AGENDA CULTURAL

4.11.26

Rico não reza?

    Leão 14  - papa - chefe da Igreja Católica

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 


Um deus só ocorre para os que necessitem. Deuses são por mérito dos que não desistem. (Válter Hugo Mãe - no livro As doenças do Brasil)


Saímos de uma eleição (2026), quando a política leva a vida ao rés do chão. Filho xinga mãe e usamos à vontade os acervos de palavrão, e as máscaras do preconceito se descolam. Então está na hora de mergulharmos no mundo das excelências.  

A frase do escritor Válter Hugo Mãe é de um ateu que vai ao encontro das palavras de Jesus Cristo. Para ele Deus só ocorre (olha bem o verbo usado) quando o sujeito está na pobreza. Para o rico, Deus não ocorre, não é preciso.

Mateus disse: Jesus ensina que tudo o que for feito ao menor e mais necessitado dos seres humanos (dar de comer, vestir, visitar) é feito diretamente a Ele.  

A segunda frase do escritor português repete a parábola do camelo e a agulha. Quem nada em dinheiro não vai se lembrar de Deus.   

Os doutores da igreja católica, mortos e vivos, sempre dizem que a Bíblia é um livro de autoajuda. Deus nos deixou um manual, a Bíblia, como não a entendemos, ele não desenhou, mandou o Filho para ser exemplo vivo. Às vezes, os ateus entendem melhor.

O arcebispo de Milão, Dom Carlos Maria, e Umberto Eco, ambos mortos, mantiveram no jornal um debate de artigos que foram publicados num livro sob o título: Em que creem os que em não creem? O bispo não concebia que que um ateu praticasse o bem sem ter fé em Deus (Umberto Eco era ateu). 

Na biografia de Leão 14, quando morava no Peru, ao receber uma herança paterna, comprou um terreno no Peru (ainda não era papa) e doou para um comunidade construir uma igreja. Tal atitude seria estranha caso Robert Francis Prevost fosse um capitalista avarento. 

Um rico não reza para que o mundo seja melhor, porque ele já está bem. Na penúria, a presença de Deus é de primeira necessidade. 

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