AGENDA CULTURAL

28.10.12

Amém, Laerte Silva!

Hélio Consolaro*

O tema numa obra de arte é secundário, embora não deixe de ter sua importância. O teatro foi muito usado para catequisar nas igrejas, por isso, às vezes, as pessoas usam ainda hoje o gênero para a pregação ideológica ou religiosa.  Na arte, deve haver o predomínio da linguagem artística, noutros planos, secundariamente, a discussão de certos temas. 

Digo que a apresentação de "Amém", texto de Laerte Silva Jr., sob a direção do próprio Laete e Alexandre Melinski, equilibrou-se no fio da navalha. A arte ficou por conta do forte desempenho de Laerte Silva Jr., que soube sustentar o monólogo diante da plateia, mas, em certos momentos o tema gritava alto. O autor e ator da peça apresentada gosta de escandalizar com o nu como último argumento para convencer o público.
Laerte Silva Jr. e seu figurino na peça "Amém!"

Com o título "Amém", nem é preciso dizer que na peça o cristianismo foi questionado desde o início com seu moralismo, a forma de como ele tratar o sexo: ver a natureza como geradora de pecados. Desde as frases feitas que ouvimos nas ruas até a dicotomia corpo/alma foram apresentados no palco. Tanto que no encerramento do monólogo, Laerte Silva Jr. ficou nu e passou o crucifixo em seu sexo, como forma de abençoá-lo.

Sobre o tema da homossexualidade tenho dito a amigos de que ele está cansando, pelo menos no teatro. Sempre a plateia não é o endereço a ser remetida a mensagem, como ouvi uma pessoa a dizer durante a apresentação de "Amém" no Festara (Festival de Teatro de Araçatuba): "quem precisava assistir isso, não estava aqui".

Outro dia, lendo o suplemento Ilustríssima, da Folha de São Paulo, alguém escreveu (não guardei o jornal, nem o nome do autor) que a homossexualidade no Brasil, principalmente no teatro, precisa ser menos acusador, sair da condição de vítima, para mostrar-se inserido na sociedade, contribuindo com o todo.

Apesar desses pequenos comentários, quero parabenizar Laerte Silva Júnior que deixou há algum tempo emprego fixo na Caixa Econômica Federal para se dedicar exclusivamente à arte, com o objetivo de profissionalizar-se. Não sei se financeiramente foi vantajoso, mas o teatro de Araçatuba agradece. Nos editais do Fundo Municipal de Cultura de 2013, precisamos contemplar com prêmios melhores as produções mais substanciosas do teatro araçatubense para que haja mais amadores se profissionalizando.  

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Atualmente é secretário municipal de Cultura de Araçatuba-SP      

Ficha técnica do espetáculo:
Dramaturgia, pesquisa, produção audio visual, pesquisa musical e
atuação: Laerte Silva Júnior
Direção: Alexandre Melinsky e Laerte Silva Júnior
Assistente de Produção: Denise Figueira Vaz
Operador de som e projeção: Anselmo Ricardo Silva
Criação e operação de luz: Alexandre Melinsky.   



PREMIAÇÃO EM MOGI-MIRIM
Os prêmios conquistados no 11º Festival de Teatro de Mogi Mirim, divulgado na noite de domingo, 28/10/2012, são:
Melhor Espetáculo
Melhor Direção
Melhor Ator
Melhor Cenografia
Melhor Figurino
Ainda houve indicações para melhor iluminação e melhor sonoplastia.
 

RELEASE:
Identidade, diversidade, preconceito, intolerância e hipocrisia.

 

Tudo isso batido no liquidificador deu origem ao espetáculo “AMÉM!”, da Cia. Um e Outro, de Araçatuba/SP. Um drama cômico, ou uma viagem
lácteo-capilar psicodélica, escrito e interpretado por Laerte Silva Júnior.
 

O que diferencia o “leite racional”, citado na Bíblia, do falsificado?
 

Alguém tem procuração para fiscalizar e julgar a vida alheia? Por que ainda se mata em nome de Deus? 

Será que somos programados para dizer amém?
 

Esses questionamentos sobrevoam o universo da personagem Clara, uma garota careca e com tetas pouco desenvolvidas que, criada por um padrasto fundamentalista, viu sua família “azedar”.
 

Em cena, o perigoso poder das palavras, da persuasão e da fé cega. De onde sai uma flor, pode sair uma corda. A mesma boca que reza, vomita
ofensas.


