AGENDA CULTURAL

7.2.26

E a porteira bateu!

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP  

Desafios e autodidatismo são os jeitos de eu enfrentar a realidade. Sempre avalio meus conhecimentos e minhas forças, analiso os objetivos e enfrento aquilo que me proponho ou outros o fazem.

Assim, diante de palestrar sobre romance, numa das reuniões do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras, escolhi o romance histórico. Recaindo sobre o livro “E a porteira bateu!” (1968), de Francisco Marins (1922-2016), escritor e médico de Botucatu, foi membro da Academia Paulista de Letras.

Com E a porteira bateu! Francisco Marins completa a tríade SAGA DO CAFÉ, iniciada por Clarão na serra e Grotão do café amarelo. Também produziu livros infantojuvenis, criando um espaço em Pratânia, sua terra natal, um sítio chamado Taquara-Póca.

Série Taquara Póca -Nas Terras do Rei Café; Grotão do Café Amarelo; Os Segredos de Taquara-Póca; O Coleira Preta; Gafanhotos em Taquara-Póca.

Série Vagalume – A Aldeia Sagrada; O Mistério dos Morros Dourados; A Montanha das Duas Cabeças; Em Busca do Diamante; Viagem ao Mundo Desconhecido; A Aldeia Sagrada; O Mistério dos Morros Dourados; Em Busca do Diamante; Canudos; O Sótão da Múmia.

Série Roteiro dos Martírios – Expedição aos Martírios; Volta? Serra Misteriosa; O Bugre do Chapéu de Anta; Verde era o Coração da Montanha; Território dos Bravos.

Romances – Clarão na Serra; Grotão do Café Amarelo; … E a Porteira Bateu!; Atalho Sem Fim; O curandeiro dos olhos em gaze.

Durante o meu magistério, adotei o livro E a porteira bateu nas oitavas séries da Escola Estadual Genésio, onde lecionei por 21 anos. Era uma leitura extraclasse (ou paradidática) que contribuía na formação histórica da nova geração, pois o livro tinha como cenário e personagens a colonização da região Noroeste, da qual faz parte Araçatuba. 

O romance histórico é um gênero narrativo que mistura personagens e tramas ficcionais com fatos, cenários e contextos históricos reais. O gênero busca recriar epicamente o passado, analisando eventos coletivos (como guerras ou revoluções) através da perspectiva de indivíduos. Nem tudo é verdade, mas também nada é mentira.Hélio Consolaro é professo,

Quem é Francisco Marins? "Francisco Marins não é somente o grande romancista do café, é o poeta de um Brasil de essência, brotado na saga dos povoadores, dos padres missionários, dos desbravadores, dos sertanejos rudes, dos plantadores de café e dos construtores de ferrovias no sertão misterioso". (Fábio Rodrigues Mendes). Também lembrou em seus livros de que os indígenas foram massacrados pelos colonizadores.

A abertura da ferrovia, o rio Aguapeí (também conhecido por rio Feio), padre Claro, bugreiros, a vida dos donos das terras, como se dava a grilagem. Tudo está no livro de forma romanceada.

Cândido Rondon aparece no livro com seu lema como indigenista, mas nem sempre bem-sucedido: “Morrer se preciso for, matar nunca”.

Ler o livro E a porteira bateu é conhecer mais profundamente Araçatuba. Venda pela internet, em sebos e livrarias.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna-RJ.

    

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