AGENDA CULTURAL

25.8.16

Consolaro quer rodoviária nova para Araçatuba

Atual rodoviária de Araçatuba
Há pessoas que pensam que tudo custa dinheiro para a Prefeitura fazer, nem tudo. Por exemplo, dotar os ônibus dos do transporte urbano de Araçatuba (hoje chamado de TUA, nome da empresa) não custa quase nada, porque o contrato de concessão venceu e a Prefeitura terá que fazer nova licitação. E no edital, haverá a contrapartida da empresa vencedora: como construção de pontos decentes e ter nos ônibus ar condicionado, GPS, Wi-FI e câmeras de segurança. O prefeito só deve estar do lado do povo, assim como os vereadores.

Uma rodoviária nova deve estar à beira da rodovia, bem próxima de Araçatuba, com terminal de ônibus urbano, ponto de táxi, mototáxi, amplo estacionamento de forma terceirizada. Uma empresa pode construir a rodoviária nova e explorá-la, mas servindo dignamente a população, com banheiros limpos, tudo bem limpinho, como se fosse um Rodoserv de beira de estrada, coisa de primeiro mundo.

E o prédio da rodoviária? Que fazer com ele? Será assunto do próximo item. A Prefeitura vai sair de lá.   

Éder Camargo, o primeiro livre-docente cego do Brasil

Referência no ensino superior na região de Araçatuba, professor universitário carregou a Tocha Olímpica na cidade-natal dele

DA REDAÇÃO - ARAÇATUBA - O LIBERAL, 02/08/2016
Até conquistar título mais nobre do ensino superior, Eder Pires de Camargo superou muitos obstáculos (Reprodução/Facebook)

Com livros publicados e uma referência no ensino superior na região de Araçatuba, o professor Eder Pires de Camargo, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), ganha cada vez mais visibilidade nacional. Recentemente, ele concedeu entrevistas à grande mídia para falar sobre como foi ter se tornado o primeiro livre-docente com deficiência visual no Brasil.


Relatando a história dele de traz para frente, no começo da semana passada, Camargo foi um dos personagens que carregou a Tocha Olímpica, símbolo dos jogos olímpicos Rio 2016, na terra-natal dele, o município de Lençóis Paulista.

momento, aliás, foi um dos mais marcantes de todo o revezamento. Desde a entrada no Santuário até o palco da Praça Comendador José Zillo (concha acústica), o professor foi ovacionado pelas centenas de alunos da rede municipal de ensino que formavam um cordão humano para sua passagem.

Para entender o motivo de tanto reconhecimento, é preciso saber que, aos 9 anos de idade, Camargo começou a perder a visão por causa de uma doença na retina. A deficiência visual não foi um impedimento para ele se formar na faculdade de Física, fazer mestrado, doutorado e pós-doutorado.

MÉRITO
Mais recentemente, no semestre passado, ele conquistou a livre-docência. Com isso, tornou-se o primeiro deficiente visual que se tem notícia no Brasil a obter este título. “Realmente, conquistei todos os títulos e formação por mérito. Eu penso que isto é um fator importante, e agora não falo especificamente de mim, mas utilizo meu caso como um símbolo. Um cego chegar a este nível dentro de uma universidade é algo complexo”, afirmou.

Segundo ele, ao longo dos seus 43 anos de vida, sempre teve que recorrer, na maior parte das vezes, a materiais de leitura e pesquisas feitos para quem consegue enxergar. “Hoje já se encontra muita coisa que pode ser ouvida por dispositivos em computador. Mesmo assim, há processos complexos de escaneamento, transformação de textos em imagens e arquivos (PDF), em textos acessíveis para cegos poderem lê-los, e este processo também de leitura é algo desgastante e difícil.“

TELEVISÃO
Recentemente, foi a vez de contar essa experiência em rede nacional, no programa “Encontro”, apresentado pela jornalista Fátima Bernardes (TV Globo). Durante a apresentação, ao vivo, o docente pôde apresentar uma de suas obras, o livro “Saberes docentes para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de física”.

Atualmente, Camargo faz parte do programa de pós-graduação em Educação para a Ciência, da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru, e do departamento de Física e Química da Faculdade de Engenharia, de Ilha Solteira. 

