AGENDA CULTURAL

30.11.22

Êxtase de cada momento

 

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Em meus primeiros anos escolares, quando a imagem não era tudo, nem havia televisão, as escolas possuíam cavaletes tipo flip chart onde havia uma coleção de imagens grandes, coloridas, para que a professora estimulasse os alunos a fazer uma composição (texto). 

A realidade era tão sólida que alunos perguntavam entre si, quando se encontravam no pátio da escola, se a professora da classe já tinha passado pela figura tal noutra. E o papel das figuras envelheciam, ficava desgastados devido ao manuseio. Eram usadas por anos as mesmas figuras. Era um material didático excelente. 

Cavaletes tipo flip chart 

Na crônica de hoje, repito o processo. Deparei com uma imagem na internet que me estimulou a escrever. Ela é a síntese da felicidade nossa de cada dia: uma moça de perfil, frente ao notebook, sem mostrar o  conteúdo da tela, mas com um rosto cheio de alegria. E para não haver dúvida, o criador da imagem acrescentou entre a moça e a máquina o desenho de um coração, sugerindo amor. Tal foto é representante maior da premissa de que uma imagem vale por mil palavras. 

Ela é tão eloquente que o Google constatou o uso intenso dela por vários sites, principalmente ilustrando reportagens sobre namoro on-line. A alegria de ter encontrado um novo amor, ou o primeiro amor.

A relação amorosa entre um homem e uma mulher, ou homoafetiva, é um aspecto da vida tão importante que 99,9% das letras de cantigas falam dela. Cada época canta-se o idílio de um jeito ou em ritmos diferentes.

A música tal, que havia passado despercebida por você, caro leitor, lhe dá um murro no estômago diante da nova situação amorosa em que está metido. Como somos os mesmos desde os tempos das cavernas, música bem feita atravessa os tempos.

Quando você, caro leitor, se encontra numa multidão da vida urbana, vê cada pessoa e imagina se cada uma daquelas criaturas vive naquele momento uma paixão. Um bom exercício para descobrir que não é a primeira e nem a última vítima do cupido.

Na velhice, as paixões vividas se tornam saudades, fazem os velhinhos ou velhinhas suspirarem fundo. Outros se tornam amargos porque não conseguem perceber que precisamos viver cada fase da vida com aquilo que ela oferece.   

Mas há também idosos de ambos os sexos que vivem a síndrome de Peter Pan, continuam se apaixonando. E dizem os interesseiros que velho ou velha apaixonado é um desastre, principalmente se for portador de um bom patrimônio. 

Este cronista se encantou diante da felicidade estampada no rosto da moça,  e pensou extasiado: "como a juventude é bela", e só teve condições de tal avaliação porque chegou à velhice. 

Viver bem todos os flashs, átimos. Tem que ser naquela hora. Isso se traduz no velho ditado: Não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. 

Retire de sua frase a conjunção condicional "se", pois naquela hora seu celular pode estar sem bateria, e a máquina fotográfica não esteja funcionando: já era. Sorria como a moça do retrato enquanto houver tempo.  

E para terminar, retomo uma história muito usada em textos de autoajuda: se ganhou uma roupa nova, use logo; se ficar deixando para depois, talvez vá usá-la como mortalha no seu próprio enterro.  

Um comentário:

Ventura Picasso disse...

Ensinar é um dom, assim como amar o outro. O professor leva no coração, quase todos os seus alunos, principalmente os maís 'abelhudos'. Amar o outro é uma dádiva. A quantidade de pessoas que não tem parceria são aquelas que não vê o outro, nem pintado de ouro.