AGENDA CULTURAL

2.8.14

Um pouco de história: João Batista Botelho


Acervo do Museu Histórico-Pedagógico Cândido Rondon - Araçatuba
Num momento em que estamos para escolher candidatos a deputado (estadual e federal), o ex-vereador Valtenir Pereira Dias (1983-88), o Tuta, me manda duas gravações de discursos feitos da tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo do deputado estadual João Batista Botelho (1963-67), por Araçatuba, que estava no exercício do mandato quando houve o golpe de estado de 1964.

Enquanto João Batista Botelho fazia seus discursos na Alesp, governava Araçatuba seu arqui-inimigo Sylvio José Venturolli, defensor do golpe de estado. Venturolli foi deputado federal por dois mandatos  (1975-82) e enquanto esteve em Brasília se alinhava à linha dura dos militares no Congresso Nacional, como Sílvio Frota.

Quem tiver paciência de ouvir a gravação radiofônica dos discursos de Cuiabano, vai perceber, apesar de alguns erros de português do parlamentar, a perspicácia do deputado João Batista Botelho. Como ex-prefeito, se elegeu deputado, e não envergonhou Araçatuba na assembleia paulista, tinha consciência do momento histórico vivido pelo país naquela época, defendendo as forças democráticas. Juntamente com Conceição da Costa Neves, eram dois oradores contundentes no parlamento paulista.
Álbum familiar

Não foi à toa que quando se reelegeu para o segundo mandato para prefeito de Araçatuba (1969-1972), foi sumariamente cassado pela ditadura militar, sendo nomeado um interventor, Alfredo Yarid. O nome de João Batista Botelho, o João Cuibano, sempre foi apresentado à história como um fanfarrão, uma pessoa que falava errado, porque os historiados dos araçás sempre estiveram do lado dos militares. Seus eleitores, por serem os mais pobres, eram chamados de "pés-de-macaco".

Não escrevo tudo isso no exercício do saudosismo ou para dizer que antigamente era melhor. Estou lembrando que parlamentares araçatubenses já participaram do cenário nacional no exercício do mandato, não se limitaram a ser despachantes de prefeitos.

OUÇA OS DISCURSOS DE JOÃO BATISTA BOTELHO, SENDO CONTRA O GOLPE MILITAR:



Um comentário:

Anônimo disse...

Justa, a homenagem que você, Consa, presta ao saudoso Cuiabano, que apesar de seus "erros" de português, acertou, e muito e por repetidas vezes na gestão da coisa pública. Tive o privilégio de uma curta convivência com ele. Lembro que, após sua vitória em l968, alguns dias depois fui à sua casa ali na Cristiano Olsen, e por incrível que pareça era um dia de muito frio, neblinoso. Lá chegando fui direto para a cozinha, e estava ele envolto num cobertor à boca do fogão a lenha. Nossa prosa correu ali. Ele, já sabedor que eu adorava um café com leite, logo mandou providenciar uma caneca daquelas de ágate para mim. Ficamos um tempão falando coisas. Logo depois da posse, foi, junto com o vice, creio de nome Vanderlino, até a nossa casa, e aí o papo foi com o meu sogro. Conhecidos de velhos tempos, os dois ficaram a relembrar as lidas com as boiadas nos sertões da Alta Araraquarense. Meu sogro falou que foi o maior presente - a não ser o nascimento de seus netos - aquele reencontro com seu amigo boiadeiro, que ele não via há mais de trinta anos. Mas não ficou só em lembranças não. Ali na sala de nossa casa, ele, o Cuiabano, assinou a ordem de serviço para o asfaltamento da Vila Operária. Eu residia na Rua l.o de Maio, 504, depois em outra, 494, que contruí nos lotes adquiridos da firma dos Geralde, da Norogás.
Gabriel Araújo dos Santos - Bié. Campinas-SP