AGENDA CULTURAL

19.1.26

O PAPUDO NA PAPUDA - JUCA KFOURI (JORNALISTA)

João Saldanha ensinou que não se fala mal de quem está preso porque o presidiário não pode se defender.

Como toda regra, essa também tem exceção.
Porque Jair Bolsonaro, agora na mini-Papuda, Papudinha para os íntimos, ė um preso especial.
Que anunciou que só Deus o tiraria da cadeira presidencial — e o eleitor tirou.
Que garantiu que ninguém lhe faria entregar o telefone celular — e entregou.
Que jamais poria tornozeleira eletrônica — e pôs.
Que nunca seria preso — e foi.
E está. E vai continuar.
Embora sempre tenha dito que presidiário tem de sofrer, ser contrário às saidinhas e, principalmente, à prisão domiciliar, onde, dizia, "o carcereiro ė o próprio preso", apesar de ter feito curso de sobrevivência na selva, não suportou o barulho do ar condicionado na superintendência da Polícia Federal e cavou transferência de cela espaçosa na PF para apartamento de 65 metros quadrados e 13, 13 privilégios que 99,9% dos detentos no Brasil adorariam desfrutar.
E olhe que pouquíssimos deles tentaram dar golpe na democracia brasileira.
Apesar das condições invejáveis, e diga-se que fazem sentido para um ex-presidente da República que ele tentou ferir em 8 de janeiro de 2023, seus comparsas ainda se queixam, falam até em tortura, especialidade do ídolo dele, o carniceiro Brilhante Ustra.
A título de curiosidade mórbida: no Centro de Detenção Provisória do Belém, em São Paulo, cada cela tem três triliches.
Em cada cama dormem dois homens (a cabeça de um voltada para os pés do outro).
Como as celas têm entre 25 e 30 presos, sobram entre 7 e 12 para dormir no chão (na praia, como eles dizem).
As celas são padronizadas: 3m de frente x 4m de fundo.
No momento estão lá 1.400 detentos.
Para atendê-los há apenas um médico.
O homem de ferro, o de saúde de atleta, o negacionista das vacinas, o que zombou dos que tinham falta de ar, o das motociatas sem capacete, agora dormirá em cama com grades, quase um bercinho, já que dormir de capacete seria incômodo.
Curiosamente, nos quatro anos em que infelicitou o país, e foi responsável por pelo menos 300 mil mortes na pandemia da COVID, nunca soluçou.
"Chega de mimimi, país de maricas", ecoa sua voz ao longe.
Acabou, porra!, respondem os democratas livres de suas bravatas.
João Saldanha haveria de concordar.
Jair Bolsonaro ė apenas um fanfarrão covarde, bravateiro.
Seus cúmplices que anunciavam revolta popular no Brasil caso ele fosse preso, não veem nenhuma vigília solidária, nada, apenas testemunham uma Nação que dorme em paz o sono dos justos.

15.1.26

Louríssima, de olhos azuis

Pinterest


*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba

Às vezes, os fatos mais surpreendentes acontecem debaixo do nariz do cronista. Aí vou remoendo, interpretando para ver se no subtexto do fato há lições. Se houver o duplo sentido, vale a pena escrever uma crônica. Para o cronista, uma briga não é apenas uma briga.  

Eu estava numa casa noturna de luxo em Araçatuba (não frequento apenas o Belisco), quando ouvi as mulheres da mesa elogiarem um penteado afro de uma das garçonetes. Aqueles arranjos cheios de tranças. Realmente, era uma elegância de africanidade.

De repente, minha colega loiríssima e de olhos azuis, aquela que não devia fazer nenhuma pergunta porque nunca ia usar tal penteado:

- Isso pesa muito? 

- E o seu cabelo pesa? - devolveu a pergunta em forma de pergunta cortante.

Tais perguntas têm duas interpretações.  Sentido subentendido. "Isso pesa muito": ser negra é difícil? E você sendo branca, loira, o cabelo não deve pesar nada. O branco é o que manda: "E o seu cabelo pesa?".