Alguns filmes serviram de inspiração para o espetáculo, como “Orações
para Bobby”, “Assim me diz a Bíblia” e “Latter Days”. 


Também foram pesquisados mitos, lendas e simpatias relacionados ao leite e à amamentação.
O monólogo ocorre em um cenário surreal, clean, com farta utilização
de recursos audiovisuais, como projeções de imagens, trechos de filmes
e vozes em off.
O texto é bastante atual, dinâmico e provocativo. Um grito pela laicidade. Uma valsa pelo respeito à liberdade de pensamento, sentimento e penteado.
 

 A Cia. Um e Outro existe desde 1997. O último espetáculo encenado, “É impressão minha ou estão batendo na porta?”, participou dos festivais de teatro de Araçatuba, Penápolis, Pirassununga, Tupã, Paraguaçu Paulista e Bernardino de Campos, conquistando 22 prêmios nas diversas
categorias, incluindo o de melhor espetáculo adulto nos dois últimos (em 2009).
“AMÉM!” estreou no início de agosto/2012, depois de aproximadamente um ano de processo, contando com a direção compartilhada do autor e de Alexandre Melinsky, do grupo Os Mancomunados, que também assina a iluminação. Na operação do som e projeções, Anselmo Ricardo Silva.
Completam a equipe: Alex Lot Vieira, Denise Vaz, Luciana Tomie e Renan Nardim.
Recomendado para maiores de 18 ano
s.


SINOPSE (resumo da proposta do espetáculo) 
Clara vê sua família ruir por culpa do fundamentalismo exacerbado de seu padrasto pastor. Seu meio-irmão ao completar 17 anos revela que é gay. Seu pai o expulsa de casa por considerar a homossexualidade uma abominação. Arrasado, ele comete suicídio. Com onze anos, Clara fica grávida do padrasto. Num ato de desespero, a mãe a leva para um aborto forçado, que é seguido de complicações. E Clara vaga ad infinitum como uma pastora impostora progressiva e inclusiva, fundadora de uma nova igreja, ironizando com acidez a hipocrisia humana.

24 comentários:

HAMILTON BRITO... disse...

O que dizer?
Bem, por mais que se lute pela liberdade de expressão e que a arte não tem comprometimento com a religião, política e afins, ela não pode desprezar valores cultuados por uma sociedade. Meteram a ripa no pastor que hutou a santa.Agora este tal aí passa o cruxifixo no sexo. Em nome da arte?É o que estes atorzinhos de merda fazem para aparecer.Não me consta que os Paulo Autran, Nanini e outras feras tenham usado deste artificio ridiculo para ficarem famosos.Apelaçao, sim. E das grandes. E olha que nem sou mais o "beato"! que eu era. Poderia ter havido um castrigo do ceu momento e o " coiso " ter caido no chão.Talvez ele nem ligasse...

Heitor Gomes disse...

Discordo do comentário do B rito. Todo autor tem o direito de expressar seus sentimentos da maneira que quiser. Gosto do trabalho do Laerte, acho o um bom diretor e autor teatral. Não gosto muito como ator. Todo autor expressa em sua arte tudo aquilo que mais o oprime. E vemos que o autor ainda tem conflitos grandes com sua sexualidade, o que é normal expressa las em seus textos. Passar o crucifixo pela sua nudez é uma forma de sacralizar suas tendências e preferências. O Laerte é muito importante para o nosso teatro. Quem não gosta de géneros forte é só sair da sala e assistir textos mais leves, não precisa execrar. Existe gosto para tudo. Agora que o Laerte pelado deve parecer o capeta, isso parece. Vestido ele já é feio, imagine pelado. Misericórdia! Amém!

ALAOR TRISTANTE JÚNIOR disse...

Discordo do Hamilton Brito. A arte é livre. E Deus e religião, invenções humanas, não estão isentas de contestação. Assisti à peça do Laerte e não há apelação. O teatro, como a poesia, tem de ter dinamite. Além disso, o Laerte é um ótimo ator, autor e diretor, pois para falar, dançar, encenar e fazer tudo o que ele faz no palco, somente com a coragem e o talento de um grande artista que ele é. Concordo com o Hélio, infelizmente, quem deveria assistir à peça, provavelmente, não estava lá, mas em alguma missa ou culto. Mas, mesmo que estivessem, não sei se mudaria alguma coisa, pois o ser humano não deu certo. Não obstante, a arte, antes de tudo, é uma necessidade do artista, ela existe porque a vida não é suficiente. Neste ponto, quem sabe, até a religião, seja uma arte, pois também existe porque a vida não basta. Com certeza, o Laerte sentiu a vontade de se expressar e se expressou como tinha que ser. Quisera eu ter a coragem dele de largar meu empreguinho de burguês ridículo para viver da arte, mas eu sou um fraco, sempre serei. Enquanto isso, meu dever é bater palmas para o verdadeiro artista. Parabéns, Laerte!!!!

