AGENDA CULTURAL

29.1.26

Lágrimas de crocodilo

 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou suas redes sociais para se manifestar sobre o caso do cachorro Orelha, que comoveu Santa Catarina e repercutiu em todo o país. Lágrimas de crocodilo. Será que ele chorou as 700 mil vítimas da covid-19?

28.1.26

Inícios das aulas


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Início das aulas

Hélio Consolaro*  

Como cronista de longa carreira, já escrevi sobre o tema início das aulas várias vezes, ainda mais sendo professor. Para alguns alunos, um momento poético, para outros, vale o sacrifício, pois fazem colegas. O momento do encontro.

Até outro dia, estávamos em férias escolares, quando os pais não aguentavam mais os filhos em casa: "Não vão começar logo essas aulas!" Férias para o professor, trabalho pesado em casa. Aguentar os pirralhos 24 horas.

Além do IPVA, IPTU, há também a compra dos materiais escolares. É o 13o. às avessas. Nas escolas públicas, estão dando tudo. Só não estuda quem não quer. 

Atualmente, aposentado, nem saboreio bem as férias. Como avô, nessa época, encho a casa de netos em curtos períodos. Mas há vantagem de não ter ônus administrativo sobre os pirralhos. Só beijinhos e o presentinho do Natal.

Não sou aquele avô pegajoso, que denga neto. Fico observando, dou um beliscão e pergunto o que anda acontecendo. 

De vez em quando, ouço a pergunta de meus filhos pergunta:

- A gente dava tanto trabalho assim, pai?

- Sim, muito mais - respondo. 

Preciso me valorizar! Fazer uma média com os netos.  

Além de dar aulas, eu participava do sindicato. Organizar greve era um saco, mas necessário. Hoje não ouço tanta reclamação. Parece que os ajustes trabalhistas passaram a ser automáticos, como o piso salarial. Resultado das lutas passadas.

Hoje, vou à sede do sindicato (Apeoesp) para acertar as contas da Unimed. Os mais velhos, que deram a cara a tapa, andam dizendo por aí que o sindicato pelegou. Não vejo o problema assim. Estamos colhendo o resultado das lutas anteriores.

Os professores brasileiros não são tão prestigiados como no Japão, mas também não somos tão renegados como em tempos passados. Estou dizendo sobre os três níveis: federal, estadual e municipal. 

Até a elite brasileira descobriu que ter gente estudada é melhorar o mercado de trabalho, é ter empregados (ou colaboradores) mais preparados.

As aulas se iniciaram. Mais gente se engaja na caminhada da humanidade. Educar é passar aos mais novos os ensinamentos acumulados pelos mais velhos. Educação é uma revolução silenciosa.   

26.1.26

Escola de samba Acadêmicos de Niterói homenageia Lula em seu samba-enredo

Preparados pra se arrepiar?! A Acadêmicos de Niterói está pronta pra fazer história na avenida com um samba-enredo que narra a trajetória de um dos maiores brasileiros de todos os tempos: Luiz Inácio Lula da Silva! E nós aqui do PT já preparamos um clipe pra ir entrando no clima…  

21.1.26

Antigamente só há a saudade


 Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 

Até outro dia, para velho parece que foi ontem, eu não saía de casa sem ficha de telefone público, chamado de orelhão porque a cabine parecia uma orelha, pois numa urgência lá estava o equipamento para ser útil. 

Se servia ao bem, mas estava à disposição dos malandros também, pois os golpes eram dados pelos orelhões. Indicação de orelhão para um bairro era o pedido mais frequente de um vereador. Quando conseguia, dava uma festa.

Neste ano, 2026, os orelhões serão retirados, desafixados, pois os contratos de telefonia fixa serão encerrados com as operadoras. Nem sei se ainda existem usuários.  Não só ligavam, como também recebiam telefonemas, era apenas saber o número e combinar local e horário. Até o amor passava pelo orelhão.

