AGENDA CULTURAL

21.9.17

Mudanças que curam

A vida é pautada por mudanças.
Quando compreendemos que as mudanças são naturais e favorecem a maturidade, podemos fazer delas uma fonte permanente de auto realização e completude.

A resistência em reconhecer quando o mais íntimo de nosso ser clama por mudanças, pode ser uma fonte de sofrimento.
O reconhecimento do chamado interior para a mudança, é o encontro com o valor da vida, da amizade, da coragem, da potência que existe no interior de todas as pessoas.
As mudanças curam e libertam.


Vivi Tuppy - Psicopedagoga, Bioterapeuta, Professora de Ética e Práticas Meditativas com formação pela Associação Palas Athena/SP, Gestora dos Programas Sócio Educativos - Educadores da Paz e Gestores da Paz, palestrante e pesquisadora independente, atuando com grupos há 30 anos, blogueira com mais de, 1.860 posts publicados, disponibilizando conhecimento construtores de uma vida mais saudável e equilibrada.

Seminário: dia 30 de setembro de 2017, das 9h às 12h30
Valor: R$ 150,00
Inscrições: até 28/09/2017
Rua Graça Aranha, 1177 - Alto da Saudade - Araçatuba
1836227053  espacointeracao@uol.com.br                              


20.9.17

Por uma escola acolhedora, democrática

Hélio Consolaro*

Outro dia, um grupo de estudantes, provavelmente monitorados por seus pais, marcaram uma entrevista comigo. Eram todos com jeito de alunos de escolas particulares.

Na hora, fiquei sabendo que eles faziam parte do movimento "Escola sem partido" e queriam saber a minha opinião sobre o tema, já que eu tenho posições mais à esquerda dentro da sociedade araçatubense.

Disse a eles que não é digno um professor usar a força de seu status em sala de aula para fazer proselitismo ideológico, pois não sou favorável à criação de "inocentes úteis", como também uma das funções importantes do magistério é formar a cidadania. 

O professor (ou professora) que abre mão de formar cidadãos está em débito com a democracia. Todas as leis educacionais brasileiras não permitem que se fale de partidos nas escolas, nem emprestem seus prédios para atividades partidárias.

Nesta semana, fiquei sabendo que está para entrar na pauta da Câmara Municipal de Araçatuba um projeto de lei copiado de um modelo da cúpula do movimento. Clique aqui para ler a proposta. 

Se o projeto for aprovado, haverá placas em todas as escolas municipais de Araçatuba, onde estudam alunos até nove anos, como se estivesse havendo uma doutrinação intensa de crianças nas creches. Há gente vendo monstros em vez de moinhos de vento.

Se professores e professoras tivessem consciência de sua força política, não estariam em situação tão ruim. Nosso magistério, em sua maioria, aliena-se dos problemas brasileiros. Repito: há gente que não conhece a escola pública de seu país, busca fantasmas onde não há. 

Não sou adepto do movimento "Escola sem partido" (achava melhor "sem partidos", no plural), mas não sou contra, pois cada doido com sua mania, com direito de expor suas ideias, mas considero um absurdo vereadores de Araçatuba se preocuparem com o nada, quando escorpiões invadem nossas escolas municipais; e em todo o Brasil,  professores ganham péssimos salários e apanham de alunos em sala de aula. 

Os militantes do movimento "Escola sem partido" deviam apoiar a luta dos professores brasileiros que se encontram em situação lastimável, sem nenhum prestígio social, quando na Finlândia e no Japão ganham metade do salário de um deputado.   

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras



18.9.17

Zoológico municipal: animais engaiolados são tratados por humanos presos

O jornal O LIBERAL, 14 de setembro de 2017, apresentou a manchete "Detentos transformam recintos do Zoo de Araçatuba". 



O Zoológico Municipal Dr. Flávio Leite Ribeiro está com novas atrações, especialmente para os bichos que vivem no local. A administração do Zoo, nos últimos meses, remanejou espécies que estavam em recintos antigos para recintos reformados e adaptados para cada uma delas, deixando o local diferente para quem vê e mais agradável para os animais. A ambientação dos espaços foi feita por reeducandos do Centro de Ressocialização de Araçatuba (CR) e o resultado tem sido comemorado pela equipe do Zoo e do CR.

LEIA A NOTÍCIA, CLICANDO AQUI.

Li o texto da notícia e concluí que não era uma transformação, na verdade, foi uma garibada. Embora sempre seja pouco, mas é um cuidado com os lugares públicos, o título otimizou os feitos. Mas não é isso que vamos pôr em discussão nesta crônica.

Ao ler a notícia, percebi que havia algo esquisito nela. Cronista é um bicho danado, desconfia de tudo e quando ele sorri no canto da boca, saia debaixo. 

Constatei que os presos humanos saíram de suas grades para cuidar dos animais presos em gaiolas. