AGENDA CULTURAL

22.7.17

Minha casa, minha vida: um endereço para chamar de seu

Águas Claras - Araçatuba-SP
Hélio Consolaro*

Conforme o jornal Folha da Região, edição de 19/7/2017, o promotor de Justiça de Araçatuba Joel Furlan divulgou, pois ele trabalha com a infância e a adolescência, que o maior número de adolescentes infratores se concentra nos novos conjuntos habitacionais ocupados recentemente, ou seja, construído pelo programa "Minha casa, minha vida", como: Porto Real 1 e 2, Atlântico, Beatriz, Águas Claras.  Vamos entender por que essa mudança territorial está ocorrendo.

Parte do programa "Minha casa, minha vida" destinava moradia para quem ganha menos de três salários mínimos, casas para os mais pobres de nossas cidades. Este é o ponto positivo do programa. Não fez como o BNH que deixava para fora do financiamento quem ganhasse pouco. 
Dr. Joel Furlan

O valor da construção passou a ser subsidiado, uma forma de praticar a justiça social, ou seja, usar o dinheiro público para amparar os mais pobres, não só com cestas básicas, oferecendo à família um elemento importante à cidadania, à dignidade humana: ter um endereço para chamar de seu. 

Outro fator positivo foi priorizar o financiamento dessas casas para mulheres, diante do novo modelo da família brasileira que vem surgindo, centrado na mulher, pois elas não abandonam o lar, como fazem os homens e nem vendem a casa, deixando a família novamente desabrigada. Por isso, nos conjuntos habitacionais há muitas mulheres e crianças. Para notar isso, o visitante não precisa nem descer do carro, apenas passando pelas ruas do conjunto habitacional. 

Quem morava em casinha de fundo ou junto com a sogra, mães solteiras, principalmente, passaram a ter um moradia exclusiva, uma casa para chamar de sua.

Agora, vem a perversidade do programa. Enquanto a classe média alta vai para os condomínios verticais e horizontais, equipados com verdadeiros clubes; os pobres estão sendo levados pelo vento da marginalização social para o recôndito da periferia urbana e ironicamente chamado de "parque residencial" e quase sempre sem os equipamentos de serviços, como área de lazer, UBS, escola e creche. Os dois extremos da pirâmide social estão morando no arrabalde da cidade em condições diferentes.
Condomínio Habiana 1 - Araçatuba
O programa "Minha casa, minha vida" (abaixo de três salários mínimos) fez indiretamente uma higienização social em Araçatuba, levando os pobres para o gueto. Não usou força policial, todos se juntaram lá com alegria, pois haviam comprado uma casa. Com a estrutura econômica norteada pelo capitalismo, não sei se havia outra alternativa.

Daí a estatística do promotor Joel Furlan: a maioria dos adolescentes infratores moram nos conjuntos habitacionais recentemente ocupados, porque neles há a concentração dos mais pobres de nossa sociedade. 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP


2 comentários:

Andresa Martins disse...

Impressão minha, ou você está sugerindo que as pessoas pobres cometem crimes porque o governo deveria estar fornecendo condomínios de luxo pra eles?

Eu até pouco tempo atrás morava em edícula e nunca cometi crime algum. Aliás, eu NASCI em uma edícula e meus pais não são bandidos.

Anônimo disse...

Pelo amor... péssima a interpretação que você fez do texto hein...