AGENDA CULTURAL

7.1.26

Bipolarismo de Trump e multilateralismo de Lula

 GUERRA NA UCRÂNIA - RETRATO DO BIPOLARISMO, 
MUNDO EM CONFLITO
Erich Hartmann: "Guerra é um lugar onde os jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam por decisão de velhos que se conhecem, se odeiam, mas não se matam." 
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Após a segunda guerra mundial (1939-1945), com a derrota de Hitler, Estados Unidos e União Soviética, como vencedores do conflito mundial, dividiram o mundo. Então estabeleceram a guerra fria, os dois maiores não guerreavam entre si, mas punham os países de menos potência para brigarem entre si. Assim, alimentavam suas economias com a venda de armas.

Por que, na década de 60, Cuba ao se tornar comunista foi um desaforo para os Estados Unidos. Era uma invasão dos ideais da União Soviética no quintal norte-americano, já que as Américas eram seu protetorado.

A criação da Organização das Nações foi uma tentativa de manter a paz no mundo pela adoção da atitude multilateralista após a segunda guerra. Mas ela só foi criada quando permitiu o poder de veto no Conselho de Segurança, ou seja, Estados Unidos, União Soviética, França, Reino Unido e China. O multilateralismo foi manietado.

Apesar da Europa ter dois membros no Conselho de Segurança, ela perdeu poder no decorrer do tempo, está de joelhos principalmente nos tempos de Donald Trump. A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), um bloco de defesa dos EUA com a Europa para enfrentar o avanço da hoje Rússia tem um membro ameaçado a ser tomado por Trump, Groelândia. E a história?

No bipolarismo, há quem manda, determina, usa a força, surge a guerra; no multilateralismo há blocos de países, a diferença entre as nações não é tão acentuada, as decisões são coletivas. O Brics é a maior ameaça ao governo Trump, proposta por Lula e que está ganhando corpo. 

Com o avanço da espiritualidade, da solidariedade e do diálogo no relacionamento interpessoal, não há mais razão do autoritarismo entre as nações. Com o avanço da consciência planetária na humanidade, que é envolver globalmente e pensar localmente e cuidar da casa comum, o nacionalismo está debilitado. Trump está no mundo do século 20 (primeira metade), só há interesses econômicos. Prevalece o ódio em detrimento do amor em armas, guerra.

Trump respeita Lula porque suas propostas são transparentes, não se trata de conflito econômico, trata-se de um líder em que se pode confiar, idealista, por isso Bolsonaro foi descartado, é um igual.  


 


  




3.1.26

Aniversários de Marla e Janaína - Marcos Francisco Alves

 


O poeta uruguaio Mário Benedetti nos disse, em “Esse grande simulacro“, que “o esquecimento está tão cheio de memória que às vezes não cabem as lembranças e rancores”, pois eles “precisam ser jogados pela borda”, haja vista que “no fundo o esquecimento é um grande simulacro”, pois ”ninguém sabe nem pode, ainda que queira, esquecer”. Por isso, me recorda de Carl Sagan quando disse  “. Em algum lugar, algo incrível  está esperando para ser descoberto...” Pode ser muitas coisas! Para mim isso ocorreu há 53 anos quando deparemos com o nascimento de vocês, Marla e Janaína. Lembrando sempre que “a idade não é a que temos, mas a que sentimos”, assim como “a vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”(Gabriel Garcia Marquez), e  porque  “cada vida é uma vida feita de todas as vidas”  como pontua Neruda, traço essa lembrança.                                             

E esse lembrar importa muito  nesses tempos  de incertezas,  pois todas essas outras vidas, celebram as lutas dos povos,  sintetizam a luta de gênero, a luta étnica, as lutas antirracista, antifascistas e anti-imperialistas  bem como tantas outras nas lutas de classes, que criminosos insistem em nos submeter, em nos subjugar, nos matar , nos exterminar. Sem contar que ainda precisamos nos livrar das mentiras, da ignorância e seus derivados, da negação das Ciências...

Então, que essa data seja um momento de lembrança das suas permanências e todas as outras vidas que compõem as de vocês como um brado de luta para a plena libertação dos espíritos  e de resistência, contra todas as formas de opressão, preconceitos.

 Lembremos Dostoiévsk: “O homem tem tudo em suas mãos, e tudo escapa entre seus dedos por pura covardia” mas que também seja um momento de comemoração, de alegria, de parcerias, de perdões, de delicadeza  e de gentileza, para com o mundo e do mundo para vocês.                          