Consolaro quer ônibus da TUA com GPS, ar condicionado, câmeras e Wi-Fi. E pontos decentes

A Folha da Região está forçando os candidatos a pensarem a cidade, isso é uma missão interessante praticada pelo jornalismo. A população passa a conhecer mais os candidatos.

Na edição do dia 25/8, quando se abordou o tema Mobilidade Urbana, não coube tudo no espaço e não apareceu na reportagem a minha proposta: pontos de ônibus decentes, GPS, ar condicionado, câmeras e Wi-Fi são alguns dos 51 itens exigidos pela nova concessionária (ou a mesma, se ela vencer a licitação), conforme novo plano de Mobilidade Urbana para Araçatuba.  

Se o transporte coletivo for decente e confortável, as pessoas abandonam o transporte individual e o trânsito flui com mais facilidade. Mas os vereadores (a maioria) não estão pensando no povo, apenas nas suas reeleições, por isso não aprovam o Plano Municipal de Mobilidade Urbana. Ou estão defendendo a empresa, esquecendo o povo?


21.8.16

Conceito de pobreza

Hélio Consolaro é candidato a prefeito de Araçatuba 2016

A igreja católica enaltece a pobreza. A manjedoura é o berço do Messias. As biografias dos santos, em sua maioria, são ricos que se tornaram pobres por vontade própria, mas basta visitar Roma para perceber que nem tanto, trata-se de um discurso sem fundamento na realidade.

A ostentação megalomaníaca da igreja católitca é antiga, mas também atual. Por mais que o Papa Francisco faça suas orações pelos pobres, nada abala aqueles imensos templos.

Já os evangélicos, que nasceram historicamente juntamente com o capitalismo, já pratica a teologia da prosperidade, a riqueza é uma bênção de Deus. E há um ramo que se contaminou pela megalomaníaca católica, está construindo também grandes templos, como forma de mostrar poder.

Tudo isso para dizer que o conceito de pobreza entre nós é mesmo relativo. Há pobres que me chamam de rico, mas como meti a ser candidato a prefeito de Araçatuba e os outros dois concorrentes são ricaços, fui classificado por um jornal da cidade que estampou isso em manchete. O meu atestado de pobreza saiu na primeira página.

Não estou achando ruim, aliás, foi até bom, porque ninguém vai me pedir coisas e vai me facilitar pedir doações para a campanha. Irei cantando assim: “Eu sou pobre, pobre, pobre / de marré, marré, marré / eu sou pobre, pobre, pobre / de marré deci”.

Mas meu neto, 12 anos, estudante do Colégio Nossa Senhora Aparecida, Araçatuba, onde estudam os filhos dos bem aquinhoados na vida, ficou desesperado ao ver o jornal com o nome de seu avô manchetado e quase choroso disse para seus pais:

- Olha só, estão xingando meu avô de pobre!




Os pais tiveram que explicar que as coisinhas que seu avô tem, perto da riqueza de seus concorrentes, se tornou um pobre, mas que o avô dele, que sou eu, é muito respeitado na cidade. E lá vão explicações da manjedoura, de Jesus Cristo.

Nunca imaginei que iria acontecer isso nessa campanha eleitoral, que é como uma partida de futebol. Sabe-se quando começa, mas não se preveem os incidentes no transcorrer dos 90 minutos. Com certeza, muito está por vir.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escrito. Vereador em 1983-88 e secretário municipal de Cultura de Araçatuba de 2009-2016


20.8.16

Minha professora Adelaide

Publicado no blog no dia 14/8/2014
Faleceu no dia 17/08/2016

Professora Adelaide Dalla Martha e seu aluno Hélio Consolaro

Hélio Consolaro*

Na manhã de quinta-feira, peguei meu pangaré motorizado, convidei o Foquinha com um táblete para fotografar o encontro  e fomos visitar uma pessoa muito querida: Dona Adelaide. Ela foi minha professora do antigo 2.º ano primário, nos idos de 1958, no 4.º Grupo Escolar Francisca de Arruda Fernandes, bairro Santana, Araçatuba.  

