AGENDA CULTURAL

3.6.26

Pensamento complexo

Hélio Consolaro*

CHUPAR LARANJA

Não mais apanho laranja no pé como foi na infância, no pomar, na beira da estrada, agora escolho as frutas na gôndola do supermercado.

Assim é mais fácil na velhice. A minha infância foi sacrificada. Um rapaz e uma mocinha resolveram se casar, só sabiam capinar, trabalhar na roça, aí eu venho a furo numa teimosia sem par, só saí no útero por fórceps.

O casal que parecia desmiolado, formou um professor, um advogado, um dentista e um doutor em computador. Todos homens. Minha mãe foi amada por quatro meninos.

Os quatro estão tendo uma boa aposentadoria, dá para eu comprar laranja Bahia no supermercado. O refluxo não me deixa tomar o porre, mas vou devagarinho, na medida.

Há leitores que me acompanham meus textos há décadas, e me perguntam o porquê de eu mudar o meu estilo de escrever, a abordagem dos temas. Respondo sem fazer rodeios: envelheçi, perdi a fogosidade.

A laranja da Bahia é minha deusa, e noutro dia só havia na gôndola poucas, judiadas. Insisti, selecionei algumas. Ao chupar uma delas em casa, quase entrei em êxtase, era a acidez da mocidade transformada em doçura da velhice.

Não é apenas jogo de palavras, é poesia mesmo.

EDGAR MORIN 

Conheço o intelectual francês, mas judeu de origem, pelo pequeno livro "Os sete saberes" (115 páginas). Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, publicado em 2000 pela ONU, cuja leitura fez parte de minha formação para o magistério. Morreu em finais de maio de 2026, com 104 anos. Eu achava que o bom velhinho fosse ficar para semente. Na verdade, deixou plantadas várias sementes em nosso planeta.

PRIMEIRO SABER: as cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão.

O SEGUNDO SABER: os princípios do conhecimento pertinente.

O TERCEIRO SABER: ensinar a condição humana.

O QUARTO SABER: ensinar a identidade terrena.

O QUINTO SABER: enfrentar as incertezas.

O SEXTO SABER: ensinar a compreensão.

O SÉTIMO SABER: a ética do gênero humano.

O PENSAMENTO COMPLEXO foi a semente mais robusta de Edgar Morin é uma abordagem que defende a interconexão de todos os saberes e critica a fragmentação do conhecimento em disciplinas isoladas. Originado do latim complexus, que significa "aquilo que é tecido em conjunto", o pensamento complexo propõe que a realidade não pode ser compreendida de forma simplista ou dividida em "caixinhas", pois o todo e as partes são interdependentes e se transformam mutuamente.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis  Itaperuna-RJ  

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