Que  nesse  03 de janeiro de 2026, dessa vez longe de casa, possam celebrar seus aniversários, com aqueles/as que se importam com vocês, os de perto ou os de longe,  bem como daqueles/as que não sabem que existem, mas que acreditam que estão de mãos dadas contigo por um mundo que, para ser possível, precisa ser construído, a  cada dia,  com as nossas lutas. Talvez Cervantes tenha razão “quando não tens experiências nas coisas da vida, todas as coisas que apresentam alguma dificuldade te parecem impossíveis. Confiai  no tempo, que costuma dar doces saídas a muitas amargas dificuldades.” Ou, mais direto, como Marx , “difícil é começar”. Mas precisamos começar a lutar, mesmo porque “com o tempo tudo passa. Vi, com alguma paciência, o inesquecível tornar-se esquecido e o necessário sobrar.” ( Gabriel Garcia Marquez)

Que possam contar sobre  suas VIDAS para pessoas queridas, pois como também escreveu o grande escritor colombiano, “a vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver”, sendo que “a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a este artifício conseguimos suportar o passado”, pois “os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos”.                                                                                 Por outro lado saibam mais uma vez  que a lembrança desses nascimentos é uma alegria por saber que, dessa maneira, vocês cruzaram minha vida quando das suas  chegadas e  param mim isto é motivo de celebração, uma celebração pública permitida, mas uma celebração sincera pelas pessoas importantes que vocês se tornaram em minhas trajetórias: melhoro por conta das suas presenças. Vidas longas, Marla e Janaína. AMO VOCÊS.

*Marcos F. Alves, 03/01/2026, professor, Araçatuba-SP

 

Chegou e continuamos - Marcos Francisco Alves

 

Tempos difíceis nos esperam em 2026.  O  resultado da inanição política/ideológica e as conciliações à direita e às esquerdas, criaram a  possibilidade desse retrocesso para o país. Aos  trabalhador(as), somos  nós aqueles/as que pagaremos a fatura: fim da soberania, dos direitos civis e trabalhistas, da educação, da saúde, da igualdade social...Somente as lutas evitarão o pior.

Caravaggio mostrou, nesta obra seminal, As Setes Obras da Misericórdia, o clamor por  direitos fundamentais negados ao povo. Antes, como agora, é preciso reinventar a ousadia e ocupar  mentes e corações de todos  para denunciar os ainda  golpistas fascistas e seus áulicos  que querem  desgovernar  nosso país. São muitos, encastelados nas mídias, nos legislativos, executivos, judiciários, nas polícias, federações empresariais, igrejas, sindicatos... Combatê-los, para que qualquer retrocesso seja derrotado e o Estado de Direito  seja reconquistado e ampliado na Democracia Popular, rumo a um Estado onde aqueles que produzam as riquezas  se apropriem delas com a certeza de um futuro melhor para todos/as, o socialismo.

Gramsci, em um texto dizia  “odiar o ano novo” pois esse “ transforma a vida e o espírito humano em uma  preocupação comercial... Suas quantias exorbitantes para uma nova gestão comercial... Você acaba pensando que entre um ano e outro há uma  pausa, que uma nova história se inicia...  Você faz planos e se arrepende dos que não cumpriu...” E escreveu: “ Todas as manhãs quando acordo novamente debaixo da imensidão do céu, sinto que para mim  é um dia de ano novo.”  “Eu quero que todas as manhãs sejam ano novo. Todos os dias eu quero reconhecer a mim mesmo e todos os dias eu quero me renovar. Nenhum dia separado dos outros. Eu quero poder escolher eu mesmo minhas pausas, quando a intensidade da vida me embriagar eu quero mergulhar na selvageria e dela drenar um novo vigor.

Se lá atrás Caravaggio já denunciava as podridões das elites, Gramsci e outros/as recentes, apontam que só teremos nossas datas quando vencermos estas criadas pelo capitalismo que apenas reforçam as desigualdades.

QUE TODOS OS DIAS, SEJAM DIAS DE ANO NOVO NO RUMO DE UMA SOCIEDADE JUSTA: O SOCIALISMO.

*Marcos Francisco Alves - professor - Araçatuba-SP


30.12.25

Desperdício de comida


Hélio Consolaro

Na quinta- feira, Natal, comemos e bebemos muito, mas os santos rezam, fazem retiro e comem modestamente. Há gente que não se contenta em comer, bebe também até ficarem bêbados, só porque Jesus nasceu. Além disso, joga-se comida fora: desperdício. E muita gente passando fome. E Jesus Cristo vê isso e se irrita: “Não entenderam minha pregação”.

