sobre as neoplasias, evitando-se a progressão, promovendo-se seu desaparecimento.

REFLEXÃO FINAL

Todos os fatores causadores da debilidade orgânica têm relação direta ou indireta, no presente ou passado, com o principal agente enfraquecedor dos sistemas de defesa: o estresse mental. A mente controla todas as funções, em especial também os sistemas de defesa imunológico e da inflamação. Calma, não se estresse, na próxima semana discorreremos sobre ele! 

Alberto Consolaro  

Professor Titular da USP  
FOB de Bauru
consolaro@uol.com.br   


O romantismo morreu! - Gervásio Antônio Consolaro

  

Ao ler alguns textos e artigos sobre o assunto, somados à minha experiência de vida, entendi oportuno pesquisar e trazer hoje em nossa coluna. 

        “Ninguém quer mais nada sério com ninguém”

         Você certamente já disse isso, ou pelo menos escutou algo parecido por aí, não é? É bem comum a gente escutar pessoas dizendo coisas desse tipo. De fato, estamos vivendo em um planeta onde “todo mundo espera alguma coisa de uma sábado à noite”, mas a gente não está se dando conta de que aconteceu algo estranho...que parece desconexo: todo mundo se procura, e ninguém se acha. E voltar para casa sozinho depois da balada virou quase uma regra.

        Falam  em amores líquidos, em relações fast-food, em amizades com “benefícios”, ou quando eu jovem amizade  “colorida” e por aí vai. Mas a verdade é que, independentemente do rótulo, viver a dois é algo complicado! Por mais que a gente ame, não sentimos a todo o momento aquele amor tipo “borboletas fazendo cócegas na barriga” (e teríamos de sentir?).

        As relações também são desacordos, injustiças, incompreensões e, às vezes, até a vontade partir para nunca mais voltar. Entretanto, eu me pergunto se o que está acontecendo hoje em dia é realmente uma desestruturação que torna o relacionamento inviável, ou se os casais contemporâneos não estariam passando por um complicado paradoxo: o de descobrirem se querem continuar vivendo formatos de relacionamentos que foram aprendidos, ou apostar  na fragilidade de ser a dois, mergulhando na aventura de encontrar-se consigo mesmo  e aprender a se comunicar sem máscaras ou véus preconcebidos.

       Mais que uma superficialização, aquilo pelo que os relacionamentos estão passando é uma reestruturação,  a busca de uma nova identidade, de formas diferentes de se relacionar e ser feliz. E, como toda transição, isso pode ser algo bem doloroso e aparentemente caótico.

      Não seria ousado dizer que existe uma possibilidade quase infinita de formatos de relacionamentos. Mas o caso é que, quando duas pessoas querem compartilhar a vida juntas, de forma amorosa, sempre vai existir o parente, o vizinho, a  sociedade... Para lembrar que há costumes que fazem uma relação ser “normal e saudável” e que seu relacionamento e seu amor só será verdadeiro se couber dentre desse frasco com um rótulo, onde se lê, em letras gigantes, as normas estabelecidas e usadas por gerações.

        Há tantos modelos de relacionamentos quanto pessoas no mundo, e que você e a pessoa que você ama vão ter de encontrar o de vocês. Existem relacionamentos abertos, fechados, meio abertos, estáveis, vai e volta, monogâmicos, poligâmicos, poliamor, competitivos, enrolados, acomodados, homoafetivos, independentes...

        Existem mil maneiras de preparar o amor, mas, para inventar a sua forma, se preciso for,  você vai ter de ousar mergulhar nas suas verdades e talvez, desmontar as verdades estabelecidas do seu meio social que você engoliu como uma pílula e acabou acreditanto serem suas.     

Gervásio Antônio Consolaro, diretor da AFRESP, delegado regional Tributário e  auditor fiscal da Receita Estadual, aposentado, contador, administrador de empresas, bacharel em Direito e pós-graduação em Direito Tributário, coach pela SBC.                g.consolaro@yahoo.com.br 

26.6.22

Uma sexta vermelha em Andradina


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 

Caro leitor, eu tive uma sexta-feira (24/06/2022) muito boa. Vermelha. Sextei em Andradina, cidade de Moura Andrade, Rei do Gado. Pouco mais de 200km de Araçatuba, entre ida e volta.