Segundo os linguarudos, diziam que a convenção do PCdoB era feita debaixo de um orelhão de tão pouca gente.

Na minha adolescência, fazer uma ligação interurbana era perder um dia de serviço. Pedia-se de manhã para o telefonema sair à tardezinha e falava-se aos gritos. Na Telesp, esquina das ruas Joaquim Nabuco com a 15 de Novembro (Arçatuba), havia cabines para a população mais pobre, sem telefone em casa, fazer suas ligações interurbanas.

Nas décadas 70/80, ter uma linha fixa em casa era sinal de riqueza. Havia locadoras de linhas e telefones fixos. O preço de uma linha dava para comprar um carro.  

Com o advento do celular, décadas 90/00, o famoso tijolão, analógico, com baterias de consumo rápido, ter um na cintura era sinal de status. 

No ano 2000, fui obrigado a comprar um celular, pois passei a ser consultor de língua portuguesa do jornal Folha da Região. É o mesmo número até hoje, aumentando as casas à esquerda.

No início do terceiro milênio, eu profetizava a meus alunos que em breve o telefone celular seria vendido em postos de combustíveis. Errei no tipo de estabelecimento, porque já são vendidos em quiosques.

A saudade do orelhão vai se aguçar com a retirada deles das ruas da cidade, a partir de então, vamos vê-los apenas nos museus e nas fotos. 

Na língua portuguesa do Brasil, o orelhão vai deixar rastro no cotidiano na expressão "cair a ficha" que ainda continua. Sujeito de raciocínio lerdo, que demora para chegar à conclusão, como os aparelhos cujas fichas eram colocadas e demoravam para entrar em ação, para dar sinal.


19.1.26

O PAPUDO NA PAPUDA - JUCA KFOURI (JORNALISTA)

João Saldanha ensinou que não se fala mal de quem está preso porque o presidiário não pode se defender.

Como toda regra, essa também tem exceção.
Porque Jair Bolsonaro, agora na mini-Papuda, Papudinha para os íntimos, ė um preso especial.
Que anunciou que só Deus o tiraria da cadeira presidencial — e o eleitor tirou.
Que garantiu que ninguém lhe faria entregar o telefone celular — e entregou.
Que jamais poria tornozeleira eletrônica — e pôs.
Que nunca seria preso — e foi.
E está. E vai continuar.
Embora sempre tenha dito que presidiário tem de sofrer, ser contrário às saidinhas e, principalmente, à prisão domiciliar, onde, dizia, "o carcereiro ė o próprio preso", apesar de ter feito curso de sobrevivência na selva, não suportou o barulho do ar condicionado na superintendência da Polícia Federal e cavou transferência de cela espaçosa na PF para apartamento de 65 metros quadrados e 13, 13 privilégios que 99,9% dos detentos no Brasil adorariam desfrutar.
E olhe que pouquíssimos deles tentaram dar golpe na democracia brasileira.
Apesar das condições invejáveis, e diga-se que fazem sentido para um ex-presidente da República que ele tentou ferir em 8 de janeiro de 2023, seus comparsas ainda se queixam, falam até em tortura, especialidade do ídolo dele, o carniceiro Brilhante Ustra.
A título de curiosidade mórbida: no Centro de Detenção Provisória do Belém, em São Paulo, cada cela tem três triliches.
Em cada cama dormem dois homens (a cabeça de um voltada para os pés do outro).
Como as celas têm entre 25 e 30 presos, sobram entre 7 e 12 para dormir no chão (na praia, como eles dizem).
As celas são padronizadas: 3m de frente x 4m de fundo.
No momento estão lá 1.400 detentos.
Para atendê-los há apenas um médico.
O homem de ferro, o de saúde de atleta, o negacionista das vacinas, o que zombou dos que tinham falta de ar, o das motociatas sem capacete, agora dormirá em cama com grades, quase um bercinho, já que dormir de capacete seria incômodo.
Curiosamente, nos quatro anos em que infelicitou o país, e foi responsável por pelo menos 300 mil mortes na pandemia da COVID, nunca soluçou.
"Chega de mimimi, país de maricas", ecoa sua voz ao longe.
Acabou, porra!, respondem os democratas livres de suas bravatas.
João Saldanha haveria de concordar.
Jair Bolsonaro ė apenas um fanfarrão covarde, bravateiro.
Seus cúmplices que anunciavam revolta popular no Brasil caso ele fosse preso, não veem nenhuma vigília solidária, nada, apenas testemunham uma Nação que dorme em paz o sono dos justos.

