AGENDA CULTURAL

28.7.26

Elena Ferrante: feminilidade ao extremo


 Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor- Araçatuba 

ELENA FERRANTE: feminilidade ao extremo

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor- Araçatuba

Na Itália, a napolitana Elena Ferrante combina um enorme orgulho cultural pelo sucesso internacional com um debate fervoroso sobre seu anonimato e o retrato nu e cru da sociedade italiana. Semelhante a Paulo Coelho no Brasil. Ambos são fenômenos mundiais.

As protagonistas de seus livros são mulheres, com o tema entre feminismo e maternidade. Filhos cansam, deixar os filhos com o pai e sumir no mundo por um período para exercer sua individualidade é uma prática de suas personagens.

​​A Tetralogia Napolitana transformou Ferrante no maior fenômeno da literatura italiana no exterior desde Umberto Eco. Isso gerou um forte orgulho nacional, mas o mistério envolvendo a sua identidade divide a imprensa e o público.

Os quatro livros da série

Os livros devem ser lidos na ordem cronológica de publicação:

1.A Amiga Genial (2011): Introduz a infância e a adolescência das personagens na periferia de Nápoles. É considerado um dos melhores livros do século XXI pelo jornal The New York Times.

2.História do Novo Sobrenome ( 2012): foca na juventude, no início da vida adulta e nos casamentos e caminhos divergentes que as duas começam a trilhar.

3.História de Quem Foge e de Quem Fica (2013): explora a maturidade das protagonistas em meio aos movimentos políticos, greves operárias e transformações sociais dos anos 1970.

4.História da Menina Perdida (2014): o desfecho da saga, focado na velhice das amigas, no retorno às origens e nas consequências das escolhas de uma vida inteira.

Outros Romances

Um Amor Incômodo (1992): Uma mulher investiga a morte estranha da mãe em Nápoles.

Dias de Abandono (2002): O drama de uma mãe sozinha após o fim do casamento.

A Filha Perdida (2006): Férias na praia que trazem lembranças difíceis sobre maternidade.

A Vida Mentirosa dos Adultos (2019): O crescimento de uma jovem em meio a segredos de família.

OUTRAS OBRAS DE NÃO FICÇÃO

Uma Noite na Praia (2016): Livro infantil sobre uma boneca que passa a noite sozinha.

A Frantumaglia (2016): Cartas, entrevistas e reflexões sobre a sua escrita.

As Margens e o Ditado (2021): Textos Sobre o ato de ler e escrever

Quando uma investigação jornalística tentou desmascarar Ferrante em 2016, rastreando registros financeiros, a reação da comunidade leitora na Itália foi de forte repúdio à violação de sua privacidade. Segundo a autora, para se gostar de uma obra, admirá-la, não precisa conhecer o nome do autor, família, biografia etc Numa população de 60 milhões de habitantes, que é a da Itália, em tempo de internet, é difícil descobrir o nome que está atrás de um pseudônimo. Há especulações, lendas.​  

Elena Ferrante é uma escritora pós-guerra, terminada em 1945. No início de sua carreira literária, seus livros eram criticados pela direita de Nápoles como honestidade visceral, cidade onde nasceu. Outro aspecto constatado é que seus livros traziam um preconceito contra o Norte da Itália. O sucesso Internacional calou as vozes discordantes na Itália. 

FONTES: leitura de artigos e dados nos arquivos da IA; leitura de livros da escritora. Principalmente “Frantumaglia”, onde ela explica seu processo de criação literária, o caos interior, termo do dialeto napolitano. Assisti a vários filmes baseados em livros dela, com seus enredos.

 

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