De manhã, discussão política entre iguais, porque se fosse entre desiguais teria saído pescoção, pois a política está excessivamente polarizada. Os grupos estão se organizando para as eleições deste ano. As atividades foram desenvolvidas na sede da Fundação dos Servidores Municipais, onde também almoçamos. 

À tarde, houve a inauguração do laticínio da Coapar - Cooperativa Agrícola dos Assentados, com capacidade para industrializar 15 mil litros de leite diariamente. Uma indústria. Estiveram presentes Geraldo Alckmin e Fernando Haddad.

A direção dos festejos radicalizaram no slogan "nenhum brasileiro com fome", distribuindo a todos os presentes gratuitamente lanches compostos de frutas, queijos, iorgute produzidos pelos assentamentos. E era uma "multidão" de gente, todos sentados dignamente  à mesa com sua família. Aconteceu o milagre dos pães. Depois houve churrasco e baile. A sexta-feira se completou. Vermelha.

A criação da cooperativa foi uma forma que o Movimento Sem Terra encontrou para enfrentar a vulnerabilidade das pessoas no campo: em vez de auxílio, congregar  pessoas numa atividade produtiva no pedaço de terra de cada um.

Ao terminar o discurso, Alckmin, a grande novidade no pedaço, pôs o boné do MST à cabeça e citou a frase: "Não se esqueçam de plantar chuchu!" Comparação que o cronista José Simão fazia para caracterizar o ex-tucano na Folha de São Paulo . Só foram risadas e gozação. Não há como quebrar barreiras do que o humor.

Este sonho da cooperativa começou num projeto apresentado ao governo federal em 2014. Bolsonaro dificultou, mas o MST resistiu. E a inauguração aconteceu com lideranças da oposição. Sextou em Andradina. Uma sexta vermelha. 
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22.6.22

Milton Ribeiro seria seu orientador espiritual?


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

O pastor Milton Ribeiro não tem jeito de malandro, a sua imagem até engana alguém que esteja precisando de uma orientação espiritual. Bem diferente da cara de bandido do pastor Malafaia. Milton Ribeiro tem mais jeito de panaca, bobão, ingênuo, mas andou com gente sem qualificação como aconteceu com Sérgio Moro. Quem se mete com Bolsonaro, se dana. Onde a família Bolsonaro põe o dedo, apodrece.
O genocida mandou o ministro abrir as portas do MEC para os pastores vendilhões do templo, mas não deu ordens por escrito. E agora, na hora da prisão, Bolsonaro não quer nem saber do pastor Milton, não deu ordem para ninguém. Ele só protege miliciano como o Daniel Silveira.
Não tenho dó. Quem não aprende no amor, aprende na dor. Não é assim que os pastores falam? Ranja os dentes aí, Miltão! Foi servir a dois senhores... Foi querer exercer a astúcia da serpente sem conhecer o ninho das cobras, com esse jeitão de pomba.
Danou-se! Aleluia!

PALAVRA DO LEITOR:
Sonia Veiga
Não tenho dó não!
Uma pessoa de índole não teria feito as declarações que ele fez...

Pode ser uma imagem de texto que diz ""ALUNOS COM DEFICIÊNCIA ATRAPALHAM OS DEMAIS." Milton Ribeiro "UNIVERSIDADE DEVERIA SER PARA POUCOS." Milton Ribeiro "HOJE, SER PROFESSOR É TER QUASE UMA DECLARAÇÃO DE QUE A PESSOA NÃO CONSEGUIU FAZER OUTRA COISA." Milton Ribeiro"

A bendita língua

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 

Para ouvir pela TV entrevistas de atletas e técnicos do futebol brasileiro, se faz necessário ser, pelo menos bilíngue: há o espanhol e o português de Portugal. Os programas esportivos já introduziram legendas na tela. Já estão chegando os novos donos de times brasileiros (transformados em SAF) que falam inglês.

Espanhol e português são línguas derivadas do latim; então são parecidas. No inglês, 40% das palavras são oriundas também do latim. Isso demonstra que o Império Romano foi muito poderoso.

Espanhol, italiano, francês, português e o romeno são línguas irmãs, todas neolatinas. O português é a caçula, "a última flor do Lácio", oriunda do latim vulgar.

Quando o Império Romano invadiu a península ibérica (Espanha e Portugal), deixou lá os soldados de poucos estudos para administrar os dominados. Então houve uma mistura do latim com as línguas nativas, surgindo um terceiro idioma, o português que se firmou como língua, no sentido culto, com o escritor Luís Vaz de Camões.   