Se todos os terráqueos comessem como os ricos, o planeta não suportaria, já teria entrado em colapso.
Os pobres além de merecerem o céu (suportam a miséria), são responsáveis pela sustentabilidade, comendo pouco e passando fome.

Brigitte Bardot parede de meu quarto


 Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Saí de Araçatuba e fui estudar em Penápolis, morar em república. Não pedi autorização em casa. Fui! Filho mais velho. Choque dos pais. De repente, eis meu pai visitando a república de estudante, entrou sem pedir licença, bateu de cara nos pôsteres de Brigitte Bardot e Sophia Loren. Em tom de gozação, perguntou se elas eram as santas padroeiras. Respondi que sim, que rezava pra elas todas as noites debaixo da coberta. Não existia televisão, eram estrelas de cinema. Brigitte Bardot morreu aos 91 anos.

29.12.25

Semana mais preguiçosa do ano


Para muitos é a única semana de férias. Se trabalha por conta, não é empregado, fecha as portas. Durante meus 40 anos de magistério, nessa semana era folga total. Dizem que nesta semana, entre Natal e Ano-Novo, engorda-se de tanto comer. Mas os galhofeiros afirmam que o período que mais se engorda é entre Ano-Novo e Natal. É verdade. Trata-se de uma troca na ordem de citar as festas. HÉLIO CONSOLARO

Projeto copiado

https://thmais.com.br/cidades/aracatuba/lei-que-restringe-contratacao-de-artistas-e-alvo-de-representacao-no-mp/

Os partidos ou correntes ideológicas passam para seus vereadores sugestão de projetos a todas câmaras municipais. Há sempre um vereador moscão, na ânsia de apresentar um projeto, não ficar apenas em indicações e requerimentos, assina o modelo de projeto e protocola como seu junto à mesa diretora. Assim fez a vereadora Sol do Autismo (PL) na Câmara Municipal.
A vereadora está querendo aparecer com projeto copiado. Tudo que o projeto dela normatiza já está regularizado. Ou ela acha que a Educação e a Cultura são campos sem leis?
Seja mais criativa e mais autêntica, vereadora! HÉLIO CONSOLARO

26.12.25

Bolsonarista. Bolso é lugar de dinheiro vivo


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçaçatuba

Bolsonarista raiz, diz que o planeta Terra é plano, que mulher é um ser subalterno ao homem, que mudanças climáticas são fantasias, também gostam de dinheiro vivo no bolso, no guarda-roupa, no colchão. Tudo dinheiro ilegal, sonegado ou roubado dos cofres públicos. A palavra BOLSONARO contém a palavra BOLSO.

Aqui mesmo em Araçatuba tem gente assim. Talvez queira sonegar imposto ou é mentalidade antiga. Sóstenes Calvante é o último exemplo que apareceu na mídia: pastor e deputado do PL. Sujeito bem peteado, sempre limpinho por fora. Por dentro, bombolorento.
Pode ser dinheiro roubado do dízimo. Tinha quase R$500 mil em dinheiro em seu apartamento em Brasília.

24.12.25

Moradores de rua, presépio vivo

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 

Estamos em tempo de Natal, quando amolecemos o coração e resolvemos doar cestas básicas, presentear parentes e amigos. 

José e Maria eram moradores de rua. Resolveram ter o filho num curral, fizeram do cocho um berço. Assim foi montando o que hoje chamamos de presépio.

A um certo tempo da vida de Jesus, o menino foi  perseguido pelo imperador, como todas as crianças de sua idade, para matá-lo, como uma forma de controle da natalidade feito pela espada.  

Em nossos tempos, os moradores de belos apartamentos ou mansões se revoltam com o poder público quando aplica uma política de socorro aos moradores de ruas. Dizem: "são todos vagabundos".

Quando a assistência social da prefeitura instala perto de nossas casas Centros POP (Centros de Referência Especializado para População em Situação de Rua), fazemos abaixo assinado ou procuramos um vereador para tirar aquela imundície. A manjedoura de hoje pode estar num lugar desse.   

Cada morador de rua conhece a cidade em seus meandros, cada cantinho onde não chove, onde é mais fresco. De repente sentem a rejeição, as pessoas vão impedindo o acesso, até as igrejas onde o presépio está montado foi cercada.

Há gente tão ruim que não socorrem os excluídos do banquete e não gosta de quem faça isso. Veja a situação do padre Júlio Lancelotti em São Paulo. Seus superiores foram enredados pelas autoridades de direita.