15.1.26

Louríssima, de olhos azuis

Pinterest


*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba

Às vezes, os fatos mais surpreendentes acontecem debaixo do nariz do cronista. Aí vou remoendo, interpretando para ver se no subtexto do fato há lições. Se houver o duplo sentido, vale a pena escrever uma crônica. Para o cronista, uma briga não é apenas uma briga.  

Eu estava numa casa noturna de luxo em Araçatuba (não frequento apenas o Belisco), quando ouvi as mulheres da mesa elogiarem um penteado afro de uma das garçonetes. Aqueles arranjos cheios de tranças. Realmente, era uma elegância de africanidade.

De repente, minha colega loiríssima e de olhos azuis, aquela que não devia fazer nenhuma pergunta porque nunca ia usar tal penteado:

- Isso pesa muito? 

- E o seu cabelo pesa? - devolveu a pergunta em forma de pergunta cortante.

Tais perguntas têm duas interpretações.  Sentido subentendido. "Isso pesa muito": ser negra é difícil? E você sendo branca, loira, o cabelo não deve pesar nada. O branco é o que manda: "E o seu cabelo pesa?".

Sentido literal, ao pé da letra: "Isso pesa muito?". Talvez a pergunta se devia a querer saber apenas uma informação, a loira de olhos azuis  quisesse presentear uma amiga afrodescendente. A garçonete não entende de como uma branquela quisesse tal informação, já que não usaria nunca o arranjo afro em sua cabeça. Foi mesmo bullying provocado por uma pergunta malfeita.  

Acredito que o motivo da briga foi o racismo de ambos os lados (ação e reação). Se não tivessem preguiça de conversar, teria sido um grande papo. O conflito não virou um bafão, mas entrou o dono do estabelecimento, foram lá para o escritório. Felizmente, houve pedido de desculpas e não deu polícia. 

Aos trancos e barrancos, o Brasil, o país da miscigenação, está encontrando o caminho da convivência na diversidade. Sai até pescoção, mas a realidade está melhorando.  

OS LENHADORES DE ARAÇATUBA
Há pessoas entre nós em Araçatuba que devem ser descendente dos pioneiros na derrubada das florestas (Mata Atlântica) quando matar índio e derrubar mata eram boas ações. No meu quarteirão, morreu Dona Ilma, uma das mais antigas moradoras. Sua casa era toda enfeitada, florida. Os filhos venderam-na, os novos moradores não deixou nem gramíneas. A casa está exposta ao sol. O casal de moradores atuais, idosos, já foi questionado de todos os jeitos, mas a casa é deles, portanto podem fazer o que quiser, até prejudicar a coletividade. É o extremo direito da propriedade privada.

Esta notícia da matança de árvores recém-plantadas num conjunto habitacional tem o mesmo espírito. Com certeza, nem sabem porque nasceram.

13.1.26

Bloco do Gordinho confirma participação no carnaval - Aline Galcino

 

ATUALIZAÇÃO 27/01/2026

O Bloco do Gordinho, principal atração do carnaval infantojuvenil de Araçatuba, já tem data confirmada para voltar às ruas em 2026 e inicia uma nova década com novidades. As primeiras informações estão no release abaixo. O local e o trajeto serão divulgados em breve.

