|
|
|
|
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Armandinho é personagem de tirinhas do ilustrador gaúcho Alexandre Beck. Armandinho se parece com Mafalda, do argentino Quino, que tem uma função didática. Na tirinha apresentada, ele valoriza o conhecimento científico que é produto da observação humana.O erro é privilegiar uma das formas de conhecimento. Há cientistas que valorizam apenas a ciência. Se não é científico não vale nada. Do outro lado, há os negacionistas, que negam a ciência e só valorizam a fé. Vacina, por exemplo, não vale nada. Muita gente morreu dizendo isso na pandemia.
Quais são as quatro formas de perceber a realidade por meio do conhecimento? A científica (métodos, testes e fatos verificáveis), filosófica (reflexão racional sobre conceitos universais), artística (expressão da subjetividade e beleza) e teológico/religioso (fé e revelação divina). Todas coexistem, e oferecem perspectivas sobre a realidade.
Em janeiro de 2022 (pandemia Covid 19), o grafiteiro Eduardo Kobra fez gratuitamente um painel numa das paredes do Hospital das Clínicas de São Paulo, no qual mãos juntas eram envoltas por estetoscópio. A imagem é a síntese de fé e ciência se colaborando na hora do desespero.Na humanidade, a fé veio primeiro. Depois o ser humano foi observando a realidade, os fenômenos e teorizando. Assim foi formando a ciência.
ESTUPRO DE VULNERÁVEL
A sentença do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) absolvendo um estupro na cidade de Indianópolis no Triângulo Mineiro sacudiu a opinião pública brasileira, um caso de homem com 35 anos estar vivendo maritalmente com uma menina de 12 anos. A primeira instância da justiça mineira condenou a situação, enquanto a segunda absolveu. Vou aproveitar a notícia para fazer uma reflexão.Estupro é forçar o sexo, quem sempre é acusado é o homem, porque ele tem a faca e a mulher tem a bainha. Nunca ouvi um caso que a tia houvesse estuprado um sobrinho.
Na Idade Média (tempo do descobrimento do Brasil), criança era uma adulto pequeno. Não havia diferenças de tratamento entre as faixas etárias. Atualmente no Brasil profundo, nos grotões, na pobreza absoluta, as crianças são trocadas como se fossem bichos.
No caso de Indianópolis, a menina foi passada para o adulto de 35 anos em troco de ele fornecer para os pais mensalmente uma cesta básica. Era uma tradição na família. A mãe havia se juntado com o pai da menina quando tinha 11 anos. Menstruou, era mulher.
Há uma passagem que ilustra o Nordeste brasileiro, quando a região era bem atrasada, que o amigo falou para o outro:
- Com esse assanhamento, sua filha vai virar uma prostituta.
O pai respondeu:
-Deus te ouça, Deus te ouça!
A prostituição seria uma forma de renda para o pai.
A situação da mulher brasileira melhorou bem, mas já foi bem pior.
AROEIRA: palavra síntese do editor do Blog do Consa em homenagem ao aniversariante
Boas noites. Quero agradecer a todos e todas que me felicitaram os/as quais agradeci e aqui completo meus agradecimentos com aqueles/as que não consegui. Hoje 75 anos. 60 anos de lutas, desde os meus 15 anos iniciadas nas Comunidades Eclesiais de Base. Movimento estudantil universitário a partir de 1.973, no PCdoB a partir de 1976 , nos movimentos sociais contra a ditadura e no sindical, APEOESP, a partir de 1.978 quando conseguimos tirá-la das mãos do atraso. Muitas lutas. Vitórias. Derrotas. Aprendizados. Erros. Importante, não perdi os rumos: cada vez mais procurando ser marxista-leninista na construção do Socialismo.