O leitor de outras cidades pode me questionar dizendo que só escrevo sobre Araçatuba. Normal, muito normal, porque foi nela que conheci o mundo e passei a ser gente. Meus pais são araçatubenses também, então, a minha aldeia é o cenário de minhas narrativas. Sou capiau de legítima linhagem.

Dona Adelaide Dalla Martha me disse, durante a conversa, várias vezes a mesma frase:

- Que saudade daquele tempo, menino.

Era o encontro da ex-professora, com 93 anos, com o ex-aluno de 65. A saudade era muita, porque os tempos eram outros, tínhamos ao nosso lado os amigos, as pessoas queridas. E ela vivinha, esperando que Deus encontre a sua ficha lá céu, mas ele displicente, diz:

- Deixe a Adelaide, ela está muito bem!

Para mostrar que seu ex-aluno se meteu a escrever, deixei-lhe dois de meus livros que serão dados a sua bisneta querida. Dona Adelaide me falou que eu podia, acreditei, dei alguns passos a mais.

Eu me lembro mais dela, porque a professora lida com muitos alunos. Eu era apenas um garoto tabaréu, que andava 10 km por dia na caminhada escolar de uma estrada de terra do bairro Cafezópolis, a atual rua Aviação e seu prolongamento até o rio Tietê.

Não havia transporte escolar, educação não era um direito de todos, pobre não tinha a proteção do poder público. O único protetor era Deus.

- A senhora se lembra que ia à escola de charrete para lecionar?

A filha Vívian, que nos fazia companhia na sala e participava da conversa, se lembrava de que sua maior alegria era ir de charrete até a escola, acompanhando a sua mãe.

Dona Castorina, a que batia o sino da escola para a alegria e a tristeza; Dona Doquinha, a servente. Professor Darcy Fontanelli, sempre de terno, era o diretor da escola. Dr. Célio Deodato foi o meu primeiro dentista, por ele conheci que os dentes precisavam ser cuidados. Dona Lucila Ortiz, Maria Antônia Guerreiro, Eurides Esgalha, Delphina, outras professoras. 

Assim, enumeramos os funcionários da escola nesse encontro matinal e friorento. Ela se lembrou de que havia lecionado por cinco anos em Lavínia, no início do seu magistério, década de 40.
Quando Dona Adelaide se aposentou, contou Vívian, ela chorou por um ano com saudade da escola e dos alunos. Isso há 38 anos. É ainda uma mestra.

A minha visita foi uma forma de dizer a Dona Adelaide “muito obrigado” por ter participado de minha educação, me ensinado as primeiras letras. Uma forma de dizer “eu te amo, professora”.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba

         

19.8.16

Esporte: cadastro e seletiva


Hélio Consolaro é candidato a prefeito de Araçatuba 2016*

(Introdução repetida)

O prefeito (ou prefeita) deve zelar pela beleza da cidade, cujo cenário urbano deve ser elogiado à primeira vista por um visitante, como deve cuidar da saúde, da assistência social e da educação de sua gente, mas há um item que não pode ser esquecido, ou seja, a felicidade de seu povo. 

A cidade precisa pulsar desenvolvimento, com ruas bem conservadas, mas o prefeito não pode descuidar da imaterialidade que também constrói a economia local, como o esporte, a cultura, o turismo que fazem uma urbe ficar mais humana, mais alegre, mais feliz. 

Cuidar da juventude com boa saúde, educação formal e profissionalização, mas também criar uma mente sã num corpo são, combatendo a obesidade e a vida sedentária, também é obrigação do prefeito de Araçatuba.

Há um consenso no mundo esportivo que a administração municipal do prefeito Cido Sério deixou a desejar no esporte, no lazer e no turismo.
Fiquemos hoje com o esporte. Fui buscar informações com técnicos e praticantes de atividades esportivas de Araçatuba.

CADASTRO DE ATLETAS E SELETIVAS

Há medidas simples que trazem consequências complexas e boas. Exemplo, a Secretaria de Esporte, Lazer e Recreação ter um cadastro completo de todos os atletas (CPF), equipes, times, etc. (CPNJ).

Os atletas receberão uma carteirinha emitida pela secretaria dos atletas com foto e as equipes receberão certificados, registrando neles também a modalidade esportiva a que pertence o atleta ou a equipe. Isso dá reconhecimento no mundo esportivo dentro e fora de Araçatuba. 