Sentido literal, ao pé da letra: "Isso pesa muito?". Talvez a pergunta se devia a querer saber apenas uma informação, a loira de olhos azuis  quisesse presentear uma amiga afrodescendente. A garçonete não entende de como uma branquela quisesse tal informação, já que não usaria nunca o arranjo afro em sua cabeça. Foi mesmo bullying provocado por uma pergunta malfeita.  

Acredito que o motivo da briga foi o racismo de ambos os lados (ação e reação). Se não tivessem preguiça de conversar, teria sido um grande papo. O conflito não virou um bafão, mas entrou o dono do estabelecimento, foram lá para o escritório. Felizmente, houve pedido de desculpas e não deu polícia. 

Aos trancos e barrancos, o Brasil, o país da miscigenação, está encontrando o caminho da convivência na diversidade. Sai até pescoção, mas a realidade está melhorando.  

OS LENHADORES DE ARAÇATUBA
Há pessoas entre nós em Araçatuba que devem ser descendente dos pioneiros na derrubada das florestas (Mata Atlântica) quando matar índio e derrubar mata eram boas ações. No meu quarteirão, morreu Dona Ilma, uma das mais antigas moradoras. Sua casa era toda enfeitada, florida. Os filhos venderam-na, os novos moradores não deixou nem gramíneas. A casa está exposta ao sol. O casal de moradores atuais, idosos, já foi questionado de todos os jeitos, mas a casa é deles, portanto podem fazer o que quiser, até prejudicar a coletividade. É o extremo direito da propriedade privada.

Esta notícia da matança de árvores recém-plantadas num conjunto habitacional tem o mesmo espírito. Com certeza, nem sabem porque nasceram.

13.1.26

Bloco do Gordinho confirma participação no carnaval - Aline Galcino

 

O Bloco do Gordinho, principal atração do carnaval infantojuvenil de Araçatuba, já tem data confirmada para voltar às ruas em 2026 e inicia uma nova década com novidades. As primeiras informações estão no release abaixo. O local e o trajeto serão divulgados em breve.

Principal atração do carnaval infantojuvenil de Araçatuba inicia nova fase, mantém tradição nas ruas e promete surpresas em 2026

O Bloco do Gordinho, maior e mais tradicional bloco infantojuvenil de Araçatuba, já tem data confirmada para voltar às ruas em 2026. A 11ª edição acontece no dia 14 de fevereiro, sábado de Carnaval, marcando o início de uma nova década do movimento que ajudou a resgatar o carnaval de rua no município.

Com o conceito “nova década, nova rota”, o Bloco do Gordinho mantém a essência construída ao longo de dez anos — ocupando espaços públicos, valorizando o encontro, a infância e as famílias —, mas prepara uma edição com novidades e surpresas. A concentração acontecerá em uma praça da cidade, com trajeto e local de chegada ainda mantidos em suspense. As informações completas serão divulgadas em breve pelas redes sociais do bloco.

Criado em 2016 pela atriz e produtora Paula Liberati, o Bloco do Gordinho nasceu dentro de uma família e cresceu junto com seus foliões, tornando-se um movimento popular que hoje mobiliza milhares de pessoas. Na última edição, cerca de 3 mil foliões acompanharam o cortejo, consolidando o bloco como a principal atração do carnaval infantil de Araçatuba.

“Entramos no nosso 11º ano com vontade de experimentar novos caminhos, mas sem abrir mão do que construímos até aqui. O bloco continua sendo das pessoas, feito por pessoas que acreditam na ocupação afetiva da cidade”, destaca Paula Liberati.


Inclusão e projetos sociais

A proposta de inclusão segue como um dos pilares do Bloco do Gordinho. Em 2026, o evento contará, pela primeira vez, com uma intérprete de Libras no trio elétrico, traduzindo as marchinhas para pessoas surdas. O bloco também mantém ações voltadas a crianças com deficiência, cadeirantes, pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e famílias atípicas, reforçando o caráter acolhedor da festa.