HAMILTON BRITO... disse...

Talvez eu discode de vocês, porque eu nao asdvogo em causa propria, quanto ao fato.
Sim a arte é livre mas segundo o proprio professor Consolaro, liberdade completa é uma utopia. Pode-se até ser ateu na vida mas não defecar csobre as crenças alheias.O ator-autor tem conflitos com a sua sexualidade? Você o defende por isso, amigo Heitor? Ta bão. A minha sexualidade esta bem definida. Cuuidado, a sua veemente defesa dos sexualmente problemaicos pode fazer com q gente possa tirar algumas ilações.
E fim de papo. Concordo com vc Alaor, teatro desta natureza, só com dinamite mesmo. Usei o meu direito de réplica. Fim de papo, também

Laerte Silva Jr. disse...

Há alguns pontos que eu gostaria de esclarecer.
1. Eu não me dedico exclusivamente à arte. Saí sim da Caixa Econômica Federal faz 12 anos, mas estou no IBGE faz 06. Portanto, Alaor, não sou tão corajoso assim e não mereço parabéns por isso. O Hélio se equivocou.
2. Parece que só o Alaor e o Hélio assistiram ao espetáculo. Os outros estão criticando algo que não viram. É isso mesmo? Interessantíssimo!!
3. Até quando este incômodo com a nudez? Já pararam pra pensar por que um pênis ou uma vagina causam esse “escândalo” todo? Por que não aceitar e ver com naturalidade o balangandã ou o corte que temos entre as pernas? Vale lembrar que o espetáculo é para maiores de 18 anos e só vai quem quer.
Eu (ainda) não sou ateu, mas não acredito no deus criado pelo Homem à sua imagem e semelhança. O objetivo do espetáculo não é defecar contra crenças alheias. É defecar sobre nós mesmos, que muitas vezes nos julgamos procuradores de Deus e somos capazes de cometer as maiores atrocidades e depois ajoelhar e rezar como se nada tivesse acontecido.
4. Sr. Hamilton, “este tal aí” tem nome. É Laerte Silva Junior. Muito prazer! Já dividimos a mesma mesa no Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras. Temos textos em algumas edições do Experimentânea. Temos estilos diferentes de escrita, mas eu respeito. Este “atorzinho de merda” tem 50 anos e pelo menos há 20 está envolvido com teatro. Penso que já passei da fase do “querer aparecer”. Vou tomar a liberdade de sugerir algumas obras tidas como polêmicas.
TEATRO - Macumba Antropófaga – direção de José Celso Martinez Correa – em cartaz no Teatro Oficina em São Paulo.
FILME – Saló ou os 120 dias de Sodoma – direção de Pasolini (1975).
ARTES PLÁSTICAS – A origem da vida – Courbet (1866. Sim, 1866!) – atualmente no Museu D’Orsay – Paris.
POESIA – “Poema de Ninar para Mim e Bruegel”- Roberto Piva.
5. Prof. Hélio, seria muito difícil interpretar a cena final (infelizmente tratada aqui de forma totalmente fora do contexto e banalizada) como uma metáfora para dizer que a personagem ficou grávida e foi levada a fazer um aborto “em nome de Deus”?
6. Há algumas estatísticas assustadoras referentes a suicídios entre adolescentes gays. Talvez valha a pena dar uma pesquisada no Google. Quem sabe se enquanto dizemos amém, não estamos sendo cúmplices de uma dessas mortes? Afinal, sempre existe um filho, um neto, um sobrinho, um vizinho...
7. O meu coiso está no lugar e ele ainda tem tido serventia, pois Deus me ama. Ama a todos. E, que eu saiba, não castiga ninguém. E eu me esforço para fazer o mesmo. Se alguém tiver que me julgar (baseado nos princípios do pecado) será Deus e não qualquer um de vocês.
8. A parte do “o autor tem conflitos grandes com a sua sexualidade” não vou perder tempo em comentar.
Obrigado pela atenção. Vou dormir. Estou cansado. Voltei hoje de Mogi Mirim com 05 troféus na bagagem por este espetáculo, inclusive o de melhor ator, e com convites insistentes para que voltemos a nos apresentar lá. E me desculpem se fui ofensivo ou se me faltou modéstia no comentário. Abraços.