Gabriel Garcia Márquez, disse que “a idade não é a que temos, mas a que sentimos”, assim como “a vida não é a que a gente viveu e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”, mesmo porque somos produtos de tantas outras vidas passadas.. Nestes tempos ainda de incertezas, precisamos nos livrar das mentiras, da ignorância e seus derivados, da negação das Ciências, do racismo, do machismo e todas as fobias de gênero, de etnia, de raça, de nacionalidade e de classe, e gostaria contar essa data como mais um momento de brado, de luta para a plena libertação dos espíritos e da resistência, contra todas as formas de opressão, que aflige nosso país na forma do bolsonarismo e do nazifascismo.
As lutas esse ano não serão fáceis para impedir a volta desses facínoras. Contam eles/as com apoios da burguesia, de setores do agro, das mídias e parcelas da população, ainda alienada por falsas religiões, por medo, por interesses e do imperialismo decadente dos EUA com o pervertido Trump a frente.
Neste 04 de fevereiro, celebro minha VIDA para as pessoas queridas, pois como também escreveu o grande escritor colombiano, “a vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver”, sendo que “a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a este artifício conseguimos suportar o passado”, pois “os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos” , com a plena convicção que saberemos superar nossas diferenças, nos unirmos e construirmos um país melhor, civilizado e que nosso humano possa florescer.
Então, essa data para mim é um momento de lembrança das permanências de todas as outras vidas que compõem as nossas e um brado de luta para a plena libertação dos espíritos e de resistência, contra todas as formas de opressão, preconceitos. Lembro Dostoiévsk: “ ...O homem tem tudo em suas mãos, e tudo escapa entre seus dedos por pura covardia...” Em frente, o futuro pertence a quem luta.
Marcos F. Alves/ fevereiro.2026, professor aposentado.
Os textos são o resultado de anos de produção, que ficam explícitos na diversidade de assuntos abordados por Reynaldo Mauá Júnior, que revela seu poder de síntese em contraste com os artigos publicados periodicamente na imprensa araçatubense. Logo na introdução, o autor chama a atenção para um gênero literário que não é novo, porém, ganhou relevância com as redes sociais, onde tudo tem de ser rápido e instantâneo: "Várias nomenclaturas concorrem para classificá-lo. São chamados, também, de microconto, nanoconto, microrrelato, minificção, ministória, conto brevíssimo, além, é claro, de miniconto".
"Mentia a idade sempre. Cada soma de anos se transformava em um. Chegou à senilidade aos 15 anos", "Tinham uma relação tão tórrida que suas bocas ansiavam por lábios mais úmidos" e "O tesão desaparecera no meio do ato. Mas bem que ele tem tara" são três exemplos do que o leitor encontrará em "Uns poucos contos curtos". O autor desafia o politicamente correto e por outro lado romantiza a várias possibilidades do cotidiano: ''Achou o segurança tão lindo que desistiu de entrar na boate. Fez a festa fora".
Os minicontos são ilustrados com imagens criadas por inteligência artificial, todas em preto e branco, que não têm o objetivo de explicar o texto, mas de complementá-los. "Uns poucos contos curtos" contribui para que os adeptos do minimalismo na literatura travem um debate, no mínimo, consigo mesmo na definição ou redefinição de seus conceitos sobre o que é o gênero, que pode ter apenas uma linha, mais de uma linha ou poucas palavras. "Contos curtos, sim; pequenos, não", é o título do prefácio, de autoria do editor Antônio Reis.
Reynaldo Mauá Júnior ocupa a cadeira número 6 da Academia Araçatubense de Letras (AAL), é autor de "Entretantoscantos", de poemas, lançado em 2019. Tem trabalhos publicados em coletâneas, principalmente da série "Experimentânea", editado pelo Grupo Experimental da AAL. Na Balada Literária, além do lançamento do livro, terá música ao vivo e palco livre para quem quiser mostrar o próprio talento, cantando ou declamando textos de livre escolha.