Marchinha oficial chega ao streaming

Outra novidade é que a marchinha oficial do Bloco do Gordinho, criada em 2024 e já cantada pelo público nas ruas, acaba de chegar às plataformas de streaming, atendendo a um pedido recorrente dos foliões. A música traduz a essência do bloco e seu carnaval feito “pra criançada, pro doguinho e pro vovô”.

“A letra da marchinha foi inspirada em tudo o que eu via acontecer: famílias reunidas, vovôs, vovós, cachorros, pessoas com e sem crianças. É um retrato fiel do que as pessoas encontram no bloco, neste bloco que nasceu para as crianças, mas que abraça a família inteira e carrega essa energia acolhedora que a gente faz questão de manter a cada edição”, explica a cantora e compositora Micheli Amorim, que fez a composição como um presente para o bloco.

Parcerias e padrinho

Em 2026, o Bloco do Gordinho contará com a parceria da FAC/FEA – Fundação Educacional de Araçatuba, que levará ao cortejo alunos do curso de Pedagogia e o grupo de palhaçaria da instituição, conhecido pelo trabalho humanizado em hospitais.

O ator mirim Miguel Martines, que ganhou destaque nacional ao protagonizar o filme “O Filho de Mil Homens", ao lado de Rodrigo Santoro, será o padrinho do bloco neste ano e ficará responsável por conduzir o estandarte, representando os artistas da cidade e reforçando o diálogo do evento com a infância e a cultura local.

O Bloco do Gordinho confirma: sai no dia 14 de fevereiro, em local diferente, com muitas novidades. Quem quiser fortalecer o movimento e acompanhar os próximos anúncios deve ficar atento às redes sociais oficiais.

Redes sociais:

@blocodogordinhoficial

@paulaliberati

 Ouça a marchinha oficial do Bloco do Gordinho:

 https://open.spotify.com/track/7y2cX67INfwtSzpNW2YJ5d?si=XrOfkLyVSp2jqwgHBsiyQA


11.1.26

Aniversário de Carol - Marcos Francisco Alves

"Sua grande beleza”, já nos disse Pablo Neruda, e, muitas vezes, estar ao alcance das nossas mãos. E nós olhando muito para além delas. Nessa toada, “ em algum lugar, algo incrível está esperando para ser descoberto...” como pontuou Carl Sagan. Muitas coisas podem ser. Para mim, foi ver na sua delicadeza e alegria, a resiliência de guerreira, caríssima Carol.

Nesses momentos se aprende que “ a idade não é a que temos mas a que sentimos “, assim como “ a vida não é a que a gente viveu e sim como a gente recorda, e como recorda para contá-la”, como nos escreveu Gabriel Garcia Marquez. E por ai, poderia  contar um  pouco que sei da sua vida, suas lutas, sua filhota tão amada, da loja e de alguns debates nossos, entremeados por generoso uísque do seu pai e, também, das minhas preocupações minhas com você. (Ainda conservo certo maoísmo...).  ou que você mesma possa contar,  nessa data  as lembranças das suas permanências e todas as outras vidas que compõem a sua  como um   brado de luta para a plena libertação dos espíritos  e de resistência, contra todas as formas de opressão e  preconceitos.  Afinal se “cada vida é uma vida feita de todas as vidas” ( Neruda), temos compromisso de continuar contando...

E isso importa muito   nesses tempos  de incertezas,  pois todas essas outras vidas, celebram as lutas dos povos,  sintetizam a luta de gênero, a luta étnica, as lutas antirracista, antifascistas e anti-imperialistas  bem como tantas outras nas lutas de classes, que criminosos insistem em nos submeter, em nos subjugar, nos matar , nos exterminar. Sem contar que ainda precisamos nos livrar das mentiras, da ignorância e seus derivados, da negação das Ciências...