HAMILTON BRITO... disse...

Bem, acho que tenho o direito de responder ao educado comentário do Laerte. Faço-o a partir do paragrafo 2. Eu nao vi mas o cronmista relatou e como ele é idôneo, acreditei.Acreditando fiquei indignado.Paragrafo 3: quem disse que fiquei indignado com a nudez. Eu adoro, sobretudo de mulher. Não queira mudar o foco, amigo.Fiquei indignado com a sua desfaçatez em desprezar um valor que para mim e tantos outros, é sagrado. parag.4: peço perdao pelo ator de merda e pelo esse tal aí.
Quanto às suas sugestões, tenho 10 anos de seminario, curso de letras com extensão e direito. Todos completos.Posso escolher o que ler mas agradeço assim mesmo.
Quem te defendeu o fez em causa propria. Um é poeta fecenino e o outro, ateu convicto. Dou-lhes o direito de serem o que quiserem na vida, so não permito que eles e nem ninguém menospreze os meus valores. Ah ! não fui que falei sobre atores com problemas sexuais não resolvidos. Veja la nos comentários e responda ao " acusador". Acredito que vc seja um bom ator e possa ser melhor ainda mas um conselho: no mundo não existe só você e os seus valores. Aprenda a respeitar os valores alheios. Critiquem o cristianismo, eu mesmo o faço com frequência, mas façam-no com RESPEITO. " Deus morre ( para vcs nem nasceu) quando a civilização conclui pela perda de valores. No que toca a mim, finalizo esta conversa

Lúcio Lêocarl Collicchio disse...

O Zé Hamilton tem plena razão e a ocorrência é tão escabrosa que quaisquer outros comentários serviriam apenas para sustentar polêmicas onde pessoas desprezam valores tidos por universais - a cruz para o cristianismo ou mesmo as fotos dos nossos ascendentes para seus respectivos familiares - afinal valores são respeitados e resguardados por quem os cultivam. Ninguém dá mais do que tem ou inversamente, só se transmite aquilo que lhes pertence. Cada um é cada um. Cada um sabe de sí. O que falo aqui é totalmente desprovido de qualquer beatice, apenas deixando claro que nem mesmo a arte pode justificar desrespeitos.
.

Heitor Gomes disse...

Parabenizo a defesa do Laerte e afirmo que sou seu fã. Quando digo que tem problemas com sua sexualidade, não quero dizer que seja hetero ou homossexual. O Brito não é um beato e sim assexuado com tendências hemo. O Laerte jamais assinaria um texto se não fosse de altíssima qualidade. Considero o um verdadeiro intelectual. Quem o execrou como autor não tem nenhuma cultura teatral ou artística. Todo autor tem que ser respeitado em sua obra. Quando Nelson Rodrigues escreveu seus primeiros fascículos, também foi execrado covardemente pelos pseudos moralistas. Hoje ele é reconhecido e perpetuado pelo seu talento. A arte é para fazer as pessoas pensarem e dejetarem suas mediocridades. Vejo que o Brito comenta em sima do que o Professor Hélio Consolaro diz. Um comentário só deve ser expresso após muita analise. Comentar sobre algo que não conhece é no mínimo inconsequente. Parabéns Laerte! Você é muito importante para o teatro. Agora, que o Larte pelado parece o capeta, isso parece. Amém!

Laerte Silva Jr. disse...

