Em 2012, celebra-se o bicentenário da primeira publicação dos Contos de Grimm, que levou as fábulas alemãs para o mundo
Por Augusto Paim
REVISTA DA CULTURA - Livraria Cultura
Nascidos,
respectivamente, em 1785 e 1786, em Hanau, na Alemanha, os irmãos
Jacob e Wilhelm Grimm estudaram Direito (como o pai) e
especializaram-se em Filologia. Entre os legados que deixaram para o
mundo, está a Gramática Alemã (Deutsche Grammatik) e os esboços do Dicionário Alemão (Deutsches Wörterbuch). Mas, no conhecimento popular, o grande legado da dupla é o Contos de Grimm,
responsável por compilar, de forma inédita, em 1812, uma gama de
histórias presentes na tradição oral da Alemanha. Desde então, crianças
do mundo inteiro crescem ouvindo contos como os de Chapeuzinho Vermelho, João e Maria, Branca de Neve, Rapunzel e Os músicos de Bremen (no Brasil, conhecido como Os Saltimbancos, versão de Chico Buarque para um musical de 1977).
O
Instituto Goethe, órgão do governo alemão que divulga a cultura
germânica no mundo, deverá realizar diversas ações para celebrar a
data. Monica Schreiner, responsável pela programação cultural da
unidade de Porto Alegre, diz que os contos dos irmãos Grimm serão tema
do estande na Feira do Livro. Além disso, planeja-se um concurso para
alunos de escolas com ensino de alemão de toda a região Sul. "Queremos
apresentar e discutir os contos sob os olhos da atualidade, seus
significados e suas releituras nos dias de hoje”, diz Schreiner.
As novas versões
A
influência dos contos de fada na formação das crianças despertou a
atenção da psicanálise já no início do século passado. Em 1913, Freud
escreveu o ensaio Märchenstoffe in Träumen (Temas dos contos de fadas nos sonhos). Décadas depois, em 1977, Bruno Bettelheim, norte-americano de origem austríaca, escreveu A psicanálise dos contos de fada,
uma leitura polêmica do repertório infantil. Já, em 2005, os
psicanalistas Mario e Diana Corso atualizaram as ideias de Freud e
Bettelheim com o livro Fadas no divã, em que analisam contos de fadas contemporâneos, como Turma da Mônica e Harry Potter.
Os
contos dos irmãos Grimm também se adaptam aos novos tempos. No século
20, as versões de longas-metragens de desenhos animados da Disney
divulgaram a um amplo público uma safra de obras destinadas à nova
geração criada pela cultura audiovisual. Já no século 21, a infância
multimídia e ligada, desde cedo, ao mundo dos adultos passou a exigir,
com sua leitura crítica das histórias, interpretações mais irônicas,
como a apresentada pelo já clássico Shrek,
uma paródia cinematográfica de diversos contos de fada misturados na
história em que um ogro, contrariando o que geralmente acontece, é o
protagonista, não o vilão.
O cinema, aliás, tem se apropriado desses contos para fazer releituras, muitas delas para adultos. Em 2011, a história de Chapeuzinho Vermelho foi recontada em A garota da capa vermelha. Para 2012, há previsão de pelo menos mais três lançamentos: Snow White and The Huntsman, Sleeping Beauty e The Brothers Grimm: Snow White. E também a TV entra no clima, com a série Grimm, da NBC, em que contos de fada se confundem com enredo policial.
E
será que essas novas versões têm a mesma força dos contos de fada
originais? Diana Corso responde: “Os contos de fada são a prova de que,
em termos de referências ficcionais, algumas coisas se perdem, mas
muitas sobrevivem justamente porque se transformam”. Ela comenta que os
próprios contos dos irmãos Grimm já são versões, pois foram recontados
de geração para geração. No entanto, ela vê uma característica da nova
safra dos contos de fada: eles agradam também aos adultos! “Os jovens e
adultos estão reivindicando a sobrevivência de seus antigos heróis
para acompanhar os que já cresceram em sua jornada pela vida.” ©
Um comentário:
Sou uma apaixonada pelos contos de fada (e pelas tragédias gregas também...kkk).
Abração, querido. Excelente post!(Enviei para minhas colegas).
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