Que  nesse  12 de janeiro de 2026 possa celebrar seu aniversário, com aqueles/as que se importam com você, os de perto ou os de longe,  bem como daqueles/as que não sabem   da sua existência, mas que acreditam que estão de mãos dadas com você por um mundo que, para ser possível, precisa ser construído, a  cada dia,  com as nossas lutas. E fiquemos  atentos, pois, como lembra Garcia Marques  ...“Com o tempo tudo passa. Vi, com alguma paciência, o inesquecível tornar-se esquecido e o necessário sobrar.”

Conta  sobre  sua VIDA para pessoas queridas, pois como também escreveu o grande escritor colombiano, “a vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver”, sendo que “a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a este artifício conseguimos suportar o passado”, pois “os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos”.                                                              

Por outro lado saiba mais uma vez  que  seu nascimento trouxe a possibilidade de nos conhecermos e,  é uma alegria por saber que, de alguma maneira, você cruzou minha vida. E  para mim isso é motivo de celebração, uma celebração pública permitida, mas uma celebração sincera pela pessoa importante que você se tornou para mim. Vida longa, Carol.

AMO VOCÊ. ARAÇATUBA, 12 DE JAEIRO DE 2026

Marcos Francisco Alves, professor, Araçatuba-SP

 

7.1.26

Bipolarismo de Trump e multilateralismo de Lula

 GUERRA NA UCRÂNIA - RETRATO DO BIPOLARISMO, 
MUNDO EM CONFLITO
Erich Hartmann: "Guerra é um lugar onde os jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam por decisão de velhos que se conhecem, se odeiam, mas não se matam." 
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Após a segunda guerra mundial (1939-1945), com a derrota de Hitler, Estados Unidos e União Soviética, como vencedores do conflito mundial, dividiram o mundo. Então estabeleceram a guerra fria, os dois maiores não guerreavam entre si, mas punham os países de menos potência para brigarem entre si. Assim, alimentavam suas economias com a venda de armas.

Por que, na década de 60, Cuba ao se tornar comunista foi um desaforo para os Estados Unidos. Era uma invasão dos ideais da União Soviética no quintal norte-americano, já que as Américas eram seu protetorado.

A criação da Organização das Nações foi uma tentativa de manter a paz no mundo pela adoção da atitude multilateralista após a segunda guerra. Mas ela só foi criada quando permitiu o poder de veto no Conselho de Segurança, ou seja, Estados Unidos, União Soviética, França, Reino Unido e China. O multilateralismo foi manietado.

Apesar da Europa ter dois membros no Conselho de Segurança, ela perdeu poder no decorrer do tempo, está de joelhos principalmente nos tempos de Donald Trump. A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), um bloco de defesa dos EUA com a Europa para enfrentar o avanço da hoje Rússia tem um membro ameaçado a ser tomado por Trump, Groelândia. E a história?

No bipolarismo, há quem manda, determina, usa a força, surge a guerra; no multilateralismo há blocos de países, a diferença entre as nações não é tão acentuada, as decisões são coletivas. O Brics é a maior ameaça ao governo Trump, proposta por Lula e que está ganhando corpo. 

Com o avanço da espiritualidade, da solidariedade e do diálogo no relacionamento interpessoal, não há mais razão do autoritarismo entre as nações. Com o avanço da consciência planetária na humanidade, que é envolver globalmente e pensar localmente e cuidar da casa comum, o nacionalismo está debilitado. Trump está no mundo do século 20 (primeira metade), só há interesses econômicos. Prevalece o ódio em detrimento do amor em armas, guerra.

Trump respeita Lula porque suas propostas são transparentes, não se trata de conflito econômico, trata-se de um líder em que se pode confiar, idealista, por isso Bolsonaro foi descartado, é um igual.  