No prédio do Banco do Brasil, praça central de Araçatuba (Rui Barbosa) há um vão aos rés do chão, onde abriga deitado um morador de rua com seu cachorro de estimação, o que lhe sobrou desse mundo malvado.

Nós saímos da missa da catedral contritos, mas ninguém sequer abaixa a cabeça para ver a criatura, num sinal de interesse, solidariedade.

No alpendre da sede da Academia Araçatubense, de vez em quando moradores de rua se abrigam dormem no seu alpendre, se escondendo da chuva. E nós, escritores que analisamos e discutimos livros cujos personagens são os pobres, chamamos a Guarda Municipal.

Dizem os eremitas que Jesus se disfarça de morador de rua para testar nossa bondade. E nós, velhacos, nos disfarçamos de bons na época de Natal.

18.12.25

Ingratidão com o Ritinha Prates

 


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 

RITINHA PRATES

A parente estava internada desde 1987, ou seja, há 38 anos. Ela já 

era considerada moradora do Hospital Ritinha Prates, sem registro de responsável no cadastro. Assinar lista de presença não é cadastro. Talvez tivesse medo de receber alguma cobrança.

Os parentes da internada terceirizaram gratuitamente os cuidados. Ia visitar quando desse certo. Confiança total.

A parente morreu depois de 38 anos de internamento, sem custo. Foi sepultada dignamente. Em vez de agradecimentos, os dirigentes do Ritinha recebem uma denúncia policial, um tapa na cara. Que ingratidão! 

LEIA A NOTÍCIA

ECONOMISTAS A SERVIÇO DO MERCADO

Antes de criticar, vamos definir. Economista é um profissional formado em faculdade, curso superior, que estuda e analisa as atividades econômicas, como produção, distribuição e consumo de bens. São metidos a adivinhar o futuro econômico do país.

Na Fundação Educação de Araçatuba, há o curso de economia. Muita gente faz advocacia, administração ou economia para dizer que tem um diploma universitário.

Os economistas sempre falavam na mídia o economês, uma linguagem hermética com palavras técnicas, principalmente na época da ditadura. Atualmente os deuses desceram do monte Olinto a pedido de seus patrões, o "mercado", embora conte as mesmas mentiras. O vocabulário usado é mais acessível.

O termo "economês" foi criado por Millôr Fernandes, intelectual e humorista já falecido. Para ele, a economia compreende todas as atividades do país, mas nenhuma atividade do país compreende a economia"

Quando o "mercado" (especuladores da av. Faria Lima) está descontente com o governo, solta os economistas para fazer previsões catastróficas na mídia. O mercado nunca gostou do Lula, pois o presidente disse que governa para os pobres e não para os endinheirados, como quer o mercado.

Um certo canal de tevê fez uma reportagem de como como estava a economia do Brasil em planilhas. Depois entrevistou um economista que criticou o governo e expôs outra planilha, quase igual a apresentada anteriormente, fornecida por Haddad.

O apresentador do noticiário notou e registrou a semelhança entre as duas planilhas. O economista justificou, com cara de bunda na tela, que a economia nem sempre acerta. Aliás, para a graça de Deus, em tempos atuais está errando sempre.       


11.12.25

Urna e tornozeleira eletrônica


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Falar mal do Bolsonaro é perda de tempo, é chutar cachorro morto, mas na falta de assunto, este cronista se atreve. 

Ele não gosta de nada que seja eletrônico. Perdeu o mandato de tanto chutar a urna eletrônica. Complicou sua situação prisional porque tentou arrebentar a tornozeleira eletrônica. Tivesse chamado o Lula, que é torneiro mecânico, teria conseguido.

Ele implantou a dinastia BOLSONARO nas hostes direitistas. Voltou ao tempo dos reis. Não ouve ninguém, o candidato a presidente precisa ser filho dele, sangue azul.    

 

MULHER SARADA CALIBRANDO PNEUS

Chego ao posto de combustíveis e peço para o Ceará calibrar os pneus do meu carro. Um jovem de idade avançada tem tais prerrogativas. Outro dia um Jeep encostou ao calibrador na minha frente, saiu de dentro uma mulher sarada, calibrou os cinco pneus, bateu as mãos para sacudir a sujeira e saiu bela e formosa. Os homens olhando, vendo se conseguia. Essa atitude desafiadora atiça o machismo dos imbecis. Não se faz mais mulher como antigamente.

FEMINICÍDIO: CAUSA DO AUMENTO.

