Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Início das aulas
Hélio Consolaro*
Como cronista de longa carreira, já escrevi sobre o tema
início das aulas várias vezes, ainda mais sendo professor. Para alguns alunos,
um momento poético, para outros, vale o sacrifício, pois fazem colegas. O
momento do encontro.
Até outro dia, estávamos em férias escolares, quando os pais
não aguentavam mais os filhos em casa: "Não vão começar logo essas
aulas!" Férias para o professor, trabalho pesado em casa. Aguentar os
pirralhos 24 horas.
Além do IPVA, IPTU, há também a compra dos materiais
escolares. É o 13o. às avessas. Nas escolas públicas, estão dando tudo. Só não
estuda quem não quer.
Atualmente, aposentado, nem saboreio bem as férias. Como
avô, nessa época, encho a casa de netos em curtos períodos. Mas há vantagem de
não ter ônus administrativo sobre os pirralhos. Só beijinhos e o presentinho do
Natal.
Não sou aquele avô pegajoso, que denga neto. Fico
observando, dou um beliscão e pergunto o que anda acontecendo.
De vez em ouço a pergunta de meus filhos pergunta:
- A gente dava tanto trabalho assim, pai?
- Sim, muito mais - respondo.
Preciso me valorizar! Fazer uma média com os
netos.
Além de dar aulas, eu participava do sindicato. Organizar
greve era um saco, mas necessário. Hoje não ouço tanta reclamação. Parece que
os ajustes trabalhistas passaram a ser automáticos, como o piso salarial.
Resultado das lutas passadas.
Hoje, vou à sede do sindicato (Apeoesp) para acertar as
contas da Unimed. Os mais velhos, que deram a cara a tapa, andam dizendo por aí
que o sindicato pelegou. Não vejo o problema assim. Estamos colhendo o
resultado das lutas anteriores.
Os professores brasileiros não são tão prestigiados como no
Japão, mas também não somos tão renegados como em tempos passados. Estou
dizendo sobre os três níveis: federal, estadual e municipal.
Até a elite brasileira descobriu que ter gente estudada é melhorar
o mercado de trabalho, é ter empregados (ou colaboradores) mais preparados.
As aulas se iniciaram. Mais gente se engaja na caminhada da humanidade. Educar é passar aos mais novos os ensinamentos acumulados pelos mais velhos. Educação é uma revolução silenciosa.

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