AGENDA CULTURAL

19.3.16

Liniker: ele vai bagunçar você em Araçatuba. Hoje, sábado, 19//2016, 19h30, praça João Pessoa

Por Maíra Streit - Revista Fórum

Saia, batom, brincos e bigode combinados com uma voz poderosa e um suingue único. Impossível ficar indiferente a Liniker, a nova sensação da black music brasileira. O jovem de Araraquara, no interior de São Paulo, parece ter uma vida comprida para os seus vinte anos. E uma maturidade artística de dar inveja a muitos veteranos.


Como influências, aparecem Clube do Balanço, Cartola, Caetano Veloso, Gal Costa, Etta James, Nina Simone, mas também os músicos da família, que cresceu ouvindo e admirando. A mistura disso tudo deu origem a um som que chama cada vez mais a atenção do circuito alternativo graças ao EP “Cru”, lançado em outubro com apenas três canções.

Os vídeos de “Louise Du Brésil”, “Zero” e “Caeu” conquistaram milhões de visualizações em poucos dias, marco que ele divide com a banda formada por Guilherme Garboso (bateria), Márcio Bortoloti (trompete/trombone), Paulo Costa (baixo), Rafael Barone (baixo/guitarra), Willian Zaharanszki (guitarra) e as backing vocals Bárbara Rosa, Ekena Monteiro e Renata Santos.
As composições, todas autorais, trazem como tema as relações humanas e, sobretudo, o amor. Ainda na adolescência, Liniker acumulava cartas escritas a outros rapazes, mas que nunca foram entregues. 

Liniker e sua banda 
A vontade de expressar seus sentimentos se transformou em matéria-prima para músicas delicadas que ganharam uma roupagem dançante e elementos cênicos na apresentação, herdados das aulas de teatro.

A necessidade de se mostrar ao mundo surge também como uma forma de resistência. O visual andrógino, unindo referências masculinas e femininas, vem para quebrar estereótipos e desafiar as mentes mais conservadoras. “Deixa eu bagunçar você”, ele anuncia – e cumpre – em uma de suas letras. É em meio a essa bagunça que abre espaço para discussões profundas a respeito de identidade de gênero, liberdade e aceitação.
Noto que a representatividade é importante, sim, e me permito ser voz para tentar mudar alguma coisa” 
Confira a entrevista a seguir.

Fórum – Você costuma dizer que seu corpo é um corpo político. Qual a importância dessa desconstrução de gêneros nos tempos atuais?

Liniker – Eu desconstruo e construo para ter espaço de ser quem eu sou e acredito. Desconstruir para renovar e inovar os padrões tão intrínsecos na nossa sociedade, e para abrir outras possibilidades de pensamentos e de acabar com os estereótipos. Já me permiti a não me definir mais e ser quem eu quiser ser e quando e enquanto eu quiser ser. Minha liberdade de escolha é só minha.
"Minha liberdade de escolha é só minha"  
Fórum – As discussões em torno da pauta LGBT têm adquirido força, mas a intolerância ainda é uma realidade cruel. Como você lida com a questão do preconceito?

Liniker – Sinto que quando o desrespeito vem, é preciso se empoderar duas vezes mais. Pra mostrar que não é qualquer coisa que bota a gente pra baixo, se colocar é preciso. É claro que quando eu sinto que estão sendo preconceituosos comigo eu fico mal, mal por ter tanta gente pensando pequeno e não se permitindo expandir as realidades. No meio disso tudo, noto que a representatividade é importante, sim, e me permito ser voz para tentar mudar alguma coisa no meio disso tudo. Já existem vários movimentos à frente, e eu fico muito feliz e representado.

Fórum – Sua música se espalhou pelas redes sociais e os vídeos conquistaram milhões de visualizações em poucos dias. Quais os desafios e as vantagens de ser um artista independente?


Liniker – Ir contra o fluxo já é um grande desafio, ganhar tanta visibilidade e chegar em tantos lugares diferentes é um reflexo de que quando há movimento e vontade de fazer, o trabalho rola. O público foi o real responsável por tudo ir como está indo também. Desde o primeiro lançamento dos vídeos, nós já vimos que havia pessoas interessadas em saber quem nós éramos e acompanhar o nosso trabalho como ele era, por se sentir parte de alguma coisa que existe nele. Isso me motiva muito e me dá vontade de fazer mais e mais.

"Noto que a representatividade é importante, sim, e me permito ser voz para tentar mudar alguma coisa" 


“Noto que a representatividade é importante, sim, e me permito ser voz para tentar mudar alguma coisa” (Foto: Reprodução/Facebook)
Fórum – E vem álbum novo em 2016? Fale um pouco sobre os projetos para esse ano.


Liniker – Sim! Nós lançaremos o nosso primeiro álbum em junho desse ano: REMONTA. É um álbum que fala muito com o coração, é como se eu estivesse abrindo uma caixinha de sentimentos e botando pra germinar por aí. Entramos em turnê agora e temos uma agenda bem legal de shows para esse ano. Estamos esperançosos e trabalhando bastante. Tá sendo lindo. Estamos por aí.

Fotos:reprodução/Facebook

Um comentário:

José Hamilton Brito disse...

Bem, melhor que os sertanejos universitários da vida, Luan Santana et caterva,ele é. Marca pelo balanço , pelo visual mas é só.