A língua portuguesa é falada e escrita em vários países, até onde alcançou o domínio lusitano com as grandes navegações: no Brasil, em Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Timor-Leste, São Tomé e Príncipe, na Guiné-Bissau e na Guiné Equatorial. Em alguns países africanos, ele é apenas o idioma oficial, mas ignorado pelas tribos. Assim, o português é o quinto idioma usado no mundo, 260 milhões de pessoas.

O idioma português chegou ao Brasil com os colonizadores lusitanos, criando um cenário próprio, pois havia índios e trouxeram os negros como escravos. Depois da libertação, a república abriu o Brasil para nova onda de emigrantes europeus, e também asiáticos. Enquanto tais fatos históricos não ocorreram em Portugal, idioma permaneceu numa redoma.

Enquanto no Brasil, sob todos os tipos de influências, o português ganhou roupagem própria. Assim, os dois idiomas foram se distanciando, por isso é difícil para um brasileiro entender bem o que uma pessoa portuguesa fala. "Enquanto lá entendem melhor o português do Brasil por causa das novelas brasileiras que passam por lá sem dublagem", declarou Abel Ferreira, técnico lusitano trabalhando no Palmeiras.  

No português escrito, houve o descalabro de se traduzir livros editados em Portugal no Brasil (ou vice-versa), pois o desencontro ortográfico era grande. Daí o Acordo Ortográfico de 1990, aplicado a partir de 2009 e oficializado em 2016 para que houvesse uma uniformidade no mercado editorial entre os países lusófonos.

Mesmo no Brasil, há as diferenças regionais na fala, a que chamamos de dialeto: caipira, costa norte, baiano, fluminense, gaúcho, mineiro, nordestino, nortista, paulistano, sertanejo, carioca e outros.

O português é difícil, complicado? As dificuldades estão mais na postura do ensino de nosso idioma nas escolas, que foi aprisionado pelos gramáticos. Aprender português é se apossar de sua gramaticalidade e não das nomenclaturas de sua gramática, ensinada de forma tradicional. Bendita língua! Bendito povo!

Amar a língua mãe é a essência do patriotismo, porque por ela navega a nossa cultura. Isso não quer dizer que não seja importante aprender outro idioma, ser bilíngue. 

ACESSE O BLOG BENDITA LÍNGUA

20.6.22

A vida é feita para os amadores - Gervásio Antônio Consolaro


Assim o “homo sapiens” ousa teorizar, teria descoberto como aliviar a percepção de finitude de tudo, essa consciência dolorosa, efeito colateral  da sua fantástica evolução. Percebeu logo esse esperto descendente dos símios que só conseguiria esquecer que nasce só e morre só (o tal “tudo se acaba e nada se leva”) estabelecendo fortes conexões físicas e emocionais com tudo o que encontra pelo planeta.

      Os mais limitados e egoístas se apegaram somente a bens e poder. Acumular é a sua  meta, mesmo que sem sentido e com maus prognósticos.

     Os mais imaginativos e organizados criaram deuses e crenças à semelhança de suas vontades e carências de explicações. E se aliviam em templos e orações aos céus e praticando a caridade na Terra.

     Outros, mais à frente, se dedicaram a explorar e desenvolver a natureza, animais e plantas, e são os responsáveis pelo enorme progresso tecnológico, conforto e segurança que obtivemos em milênios.

     Críticos diriam, claro, que muitas pessoas misturam tudo, confundindo qualquer tentativa de definição. Sim, considerem isto apenas um esquema didático para tentar compreender o incompreensível ou aceitar o inaceitável….

      E, por fim, temos os sábios e solidários, que, além de cuidar deste mundo concreto, focam ou priorizam as relações humanas e o prazer de estar bem e sabem que outros à sua volta também estejam. A solidariedade suaviza!

     Dar e receber afeto e arte, compreender e ser compreendido, proteger e ser protegido, estimular e ser estimulado, enfim, estabelecer uma relação de confiança em que a dedicação mútua seja constante é o mais forte analgésico contra a citada angústia universal e representa a principal razão para nossa busca atávica de acolhimento em grupos ou famílias, e em especial por uma companhia, a romantizada necessidade de formar um casal.