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Olha lá vai passando a procissão
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
Acreditam nas coisas lá do céu (Gilberto Gil)
Seja no bloquinho de rua, assistindo pela TV ou em um
camarote caríssimo. O importante é deixar a alegria contagiar seu coração no
Carnaval. (O Pensador)
No calendário de cada ano, vem primeiro o carnaval e depois
a quaresma. Na quarta-feira de cinzas, a igreja católica dá início à Campanha
da Fraternidade.
Em 2026, fraternidade e moradia, tendo como lema:
"Ele veio morar entre nós". Tendo no cartaz um morador de rua
dormindo no banco da praça. É o discurso da inclusão.
No tempo em que carnaval era coisa do capeta, e ainda é para
setores do evangelismo, pecava-se na folia e na quaresma pedia-se perdão, era o
tempo da penitência. Há pregador que senão existisse o diabo, não consegue
catequisar.
No Congresso Nacional, segundo pesquisa o site Agência Pública,
capeta domina os discursos de políticos do PL (Partido Liberal). Não se trata
de mera coincidência.
Na verdade, na linha da brasilidade, primeiro vem a
procissão, depois o carnaval. Primeiro, os negros foram à procissão, ficavam no
fim do cortejo. Depois, na hora de organizar o desfile, alguém ensinou:
- Vamos em fila, como na procissão, em vez de andor, vamos
ter carro alegórico.
E assim fizeram. Na cidade do Rio de Janeiro, onde a
africanidade brota do chão, deu-se início à criação de escolas de samba. Depois
São Paulo imitou.
Durante a ditadura militar, as escolas eram trazidas no
cabresto. Nada de crítica. E assim o enredo era conduzido conforme o desejo das
autoridades, até nos votos dos jurados. Naquele tempo, se Lula fosse o ditador,
a Acadêmicos de Niterói seria a primeira colocada.
Durante a democracia, cada escola escolhe o tema, conforme
as normas elaboradas pelos organizadores do desfile. Isso é tão verdade que o
prêmio ganho pelo ufanismo (ou puxa-saquismo) da Acadêmicos de Niterói foi o
rebaixamento.
Esse jeito informal de viver, com democracia e pluralidade, é a cara do Brasil no mundo. Os Estados Unidos perderam a graça. Não queremos dominar o mundo, desejamos paz para todos, isso se chama multilateralismo. O Brasil está se tornando de fato uma pátria amada.
E a cultura não é sempre a prioridade dos prefeitos. Não
foi diferente em Araçatuba. E assim o centro cultural ficou como está, no chão.
HAVAN. Na última edição destas notas, expliquei que o ex-prefeito Cido Sério não conseguiu a verba federal diante do impeachment da presidenta Dilma. O secretário municipal do Desenvolvimento, Antônio Carlos Faria, pôs o prefeito Cido em contato com o senhor Luciano Hang, dono da Havan, para que a empresa restaurasse o centro cultural usando a renúncia fiscal nos impostos estaduais. O tempo foi curto, a restauração ia ser feita mesmo por Dilador Borges.
Continuaremos, há mais capítulos.
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Desafios e autodidatismo são os jeitos de eu enfrentar a
realidade. Sempre avalio meus conhecimentos e minhas forças, analiso os
objetivos e enfrento aquilo que me proponho ou outros o fazem.
Assim, diante de palestrar sobre romance, numa das reuniões
do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras, escolhi o romance
histórico. Recaindo sobre o livro “E a porteira bateu!” (1968), de Francisco
Marins (1922-2016), escritor e médico de Botucatu, foi membro da Academia
Paulista de Letras.
Com E a porteira bateu! Francisco Marins completa a tríade
SAGA DO CAFÉ, iniciada por Clarão na serra e Grotão do café amarelo.
Também produziu livros infantojuvenis, criando um espaço em Pratânia, sua terra
natal, um sítio chamado Taquara-Póca.
Série Taquara Póca -Nas Terras do Rei Café; Grotão do
Café Amarelo; Os Segredos de Taquara-Póca; O Coleira Preta; Gafanhotos em
Taquara-Póca.
