AGENDA CULTURAL

5.12.18

As livrarias estão fechando. O mundo está perdido?

O telegrafista desapareceu, mas a comunicação entre os homens continua. 

*Hélio Consolaro, professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Bastou grandes livrarias brasileiras, como Cultura e Saraiva, entrarem em crise que os profetas do apocalipse dissessem que os brasileiros  estavam lendo cada vez menos. Trata-se de uma conclusão apressada.

Leio bastante, não sei se leio bem, mas nunca pus os pés numa dessas livrarias montadas em estilo shopping. Quem lê mesmo não frequenta palácios do consumo, nem frequenta grandiosas festas literárias. Gosto das livrarias menores, dos clubes de leitura e  comprar livros de papel pela internet.

Outro dia, por necessidade, comecei a comprar livros digitais. Num domingo de manhã, depois de ler os jornais pela internet (não assino mais jornal de papel), fui redigir uma resenha do último romance lido. Tudo isso, ouvindo músicas escolhidos a dedo por mim na plataforma Spotify. Em determinado momento, para que resenha ficasse mais rica, precisava ler um conto. Não o encontrei gratuitamente na internet.     

Fiz o meu cadastro na Amazon. Como ainda não tenho kindle, comecei a formar na plataforma minha biblioteca em português, como se fosse uma playlist de Gilberto Gil no Spotify. Comprei o conto por R$ 10,93 acessado por uma senha. Li-o e voltei a compor a resenha. Tudo isso sem sair do lugar, sentado ao meu notebook, mas poderia ser o celular.

Há alguns anos, quando se falava que o livro ia acabar, ninguém acreditava. Estou falando do livro de papel, encadernado. 

Amazon tem sua sede nos Estados Unidos, e a Spotify na Suécia. E elas pagam direitos autorais para músicos e escritores. Qualquer produto de baixo ou alto custo, importado, com certeza tem a gravação: "made in China". E para completar, o mesmo Uber usado em Araçatuba, pode chamar um carro em Los Angeles. Então, essa é globalização tanto falada, mas que nem todos acreditavam.

Então, caro leitor, os livros continuam sendo vendidos nas plataformas. As pessoas ainda chamam um táxi, mas pelo aplicativo Uber. O telegrafista desapareceu, mas a comunicação entre os homens continua.  

Embora o ser humano continue com a mesma essência, o mundo está mudando.  

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Um comentário:

Maria Zei Biagioni disse...

Fantástica sua reflexão Hélio Consolarodada.