       Enfim, este vital pacto de convivência representa uma simples, nem tão simples assim, admito, declaração conjunta em que, assinando ou não, combinamos sermos tão bons um para o outro, mas tão bons mesmo, que a tal sensação de solidão fica suspensa até o nosso último suspiro.

       Há quem diga que se alcance tal felicidade somente por pura sorte. Eu aposto que não. Acho que seja uma construção. Como aprender uma língua que conecta.  Se você não se dedicar a aprendê-la, como poderá pretender usufruir de algo que não reconhece? 

       E, em vez de delirarmos achando que isto possa acontecer espontaneamente, que tal expressarmos ao outro a necessidade de combinarmos e cumprirmos o combinado? Afinal, já que temos tantas boas razões, talvez baste sermos para ele(a) o que gostaríamos que fosse conosco. Simples e profunda empatia talvez resolva!

     Afinal, a vida, ao contrário do que dizem, não é para profissionais, mas, na verdade, parece feita para os muito amadores!     

Gervásio Antônio Consolaro, diretor da AFRESP, delegado regional Tributário e  auditor fiscal da Receita Estadual, aposentado, contador, administrador de empresas, bacharel em Direito e pós-graduação em Direito Tributário, coach pela SBC.                g.consolaro@yahoo.com.br 

19.6.22

Esquartejamentos e uma carta a meu pai

Escrevendo a carta e escutando a música "Disco voador" cantada por Rolando Boldrin na TV Cultura (YouTube) 

Você contava que nos sertões havia humanos escravizados, índios e negros com cabeças cortadas e mulheres seviciadas. Os capangas assassinos, ditos “administradores de terras”, faziam isso com gosto e a serviço do “doutor” que chegava todo mês de avião para pegar dinheiro e outras “coisas”.

Muito pequeno, eu não entendia direito porque você não ia para estas terras sertanejas fazer seu trabalho de carpintaria e cercas, onde ganharia mais dinheiro para vivermos um pouco melhor. Era Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Você dizia que poderia ir, mas não sabia se iria voltar, afinal lá na boca do sertão, a lei era do bandido! Ainda bem que você nunca foi, apesar dos patrões serem os mesmos daqui, só que lá se faziam tudo de mal e davam vazão aos ímpetos da diabólica parte maligna da mente humana.

Hoje, quando viajo pelas cidades e campos formados, sem as florestas de outrora, não consigo esquecer o que você, de forma tão simples, me passou. Quanto de sangues e lágrimas de índios, negros e outros pobres humanos, se derramou para ter cidades e fazendas: quantas atrocidades!

Querido pai, eu lhe agradeço muito pela criação, mas especialmente por não ter nos levados na época, para estes lugares onde todas as desumanidades foram praticadas para garimpar, tirar madeira, escravizar humanos e derrubar florestas acabando com rios, cavernas e cachoeiras. Os antigos ou bisavós, trisavós e tataravós, diziam, com o apoio de religiosos, que índios e negros não tinham alma, como se diz hoje dos animais.

“ATRO-CIDADES”

As cidades têm saneamento, saúde e educação, mas não na periferia que vive sem nada do que a urbanidade poderia lhe oferecer. Quase nada se permite aos pobres e depois reclamamos das tragédias.

A vida dos ribeirinhos nas vilas e lugarejos na Amazônia deve ser muito difícil. Mas não pela aspereza do ambiente e nem pela falta de urbanidade e seus eletrodomésticos. Difícil sim, pela falta de aparato social da justiça, serviços de saúde e educação, tudo permeado pelo banditismo do garimpo ilegal, pesca predatória, tráfico de drogas e condições sub-humanas de trabalho. Matar uma pessoa e esquartejá-la, para que animais comam ou a terra a consuma mais rapidamente, deve ser banal pela falta da civilidade.

E de pensar que por aqui, já foi assim! Nesta hora minha cabeça é invadida pela música “Disco Voador” cantada por Rolando Boldrin na TV Cultura (YouTube) e cuja letra é:

Tomara que seja verdade
Que exista mesmo disco voador
Que seja um povo inteligente
Para trazer pra gente a paz e o amor!
Se for pro bem da humanidade
Que felicidade essa intervenção!
Aqui na terra só se pensa em guerra
Matar o vizinho é nossa intenção!
 