Série Vagalume – A Aldeia Sagrada; O Mistério dos
Morros Dourados; A Montanha das Duas Cabeças; Em Busca do Diamante; Viagem ao
Mundo Desconhecido; A Aldeia Sagrada; O Mistério dos Morros Dourados; Em Busca
do Diamante; Canudos; O Sótão da Múmia.
Série Roteiro dos Martírios – Expedição aos
Martírios; Volta? Serra Misteriosa; O Bugre do Chapéu de Anta; Verde era o
Coração da Montanha; Território dos Bravos.
Romances – Clarão na Serra; Grotão do Café Amarelo; …
E a Porteira Bateu!; Atalho Sem Fim; O curandeiro dos olhos em gaze.
Durante o meu magistério, adotei o livro E a porteira bateu
nas oitavas séries da Escola Estadual Genésio, onde lecionei por 21 anos. Era
uma leitura extraclasse (ou paradidática) que contribuía na formação histórica
da nova geração, pois o livro tinha como cenário e personagens a colonização da
região Noroeste, da qual faz parte Araçatuba.
O romance histórico é um gênero narrativo que mistura
personagens e tramas ficcionais com fatos, cenários e contextos históricos
reais. O gênero busca recriar epicamente o passado, analisando eventos
coletivos (como guerras ou revoluções) através da perspectiva de
indivíduos. Nem tudo é verdade, mas também nada é mentira.Hélio Consolaro
é professo,
Quem é Francisco Marins? "Francisco Marins não é
somente o grande romancista do café, é o poeta de um Brasil de essência,
brotado na saga dos povoadores, dos padres missionários, dos desbravadores, dos
sertanejos rudes, dos plantadores de café e dos construtores de ferrovias no
sertão misterioso". (Fábio Rodrigues Mendes). Também lembrou em seus
livros de que os indígenas foram massacrados pelos colonizadores.
A abertura da ferrovia, o rio Aguapeí (também conhecido por
rio Feio), padre Claro, bugreiros, a vida dos donos das terras, como se dava a
grilagem. Tudo está no livro de forma romanceada.
Cândido Rondon aparece no livro com seu lema como
indigenista, mas nem sempre bem-sucedido: “Morrer se preciso for, matar nunca”.
Ler o livro E a porteira bateu é conhecer mais profundamente
Araçatuba. Venda pela internet, em sebos e livrarias.
*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor.
Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e
Itaperuna-RJ.
Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Vamos nos colocar na linha do tempo. Na minha infância, me
lembro bem daquela caneta que esfregava em nosso antebraço, fazendo riscos na
pele, e depois, às vezes, virava uma bolha pustulenta. Aquilo deixava uma
cicatriz. Era a vacina antivariólica. A primeira de todas. Moleque que
vivia descalço, estrepando o pé na rua ou nas estradas, precisava tomar a
vacina (injeção) antitetânica.
Naquela época, na minha infância, a expectativa de vida do
brasileiro era viver 45,5 anos. Meu avô morreu velho para caramba, 60 anos. À
medida que surgiram novas vacinas, implantaram rede de água e esgoto nas
cidades, a média foi aumentando. Hoje é 76,6, eu estou na lambujem, com 77
anos. Minha relação de vacinas, que carrego na carteira, é quilométrica.
Naquela época, ter cachorro era mais uma prática rural, E
ninguém ficava nesse agarramento com os animais. Os homens usavam os chutes
para enxotá-los, enquanto as mulheres tratavam-nos na vassourada. Eram todos
comedores de resto, nada de ração e outros exageros.
Nome de gente em cachorro era heresia. Merecia um sermão do
padre. Presente, Duque, Lola, Totó, Lorde, Pingo, Chico, Rex, Princesa eram os
nomes antigos. Bob, Fred, Billy, Mel, Belinha, Flora, Floquinho são os nomes
mais modernos.
