AGENDA CULTURAL

18.1.20

Papiloma bucal é viral! E agora? - Alberto Consolaro

Papilomas no palato, lateral da língua e no freio lingual: lesões comuns!


É comum a lesão na língua ou palato como uma crista de galo, branca ou rosada, com até 1cm de tamanho. O papiloma bucal é indolor e ao tocar a língua ou palato, os pacientes relatam um prurido como cócegas no local. A partir de um ponto branco, cresce lentamente em homens e mulheres de todas as idades. Uma vez removido, microscopicamente confirma-se o diagnóstico de papiloma bucal e o paciente deve ser informado que foi induzido por um subtipo de HPV, dentre os mais de 200 existentes.

A forma mais comum e prevalente de transmissão HPV, ou “Human papillomavirus”, são as relações sexuais, especialmente no sexo oral. Os micro-traumatismos nas mucosas abrem caminho para o vírus se introduzirem e incorporarem nos genomas das células epiteliais em proliferação. A partir de agora, essas células viverão em função de multiplicar bilhões de vírus a cada minuto e proliferarão mais do que o normal, formando projeções papilomatosas que crescem silenciosamente.

CONTÁGIO
O papiloma é uma neoplasia benigna, pois não invade a região vizinha, não mata células normais e nem dá metástases. Não cresce rápida e nem exageradamente, apenas incomodam e representa uma doença infecciosa, significando que existe HPV naquela boca! Sim, o papiloma bucal é uma DST ou doença sexualmente transmitida.

Ao informar estes detalhes ao paciente, várias hipóteses podem ser levantadas como transmissão pelo beijo comum, contato com mãos contaminadas, objetos como xícaras e muitas outras formas. A possibilidade existe, mas é mínima ou quase impossível. A transmissão do HPV também se faz nas carícias manuais e bucais, mesmo que não se complete a relação sexual, incluindo-se nas pessoas virgens.

ORIENTAÇÕES
Informações que devem ser repassadas ao paciente: 1. Necessidade de examinar outras mucosas como genital e anal, incluindo a pele, 2. Informar aos parceiros a ocorrência da lesão e a possibilidade de contaminação ter ocorrido nas duas vias de possibilidades. Praticamente não existe outra causa para o papiloma bucal que não seja o HPV. Exames de laboratório podem identificar o subtipo viral, mas não como o mesmo foi transmitido.

Perguntas importantes: 1. Papiloma bucal vira câncer? Não. Mas, alguns subtipos de HPV tem relação direta com o câncer e pode participar da sua origem, mas não a partir do papiloma. 2. Todas pessoas com HPV terão papilomas? Não, a grande maioria que tem HPV, não tem papiloma. 3. Como saber se alguém tem HPV na boca? Não tem jeito, ele circula livremente pelo mundo e provoca algumas lesões, mas a maioria das pessoas não tem alterações visíveis!

REFLEXÃO FINAL
Como prevenir-se do contágio? Ter alto grau de seletividade e evitar a promiscuidade que, para especialistas, corresponde a ter mais do que dois parceiros sexuais por ano, incluindo o sexo oral. Se você for pré-adolescente, vale a pena vacinar-se!
 

Alberto Consolaro – Professor Titular da USP -FOB - Bauru-SP


Observatório


INCRÍVEL 2 – Em Bauru a vacinação anti-HPV não atinge 10% da cobertura que deveria ser de 80%. É inacreditável, pois vacinando os meninos e meninas entre 9 e 13 anos, se está prevenindo que os filhos sejam vítimas de vários tipos de cânceres como o de útero, orofaringe, bucal, peniano e anal. Apenas três coisas explicam os dados: ignorância, preconceito e tabu. Falta esclarecimento e o poder público deveria conscientizar as pessoas!

INCRÍVEL 2 – As vacinas são feitas no laboratório com informações genéticas do vírus HPV colocadas em fungos que produzem partículas semelhantes ao vírus. Não tem chance de se contaminar com a própria vacina obtida artificialmente. Inoculada no paciente, em três doses, a vacina induz a produção de anticorpos que são proteínas que farão o sistema imunológico destruir os vírus impedindo que entrem nas células e produzam câncer!


PARA FUNCIONAR O ÁLCOOL-GEL!


Para o álcool-gel funcionar precisa-se de mãos limpas e secas. Nos dedos que passaram ou coçaram o nariz com secreção, o muco cria películas invisíveis que escondem os vírus da gripe e o gel passa a ter efeito tardio ou nenhum, em pesquisa na Universidade de Kyoto. Que pena!


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