AGENDA CULTURAL

10.11.18

Bolsonaro pianinho, pianíssimo

Em Brasília, Bolsonaro abandona linguajar de candidato e adota estilo conciliador de político profissional

Postura do presidente eleito na primeira viagem à capital foi 'recado para aqueles que falavam que ele seria um ditador, um tirano', diz assessor
(Jornal O Globo, 9/11/2018)
*Hélio Consolaro, professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Candidatos proporcionais, ou seja: vereador, deputado estadual e deputado federal representam segmentos da sociedade. Não têm a pretensão de representar toda a sociedade, por isso não precisam agradar a todos, mesmo depois de eleitos. 
Diferentemente do prefeito, governador, senador e presidente da República, que precisam ter uma linguagem mais ampla, inclusiva, com cuidados para não descontentar algum segmento e perder votos.
Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro ficou preso à imagem que criou enquanto foi deputado federal por 28 anos: irreverente, politicamente incorreto, estilo bateu-levou.
Agora, como presidente da República recém-eleito já está se enquadrando, porque a sua fala tem repercussão. Será o futuro governo. Parece que ele está abandonando o palanque para ser o dirigente da Nação.
Quando ele começar a governar de fato, suas atitudes precisam ser mais moderadas ainda, porque estamos numa democracia, tudo precisa ser conversado, costurado, nem sempre a vontade do Executivo será consenso entre seus próprios pares.
Aí, caro leitor, os mais radicais (do lado dele) já vão dizer: "O Bolsonaro está afinando..." Ninguém governa sozinho, o líder precisa ser um maestro, harmonizar todos os instrumentos. Às vezes, precisa jogar até com a oposição.
A nossa cidadania ainda é rala, precisamos entender mais o papel do Poder Público, há várias posições a respeito, mas não poder ficar com uma visão simplória do tema. Ficar no "faço e arrebento".
Embora, haja gente no PT que discorde da elegância pós-eleitoral de Fernando Haddad, concordo com ele, pois foi candidato de uma frente. Ele deu a cara para ser batida. 
A reação tem que ser do jeito dele; que o partido tome suas posições. Não se pode repetir o que o PSDB fez com a Dilma em 2014, não reconhecendo a vitória do adversário.  
Governe, Bolsonaro! Tomara que dê certo.

Nenhum comentário: