AGENDA CULTURAL

5.3.11

Questão de gênero

Papa João Paulo I - Deus é mulher
(Albino Luciani)

Comemora-se o Dia Internacional da Mulher. O rei Midas já tentou transformá-lo em Dia das Mães, nessa coisa piegas de flor, dar presentes, como fez com Amélia que foi uma mulher de verdade. Apesar de que receber um presentinho não faz mal a ninguém.


O comércio se apropria de 8 de março a cada dia. Mas terça-feira é dia de mulher (não vou dizer macho, porque não pega bem), mas mulher militante, que não adora ser fotografada ao lado do seu homem, como se ele fosse algum troféu, a dizer: “Este é meu, viu?”.


Se em períodos do passado mais longínquo, a mulher é que gerenciava o mundo, certamente a natureza era grande mãe, o mundo não era dos valentes, mas dos pacíficos. Mulher é mesmo diferente, até as presidiárias de Bilac têm outro comportamento: revoltam-se, mas não quebram nada, nem botam fogo em colchões.


Giulia Sissa escreveu: “Temos de aceitar esta realidade: os grandes homens dizem mal das mulheres, os grandes filósofos e os mais autorizados saberes consagraram as idéias mais falsas e mais desdenhosas a propósito do feminino”. Ainda bem que o Consa não é um Pablo Picasso.


A Grécia, a democracia perfeita em que o mundo ocidental se mira, a mulher era um ser claramente inferior, a sua presença causava certo retraimento nos homens, uma distância em termos de superioridade em relação ao mundo feminino: “Tales evita casar-se porque, para um sábio, é sempre cedo demais ou tarde demais”. Lembre-se, caro leitor, da ilha de Lesbos.


A música de Chico Buarque, Mulheres de Atenas, tão mal entendida pelo feminismo de sovaco cabeludo de décadas passadas, já dizia:

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas / Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas / Elas não têm gosto ou vontade, / Nem defeito, nem qualidade, / Têm medo apenas / Não têm sonhos, só têm presságios, / O seu homem, mares, naufrágios 


Atena foi a deusa eleita pelos atenienses para ser a sua padroeira, tendo sido preferida a Posídon, o deus do mar e dos abalos. Um exemplo claro de como o masculino rejeita o feminino, mas não vive sem ele, é uma relação de aceitação e rejeição.


Termino de uma forma lusitana, com versos do poeta Herberto Helder, extraído do Livro Lugar: E digo: elas cantam a minha vida./ essas mulheres estranguladas por uma beleza / incomparável. / Cantam a alegria de tudo, minha alegria / por dentro da grande dor masculina. / Essas mulheres tornam feliz e extensa / a morte da terra. / Elas cantam a eternidade. / Cantam o sangue de uma terra exaltada.


Seríamos mais felizes se Deus fosse do gênero feminino. 

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