Toda ação causa uma reação. As mulheres ganham mais consciência, querem ser tratadas como gente, desafiam os homens machistas quando arrumam outro relacionamento. O imbecil não quer ser abandonado, não muda comportamento, mata o ser pretensamente amado. Praticam um ato de violência querendo manter a posse do corpo da mulher (não é amor). Homem com esse perfil não limpa o ânus por medo da homossexualidade.

Predomínio do ódio com violência, perde tudo. Não há nenhum testemunho de que a mulher voltou ao relacionamento após a ameaça de morte. Consequência: aumento das estatísticas de feminicídio.

O ZANATTINHA.

O nome da figura é Fábio Ribeiro Nunes, o Fabinho do Belisco, rua Gonçalves Ledo esquina com a Marcílio Dias. Ele diz que o pai era português, a mãe, italiana: Zanatta Pavan. Não há cliente que não saiba seu parentesco com o prefeito de Araçatuba Lucas Zanatta:

“Zanatinha, mais uma cerveja!”

Os filhos do Fabinho usam o sobrenome da Renata (mãe) Mazariolli, porque Ribeiro Nunes (pai) não dá a devida distinção. Agora que descobriu que é segundo primo do prefeito, está eufórico.

9.12.25

Rio de Janeiro, 1808 e sargento de milícias

Escadaria de Saleron, 250 degraus, 125m metros. Liga Santa Teresa com a Lapa

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor  

Os livros 1808, de Laurentino Gomes, e memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, abordam o mesmo período histórico do Brasil, a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro e suas consequências, mas o fazem em gêneros diferentes: um é um livro de não ficção e o outro é um romance, considerado um clássico da literatura brasileira. Já li os dois livros.

Os livros temáticos, como 1808, precisam comprovaro que afirmam, por isso Laurentino Gomes pesquisoudurante 10 anos para escrever o primeiro livro de suacoleção. Não pode insinuar, precisa afirmar com provas.

Já o cronista, o romancista reproduzem aspectos darealidade, reproduzindo situações, personagens comnomes fictícios. Usam a linguagem figurada, ambígua,imaginando situações.

A palavra "milícia" na época de Dom João VI (1808-1821) no Brasil era uma corporação militar desegunda linha das forças reais, era a polícia. 

Hoje, milícia no Brasil se refere a grupos criminosos paramilitares formados por agentes de segurança e civis que controlam territórios, exploram serviços (gás, transporte, internet), extorquem moradores e comerciantes sob a falsa premissa de "segurança", e estão cada vez mais infiltrados na política e envolvidos com o tráfico de drogas, operando como um Estado paralelo e violento em áreas urbanas, especialmente no Rio de Janeiro (IA). 

No livro Memórias de um sargento de milícias, o anti-herói Leonardo que vivia a dar trabalho nas ruas do 
Rio de Janeiro foi transformado em sargento de 
milícia o após famoso "jeitinho brasileiro" que 
dominava o reinado de Dom João VI.    

Leonardo, o protagonista do romance de Manuel Antônio de Almeida, chegou ao posto de sargento de milícias por influência da mulher do Major Vidigal, Maria Regalada, o perseguidor. 

Memórias de um sargento de milícias foi publicado primeiro em jornais, em capítulos, depois em livro (1853) bem depois do reinado de João VI em pleno romantismo brasileiro (1836-1881), era um livro que já antecipava o realismo.

Visitando o Rio de Janeiro recentemente e seguindo o noticiário político, percebi que a cidade é maravilhosa, mas medonha em corrupção. Lendo os cronistas Machado de Assis, João do Rio e, principalmente, Lima Barreto vamos confirmar isso. Num discurso apocalíptico e distópico, a cidade pode ser chamada de coração das trevas.

1808, de Laurentino Gomes, trabalha com conceitos, fatos reais, com a nobreza, a classe dominante do Rio de Janeiro. Memórias de um sargento de milícias trabalhou com personagens ficcionais. Apesar de Manuel Antônio de Almeida ser médico, os personagens de seu romance pertencem ao povo miúdo.           


6.12.25

Zanattinha


O ZANATTINHA. O nome da figura é Fábio Ribeiro Nunes, o Fabinho do Belisco. Ele diz que o pai era português, a mãe, italiana: Zanatta Pavan. Não há cliente que não saiba seu parentesco com o prefeito de Araçatuba Lucas Zanatta. “Zanatinha, mais uma cerveja!”
Os filhos do Fabinho usam o sobrenome da Renata (mãe) Mazariolli, porque Ribeiro Nunes (pai) não dá a devida distinção. Agora que descobriu que é segundo primo do prefeito, está eufórico. CONSA