AGENDA CULTURAL

2.10.10

Mestre de verdade - Tito Damazo

Biografia
Francisco Antônio Ferreira Tito Damazo, 13/06/1948, Avanhandava-SP, filho de Álvaro Ferreira Damazo e Alcina Carlos Damazo. Fez Curso de Letras na Faculdade de Penápolis (1969-1972). Começou o magistério em Rosana-SP. Efetivou-se na rede estadual em 1978, quando se mudou para Araçatuba.
Ajudou a reorganizar a Apeoesp em Araçatuba. Fez Pedagogia em Jales. Diretor da Divisão Regional de Ensino de 1988 a 1996. Aposentou-se como diretor de escola, efetivo, na EE Prof. Genésio de Assis, Araçatuba. Professor da UniToledo desde 1990, onde foi diretor da Faculdade de Filosofia. Continua com o giz na mão naquela instituição de ensino. Doutor em Letras.

Crônica
Hélio Consolaro*

Meu amigo Tito Damazo é um homem realizado: plantou árvores em seu quintal, criou três filhos e é doutor
das letras. Tito é apelido familiar, mas que foi incorporado ao nome oficial por questões de disputas eleitorais em 1982.

Defendeu tese na Unesp de Rio Preto no dia 3 de setembro de 2004, antes fez mestrado. Inventou de ser vassalo de um orientador depois dos 50 anos. A sua tese “O canto do povo de um lugar: uma leitura das canções de João do Vale”. Com certeza, os sonhos não acabaram, porque o coração humano é um criadouro deles.

Fizemos graduação na mesma classe, em Penápolis. Atuamos juntos na militância estudantil, lecionamos em Rosana, ficamos presos na mesma cela durante a ditadura militar, e ele acabou escolhendo Araçatuba, como professor efetivo da rede pública estadual por falta de vagas em Penápolis. Como se diz na linguagem dos pecuaristas: comemos por muito tempo sal no mesmo cocho.

Aqui em Araçatuba, lecionou em várias escolas públicas e particulares. Aposentou-se como diretor de escola, mas sempre esteve de giz na mão na UniToledo. Ele ama seus alunos, curte o progresso deles, é um mestre no verdadeiro sentido da palavra.

Na década de 80, nos enveredamos pela política partidária. Ficamos em lados diferentes dentro de uma mesma trincheira. Até sacamos a esgrima um para o outro. Bobagem do poder, que quase sempre cega as pessoas. Em 1997, me indicou para integrar a Academia Araçatubense de Letras. E eu o tinha levado para escrever na Folha da Região, onde escreve até hoje.

Apesar dessa vida paralela, sempre fomos muito diferentes na personalidade, como Apolo e Dionísio, George Washington e Benjamin Franklin. Ele espia o mundo dos píncaros do Olimpo, e me contento em ficar em seu sopé.

Tito Damazo é filho de Seu Beleu e Dona Cininha e uma penca de irmãos. Trabalhou em serviço pesado de cerâmica. Não tem história para ser chamado de carrancudo, que anda de salto alto, escreve difícil, não desce até a plebe.

Em Rosana, jogava futebol, vivia no meio do povão. Ele era atleta e eu, presidente do time. Quando Tito marcava um gol, eu abraçava as meninas à beira do campo para comemorar.

Só para evidenciar que ele é uma pessoa comprometida com as causas populares, veja quem foi objeto de sua tese de doutorado: cantor e compositor, semiletrado, João do Vale, autor de Carcará e de outras centenas de músicas.

De certa forma, seguindo a escola do poeta João Cabral, ele nega a subjetividade e elege o racionalismo como referência de pensar a realidade; e para não ser piegas, não cita ninguém em suas crônicas, mas ultimamente já lê Rubem Alves aos domingos.

Por outro lado, nunca vi pai mais amoroso. E agora, como avô ficou mais bobo na intimidade do lar. Tito fez do magistério a sua vida!

É que nossos amigos comuns insistem sempre em nos comparar, inclusive nossos textos. E essa crônica só vem dizer que estamos contentes com as máscaras que nos deram para esse baile da fantasia que é a vida. Ele é doutor Tito; eu, apenas um croniqueiro.

Autor: Hélio Consolaro, professor, escritor e jornalista. Membro da Academia Araçatubense de Letras. Atualmente é secretário da Cultura do município.

6 comentários:

jhamiltonbrito.blogspot.com disse...

Está ai uma pessoa que eu admiro. Sério, discreto, inteligente e sempre presente nos eventos culturais que são organizados. E o que é melhor,participando. Gostei muito das palavras que ele pronunciou por ocasião do lançamento do experimentânea oito.

Patrícia Bracale disse...

Professor Tito me mostrou o que é ser apaixonado por literatura. Ele fala com paixão...
E o mais importante:
Saber indignar-se, isso ai mesmo,
indignação, e eu agradeço e vou aprendendo.

Literatura e Linguística disse...

Professor Tito Damazo, quem conhece esse grande professor sabe da importância que ele tem como homem, como professor, conselheiro e amigo. Fui aluno dele no Unitoledo, sempre viaja com ele nas aulas de literatura. Tito Damazo sempre foi, sempre será meu eterno inspirador das letras.

Literatura e Linguística disse...

Tito Damazo, grande professor, amigo, conselheiro. Muitos adjetivos atribuídos a ele. Quando fui aluno dele no Unitoledo eu viaja com ele nas aulas de teoria literária e literatura brasileira. Tito Damazo, sempre foi, sempre será meu inspirador nas letras.

Juarez Firmino disse...

O Prof. Dr. Tito Damazo é uma dessas pessoas iluminadas que todos têm como referencial a seguir... Lembro-me quando o vi pela primeira vez na Escola Arantes Terra, estávamos lá pelos fins dos anos setenta eu estudava na sexta série noturna, as aulas eram puxadas, mas tão gratificantes, que compensavam o cansaço do estudar após um esticado dia de trabalho. Nosso reencontro foi já na UniToledo, meu mestre agora lecionava teoria literária e literatura brasileira, além de professor e amigo, ainda sobrava algum tempo para fomentar atividades extras, como os saraus e as oficinas de teatro.
Quando fui aceito no programa de mestrado da UFMS, por várias vezes o professor foi meu conselheiro, me recebendo em sua residência para dicas e conselhos valiosíssimos. Também não me esqueço de quando comecei a lecionar no ensino superior, época em que ele me recebeu em seu gabinete e disponibilizou sua vasta biblioteca para meu usofruto.
Desta forma, posso afiançar a todos os leitores deste ambiente, que quaisquer comentários que venham a ser feitos sobre a inadjetivável pessoa do Sr. Tito Damazo serão insuficientes para expressar a grandeza de sua áurea.

Lúcio Lêocarl Collicchio disse...

Realmente o Tito é uma pessoa especial. Lembro-me bem dele quando - em tempos idos, foi Diretor da antiga IX D.R.E de Araçatuba, que por ele foi conduzida com máxima ponderação, sempre decidindo o que lhe era posto com profundo discernimento. O Tito é e sempre foi Material de ótima qualidade - aço de boa têmpera - firme nos seus propósitos e correto em suas atitudes.