1. Sr. Hamilton, o meu post não foi endereçado apenas ao senhor. Era pra ser um comentário novo, direcionado a todos.
2. Como minhas suspeitas que o senhor não assistiu ao espetáculo se confirmaram, e como em arte não existe o senso comum (cada espectador sai como uma sensação/interpretação), qualquer discussão aqui seria “chover no molhado”. Analisar arte pelo olhar de um terceiro é tão sem propósito! Um erro primário. Em arte não se tem intermediário. Nunca aconteceu de o Sr. adorar um livro que algum amigo seu idôneo (?!) odiou e vice-versa?
3. Creio que não está em discussão aqui quem sabe mais ou quem tem mais títulos ou diplomas. Sabedoria vai muito além disso. Meu avô era analfabeto e era um sábio.
3. O ator/a atriz não julga suas personagens. Fernanda Montenegro ou Marcos Nanini (aproveitando os nomes citados pelo senhor) emprestariam seus corpos para fazer o que a personagem exigisse. E a personagem que eu interpreto (Clara) tinha mil razões para fazer o que faz. Tem todo um contexto. Mas como o Sr. não assistiu e não sabe da missa um terço... É uma grande metáfora. Nem vou falar da flor-de-lis tatuada no corpo da personagem. Não existe gratuidade na cena. Pena que vai ficar um pouco difícil o Sr. consultar a maravilhosa Fernanda Montenegro para tirar essa dúvida sobre o ofício do ator. Talvez o Nanini?
4. Por que o senhor estaria advogando em causa coletiva e eu (e os outros dois que o senhor colocou no mesmo caldeirão) estaríamos advogando em causa própria? Sua causa é própria também! Existiria um ranço de falta de laicidade aqui? A presunção de uma “casta” mais elevada?
5. Não critico o Cristianismo. Critico o homem. Porque o mal é o que sai da boca dele.
6. No que toca a mim, também finalizo esta conversa. A vida não é feita só de baunilha.
Evoé!

HAMILTON BRITO... disse...

Todo autor e todos os mortais têm que ser respeitados SE SOUBEREM respeitar.Quando foi que Nelson Ropdrigues, Adelaide Carraro, Plínio Marcos só pra citar estes ofenderam valores religiosos de alguém.Fizeram as suas obras em cima do cotidiano , das relações interpessoais, da realidade das relaões humanas mas diga uma só obra deles que aborda ataque à crençãs religiosas de alguém. Sim, a arte quando usada pelas pessoas dejetarem as suas mediocridades dá mesmo nisso.Um comentário deve ser feito depois de muita análise COISA QUE VC NAO FEZ. Perguntei para o Alaor se ele deixaria vc recitar a Sagrada Buceta ou a Mae na Zona na casa dele, para a fasmília dele. Não é arte? Nao pode tudo em seu nome? Ele nao respondeu .Reconheço que o Laerte pode ser importante para o teatro, que ele possa ser um bom ator-autor mas desta vez pipocou. E eu nao preciso fazer meus textos em cima do texto de alguem, Tenho cultura suficiente para a minha criação.Mas a crônica do professor foi o Gênesis, se é que vcce sabe o que isso. Por que vc não comentou o texto do Lucio, ficou com medo do quê? Ele concordou comigo.Intelectual....ta certo.Tbém parabenizo a defesa do Laerte. Foi educadissimo comigo, por menos que eu merecesse. Apesar que trocou as bolas quando dissee que o homem criou Deus à sua imagem e semelhânça.É o contrário.
Vc nao quis dizer que o Laerte tem problemas com sexualidade? Mas disse ou deixou nas entrelinhas. Não faz isso nao, se ele tem é problema dele. Ele tem o direito de ser o que quiser ou fazer o que quiswer fazer DESDE que aprenda a respeitar valores alheios, discutir em alto nível, coisa qwe você, pelo jeito, nunca vai apender.Haja vista as encrencas que tem arrumado.Po, e chega deste papo. Em tempo: é por cima e não por sima.Xau

Hélio Consolaro disse...

Por questão técnica, deixou-se de inserir comentário de Laerte Silva, que eu posto neste momento obedecendo à ordem cronológica de chegada:

Laerte Silva Jr. deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Amém, Laerte Silva!":

CORREÇÃO: Eu não disse que o homem criou Deus à sua imagem e semelhança. Eu disse que não acredito no deus criado pelo Homem (com H maíusculo de HIPOCRISIA) à sua imagem e semelhança. É bem diferente! No Outro (que é só amor), eu acredito.

ERRATA: O título do quadro de Courbet é "A Origem do Mundo", e não "A Origem da Vida". Perdão.

HAMILTON BRITO... disse...

"Eu (ainda) não sou ateu, mas não acredito no deus criado pelo Homem à sua imagem e semelhança."
sao suas palavras, esta no final do terceiro paragrafo. Eu nao me escandalizei com a nudez. Agora vem falando em contexto...a cena nao se insere em contexto algums.Ela choca um crente em qualquer contexto.
Vou pedir pro Heitor recitar a poesia dele SAGRADA BUCETA ou MAE NA ZONA NA SUA CASA, PARA A SUA MÃE E IRMÃS>qUERO VER ATE ONDE A LIBERDADE EM NOME DA ARTE VAI AGUENTAR.
E chega cacete, vopu ficar um mês sem entrar neste blog.

