Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor- Araçatuba
ELENA FERRANTE: feminilidade ao extremo
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor-
Araçatuba
Na Itália, a napolitana Elena Ferrante combina um enorme
orgulho cultural pelo sucesso internacional com um debate fervoroso sobre seu
anonimato e o retrato nu e cru da sociedade italiana. Semelhante a Paulo Coelho
no Brasil. Ambos são fenômenos mundiais.
As protagonistas de seus livros são mulheres, com o tema
entre feminismo e maternidade. Filhos cansam, deixar os filhos com o pai e
sumir no mundo por um período para exercer sua individualidade é uma prática de
suas personagens.
A
Tetralogia Napolitana transformou Ferrante no maior fenômeno da literatura
italiana no exterior desde Umberto Eco. Isso gerou um forte orgulho nacional,
mas o mistério envolvendo a sua identidade divide a imprensa e o público.
Os quatro livros da série
Os livros devem ser lidos na ordem cronológica de
publicação:
1.A Amiga Genial (2011): Introduz a infância e a
adolescência das personagens na periferia de Nápoles. É considerado um dos
melhores livros do século XXI pelo jornal The New York Times.
2.História do Novo Sobrenome ( 2012): foca na juventude, no
início da vida adulta e nos casamentos e caminhos divergentes que as duas
começam a trilhar.
3.História de Quem Foge e de Quem Fica (2013): explora a
maturidade das protagonistas em meio aos movimentos políticos, greves operárias
e transformações sociais dos anos 1970.
4.História da Menina Perdida (2014): o desfecho da saga,
focado na velhice das amigas, no retorno às origens e nas consequências das
escolhas de uma vida inteira.
Um Amor Incômodo (1992): Uma mulher investiga a morte
estranha da mãe em Nápoles.
Dias de Abandono (2002): O drama de uma mãe sozinha
após o fim do casamento.
A Filha Perdida (2006): Férias na praia que trazem
lembranças difíceis sobre maternidade.
A Vida Mentirosa dos Adultos (2019): O crescimento de
uma jovem em meio a segredos de família.
OUTRAS OBRAS DE NÃO FICÇÃO
Uma Noite na Praia (2016): Livro infantil sobre uma
boneca que passa a noite sozinha.
A Frantumaglia (2016): Cartas, entrevistas e
reflexões sobre a sua escrita.
As Margens e o Ditado (2021): Textos Sobre o ato de
ler e escrever
Quando uma investigação jornalística tentou desmascarar
Ferrante em 2016, rastreando registros financeiros, a reação da comunidade
leitora na Itália foi de forte repúdio à violação de sua privacidade. Segundo a
autora, para se gostar de uma obra, admirá-la, não precisa conhecer o nome do
autor, família, biografia etc Numa população de 60 milhões de habitantes, que é
a da Itália, em tempo de internet, é difícil descobrir o nome que está atrás de
um pseudônimo. Há especulações, lendas.
Elena Ferrante é uma escritora pós-guerra, terminada em
1945. No início de sua carreira literária, seus livros eram criticados pela
direita de Nápoles como honestidade visceral, cidade onde nasceu. Outro aspecto
constatado é que seus livros traziam um preconceito contra o Norte da Itália. O
sucesso Internacional calou as vozes discordantes na Itália.
FONTES: leitura de artigos e dados nos arquivos da
IA; leitura de livros da escritora. Principalmente “Frantumaglia”, onde ela
explica seu processo de criação literária, o caos interior, termo do dialeto
napolitano. Assisti a vários filmes baseados em livros dela, com seus enredos.


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