Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Estive no supermercado, como estou quase todos os dias. Eu
me lembrei dos preços das mercadorias no tempo do governo Bolsonaro. Até pé de
frango se comprava para não se comer sem mistura. Lá na região Norte, os pobres
avançavam avidamente em monte de ossos.
Houve greve dos caminhoneiros, faltava mercadorias nas gôndolas.
Sem falar da pandemia que Bolsonaro não soube administrar. Ria dos doentes. Foi
um governo do absurdo, do sofrimento.
Não posso querer a volta de um governo assim, de
milicianos cariocas. Eu me amo, não sou masoquista.
A coisa mais fácil era comprar armas. As mulheres estão
pagando hoje o preço com o feminicídio.
Governo do Lula é cheio de providências, não deixa a peteca
cair, nem mesmo a guerra inventada por Trump abalou o homem. O presidente
norte-americano roncava grosso, Lula chamava-o para conversar.
Os bolsonaristas são monarquistas. O filho sucede o pai. Pôs
o filho bobo para ser candidato. Os partidários dele ficam desesperados. Se
numa roda de conversa alguém fica falando que nada está bom, o cara é bolsonarista,
distribuindo o pessimismo graciosamente. Deixe esse cara falando sozinho,
conversa para boi dormir.
NÃO EXISTE NADA IMUTÁVEL
Quando na escola me apresentaram pela primeira vez o
atlas e o globo terrestre fiquei chocado.
Agora se muda, porque temos aparelhos mais exatos. A
Terra continua a mesma, só vai mudar um pouquinho o desenho.
Avise o pessoal da terra plana que a Terra continua
redonda. Há gente que não acredita que o homem tenha ido à Lua. Para essa
gente, a ciência viva numa fantasia.
Há gente pensando em aumentar as medidas de seu terreno
na Prefeitura. O MST vai ter mais terras devolutas para invadir. O desenho da
terra espichou um pouquinho, não vai ter reforma agrária.
ELEIÇÃO DIFERENTE
Apenas para fazer comparação, em 1982, campanha começou
depois do carnaval. Era ano de copa também. Nenhum poste ficava sem papel
fixado. Gráfica, faixeiros, pintores de muro ficava todos ocupados. Nunca se
tiravam tantas fotos 3x4 para que a população tivesse o título de eleitor. O
candidato pagava as fotos para os eleitores ficarem aptos a votar. Camisetas
eram distribuídas aos punhados. Ruas forradas de santinhos.
Como professor de escola pública e particular, convidei
meus alunos para a massiva boca-de-urna. Conduções dos candidatos distribuíam
lanches e água para a turma. Cada aluno com a camiseta do candidato. Tudo
dentro da lei.
Dei um churrasco no antigo Country Clube para a turma que trabalhou, pois fui um candidato vitorioso.



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