 


  




3.1.26

Aniversários de Marla e Janaína - Marcos Francisco Alves

 


O poeta uruguaio Mário Benedetti nos disse, em “Esse grande simulacro“, que “o esquecimento está tão cheio de memória que às vezes não cabem as lembranças e rancores”, pois eles “precisam ser jogados pela borda”, haja vista que “no fundo o esquecimento é um grande simulacro”, pois ”ninguém sabe nem pode, ainda que queira, esquecer”. Por isso, me recorda de Carl Sagan quando disse  “. Em algum lugar, algo incrível  está esperando para ser descoberto...” Pode ser muitas coisas! Para mim isso ocorreu há 53 anos quando deparemos com o nascimento de vocês, Marla e Janaína. Lembrando sempre que “a idade não é a que temos, mas a que sentimos”, assim como “a vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”(Gabriel Garcia Marquez), e  porque  “cada vida é uma vida feita de todas as vidas”  como pontua Neruda, traço essa lembrança.                                             

E esse lembrar importa muito  nesses tempos  de incertezas,  pois todas essas outras vidas, celebram as lutas dos povos,  sintetizam a luta de gênero, a luta étnica, as lutas antirracista, antifascistas e anti-imperialistas  bem como tantas outras nas lutas de classes, que criminosos insistem em nos submeter, em nos subjugar, nos matar , nos exterminar. Sem contar que ainda precisamos nos livrar das mentiras, da ignorância e seus derivados, da negação das Ciências...

Então, que essa data seja um momento de lembrança das suas permanências e todas as outras vidas que compõem as de vocês como um brado de luta para a plena libertação dos espíritos  e de resistência, contra todas as formas de opressão, preconceitos.

 Lembremos Dostoiévsk: “O homem tem tudo em suas mãos, e tudo escapa entre seus dedos por pura covardia” mas que também seja um momento de comemoração, de alegria, de parcerias, de perdões, de delicadeza  e de gentileza, para com o mundo e do mundo para vocês.                          

Que  nesse  03 de janeiro de 2026, dessa vez longe de casa, possam celebrar seus aniversários, com aqueles/as que se importam com vocês, os de perto ou os de longe,  bem como daqueles/as que não sabem que existem, mas que acreditam que estão de mãos dadas contigo por um mundo que, para ser possível, precisa ser construído, a  cada dia,  com as nossas lutas. Talvez Cervantes tenha razão “quando não tens experiências nas coisas da vida, todas as coisas que apresentam alguma dificuldade te parecem impossíveis. Confiai  no tempo, que costuma dar doces saídas a muitas amargas dificuldades.” Ou, mais direto, como Marx , “difícil é começar”. Mas precisamos começar a lutar, mesmo porque “com o tempo tudo passa. Vi, com alguma paciência, o inesquecível tornar-se esquecido e o necessário sobrar.” ( Gabriel Garcia Marquez)

Que possam contar sobre  suas VIDAS para pessoas queridas, pois como também escreveu o grande escritor colombiano, “a vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver”, sendo que “a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a este artifício conseguimos suportar o passado”, pois “os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos”.                                                                                 Por outro lado saibam mais uma vez  que a lembrança desses nascimentos é uma alegria por saber que, dessa maneira, vocês cruzaram minha vida quando das suas  chegadas e  param mim isto é motivo de celebração, uma celebração pública permitida, mas uma celebração sincera pelas pessoas importantes que vocês se tornaram em minhas trajetórias: melhoro por conta das suas presenças. Vidas longas, Marla e Janaína. AMO VOCÊS.

*Marcos F. Alves, 03/01/2026, professor, Araçatuba-SP

 

Chegou e continuamos - Marcos Francisco Alves

 

Tempos difíceis nos esperam em 2026.  O  resultado da inanição política/ideológica e as conciliações à direita e às esquerdas, criaram a  possibilidade desse retrocesso para o país. Aos  trabalhador(as), somos  nós aqueles/as que pagaremos a fatura: fim da soberania, dos direitos civis e trabalhistas, da educação, da saúde, da igualdade social...Somente as lutas evitarão o pior.