Apenas os atletas e as equipes cadastradas poderão se relacionar com a SMELR. Forçando o cadastro, a secretaria passa a ter um mapa completo de seus talentos esportivos. O cadastro estará sempre aberto, como forma de acolhimento a todos.

Atualmente, como não há campeonatos e outras seletivas nas modalidades esportivas, qualquer grupo se arvora representar  Araçatuba em competições fora do município, reivindicando isso ou aquilo da Secretaria Municipal de Esportes.

Com os campeonatos e competições esportivas em todas as modalidades realizadas pela Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Recreação, além de incentivar a prática esportiva, Araçatuba será representada pelos melhores em cada modalidade.
A Secretaria deverá acolher as novas modalidades que vão surgindo no município, não desprezá-las porque são iniciantes ou praticadas por um grupo menor.    

Outro dia fui abordado por alguém da estrutura administrativa da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação, me perguntando porque somente agora estou falando de esporte.
Respondi-lhe que agora sou candidato a prefeito, portanto, preciso conhecer todos os assuntos, mostrando à população que não entendo só de Cultura.


*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Vereador de 1983-88 e secretário municipal de Cultura de 2009-2016.   

17.8.16

Eleições 2016: pobre orgulhoso


Hélio Consolaro é candidato a prefeito de Araçatuba, 2016

Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré, marré, marré.
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré deci.

Eu estava meio jururu, sem dinheiro para fazer propaganda eleitoral, só contando com amigos, quando vi o meu atestado de pobreza expresso na manchete do portal da Folha da Região: “Eleições: Arruda é o mais rico, Consolaro o mais pobre”.

Pronto! Deus estava me ajudando. O candidato Dilador não apareceu na manchete. A manchete só pegou os extremos. Ganhei publicidade de graça. Falam mal, mas falam de mim.

Compartilhei a notícia, divulguei ainda mais que eu sou um pobre juramentado. Esparramei pra todo mundo como se fosse uma grande coisa. Pobre é assim, se orgulha da própria incompetência.

Há gente que não vota em pobre, mas há gente que acha que minha gestão na Secretaria Municipal de Cultura foi muito boa, então será ótimo na Prefeitura; dizem que escrevo bem, tenho uma saúde ferro. Quer riqueza maior?

E o mais importante, honestidade a toda prova: provei para um sujeito nessa campanha que nem todo homem tem o seu preço. “Não adianta querer me comprar que não vou desistir de minha candidatura”. O sujeito fica rico e acha que compra todo mundo... Seu Luiz Consolaro, no túmulo, deve ter ficado satisfeito com que ele ensinou para o filho primogênito.

Dilador Borges (PSDB), Luís Fernando Arruda (PTB) e Hélio Consolaro (PT)

Se eu não fosse candidato, a manchete seria assim: “Dois ricaços são candidatos a prefeito de Araçatuba”. Que chato! Mas houve gente que aumentou o seu patrimônio nesta campanha... Não me pergunte porque não falo.

No dia anterior, o repórter Ronaldo Luiz, da Folha da Região, me telefonou:

- Professor, o senhor não tem bem algum? O salário de secretário não deu para comprar nada?

Dei risada, porque o partido se esqueceu, não sei se o site não foi acionado, mas entreguei minha declaração de renda. Respondi-lhe que era pobre, mas nem tanto de não ter um gato para segurar pelo rabo. Tenho uma casa e dois carros.

- Mais para quê? – perguntei para o Ronaldo Luiz.

E continuei:

- Não sou perdulário, mas o dinheiro serve para eu viver uma vida média. Só consegui abrir uma caderneta de poupança aos 65 anos de idade.  Filhos bem colocados na vida, plano de saúde bom, casa para morar e saúde para tomar uma cervejinha...

E não estou me candidatando, aos 67 anos, para ficar rico. Se eu não me lambuzei durante a juventude e a idade adulta, soube respeitar o sobrenome que meu pai me deu “Consolaro”, não vai ser agora. Quero ser prefeito para mostrar que é possível administrar bem uma cidade, realizando muito, gastando pouco. Só isso.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Vereador de 1983-88 e secretário municipal de Cultura de 2009-2016.