AGENDA CULTURAL

5.10.15

Putas, perdidas, vendidas

Hélio Consolaro*

Outras informações sobre a peça, clique aqui

No domingo, 4/10/2015, à noite, no teatro municipal Castro Alves, houve duas sessões da tragicomédia "Vendidas". Era abertura do FESTARA - Festival de Teatro de Araçatuba - versão 2015, com a Cia. Pau d'Arcos, de São Paulo. Duas sessões porque a primeira lotou, e a trupe resolveu brindar a cidade com mais uma, perfazendo um total de 350 pessoas. Tudo terminou à meia-noite.

A peça foi escolhida pela Secretaria Municipal de Cultura porque no elenco havia duas atrizes araçatubenses. Jovens que foram tentar a sorte na capital paulista: Carina Porto e Paula Liberatti. E estão se dando bem. A peça "Vendidas", texto de Leo Lama (filho de Plínio Marcos), foi publicado em 1999 com o nome de "Putas", depois houve uma reconstrução do texto, passando a se chamar "Perdidas" e a agora outra atualização, "Vendidas". 
Público da primeira sessão
Seis mulheres que trabalham numa agência de publicidade fazem o happy hour num bar da cidade e discutem a condição feminina nas relações sexuais. Conforme bebem, mais palavrões. O inusitado são seis mulheres falando palavrões, cada um mais cabeludo do que o outro. Fora as provocações feitas com a plateia.

Houve gente que saiu do teatro xingando a apresentação por causa dos palavrões. Outros foram ver as parentas, e parecem que viram as meninas num bordel. Mas foram poucas essas pessoas. 

Uma velhinha dizia:

- Precisei viver 90 anos para ouvir tanta besteira!  

- A mãe delas deve estar envergonhada! Onde essas meninas se meteram, estão perdidas...
AS SEIS ATRIZES NO PALCO EM ARAÇATUBA 
Reação parecida aconteceu no Festara de 2010 com a apresentação de "Justine" pelo grupo Satyros no espaço cultural do Thathi-Coc, texto do Marquês de Sade. A nudez de quase 20 personagens no palco incomodou muita gente.

A personagem Patrícia, em "Vendidas", de repente se diz que era uma puta para as amigas naquele happy hour. Chegou a convencer as colegas a serem putas também. Depois descobriram que era pura simulação dela. No final, descobre-se que todas mentem, como querendo a dizer que a vida é uma mentira, que as pessoas fantasiam as coisas em busca de novidades, querendo sair da mesmice. Há pessoas querendo se mostrar que são piores do que são. Era a imitação do mundo masculino que só fala merda em mesa de bar.

Essa alucinação chega ao auge quando uma delas pula para a plateia e diz para cada homem:

- Eu já dei para você!    

Ou quando Luciana Caruso (a Patrícia) avança para este blogueiro, na primeira fila do teatro com a esposa, e diz:

- Quero dar o cu para você!

Escolheu um "idoso" inofensivo. Fiquei meio sem saber o que fazer. Olhei para a Helena para ver se não vinha um tapa. E depois, quando descobre que sou o secretário municipal de Cultura, morre de vergonha pelo feito.

Se elas fossem atrizes que morassem em Araçatuba, arrumariam muita confusão. E se eu fosse procurá-la para cumprir o prometido... Ou "como você deu para o meu marido, sua vaga!" A atriz mais cômica foi a Carina Porto que brincava com seu volume excessivo (gordinha).  

O Festara acontece para que mostremos o teatro da cidade e da região, mas também para trazer o teatro de vanguarda para a cidade, para que tenhamos a noção do que acontece nos palcos além do ribeirão Baguaçu. Exagerar é uma das funções da arte. Parabéns, garotas! 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba-SP      

4 comentários:

Cesar Ghisellini disse...

Fico abismado como um Homem que se diz professor, jornalista e escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba.
Que pelo meu ver não tem nenhum conhecimento sobre Arte e cultura.
Pode falar tanta besteira sobre a arte de atuar, e condenar pessoas que ali estão com a intenção de levar a cultura do teatro para sua Cidade.
E pelo que pude perceber Senhor Hélio Consolaro, por nenhum minuto deixou de soltar seus risos durante a peça e nem tão pouco de apreciar a arte das putas como aqui menciona.Tenha um pouco mais de respeito sobre as pessoas que não conhece e procure um conhecimento maior sobre a arte do Teatro.


Cesar Ghisellini.

Hélio Consolaro disse...


RESPOSTA DO BLOGUEIRO
Prezado César
Não sou crítico de teatro, nem especialista em resenhas, sou apenas um cronista. E como Machado de Assis definiu, cronista é um beija-flor, que passa por todas as flores, um especialista de generalidades.
Como filósofo do cotidiano (assim é um cronista), observo os comportamentos das pessoas, o meu principal mote.
Abraços
Hélio Consolaro

Hélio Consolaro disse...

PAULA LIBERATTI DEIXOU NO FACE O SEGUINTE COMENTÁRIO:
Adoramos que lotou!!! Provocar é uma das funções da arte! Que bom que provocamos! Obrigada pelo texto.

Unknown disse...

Eu recomendo a peça, é muito boa!
Você ouvirá verdades, que muitas vezes, as tem como mentiras e vice versa.
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