João Saldanha ensinou que não se fala mal de quem está preso porque o presidiário não pode se defender.
Como toda regra, essa também tem exceção.
Porque Jair Bolsonaro, agora na mini-Papuda, Papudinha para os íntimos, ė um preso especial.
Que anunciou que só Deus o tiraria da cadeira presidencial — e o eleitor tirou.
Que garantiu que ninguém lhe faria entregar o telefone celular — e entregou.
Que jamais poria tornozeleira eletrônica — e pôs.
Que nunca seria preso — e foi.
E está. E vai continuar.
Embora sempre tenha dito que presidiário tem de sofrer, ser contrário às saidinhas e, principalmente, à prisão domiciliar, onde, dizia, "o carcereiro ė o próprio preso", apesar de ter feito curso de sobrevivência na selva, não suportou o barulho do ar condicionado na superintendência da Polícia Federal e cavou transferência de cela espaçosa na PF para apartamento de 65 metros quadrados e 13, 13 privilégios que 99,9% dos detentos no Brasil adorariam desfrutar.
E olhe que pouquíssimos deles tentaram dar golpe na democracia brasileira.
Apesar das condições invejáveis, e diga-se que fazem sentido para um ex-presidente da República que ele tentou ferir em 8 de janeiro de 2023, seus comparsas ainda se queixam, falam até em tortura, especialidade do ídolo dele, o carniceiro Brilhante Ustra.
A título de curiosidade mórbida: no Centro de Detenção Provisória do Belém, em São Paulo, cada cela tem três triliches.
Em cada cama dormem dois homens (a cabeça de um voltada para os pés do outro).
Como as celas têm entre 25 e 30 presos, sobram entre 7 e 12 para dormir no chão (na praia, como eles dizem).
As celas são padronizadas: 3m de frente x 4m de fundo.
No momento estão lá 1.400 detentos.
Para atendê-los há apenas um médico.
O homem de ferro, o de saúde de atleta, o negacionista das vacinas, o que zombou dos que tinham falta de ar, o das motociatas sem capacete, agora dormirá em cama com grades, quase um bercinho, já que dormir de capacete seria incômodo.
Curiosamente, nos quatro anos em que infelicitou o país, e foi responsável por pelo menos 300 mil mortes na pandemia da COVID, nunca soluçou.
"Chega de mimimi, país de maricas", ecoa sua voz ao longe.
Acabou, porra!, respondem os democratas livres de suas bravatas.
João Saldanha haveria de concordar.
Jair Bolsonaro ė apenas um fanfarrão covarde, bravateiro.
Seus cúmplices que anunciavam revolta popular no Brasil caso ele fosse preso, não veem nenhuma vigília solidária, nada, apenas testemunham uma Nação que dorme em paz o sono dos justos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário