AGENDA CULTURAL

27.4.26

Trump, o Nero, tentou soltar a bomba atômica?

Thomas Toledo
 

Segundo Larry Johnson, ex-diretor da CIA, Donald Trump teria se desentendido com generais ao solicitar acesso aos códigos nucleares. Ao que consta, os militares do Estado-Maior se negaram a fornecer, criando um clima de constrangimento na alta cúpula do poder estadunidense. Trump teria ficado furioso, mas mesmo assim não permitiram que ele jogasse o mundo no abismo.


A Casa Branca negou que isso tenha acontecido. Seja verdade ou mentira, é óbvio que negariam. Nenhum governo assumiria publicamente uma cena dessas, ainda mais envolvendo um chefe de Estado e o instrumento mais destrutivo já criado pela humanidade.


Só que mesmo sem confirmação, a hipótese não parece absurda quando se conhece o temperamento celerado de Trump. Estamos falando de um ditadorzinho impulsivo, autoritário, inconsequente e ridiculamente vaidoso, acostumado a agir como se o Estado fosse extensão do próprio ego. Um sujeito movido por capricho, que humilha aliados, testa limites institucionais e reage mal sempre que encontra qualquer freio à sua vontade.


A questão não é apenas se o episódio aconteceu exatamente como foi narrado, mas todos no mundo sabem que Trump é perfeitamente capaz de produzir um cenário em que militares da mais alta patente precisem contê-lo por causa da própria irresponsabilidade. Isso é totalmente compatível com sua trajetória infantilizada de jamais aceitar que exista lei, protocolo, prudência ou autoridade acima de seus impulsos animalescos.


Se houve mesmo esse contencioso, os generais cumpriram o papel que tanta gente se recusou a cumprir: o de serem os adultos na sala. Adultos diante de um bebê narcisista com poder demais nas mãos e nenhuma responsabilidade sobre o que faz. Adultos diante de um bebezão idoso que confunde força com birra, liderança com espetáculo e autoridade com licença para fazer qualquer coisa apenas para se envaidecer.


Num mundo racional, ninguém sequer cogitaria que um presidente pudesse flertar com a ideia de empurrar o planeta para uma hecatombe nuclear por impulsividade, egolatria ou mesmo para uma ameaça teatral. No universo trumpista, porém, até o impensável se torna possibilidade. Trump mente, mente, mente e mente, mas seu séquito segue acreditando. Não é à toa que figuras públicas dos Estados Unidos levantem cada vez mais dúvidas sobre sua sanidade mental e sua capacidade de exercer o poder sem arrastar o mundo inteiro para o desastre.


Esse talvez seja o traço mais assustador do trumpismo: transformar o absurdo em hipótese plausível, de modo que um delírio pessoal possa colocar o mundo todo em risco. (Thomas Toledo)

Nenhum comentário: