AGENDA CULTURAL

28.2.16

Não reeleger vereador


Hélio Consolaro*

Todos os municípios brasileiros vão eleger seus vereadores em 2016, uns mais, outros menos. Escolher gente nova ou escolher alguém que já esteja na Câmara Municipal. 

Nalguns municípios, há um movimento para não votar em quem já esteja lá, ou melhor, nada de reeleger, pôr gente nova, sangue novo. 

Há gente que faz tanto tempo que ocupa lugar no legislativo municipal, que ao preencher o cadastro de crédito na loja, a moça pergunta:

–Profissão?
–Vereador - responde o sujeito.


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Cidade pequena, família grande, clientelismo praticado a todo minuto, garante a reeleição do vereador profissional.  

Este blogueiro até acredita na boa intenção do movimento, desde que o líder dele não seja candidato e nem cabo eleitoral de nenhum novato. 

Ou ao contrário. Em toda cidade, há aquela pessoa que se candidata a vereador a trezentos anos, mas nunca é eleito. Um movimento desse vai beneficiá-la, por exemplo. 

Dizem as más línguas que tal sujeito se candidata em toda eleição para se ver livre da mulher, ficar solto na palhada. Não é não, apenas intriga da oposição. Na verdade, é um eterno democrata.

Também temos muitas candidatas a mulher pública. Não se pode estranhar, se o político é homem público, política é mulher pública, ué!  Dona Dilma é quem diga o sofrimento...

Esse negócio de vereador é um problema insolúvel. Sempre os vereadores do passado são melhores que os atuais. As pessoas idosas, por exemplo, são tomados pelo saudosismo, tudo antes era melhor.

Quando fui vereador na década de 80, os da década de 70 eram melhores, os da época eram classificados como porcaria. Agora, encontro os velhos, jovens daquela época, que me dizem:

– Tempo bom, foi quando você era vereador, político tinha vergonha na cara!

Durma-se com um barulho desse, caro leitor. Mas o mundo é assim mesmo, esse repeteco de sempre, os novos acham que estão inventando a roda, e os velhos renegam a juventude.

Cuidado com esse negócio de não reeleger vereador, porque você corre risco de trocar seis por meia dúzia.

Democracia, apesar de todos os defeitos é o melhor sistema. De vez em quanto, o povo faz um grande barulho, parece que vai mudar, e essa bola chamada Terra continua indiferente girando no espaço. Nem liga para seus carrapatos.  

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba-SP 

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