Hélio Consolaro disse...

Agora, o papo é comigo. Quem foi o primeiro a postar comentários aqui nesta matéria, menosprezando pesssoas? O Hamilton Brito... Quem não pode com mandinga, não carregue patuá. Então, calado! Não passa mesmo de um Mirto Fricote! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

HAMILTON BRITO... disse...

O autor e ator da peça apresentada gosta de escandalizar com o nu como último argumento para convencer o público.
Mestre Consa, são suas estas palavras. Quem começou menosprezando foi o senhor.Eu só fui maias radical:atozinho de merda.Mas ja pedi desculpas ao moço. Minha indignação foi do tamanho da insasatez dele. Eu em nenhumm momento fugi do foco: o ato insensato na cena. Só faltava eu nao poder com mandinga com este povo. Calar eu nao calo mas o senhor pode nao publicar.O blog é seu.

LÚCIO LÊOCARL COLLICCHIO disse...

Gente, de tudo isso, deflui-se que o José Hamnilton, homem por nós conhecido e de muito boa cultura, tirando fora os acaloramentos dos escritos, simplesmente quis por em realce o fato de - em nome da arte, se poder deslustrar um valor tido por mais de bilhão e meio milhões de cristãos espalhados pelo mundo - a cruz de cristo. Isso é incontestável. A liberdade da arte não se confunde com libertinagem, onde tudo o quanto se faz é permitido. Sem dúvida, os limites existem, principalmente aqueles correspondentes ao resguardo de valores considerados em si mesmos pela coletividade humana. O Zé tem muita coragem e isso deve ser louvado. Melhor que tantos outros que pensam e todavia, não tem coragem de se manifestarem. Zé, para você, minha solidariedade irrestrita. Consigno mais que - se por um lado os cristãos envolvem católicos, evangélicos e espíritas, não concordam ou aceitam que seu valor maior seja posto em cheque, por outro, tenho a certeza que pessoas de bom senso, mesmo que não cristãos, mas que acreditam em Deus - o supremo criador de todas as coisas, não aprovam a ocorrência objeto de toda essa polêmica.

HAMILTON BRITO... disse...

...mas tem uns e outros, mais uns que outros que gostam de ficar de longe, só rindo.
Juro por Nossa Senhor Apaecida; São Francisco, de Assis; Soao joao batista Vianney, o cura de Ars; são benedito que nao falo mais neste assunto.
Fui.

Heitor Gomes disse...

Fico indignado quando vejo pseudos moralistas defendendo a instituição família. Instituição essa já falida a muito tempo causada pelos próprios patriarcas, que posam nas fotos de pais maravilhosos e nas surdinas frequentam lupaneres e todos os tipos de esbórnias, quando não mantém amantes fixas e alternantes. Isso acontece desde os primórdios dos tempos. As pobres esposas cornas, submissas e subjugadas são obrigadas a fingir que estão felizes e desfilar na sociedade como "senhora". Hoje as pessoas evoluíram e não aceitam mais isso. A instituição família já está desintegrando e com toda razão, os Filhos não aceitam mais sermões moralistas de um pai dissoluto e acham que podem fazer o mesmo, pois os filhos são espelhos do pai. Numa união homossexual pode haver mais fidelidade e companheirismo que num lar rotulado de "família Sagrada". Tenho o maior orgulhos dos meus textos "A minha mãe está na zona" e "A sagrada boceta", porque eles saíram do âmago da minha alma e levam alegria a todos que os conhecem. As pessoas bem resolvidas me incentivam e elogiam, mas aqueles cuja histórias de vida são podres, são as que mais posam de "família feliz" e me criticam. Parabenizo o Laerte e abomino todo pseudo moralista e intelectual. No evangelho de Cristo, Ele condena o adultério e a bigamia, e quantos desses moralistas já cometeram estes pecados ou ainda cometem. Depois vem falar de família e Cristianismo. Francamente! É muita cara de pau. Para mim, isso é a quintessência da hipocrisia. As histórias de Nelson Rodrigues passava-se nos lares tradicionais e sagrados. Enquanto houver pessoas corajosas como o Laerte, Nelson Rodrigues e Heitor Gomes, toda hipocrisia será denunciada. Amém!

Patrícia Bracale disse...