Principal atração do carnaval infantojuvenil de Araçatuba inicia nova fase, mantém tradição nas ruas e promete surpresas em 2026

O Bloco do Gordinho, maior e mais tradicional bloco infantojuvenil de Araçatuba, já tem data confirmada para voltar às ruas em 2026. A 11ª edição acontece no dia 14 de fevereiro, sábado de Carnaval, marcando o início de uma nova década do movimento que ajudou a resgatar o carnaval de rua no município.

Com o conceito “nova década, nova rota”, o Bloco do Gordinho mantém a essência construída ao longo de dez anos — ocupando espaços públicos, valorizando o encontro, a infância e as famílias —, mas prepara uma edição com novidades e surpresas. A concentração acontecerá em uma praça da cidade, com trajeto e local de chegada ainda mantidos em suspense. As informações completas serão divulgadas em breve pelas redes sociais do bloco.

Criado em 2016 pela atriz e produtora Paula Liberati, o Bloco do Gordinho nasceu dentro de uma família e cresceu junto com seus foliões, tornando-se um movimento popular que hoje mobiliza milhares de pessoas. Na última edição, cerca de 3 mil foliões acompanharam o cortejo, consolidando o bloco como a principal atração do carnaval infantil de Araçatuba.

“Entramos no nosso 11º ano com vontade de experimentar novos caminhos, mas sem abrir mão do que construímos até aqui. O bloco continua sendo das pessoas, feito por pessoas que acreditam na ocupação afetiva da cidade”, destaca Paula Liberati.


Inclusão e projetos sociais

A proposta de inclusão segue como um dos pilares do Bloco do Gordinho. Em 2026, o evento contará, pela primeira vez, com uma intérprete de Libras no trio elétrico, traduzindo as marchinhas para pessoas surdas. O bloco também mantém ações voltadas a crianças com deficiência, cadeirantes, pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e famílias atípicas, reforçando o caráter acolhedor da festa.

Marchinha oficial chega ao streaming

Outra novidade é que a marchinha oficial do Bloco do Gordinho, criada em 2024 e já cantada pelo público nas ruas, acaba de chegar às plataformas de streaming, atendendo a um pedido recorrente dos foliões. A música traduz a essência do bloco e seu carnaval feito “pra criançada, pro doguinho e pro vovô”.

“A letra da marchinha foi inspirada em tudo o que eu via acontecer: famílias reunidas, vovôs, vovós, cachorros, pessoas com e sem crianças. É um retrato fiel do que as pessoas encontram no bloco, neste bloco que nasceu para as crianças, mas que abraça a família inteira e carrega essa energia acolhedora que a gente faz questão de manter a cada edição”, explica a cantora e compositora Micheli Amorim, que fez a composição como um presente para o bloco.

Parcerias e padrinho

Em 2026, o Bloco do Gordinho contará com a parceria da FAC/FEA – Fundação Educacional de Araçatuba, que levará ao cortejo alunos do curso de Pedagogia e o grupo de palhaçaria da instituição, conhecido pelo trabalho humanizado em hospitais.

O ator mirim Miguel Martines, que ganhou destaque nacional ao protagonizar o filme “O Filho de Mil Homens", ao lado de Rodrigo Santoro, será o padrinho do bloco neste ano e ficará responsável por conduzir o estandarte, representando os artistas da cidade e reforçando o diálogo do evento com a infância e a cultura local.

O Bloco do Gordinho confirma: sai no dia 14 de fevereiro, em local diferente, com muitas novidades. Quem quiser fortalecer o movimento e acompanhar os próximos anúncios deve ficar atento às redes sociais oficiais.

