AGENDA CULTURAL

4.3.17

A baronesa da língua portuguesa

Cidinha Baracat completa 80 anos de vida, e sua principal bandeira sempre foi a educação

Hélio Consolaro*
(texto de 22/02/2007, quando ela completara 70 anos. Hoje, 4/3/2017, é a festa comemorativa dos 80 anos de Cidinha Baracat)

Não sei se vou escrever uma homenagem, porque homenagear é coisa de vassalo. Atitude assim seria muito pouco, a pessoa que vai receber as loas desse croniqueiro é maior que tudo isso.

Apesar de toda minha experiência, percebo que não tenho engenho e nem arte para dizer algo sobre ela, pois nem um hipertexto suportaria sua intensa biografia. Sou mesmo um vassalo de seu séqüito.

Ah! Caro leitor, não se trata de elogiar político na precisão de um favor. Minha homenageada é pessoa miúda, e está nisso a sua grandeza. Até parece uma filósofa da antiga Grécia, com a máxima: quanto mais sabe, descobre que nada sabe. A idade não lhe pesa, vai a tornando mais leve, dando-lhe plenitude. Ensinando-lhe os caminhos de volta a Macatuba.
Casal Gilberto e Cidinha Barcat

Preciso dizer insistentemente, caro leitor, que o homenageado é uma mulher, mas não vou dizer que a professora seja uma rainha do lar e tenha atrás de si um grande homem, porque ela não é uma das Mulheres de Atenas. A escritora nasceu numa fazenda, carente das visitas dos Reis Magos, por isso até hoje busca incessantemente a mirra na literatura.

Já adivinhou quem é, caro leitor? Pelo choro da criança, em 22 de fevereiro de 1937, em Macatuba, as pessoas presentes reconheceram: “Não será uma mulher qualquer!”


Embora este croniqueiro não fosse ainda nascido, ouço os ecos do choro forte da recém-nascida na cidade cujo nome faz rima pobre com Macatuba, onde a menina que nasceu com a vocação de poeta escreveu Araçatema.


Hélio Consolaro recebe das mãos de Cidinha Baracat
o diploma de professor I (antigo primário - Curso Normal)
1968 - Instituto de Educação Manuel Bento da Cruz - Araçatuba-SP

A minha professora homenageada desafiou todos os determinismos para ser uma mulher, um mulherão, como querem os mais afoitos, como o seu marido e filhos. E foi dizendo a todos os seus alunos que o sufixo –inho pode ser também –ão, seria apenas uma questão de flexão. Falta-me mesmo engenho e arte, só consigo fazer uma prosa com ecos em –ão e –esa.

Quando essa professora do Curso Normal apareceu defronte à classe deste croniqueiro, 1968, numa extensão do antigo I.E., era uma menina com a idade de minha filha, a Menininha, que hoje, 2007, é professora de Português do Colégio N. S. Aparecida. A Cidinha está na Menininha...

Descobriu, então, caro leitor de quem falo? Não, não é Maria Aparecida Godoy Baracat, como escrevia a saudosa cronista social Odette Costa Bodstein; e ainda fala de boca cheia o mestre-de-cerimônias, o advogado Jorge Napoleão Xavier. Essa é a baronesa do ensino da língua portuguesa.

Gosto mesmo da Cidinha Baracat que numa mesa, depois de alguns copos, faz uma reflexão bonita sobre a vida. E até escreve: Fundo de Gaveta, engrandecendo as rimas pobres.

6 comentários:

Blog da Joana Paro disse...

Ficou mesmo linda, meu amor, original e verdadeira... A foto está demais, justifica a tietagem... Te beijo com saudades...
Joana

O Poeta das Multidões disse...

Parabens, muito emocionate. Um abraço. Heitor Gomes.

Anônimo disse...

Que homenagem linda!
Mas o que gostei foi da foto...menino, como vc era novinho!!!!
Helio, por que a Entrelinhas nao e' mais diaria? Kikou??? A Folha ficou sem sal e sem acucar.
Volte meu lindo.
Shine on!
Ardanuy

zeze disse...

Parabéns,uma homenagem lindíssima.
Você como sempre é dez. Um abraço. Zeze Dib Pagan.

Ventura Picasso disse...

ARAÇATEMA E VOCÊ

Caro Hélio:
Ela descobriu Araçatema, e você a Folha da Região; Revirando as gavetas da cidade ela nunca nos abandonou, mas você ficou a ver usinas na Marechal...
A Folha escolheu o mundo, não gosta da Região; Não quer as suas CRÔNICAS diárias, que cantam as histórias do povo, do Café Roceiro, da Guaraná Paulistinha; coisas nossas, que você se (nos) diverte, falando de Araçatuba.
PARABENS A VOCÊS...

claudiariobranco disse...

...não fui e não quero ser anônima como vejo em outras mensagens - SOU AUTÊNTICA)...e eu que senti ser vc verdadeiro com os sentimentos um dia...puro engano...DANÇA! AH, A DANÇA!...SERÁ QUE QUEM ESCREVE "O AMOR" JÁ O SENTIU DE VERDADE? Sim, o amor até acredito...mas a PAIXÃO, AQUELA QUE QUEIMA A ALMA E NÃO NOS DEIXA ESQUECER EM OUTROS OLHARES, EM OUTROS BEIJOS, EM OUTRAS BOCAS ETC. O MEL, A TERNURA, O CALOR E O FALAR COM OS OLHOS E O SENTIR DO TESÃO...AH! ESSA PAIXÃO, POUCOS A SENTIRAM. PODEM ESCREVER SOBRE ELA, MAS NÃO TIVERAM CORAGEM E O PRIVILÉGIO DE VIVENCIÁ-LA!...
Encontrei um novo manancial...mas está difícil senti-lo com os OLHOS DE MEL...