AGENDA CULTURAL

4.7.18

Para o Neymar, não tem nada caro



*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba-SP, Andradina-SP e Itaperuna-RJ.  

Se hoje muita gente ganha dinheiro com o futebol, ele fora maldito a menos de 100 anos. Jogar bola era coisa de desocupado, como também tocar violão.

Se Neymar teve o empenho de seu pai para que ele fosse jogador de futebol, e assim milhares de pais, naquela época era coisa que os pais condenavam. Se pegassem o filho numa pelada, a sova era certa.

Os tempos mudaram, para melhor, tocar violão e jogar futebol são atividades de artistas e atletas bem remunerados, quando são talentosos. Montou-se a indústria do entretenimento baseada no futebol. 

O poeta Cassiano Ricardo, autor do livro Martin Cererê, escreveu assim no poema Futebol: “O pequenino vagabundo joga bola/ e sai correndo atrás da bola que salta e rola./ Já quebrou quase todas as vidraças...”

Mas a perseguição acontece logo: “aparece de pronto um guarda policial,/ o homem mais barrigudo deste mundo,/ com os seus botões feitos de ouro convencional,/ e zás! carrega-lhe a bola!”

Hoje, o Neymar é perseguido por seus adversários no campo de futebol e pelo fisco de cada país por onde passa, que exige a sua contribuição para os cofres públicos

Há dois pontos positivos em toda esse quadro. O Brasil receberá alguns como entrada de divisas e os protagonistas também "mordem" a sua parte do dinheiro do espetáculo.

A gente torce, se emociona, veste as cores verde e amarelo, vibra, mas sabemos que o futebol é um forte componente do mundo dos negócios, mas o que não é neste mundo que não seja movido pelo dinheiro: a fé tem seu preço e o amor tem número.

Vamos que vamos, porque está caríssimo sepultar ou cremar um defunto. Aliás, para o Neymar não tem nada caro.    

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