O poeta uruguaio Mário Benedetti nos disse, em “Esse grande simulacro“, que “o esquecimento está tão cheio de memória que às vezes não cabem as lembranças e rancores”, pois eles “precisam ser jogados pela borda”, haja vista que “no fundo o esquecimento é um grande simulacro”, pois ”ninguém sabe nem pode, ainda que queira, esquecer”. Por isso, me recorda de Carl Sagan quando disse “. Em algum lugar, algo incrível está esperando para ser descoberto...” Pode ser muitas coisas! Para mim isso ocorreu há 53 anos quando deparemos com o nascimento de vocês, Marla e Janaína. Lembrando sempre que “a idade não é a que temos, mas a que sentimos”, assim como “a vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”(Gabriel Garcia Marquez), e porque “cada vida é uma vida feita de todas as vidas” como pontua Neruda, traço essa lembrança.
E esse lembrar importa muito nesses tempos de incertezas, pois todas essas outras vidas, celebram as lutas dos povos, sintetizam a luta de gênero, a luta étnica, as lutas antirracista, antifascistas e anti-imperialistas bem como tantas outras nas lutas de classes, que criminosos insistem em nos submeter, em nos subjugar, nos matar , nos exterminar. Sem contar que ainda precisamos nos livrar das mentiras, da ignorância e seus derivados, da negação das Ciências...
Então, que essa data seja um momento de lembrança das suas permanências e todas as outras vidas que compõem as de vocês como um brado de luta para a plena libertação dos espíritos e de resistência, contra todas as formas de opressão, preconceitos.
Lembremos Dostoiévsk: “O homem tem tudo em suas mãos, e tudo escapa entre seus dedos por pura covardia” mas que também seja um momento de comemoração, de alegria, de parcerias, de perdões, de delicadeza e de gentileza, para com o mundo e do mundo para vocês.
Que nesse 03 de janeiro de 2026, dessa vez longe de casa, possam celebrar seus aniversários, com aqueles/as que se importam com vocês, os de perto ou os de longe, bem como daqueles/as que não sabem que existem, mas que acreditam que estão de mãos dadas contigo por um mundo que, para ser possível, precisa ser construído, a cada dia, com as nossas lutas. Talvez Cervantes tenha razão “quando não tens experiências nas coisas da vida, todas as coisas que apresentam alguma dificuldade te parecem impossíveis. Confiai no tempo, que costuma dar doces saídas a muitas amargas dificuldades.” Ou, mais direto, como Marx , “difícil é começar”. Mas precisamos começar a lutar, mesmo porque “com o tempo tudo passa. Vi, com alguma paciência, o inesquecível tornar-se esquecido e o necessário sobrar.” ( Gabriel Garcia Marquez)
Que possam contar sobre suas VIDAS para pessoas queridas, pois como também escreveu o grande escritor colombiano, “a vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver”, sendo que “a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a este artifício conseguimos suportar o passado”, pois “os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos”. Por outro lado saibam mais uma vez que a lembrança desses nascimentos é uma alegria por saber que, dessa maneira, vocês cruzaram minha vida quando das suas chegadas e param mim isto é motivo de celebração, uma celebração pública permitida, mas uma celebração sincera pelas pessoas importantes que vocês se tornaram em minhas trajetórias: melhoro por conta das suas presenças. Vidas longas, Marla e Janaína. AMO VOCÊS.
*Marcos F. Alves, 03/01/2026, professor, Araçatuba-SP

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