Se Deus, que é Todo Poderoso
Fez este colosso (planeta) suspenso no ar
Por que não pode ter criado
Um mundo apartado da terra e do mar?
Tem gente que não acredita
Acha que são mentiras os mistérios profundos
Quem tem um filho, pode ter mais filhos
O Senhor também pode ter outros mundos!
 
Os homens do nosso planeta
Dão a impressão que já não têm mais crença
Em vez de fabricar remédio
Pra curar o tédio e outras doenças
Inventam armas de hidrogênio
Usam o seu gênio fabricando bomba
Mas não se esqueçam que, por mais que cresçam
Perante Deus qualquer gigante tomba!
 
O nosso mundo é um espelho
Que reflete sempre a realidade
Quem forma vinha, colhe uva
E quem planta chuva, colhe tempestade
No tempo que Jesus vivia
Ele disse um dia e não foi a esmo
Que, neste mundo em que a maldade infesta
Tudo que não presta morre por si mesmo! 

Alberto Consolaro  
Professor Titular da USP  
FOB de Bauru
consolaro@uol.com.br 


18.6.22

Volte, Pingo! A sua dona está desesperada (Pingo foi encontrado)

Pingo, o desaparecido

Hélio Consolaro

 Acordei com alvoroço em minha vizinhança. Choros, resmungos, até xingamentos. Era o Pingo, o cachorro Poodle da vizinha Roseli Luís que havia desaparecido. Isso já faz 10 dias!

Ele era tão obediente que não atravessava a calçada sem a ordem da dona. Talvez seja isso o motivo do sumiço do cachorro, não desenvolveu nele autodefesas (morder a mão de estranhos, por exemplo), assim, o primeiro que o pegou no colo, se transformou em seu dono. Cuidado! Isso pode acontecer com nossos filhos, criados muito presos, dependentes.

Não estou aqui para fazer literatice, mas para anunciar o desaparecimento do Pingo. Falaram que meu blog é muito lido (e ela acreditou).

A Roseli é durona, até parece uma mulher sem sentimento, mas está sofrendo muito com a ausência do Pingo. Ela mora sozinha na casa, conversava com seu cachorrinho, era a sua companhia. Não come, vive chorando nos cantos.

Você, caro leitor, que achou o Pingo perdido na rua e pegou, socorra a Roseli. Ela só não tem dinheiro para resgate, mas a Roseli é forte em suas orações. 

Devolver onde? Na casa dela, rua Jardim Brasil, 45, zap: 18 98128-2362. Ou ela vai  buscar em sua casa. 

PINGO FOI ENCONTRADO. VIZINHA ALEGRE. BLOG DO CONSA ORGULHOSO POR SER LIDO. AGRADECIMENTOS A CLEA BITENCOURT. 20/06/2022)

Roseli com o seu Pingo
 de volta


17.6.22

Drone em Uberlândia. Antigamente não era melhor

 

De grande porte, a aeronave não tripulada foi utilizada para pulverizar supostamente uma substância de atrair moscas sobre militantes durante o ato de pré-campanha de Lula e Kalil em Uberlândia, no Triângulo — Foto: Flávio Tavares/O TEMPO

A polícia prendeu os dois operadores do drone que atirou agro tóxico + urina e fezes nas pessoas que estavam nas atividades do Lula em Uberlândia Minas Gerais 

Os dois estavam em uma camionete com adesivo do Bolsonaro e foram presos em flagrante 

Muitas pessoas como crianças , mulheres e idosos foram atingidos. 

Houve ferimentos de pessoas que se machucaram no tumulto para se proteger 

Os dois elementos tem passagem pela polícia por crime (Jornal O TEMPO-MG))

Nos tempos idos da política municipal de Araçatuba, quando a política andava polarizada entre Sylvio José Venturolli, João Batista Botelho e meu pai era cabo eleitoral, o adversário enchia um caminhão de pedras britadas e jogava sobre a população presente no comício. Na outra manifestação vinha o revide.  Quando muito havia propaganda no rádio, não tinha TV nem internet.  

E na última semana da campanha, antes da eleição, era o festival de fake news, quando se distribuíam papeizinhos com mensagens apócrifas com acusações falsas.

Situação bem parecida com a ocorrida em Uberlândia-MG. E os velhos andam dizendo que antigamente era tudo melhor. E há constatação: o governador de Minas Romeu Zema é do Partido Novo, que de novo não tem nada, está apenas aderindo a velhas práticas com novas tecnologias. 