Gente,qdo vai acabar esse espetáculo?
Olha,essa foi a parte + divertida do espetáculo do Laerte.
Cada um q/ realmente assistir terá um significado,
sei q/ tudo foi estudado e pesquisado p/ estar em cena,
creio q/ a cena + marcante, q/ me tirou o folêgo, foi o liquidificador.
Tá lá todos os nossos "pecados"...
Parabéns Laerte.
O importante da Arte é esse chaqualhão.
Amém

Rita Lavoyer disse...

Primeira Parte:

Com licença! Venho porque uma amiga me relatou o fato, solicitando-me leitura.Tenho certeza, com todas essas explanações dos meus amigos, que todos esses comentários, réplicas e tréplicas, acabam de promover o MAIOR ESPETÁCULO e o MAIOR ARTISTA que Festara já apresentou em todos os seus anos de existência.
Não desmerecendo nenhum outro espetáculo já apresentado e seus artistas - porque o nu já apareceu em tantas outras peças apresentadas em Araçatuba - por que o alvo no AMÉM?
AMÉM , de alguma forma, tirou-os, tirou-nos do nosso lugar, consumindo, ainda que pouco, a nossa energia, Estamos, pois, ligados à peça, eu que nem fui assistir, não consegui ingresso.
A arte tem “enes” funções, uma delas é despertar uma molécula adormecida que trazemos escondida em algum lugar do nosso subconsciente. AMÉM provocou mudança, logo ela está para a arte com as proporções que a Arte a anseia.
Por mais que nos vistamos de cultura, nunca estaremos aculturados totalmente. Ainda bem! Gostei de todos os comentários, respeitando todos os pontos de vista sobre a peça, afinal, estamos inquisidores ainda. A Arte é um meio de punir criticando também. Razão pela qual ela é sujeita às críticas. Na minha opinião recebe crítica - negativa ou positiva- a arte que mexe, incomodando, onde qualquer outra coisa sequer ousou incomodar. A Arte traz em si um dispositivo que não a deixa morrer no ninho.
Como morrem no ninho infâncias ceifadas por religiosos pedófilos, como morreram no ninho tantas “bruxas” por ordem dos religiosos, como morreram no ninho tantas obras queimadas a mando dos religiosos, como morreram no ninho tantos servos do período feudal, perdendo suas terras para os religiosos a serviço do rei, como morreram tantos judeus porque os religiosos se omitiram com olhos abertos no Holocautos porque o dispositivo calou-se e ainda cala-se . Fossem todos os religiosos como José Hamilton a consumação no altar dar-se-ia por - pão e cerveja-
Observamos quanto tempo a crítica à tantas aberrações tem demorado? Encontrou na Arte um sustentáculo para seu manifesto, porque a Arte se compõe do expurgo de tudo que é ruim no homem, do homem e pelo homem, mas de tudo que é bom nele, dele e por ele também. Saber expurgar com talento não é maravilhoso!? No palco o artista não é ele. O artista somos nós. E “nós” não significa “todos” generalizado, mas um grupo que necessita a arte dele como um grito.

continua na segunda parte:

Rita Lavoyer disse...

segunda parte:

continuação...

José Hamilton, conhecendo-o de perto, consigo sentir a sua dor, porque é meu amigo. Defensor de causas justas, de firmes opiniões e fé inabalável, respeito imensamente a sua opinião e sei que vai lutar até o fim para mantê-la. Homem de palavra você! A sua raridade, hoje, já é uma arte, que estendo ao senhor Lúcio Collicchio, apesar de não conhecê-lo, deva trazer qualidades ímpares pela sua Fé também inabalável.

Todavia, devemos entender que neste imbróglio há dois textos: AMÉM, tornou-se de fundo, trazendo para frente o texto do autor do blog. Não vejo neste, tento crer que também não há naquele ( não assisti) a intenção de persuadir.

Mas... Um foca o registro de identidade – apesar de discordar da expressão “ como último argumento para convencer o público” será?; o outro, Amém, explora as identidades dos registros.

Os Símbolos Religiosos são sagrados pra mim, para os Josés, Pedros, Marias... Mas o meu Sagrado não foi atingido pelo fato do ato, porque Ele é tão imensamente Sagrado que não se fragiliza.

Se agissem assim, estariam : a peça AMÉM e o texto do autor do blog, crucificando a Arte, e nós, tontos, batendo o prego, necrosando nela uma veia que se quer latente!

