Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Desafios e autodidatismo são os jeitos de eu enfrentar a
realidade. Sempre avalio meus conhecimentos e minhas forças, analiso os
objetivos e enfrento aquilo que me proponho ou outros o fazem.
Assim, diante de palestrar sobre romance, numa das reuniões
do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras, escolhi o romance
histórico. Recaindo sobre o livro “E a porteira bateu!” (1968), de Francisco
Marins (1922-2016), escritor e médico de Botucatu, foi membro da Academia
Paulista de Letras.
Com E a porteira bateu! Francisco Marins completa a tríade
SAGA DO CAFÉ, iniciada por Clarão na serra e Grotão do café amarelo.
Também produziu livros infantojuvenis, criando um espaço em Pratânia, sua terra
natal, um sítio chamado Taquara-Póca.
Série Taquara Póca -Nas Terras do Rei Café; Grotão do
Café Amarelo; Os Segredos de Taquara-Póca; O Coleira Preta; Gafanhotos em
Taquara-Póca.
Série Vagalume – A Aldeia Sagrada; O Mistério dos
Morros Dourados; A Montanha das Duas Cabeças; Em Busca do Diamante; Viagem ao
Mundo Desconhecido; A Aldeia Sagrada; O Mistério dos Morros Dourados; Em Busca
do Diamante; Canudos; O Sótão da Múmia.
Série Roteiro dos Martírios – Expedição aos
Martírios; Volta? Serra Misteriosa; O Bugre do Chapéu de Anta; Verde era o
Coração da Montanha; Território dos Bravos.
Romances – Clarão na Serra; Grotão do Café Amarelo; …
E a Porteira Bateu!; Atalho Sem Fim; O curandeiro dos olhos em gaze.
Durante o meu magistério, adotei o livro E a porteira bateu
nas oitavas séries da Escola Estadual Genésio, onde lecionei por 21 anos. Era
uma leitura extraclasse (ou paradidática) que contribuía na formação histórica
da nova geração, pois o livro tinha como cenário e personagens a colonização da
região Noroeste, da qual faz parte Araçatuba.
O romance histórico é um gênero narrativo que mistura
personagens e tramas ficcionais com fatos, cenários e contextos históricos
reais. O gênero busca recriar epicamente o passado, analisando eventos
coletivos (como guerras ou revoluções) através da perspectiva de
indivíduos. Nem tudo é verdade, mas também nada é mentira.Hélio Consolaro
é professo,
Quem é Francisco Marins? "Francisco Marins não é
somente o grande romancista do café, é o poeta de um Brasil de essência,
brotado na saga dos povoadores, dos padres missionários, dos desbravadores, dos
sertanejos rudes, dos plantadores de café e dos construtores de ferrovias no
sertão misterioso". (Fábio Rodrigues Mendes). Também lembrou em seus
livros de que os indígenas foram massacrados pelos colonizadores.
A abertura da ferrovia, o rio Aguapeí (também conhecido por
rio Feio), padre Claro, bugreiros, a vida dos donos das terras, como se dava a
grilagem. Tudo está no livro de forma romanceada.
Cândido Rondon aparece no livro com seu lema como
indigenista, mas nem sempre bem-sucedido: “Morrer se preciso for, matar nunca”.
Ler o livro E a porteira bateu é conhecer mais profundamente
Araçatuba. Venda pela internet, em sebos e livrarias.
*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor.
Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e
Itaperuna-RJ.


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