15.6.22

Então ele é o seu mito?

 


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Texto atualizado em 21/06/2022

Presidente Bolsonaro disse que na América do Sul há uma cabeça de burro enterrada, pois ultimamente só elege candidatos da esquerda para presidente da República: Chile, Bolívia, Venezuela, Argentina, Peru,  Colômbia e possivelmente Brasil. 

Quando determinado lugar não progride, a população tem a mania de encontrar um culpado sobrenatural para o fato. Em Araçatuba, há uma lenda de que o bairro rural Engenheiro Taveira estagnou-se porque lá atrás, nos tempos idos, bateram num padre no patrimônio. Na verdade, a causa da estagnação é a monocultura, grandes propriedades. Falta análise às crendices.

Num comentário da notícia sobre Bolsonaro, eu escrevi que no Brasil um burro governa o país. Sei que faltei com o respeito, mas ele é um cara que destrata a todos. Merece alguns coices também. 

O burro não sabe que é burro, pois ele acha que sabe muito, só o sábio diz que sabe que nada sabe. Aí alguém explicou: “Quando você morre, quem fica triste são os outros, afinal você não sabe que morreu; é a mesma coisa quando você é burro”.

Na verdade, os candidatos da esquerda estão ganhando a presidência na América do Sul porque a direita não deu conta do recado, não governa para todos, apenas para si. No seu diagnóstico para a América do Sul, Bolsonaro está prevendo a sua própria derrota.

Para não fazer a autocrítica, não explicar a verdadeira razão, Bolsonaro apela às crendices. Ele não tem linguagem para elaborar seus próprios pensamentos, então sua fala é cheia de chavões, embora saiba muito bem defender seus interesses como qualquer tosco. 

Bolsonaro visitou Biden na Cúpula das Américas e pediu ao presidente norte-americano que interviesse a favor de sua vitória no Brasil nas eleições de 2022. Fez isso quase em público, a ponto de um jornalista ouvir.

Andou dizendo que sua vocação não é para presidente da República, mas para militar. Bem que ele tentou, mas foi expulso por indisciplina. Vocação mesmo ele tinha era para ser do Centrão, sempre no baixo clero da Câmara Federal, onde ficou por 26 anos. A oposição diz abertamente que ele é um vagal.

Como o leitor sempre tem razão, se não gostou de eu chamar o presidente de burro, ofereço-lhe uma lista de sinônimos: analfabeto, anta, bronco, cavalgadura, estulto, estúpido, idiota, ignorante, imbecil, inepto, lerdaço, néscio, palerma, parvo, tapado, teimoso, tolo, toupeira.

Ainda não gostou? Lá vai um eufemismo: pessoa de pouca sensibilidade. Não aceitou? Então, vou ao seu encontro: ele é o seu mito. 

A cultura popular e os sons da natureza embalam atividades no Sesc Birigui

Oficina percussiva

Junho de 2022 – Pensando em estimular a cultura popular, o Sesc Birigui convida o público para um conjunto de ações interativas, em uma jornada musical com sons que a própria natureza nos fornece.  

No domingo (19), às 16h, o Grupo Casa dos ritmos apresenta o show Sons da Natureza, propondo aos participantes uma interação de forma dinâmica e divertida, com as músicas produzidas pelos artistas. A vivência tem como objetivo despertar a conscientização ambiental e do coletivo, estimulada por meio de sons com elementos naturais.  

Antecedendo o show, no período da manhã, às 10h, o grupo ministra a oficina percussiva para crianças Pequeno Batuqueiro, que vai trabalhar ritmos da cultura popular brasileira como o forró, a sambada de coco e a ciranda, utilizando jogos, instrumentos e brincadeiras musicais. Ambas as atividades são gratuitas e livre para todas as idades.

Combinando as tradições juninas e o aproveitamento integral dos alimentos, a Chef Mel Dal Bello propõe aos participantes releituras de pratos típicos, visando o consumo de mais nutrientes e reduzindo o desperdício, na oficina Arraiá sem Disperdiçá. Os encontros acontecerão todas as quintas do mês de junho às 19h (exceto dia 16, que a oficina acontece às 17h), não é necessário inscrição, recomendado para maiores de 15 anos. 

