AGENDA CULTURAL

9.4.26

A cegueira contada por três vezes



 

Hélio Consolaro*

Gosto de ver livros transformados em filmes, sempre a forma escrita é melhor. As palavras permitem mais a participação do leitor, mais elásticas.

Com o livro de Saramago, a minha experiência foi potencializada, pois o livro foi transformado em filme e peça de teatro. Estive presente nas três mídias.  

Livro: Ensaio sobre a cegueira
Autor: José Saramago
Ano de publicação: 1995, há 31 anos

Sinopse: A obra narra a história da epidemia de cegueira branca que se espalha por uma cidade, causando um grande colapso na vida das pessoas e abalando as estruturas sociais. Na época não tínhamos passado pela epidemia da covid-19

Em 1998, Saramago ganhou o Nobel de Literatura. Ele foi o primeiro e, até hoje, o único escritor de língua portuguesa a receber a distinção máxima da literatura mundial, concedida pela Academia Sueca por sua obra caracterizada pela imaginação, compaixão e ironia. Ele morreu em 18/06/2010.

José Saramago foi convidado à première de Ensaio Sobre a Cegueira em Cannes, mas seus médicos o proibiram de viajar. Desta forma, o diretor Fernando Meirelles foi até Lisboa para lhe mostrar o filme.

Filme: Ensaio sobre a cegueira (mesmo título), dirigido por Fernando Meirelles (2008) é uma coprodução da brasileira O2 Filmes com a canadense Rhombus Media e a japonesa Bee Wine. O longa é baseado no livro do mesmo título do escritor português José Saramago. Não foi fácil encontrar o filme nas plataformas. Atualmente você encontra-o gratuitamente no YouTube.

Teatro: Ensaio sobre a cegueira (mesmo título). Trata-se de uma montagem do renomado Grupo Galpão, mineiro, BH,  inspirada no  romance de José Saramago, com cenário minimalista. O teatro do Sesc Birigui transformou-se num galpão. Nove personagens.

 A peça, que estreou em 2025 e segue em turnê em 2026, chegando ao Sesc Birigui, traz uma reflexão contundente sobre os limites entre a civilização e a barbárie, utilizando a distopia da obra para comentar o tempo presente. 

A peça é uma produção do Grupo Galpão, apresentada com apoio do Ministério da Cultura e Petrobras.

CONCLUSÃO

Apesar do livro todo ser metafórico, como Saramago é um racionalista, não permite várias leituras. Assim, a obra não foi alterada no filme e nem no teatro. É bom dizer que Ensaio sobre a cegueira foi escrita antes da pandemia covid-19.   

O livro apresenta a humanidade num futuro distópico, como fosse uma ficção científica que apresenta um futuro nada animador. Como em 1984, do escritor inglês George Orwell.

Com certeza, José Saramago recebeu o prêmio Nobel de literatura por causa do livro “Ensaio sobre a cegueira”.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. 

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