Redes sociais:

@blocodogordinhoficial

@paulaliberati

 Ouça a marchinha oficial do Bloco do Gordinho:

 https://open.spotify.com/track/7y2cX67INfwtSzpNW2YJ5d?si=XrOfkLyVSp2jqwgHBsiyQA


11.1.26

Aniversário de Carol - Marcos Francisco Alves

"Sua grande beleza”, já nos disse Pablo Neruda, e, muitas vezes, estar ao alcance das nossas mãos. E nós olhando muito para além delas. Nessa toada, “ em algum lugar, algo incrível está esperando para ser descoberto...” como pontuou Carl Sagan. Muitas coisas podem ser. Para mim, foi ver na sua delicadeza e alegria, a resiliência de guerreira, caríssima Carol.

Nesses momentos se aprende que “ a idade não é a que temos mas a que sentimos “, assim como “ a vida não é a que a gente viveu e sim como a gente recorda, e como recorda para contá-la”, como nos escreveu Gabriel Garcia Marquez. E por ai, poderia  contar um  pouco que sei da sua vida, suas lutas, sua filhota tão amada, da loja e de alguns debates nossos, entremeados por generoso uísque do seu pai e, também, das minhas preocupações minhas com você. (Ainda conservo certo maoísmo...).  ou que você mesma possa contar,  nessa data  as lembranças das suas permanências e todas as outras vidas que compõem a sua  como um   brado de luta para a plena libertação dos espíritos  e de resistência, contra todas as formas de opressão e  preconceitos.  Afinal se “cada vida é uma vida feita de todas as vidas” ( Neruda), temos compromisso de continuar contando...

E isso importa muito   nesses tempos  de incertezas,  pois todas essas outras vidas, celebram as lutas dos povos,  sintetizam a luta de gênero, a luta étnica, as lutas antirracista, antifascistas e anti-imperialistas  bem como tantas outras nas lutas de classes, que criminosos insistem em nos submeter, em nos subjugar, nos matar , nos exterminar. Sem contar que ainda precisamos nos livrar das mentiras, da ignorância e seus derivados, da negação das Ciências...

Que  nesse  12 de janeiro de 2026 possa celebrar seu aniversário, com aqueles/as que se importam com você, os de perto ou os de longe,  bem como daqueles/as que não sabem   da sua existência, mas que acreditam que estão de mãos dadas com você por um mundo que, para ser possível, precisa ser construído, a  cada dia,  com as nossas lutas. E fiquemos  atentos, pois, como lembra Garcia Marques  ...“Com o tempo tudo passa. Vi, com alguma paciência, o inesquecível tornar-se esquecido e o necessário sobrar.”

Conta  sobre  sua VIDA para pessoas queridas, pois como também escreveu o grande escritor colombiano, “a vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver”, sendo que “a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a este artifício conseguimos suportar o passado”, pois “os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos”.                                                              

Por outro lado saiba mais uma vez  que  seu nascimento trouxe a possibilidade de nos conhecermos e,  é uma alegria por saber que, de alguma maneira, você cruzou minha vida. E  para mim isso é motivo de celebração, uma celebração pública permitida, mas uma celebração sincera pela pessoa importante que você se tornou para mim. Vida longa, Carol.

AMO VOCÊ. ARAÇATUBA, 12 DE JAEIRO DE 2026

Marcos Francisco Alves, professor, Araçatuba-SP

 

7.1.26

Bipolarismo de Trump e multilateralismo de Lula

 GUERRA NA UCRÂNIA - RETRATO DO BIPOLARISMO, 
MUNDO EM CONFLITO
Erich Hartmann: "Guerra é um lugar onde os jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam por decisão de velhos que se conhecem, se odeiam, mas não se matam." 
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Após a segunda guerra mundial (1939-1945), com a derrota de Hitler, Estados Unidos e União Soviética, como vencedores do conflito mundial, dividiram o mundo. Então estabeleceram a guerra fria, os dois maiores não guerreavam entre si, mas punham os países de menos potência para brigarem entre si. Assim, alimentavam suas economias com a venda de armas.

Por que, na década de 60, Cuba ao se tornar comunista foi um desaforo para os Estados Unidos. Era uma invasão dos ideais da União Soviética no quintal norte-americano, já que as Américas eram seu protetorado.