Laerte, se permite uma observação desta que pouco sabe: penso que ao artista cabe fazer a Arte, a promoção fica por conta do espectador. Nisso, Laerte, em AMÉM, fez com maestria. Pelo que estou entendendo atingiu o objetivo, acertando no alvo! Qual outro espetáculo do Festara 2012 provocou tanto o público?


Não existe um único antibiótico para todas as bactérias. Mas o Criador é único. ELE, que com a SUA ARTE criou sozinho o UNIVERSO ainda assim não agrada a todos e também é afrontado, vamos discutir mais o quê?

Até aqui acho que tudo foi válido, afinal a Arte quer ser discutida – A ARTE!

Teatro é uma Arte que possibilita a quem o faz (todos nós) - juntar as suas próprias peças, explorando-se.

Há muito, penso que Teatro deva ser “disciplina obrigatória” nas escolas que se pretendem formadoras de cidadãos , entre tantos benefícios, o valor grupal que ele promove.

Profissionais a nossa região prova que tem. Eles precisam do palco, da plateia. Mas precisam de salários; mais do que justos.

Obs- José Hamilton se o Sindicato dos Artistas de Teatro te pega, companheiro... Você está fu....

Armada da minha ignorância, fortalecida pelo fato de eu não ter assistido à peça, lanço aqui umas perguntas baseadas no trecho do texto do autor do blog:

“Tanto que no encerramento do monólogo, Laerte Silva Jr. ficou nu e passou o crucifixo em seu sexo, como forma de abençoá-lo.”

“como forma de abençoá-lo” - é falado no palco ou conclusão do autor do blog?

“seu sexo” - Esse “seu” refere-se a quem, exatamente?

“Abençoá-lo” ? - o sexo ou o crucifixo?

Quem estava no palco?

Clara ficou aonde nessa confusão?
--------------------

Acho que todos estão de parabéns pela capacidade de expressão. È a Arte se manifestando de todas as formas.

Muito obrigada

Rita Lavoyer

FIM

Anônimo disse...

como é gostoso ver araçatubenses discutindo arte, parece aquele debate que é proposto, após a peça em pelo teatro, aconteceu este debate? infelizmente eu não assisti por falta d ingresso, mas estou feliz, por saber que em nossa terra existe gente que ama e sabe definir a arte, parabéns a todos que participaram e estão ainda neste debate após a apresentação da peça. como estou feliz, mora em Araçatuba já faz um tempão, ou seja desde o meu nascimento nunca vi tanta polemica por uma peça tão bem premiada.
Beijão a todos os que postaram comentários, continuem assim, logo logo poderemos dizer que em Araçatuba existem entendedores da
Arte
Marianice

Ramon Olsen disse...

Por favor, quanta beatice! Caro Hamilton, posso citar algumas pessoas pouco importantes pra a sociedade que questionaram a existência de deus, são elas: Freud, Marquês de Sade, Chaplin, Einstein, entre outros. Pessoas que de alguma forma tornaram a sociedade melhor e mais justa. Conceito arcaicos podem ser questionados por quem quiser, é um direito, é assim que progredimos. Quanto "profanar deus", o ser intocável, porque invés de falar abobrinha não pede pra ele descer e vir se defender? Tem mesmo que te usar para tal? Talvez ele não esteja nem ligando pra essa discussão tola ou talvez ele nem exista! :)

Ramon Olsen disse...

Por favor, quanta beatice! Caro Hamilton, posso citar algumas pessoas pouco importantes pra a sociedade que questionaram a existência de deus, são elas: Freud, Marquês de Sade, Chaplin, Einstein, entre outros. Pessoas que de alguma forma tornaram a sociedade melhor e mais justa. Conceito arcaicos podem ser questionados por quem quiser, é um direito, é assim que progredimos. Quanto "profanar deus", o ser intocável, porque invés de falar abobrinha não pede pra ele descer e vir se defender? Tem mesmo que te usar para tal? Talvez ele não esteja nem ligando pra essa discussão tola ou talvez ele nem exista! :)

Patrícia Bracale disse...

Ai Rita vc é óóótima.
Adorei suas perguntas.
Para assistir Amém em Ata City nova oportunidade
dia 24 de novembro às 20:30h teatro Castro Alves.
Realmente Mami foi uma pena não
rolar um bate papo pós espetáculo.
Pessoal assistam logo, pois depois q/ o Laerte ganhar
mais umas dezenas de troféus ele parte p/ outro desafio.
Cuidado q/ a Arte transforma, vc não sairá o mesmo.