Caravaggio mostrou, nesta obra seminal, As Setes Obras da Misericórdia, o clamor por  direitos fundamentais negados ao povo. Antes, como agora, é preciso reinventar a ousadia e ocupar  mentes e corações de todos  para denunciar os ainda  golpistas fascistas e seus áulicos  que querem  desgovernar  nosso país. São muitos, encastelados nas mídias, nos legislativos, executivos, judiciários, nas polícias, federações empresariais, igrejas, sindicatos... Combatê-los, para que qualquer retrocesso seja derrotado e o Estado de Direito  seja reconquistado e ampliado na Democracia Popular, rumo a um Estado onde aqueles que produzam as riquezas  se apropriem delas com a certeza de um futuro melhor para todos/as, o socialismo.

Gramsci, em um texto dizia  “odiar o ano novo” pois esse “ transforma a vida e o espírito humano em uma  preocupação comercial... Suas quantias exorbitantes para uma nova gestão comercial... Você acaba pensando que entre um ano e outro há uma  pausa, que uma nova história se inicia...  Você faz planos e se arrepende dos que não cumpriu...” E escreveu: “ Todas as manhãs quando acordo novamente debaixo da imensidão do céu, sinto que para mim  é um dia de ano novo.”  “Eu quero que todas as manhãs sejam ano novo. Todos os dias eu quero reconhecer a mim mesmo e todos os dias eu quero me renovar. Nenhum dia separado dos outros. Eu quero poder escolher eu mesmo minhas pausas, quando a intensidade da vida me embriagar eu quero mergulhar na selvageria e dela drenar um novo vigor.

Se lá atrás Caravaggio já denunciava as podridões das elites, Gramsci e outros/as recentes, apontam que só teremos nossas datas quando vencermos estas criadas pelo capitalismo que apenas reforçam as desigualdades.

QUE TODOS OS DIAS, SEJAM DIAS DE ANO NOVO NO RUMO DE UMA SOCIEDADE JUSTA: O SOCIALISMO.

*Marcos Francisco Alves - professor - Araçatuba-SP


30.12.25

Desperdício de comida


Hélio Consolaro

Na quinta- feira, Natal, comemos e bebemos muito, mas os santos rezam, fazem retiro e comem modestamente. Há gente que não se contenta em comer, bebe também até ficarem bêbados, só porque Jesus nasceu. Além disso, joga-se comida fora: desperdício. E muita gente passando fome. E Jesus Cristo vê isso e se irrita: “Não entenderam minha pregação”.

Se todos os terráqueos comessem como os ricos, o planeta não suportaria, já teria entrado em colapso.
Os pobres além de merecerem o céu (suportam a miséria), são responsáveis pela sustentabilidade, comendo pouco e passando fome.

Brigitte Bardot parede de meu quarto


 Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Saí de Araçatuba e fui estudar em Penápolis, morar em república. Não pedi autorização em casa. Fui! Filho mais velho. Choque dos pais. De repente, eis meu pai visitando a república de estudante, entrou sem pedir licença, bateu de cara nos pôsteres de Brigitte Bardot e Sophia Loren. Em tom de gozação, perguntou se elas eram as santas padroeiras. Respondi que sim, que rezava pra elas todas as noites debaixo da coberta. Não existia televisão, eram estrelas de cinema. Brigitte Bardot morreu aos 91 anos.