A criação da Organização das Nações foi uma tentativa de manter a paz no mundo pela adoção da atitude multilateralista após a segunda guerra. Mas ela só foi criada quando permitiu o poder de veto no Conselho de Segurança, ou seja, Estados Unidos, União Soviética, França, Reino Unido e China. O multilateralismo foi manietado.

Apesar da Europa ter dois membros no Conselho de Segurança, ela perdeu poder no decorrer do tempo, está de joelhos principalmente nos tempos de Donald Trump. A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), um bloco de defesa dos EUA com a Europa para enfrentar o avanço da hoje Rússia tem um membro ameaçado a ser tomado por Trump, Groelândia. E a história?

No bipolarismo, há quem manda, determina, usa a força, surge a guerra; no multilateralismo há blocos de países, a diferença entre as nações não é tão acentuada, as decisões são coletivas. O Brics é a maior ameaça ao governo Trump, proposta por Lula e que está ganhando corpo. 

Com o avanço da espiritualidade, da solidariedade e do diálogo no relacionamento interpessoal, não há mais razão do autoritarismo entre as nações. Com o avanço da consciência planetária na humanidade, que é envolver globalmente e pensar localmente e cuidar da casa comum, o nacionalismo está debilitado. Trump está no mundo do século 20 (primeira metade), só há interesses econômicos. Prevalece o ódio em detrimento do amor em armas, guerra.

Trump respeita Lula porque suas propostas são transparentes, não se trata de conflito econômico, trata-se de um líder em que se pode confiar, idealista, por isso Bolsonaro foi descartado, é um igual.  


 


  




3.1.26

Aniversários de Marla e Janaína - Marcos Francisco Alves

 


O poeta uruguaio Mário Benedetti nos disse, em “Esse grande simulacro“, que “o esquecimento está tão cheio de memória que às vezes não cabem as lembranças e rancores”, pois eles “precisam ser jogados pela borda”, haja vista que “no fundo o esquecimento é um grande simulacro”, pois ”ninguém sabe nem pode, ainda que queira, esquecer”. Por isso, me recorda de Carl Sagan quando disse  “. Em algum lugar, algo incrível  está esperando para ser descoberto...” Pode ser muitas coisas! Para mim isso ocorreu há 53 anos quando deparemos com o nascimento de vocês, Marla e Janaína. Lembrando sempre que “a idade não é a que temos, mas a que sentimos”, assim como “a vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”(Gabriel Garcia Marquez), e  porque  “cada vida é uma vida feita de todas as vidas”  como pontua Neruda, traço essa lembrança.                                             

E esse lembrar importa muito  nesses tempos  de incertezas,  pois todas essas outras vidas, celebram as lutas dos povos,  sintetizam a luta de gênero, a luta étnica, as lutas antirracista, antifascistas e anti-imperialistas  bem como tantas outras nas lutas de classes, que criminosos insistem em nos submeter, em nos subjugar, nos matar , nos exterminar. Sem contar que ainda precisamos nos livrar das mentiras, da ignorância e seus derivados, da negação das Ciências...

Então, que essa data seja um momento de lembrança das suas permanências e todas as outras vidas que compõem as de vocês como um brado de luta para a plena libertação dos espíritos  e de resistência, contra todas as formas de opressão, preconceitos.

 Lembremos Dostoiévsk: “O homem tem tudo em suas mãos, e tudo escapa entre seus dedos por pura covardia” mas que também seja um momento de comemoração, de alegria, de parcerias, de perdões, de delicadeza  e de gentileza, para com o mundo e do mundo para vocês.                          