Ainda no ritmo junino, o público é convidado a idealizar seu próprio adereço na oficina Confecção de Acessórios Juninos, reaproveitando materiais e retalhos, conduzido pela Design de moda Bruna Parisi. A oficina será realizada no sábado (18) e as inscrições estão abertas no Portal do Sesc, recomendada para maiores de 14 anos. 

A programação completa pode ser conferida em sescsp.org.br/birigui. 

Comprovante de vacina 

A partir de 18 de maio de 2022, para ingressar nas unidades do Sesc no estado de São Paulo não é mais necessário apresentar comprovante de vacinação contra Covid-19. O uso de máscara continua sendo recomendado.   

O uso de máscaras permanece obrigatório nos espaços de atendimento odontológico, ambulatórios e locais de exames dermatológicos. 

SERVIÇO 
Oficina 
Arraiá sem disperdiçá 
Com Chef Mel dal Bello 
De 9 a 30/6, quintas, das 19h às 20h 
Dia 16/6, quinta, das 17h às 18h 
Sala Múltiplo Uso 1 e 2  
A partir de 15 anos 
Grátis 

Oficina 
Confecção de acessórios juninos 
Com Bruna Parisi 
Dia 18/6, sábado, das 10h às 12h 
Sala Múltiplo Uso 1 e 2 
A partir de 14 anos. 
Grátis  
Inscrições no Portal Sesc a partir de 7/6 

Show 
Sons da Natureza 
Grupo a Casa do Ritmo 
Dia 19/6, domingo, das 16h às 17h 
Área de Convivência 
Todas as idades 
Grátis - Sem retirada de ingressos. 
 
Oficina 
Oficina percussiva para crianças: Pequeno Batuqueiro 
Grupo a Casa do Ritmo 
Dia 19/6, domingo, das 10h às 12h 
Área de Convivência 
Todas as idades 
Grátis - Limitado a capacidade do espaço 


14.6.22

Desaposentar - Domingos Pellegrini

 Não pedi permissão ao autor, mas dedico essa crônica para os araçatubenses lenhadores, que não podem ver uma árvore de pé.


 

Ele chegou à praça com uma marreta. Endireitou a estaca de uma muda de  árvore e firmou batendo com a marreta. Amarrou a muda na estaca e se afastou como para olhar uma obra de arte.

Não resisti a puxar conversa:

- O senhor é da prefeitura?

- Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.

- Ah... O senhor quem plantou essa muda?

- Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí. Olha que beleza, já está toda enfolhada. De tardezinha eu venho regar.

- Então o senhor gosta de plantas.

- De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.

- Obrigado pela parte que me cabe...

Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.

- O senhor é aposentado?

- Não, sou desaposentado. Foi podando e explicando: Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria... Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, pra árvore não  encobrir a fachada da loja? É... aí fica com a loja torrando no sol!

Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto.

- É bom pra terra... tudo que sai da terra deve voltar pra terra... Mas então, eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda  e chinelo e ficando em casa diante da televisão.  Ou indo ao boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Bundando e engordando... Até que  acabaram com derrame ou enfarte, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.

Cortou umas flores, fez um ramalhete:

- Pra minha menina. A Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor. Ela também é desaposentada. Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital. Ihh... A Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença.

Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.

- Pra aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa. Fui à  prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui. Disseram que não, senão o povo ia beber água e deixar vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuidaria. Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode. Sorriu, olhando a praça.

- Aí falei: então posso cuidar da praça, mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho autorização pra  cuidar da praça!!! Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem  de cuidar da praça... Ou antes que me fizessem preencher formulários em três vias  com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei...  Tá vendo aquele pinheiro fêmea ali? A Alice que plantou. Só tinha o pinheiro macho. Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar pinhões.

- Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea.

- Eu também não sabia, filho. Ihh... aprendi tanta coisa cuidando dessa praça! Hoje conheço os cantos dos passarinhos, as épocas de floração de cada planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme!

- Mas ela vai demorar pra dar pinhões, hein? - falei, olhando a pinheirinha ainda da nossa altura. Ele respondeu que não tinha pressa.

- Nossa neta é criança e eu já falei pra ela que é ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber ... e a Alice falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar. Assim , no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí. Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores...

- É admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança!    

Ele riu:

- Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso. E agora, com licença, que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar. Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!

Domingos Pellegrini Júnior é jornalista, publicitário e escritor brasileiro, cuja obra compreende romances, contos, crônicas e poesia. É vencedor do Prêmio Jabuti em duas ocasiões.