AGENDA CULTURAL

1.1.16

Olho vivo, cidadão! Não se deixe enganar

video

Hélio Consolaro*


O vídeo acima chama a atenção do cidadão para que fique atento com a formulação das notícias, porque não existe nada neutro.

Até as histórias infantis, por mais bobinhas que sejam, passam uma ideologia no seu subtexto. Debaixo de cada mensagem, há um rio subterrâneo de intenções. Ninguém escreve, pinta ou canta sem interesse ideológico.

As histórias de Tio Patinhas, Walt Disney, passam para os leitores de gibis e desenhos animados a ideologia capitalista, principalmente, a norte-americana: acumular sempre. Ensina a amar o dinheiro sobre todas as coisas.


A Bela Adormecida faz a cabeça das meninas há muitos séculos para que a mulher deve esperar o homem chegar na hora da conquista, nada de avançar, ter iniciativa. O príncipe é que vai dar o beijo primeiro para que a princesa acorde. Mensagem machista.


Há livros que são catequéticos e seus autores assumem isso, como os do Jorge Amado, antes da publicação de Gabriela, Cravo e Canela. Não disfarçam, não douram a pílula. As fábulas sempre têm uma moral no término do texto para promover um ensinamento. Os textos do padre Antônio Vieira eram sermões em homilias das missas. Outros, fazem isso subliminarmente, deixando em primeiro lugar a função estética, poética da linguagem, pondo a função referencial em condição subalterna.   



Assim, costumamos a dizer que a verdade não mora de um lado só, por isso o bom jornalismo precisa mostrar os dois lados envolvidos pela notícia, ouvindo o contraditório, para que o cidadão tire a sua conclusão. Nestes tempos ideológicos, a mídia assumiu claramente uma posição contrária aos governos petistas, por exemplo, e só constrói um lado da notícia.

A opinião do jornal deve aparecer nos editoriais, nos artigos, nas crônicas, nunca na manipulação da notícia.


A lição dada pelo jornalista do vídeo, uma atitude tão óbvia, torna-se uma necessidade em nossos dias. Cidadão é aquele que não se deixa levar, mas constrói a sua opinião depois de muito ouvir, ver e ler. Há gente que age como papagaio, repete o que ouve por aí, sem ter a segunda opinião.   



*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba-SP

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