Que  nesse  03 de janeiro de 2026, dessa vez longe de casa, possam celebrar seus aniversários, com aqueles/as que se importam com vocês, os de perto ou os de longe,  bem como daqueles/as que não sabem que existem, mas que acreditam que estão de mãos dadas contigo por um mundo que, para ser possível, precisa ser construído, a  cada dia,  com as nossas lutas. Talvez Cervantes tenha razão “quando não tens experiências nas coisas da vida, todas as coisas que apresentam alguma dificuldade te parecem impossíveis. Confiai  no tempo, que costuma dar doces saídas a muitas amargas dificuldades.” Ou, mais direto, como Marx , “difícil é começar”. Mas precisamos começar a lutar, mesmo porque “com o tempo tudo passa. Vi, com alguma paciência, o inesquecível tornar-se esquecido e o necessário sobrar.” ( Gabriel Garcia Marquez)

Que possam contar sobre  suas VIDAS para pessoas queridas, pois como também escreveu o grande escritor colombiano, “a vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver”, sendo que “a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a este artifício conseguimos suportar o passado”, pois “os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos”.                                                                                 Por outro lado saibam mais uma vez  que a lembrança desses nascimentos é uma alegria por saber que, dessa maneira, vocês cruzaram minha vida quando das suas  chegadas e  param mim isto é motivo de celebração, uma celebração pública permitida, mas uma celebração sincera pelas pessoas importantes que vocês se tornaram em minhas trajetórias: melhoro por conta das suas presenças. Vidas longas, Marla e Janaína. AMO VOCÊS.

*Marcos F. Alves, 03/01/2026, professor, Araçatuba-SP

 

Chegou e continuamos - Marcos Francisco Alves

 

Tempos difíceis nos esperam em 2026.  O  resultado da inanição política/ideológica e as conciliações à direita e às esquerdas, criaram a  possibilidade desse retrocesso para o país. Aos  trabalhador(as), somos  nós aqueles/as que pagaremos a fatura: fim da soberania, dos direitos civis e trabalhistas, da educação, da saúde, da igualdade social...Somente as lutas evitarão o pior.

Caravaggio mostrou, nesta obra seminal, As Setes Obras da Misericórdia, o clamor por  direitos fundamentais negados ao povo. Antes, como agora, é preciso reinventar a ousadia e ocupar  mentes e corações de todos  para denunciar os ainda  golpistas fascistas e seus áulicos  que querem  desgovernar  nosso país. São muitos, encastelados nas mídias, nos legislativos, executivos, judiciários, nas polícias, federações empresariais, igrejas, sindicatos... Combatê-los, para que qualquer retrocesso seja derrotado e o Estado de Direito  seja reconquistado e ampliado na Democracia Popular, rumo a um Estado onde aqueles que produzam as riquezas  se apropriem delas com a certeza de um futuro melhor para todos/as, o socialismo.

Gramsci, em um texto dizia  “odiar o ano novo” pois esse “ transforma a vida e o espírito humano em uma  preocupação comercial... Suas quantias exorbitantes para uma nova gestão comercial... Você acaba pensando que entre um ano e outro há uma  pausa, que uma nova história se inicia...  Você faz planos e se arrepende dos que não cumpriu...” E escreveu: “ Todas as manhãs quando acordo novamente debaixo da imensidão do céu, sinto que para mim  é um dia de ano novo.”  “Eu quero que todas as manhãs sejam ano novo. Todos os dias eu quero reconhecer a mim mesmo e todos os dias eu quero me renovar. Nenhum dia separado dos outros. Eu quero poder escolher eu mesmo minhas pausas, quando a intensidade da vida me embriagar eu quero mergulhar na selvageria e dela drenar um novo vigor.

Se lá atrás Caravaggio já denunciava as podridões das elites, Gramsci e outros/as recentes, apontam que só teremos nossas datas quando vencermos estas criadas pelo capitalismo que apenas reforçam as desigualdades.

QUE TODOS OS DIAS, SEJAM DIAS DE ANO NOVO NO RUMO DE UMA SOCIEDADE JUSTA: O SOCIALISMO.

*Marcos Francisco Alves - professor - Araçatuba-SP