AGENDA CULTURAL

14.4.22

Professores mudaram países - Alberto Consolaro

Professor requer dedicação plena e ser minimamente feliz ao saber que haverá um bom salário e boa aposentadoria!

O amigo questionou: 

- Como chegamos a esta situação na educação? Para formar pessoas cultas e cidadãos conscientes o professor é a chave de tudo, não é a tecnologia como muitos pensam!

Uma área para atrair as mentes bem-preparadas intelectual e tecnicamente, ela deve oferecer vantagens econômicas e sociais. Isto inclui bons salários, bonificações, férias privilegiadas, condições de trabalho diferenciadas e boas perspectivas de evolução na carreira com oportunidades de cursos, treinamento e intercâmbio com o exterior.

Entre jovens brasileiros, ser professor aparece nas últimas posições de opções a ser escolhida como profissão, como se comprovou em pesquisas científicas. A escolha foi o que sobrou para certas pessoas, elas queriam oportunidades “melhores”.

O professor vai viver, conviver e sobreviver com nossos filhos e a influência deles é inevitável sobre todos os aspectos! Muitos viram ídolos e exemplos. A escola linda e rica, mesmo as bilíngues, tem os professores formados na mesma matriz universitária e a diferença salarial, a formação, as bonificações e a carreira profissional pouco diferem na escola que não seja rica. Os professores, infelizmente, são mal remunerados e não são prestigiados na convivência social. É claro que existe exceção, mas a exceção confirma a regra!

ERA SONHO

Ser um professor era uma profissão muito prestigiada. O professor tinha estabilidade no emprego, aposentadoria pelo valor integral do salário, tempo de aposentadoria menor e férias de 3 meses a cada período de 5 anos. O gerente de banco recebia os professores com orgulho e, logicamente, visando suas operações bancárias. Algumas pessoas mais velhas diziam que professor era uma autoridade na sociedade.

Apenas quem vive como professor, sabe a dedicação necessária para cumprir esta belíssima missão social. Gradativamente as vantagens foram retiradas nas reformas trabalhistas, previdenciárias e outras. Os professores, incluindo os universitários, hoje têm os mesmos benefícios de um trabalhador comum, ele não mais se distingue dos demais como décadas atrás. E eles formam as pessoas, os filhos da sociedade!

O professor é um plantador de sementes de ideias e sonhos nas crianças e jovens! Para isto o professor tem que ter alegria, esperança e muito amor no coração. Sua vida deve ser minimamente feliz e saber que no final do mês e no final da vida haverá de ser reconhecido com um bom salário e uma boa aposentadoria! Como plantar sonhos se não for assim! Não adianta escola linda e rica e muito menos a tecnologia.

OUTROS PAÍSES

Entre os 38 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico fundada em 1961, a Alemanha tem o segundo maior salário para professores iniciantes, atrás somente do hiper-rico Luxemburgo. O mesmo vale para os professores com 15 anos de carreira. Já professores mais qualificados e no final da carreira têm salários os mais altos na Suíça, Bélgica e Coreia do Sul.

Na Alemanha os professores primários ganham €4.318 por mês ou R$22.453. Já os de ensino médio recebem €5.488 ou R$28.550. Professores universitários recebem €4.830 ou R$25.100. De acordo com a mesma fonte do governo alemão, o salário de médicos, engenheiros e advogados gira em torno de €6.150 ou R$32.000 mensais.

Deve ser demais um professor falar assim para uma criança: 

- Quando crescerem, vocês serão iguais a gente: felizes e realizando sonhos. 

E uma delas diz: 

- E qual foi o seu maior sonho? 

A professora responde: 

- Sempre quis ser uma lavradora de mentes humanas, semeando sonhos em seus pensamentos!

REFLEXÃO FINAL

Se você acredita na educação e cultura como ferramentas transformadoras de uma realidade, procure saber como pensam sobre este assunto os seus candidatos nesta eleição! Se ele não achar nada, repense sua escolha! Professores motivados já mudaram Costa Rica, Nova Zelândia, Canadá, Finlândia, Noruega, Japão, Coreia do Sul, Alemanha e outros. Juntos, perseveremos na esperança de um futuro melhor!  

Alberto Consolaro - professor titular pela USP - consolaro@uol.com.br

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