29.12.25

Semana mais preguiçosa do ano


Para muitos é a única semana de férias. Se trabalha por conta, não é empregado, fecha as portas. Durante meus 40 anos de magistério, nessa semana era folga total. Dizem que nesta semana, entre Natal e Ano-Novo, engorda-se de tanto comer. Mas os galhofeiros afirmam que o período que mais se engorda é entre Ano-Novo e Natal. É verdade. Trata-se de uma troca na ordem de citar as festas. HÉLIO CONSOLARO

Projeto copiado

https://thmais.com.br/cidades/aracatuba/lei-que-restringe-contratacao-de-artistas-e-alvo-de-representacao-no-mp/

Os partidos ou correntes ideológicas passam para seus vereadores sugestão de projetos a todas câmaras municipais. Há sempre um vereador moscão, na ânsia de apresentar um projeto, não ficar apenas em indicações e requerimentos, assina o modelo de projeto e protocola como seu junto à mesa diretora. Assim fez a vereadora Sol do Autismo (PL) na Câmara Municipal.
A vereadora está querendo aparecer com projeto copiado. Tudo que o projeto dela normatiza já está regularizado. Ou ela acha que a Educação e a Cultura são campos sem leis?
Seja mais criativa e mais autêntica, vereadora! HÉLIO CONSOLARO

26.12.25

Bolsonarista. Bolso é lugar de dinheiro vivo


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçaçatuba

Bolsonarista raiz, diz que o planeta Terra é plano, que mulher é um ser subalterno ao homem, que mudanças climáticas são fantasias, também gostam de dinheiro vivo no bolso, no guarda-roupa, no colchão. Tudo dinheiro ilegal, sonegado ou roubado dos cofres públicos. A palavra BOLSONARO contém a palavra BOLSO.

Aqui mesmo em Araçatuba tem gente assim. Talvez queira sonegar imposto ou é mentalidade antiga. Sóstenes Calvante é o último exemplo que apareceu na mídia: pastor e deputado do PL. Sujeito bem peteado, sempre limpinho por fora. Por dentro, bombolorento.
Pode ser dinheiro roubado do dízimo. Tinha quase R$500 mil em dinheiro em seu apartamento em Brasília.

24.12.25

Moradores de rua, presépio vivo

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 

Estamos em tempo de Natal, quando amolecemos o coração e resolvemos doar cestas básicas, presentear parentes e amigos. 

José e Maria eram moradores de rua. Resolveram ter o filho num curral, fizeram do cocho um berço. Assim foi montando o que hoje chamamos de presépio.

A um certo tempo da vida de Jesus, o menino foi  perseguido pelo imperador, como todas as crianças de sua idade, para matá-lo, como uma forma de controle da natalidade feito pela espada.  

Em nossos tempos, os moradores de belos apartamentos ou mansões se revoltam com o poder público quando aplica uma política de socorro aos moradores de ruas. Dizem: "são todos vagabundos".

Quando a assistência social da prefeitura instala perto de nossas casas Centros POP (Centros de Referência Especializado para População em Situação de Rua), fazemos abaixo assinado ou procuramos um vereador para tirar aquela imundície. A manjedoura de hoje pode estar num lugar desse.   

Cada morador de rua conhece a cidade em seus meandros, cada cantinho onde não chove, onde é mais fresco. De repente sentem a rejeição, as pessoas vão impedindo o acesso, até as igrejas onde o presépio está montado foi cercada.

Há gente tão ruim que não socorrem os excluídos do banquete e não gosta de quem faça isso. Veja a situação do padre Júlio Lancelotti em São Paulo. Seus superiores foram enredados pelas autoridades de direita.

No prédio do Banco do Brasil, praça central de Araçatuba (Rui Barbosa) há um vão aos rés do chão, onde abriga deitado um morador de rua com seu cachorro de estimação, o que lhe sobrou desse mundo malvado.

Nós saímos da missa da catedral contritos, mas ninguém sequer abaixa a cabeça para ver a criatura, num sinal de interesse, solidariedade.

No alpendre da sede da Academia Araçatubense, de vez em quando moradores de rua se abrigam dormem no seu alpendre, se escondendo da chuva. E nós, escritores que analisamos e discutimos livros cujos personagens são os pobres, chamamos a Guarda Municipal.

Dizem os eremitas que Jesus se disfarça de morador de rua para testar nossa bondade. E nós, velhacos, nos disfarçamos de bons na época de Natal.