Cachorro bravo era posto na corrente. Nada de centro de
zoonose, havia mesmo uma carrocinha da Prefeitura que recolhia os caninos de
rua, sem dono. Se deixasse escapar para a rua, o totó era laçado e posto na
carrocinha.
Enquanto hoje, há a caridade de resgatar cães abandonados,
com feiras públicas, na minha meninice, os cães eram recolhidos e mortos,
eutanásia geral. Um prazinho para pagar multa e retirar o cachorro.
A vida vai mudando conforme as novas realidades, se a gente
se preocupa tanto com os cães, certamente nos preocupamos com os humanos. Mas
há gente que se apega tanto ao cachorro porque se desiludiu com os humanos.
CACHORRO ORELHA
O Orelha era para ser mais um cachorro de rua (agora é
comunitário), um vira-lata morto, mas Deus escreve certo nas linhas tortas da
história, de repente virou um caso nacional. Vítima eloquente da violência
contra a vida. A indignação geral diante do exemplo de Orelha empoderou os
idealistas.
Tais fatos ocorreram em Santa Catarina, a UF (estado) mais
branco e o mais bolsonarista do Brasil. "Mera coincidência, Consa!",
disse meu amigo. Esse pessoal é arrogante. Qualquer aperto, foge para os
Estados Unidos. Agora, nem o Trump querem-nos por lá. Leia o noticiário
Nacional, caro leitor.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou suas redes sociais para se manifestar sobre o caso do cachorro Orelha, que comoveu Santa Catarina e repercutiu em todo o país. Lágrimas de crocodilo. Será que ele chorou as 700 mil vítimas da covid-19?
Início das aulas
Hélio Consolaro*
Como cronista de longa carreira, já escrevi sobre o tema
início das aulas várias vezes, ainda mais sendo professor. Para alguns alunos,
um momento poético, para outros, vale o sacrifício, pois fazem colegas. O
momento do encontro.
Até outro dia, estávamos em férias escolares, quando os pais
não aguentavam mais os filhos em casa: "Não vão começar logo essas
aulas!" Férias para o professor, trabalho pesado em casa. Aguentar os
pirralhos 24 horas.
Além do IPVA, IPTU, há também a compra dos materiais
escolares. É o 13o. às avessas. Nas escolas públicas, estão dando tudo. Só não
estuda quem não quer.
Atualmente, aposentado, nem saboreio bem as férias. Como
avô, nessa época, encho a casa de netos em curtos períodos. Mas há vantagem de
não ter ônus administrativo sobre os pirralhos. Só beijinhos e o presentinho do
Natal.
Não sou aquele avô pegajoso, que denga neto. Fico
observando, dou um beliscão e pergunto o que anda acontecendo.
De vez em quando, ouço a pergunta de meus filhos pergunta:
- A gente dava tanto trabalho assim, pai?
- Sim, muito mais - respondo.
Preciso me valorizar! Fazer uma média com os
netos.
Além de dar aulas, eu participava do sindicato. Organizar
greve era um saco, mas necessário. Hoje não ouço tanta reclamação. Parece que
os ajustes trabalhistas passaram a ser automáticos, como o piso salarial.
Resultado das lutas passadas.
Hoje, vou à sede do sindicato (Apeoesp) para acertar as
contas da Unimed. Os mais velhos, que deram a cara a tapa, andam dizendo por aí
que o sindicato pelegou. Não vejo o problema assim. Estamos colhendo o
resultado das lutas anteriores.
Os professores brasileiros não são tão prestigiados como no
Japão, mas também não somos tão renegados como em tempos passados. Estou
dizendo sobre os três níveis: federal, estadual e municipal.
Até a elite brasileira descobriu que ter gente estudada é melhorar
o mercado de trabalho, é ter empregados (ou colaboradores) mais preparados.
As aulas se iniciaram. Mais gente se engaja na caminhada da humanidade. Educar é passar aos mais novos os ensinamentos acumulados pelos mais velhos. Educação é uma revolução silenciosa.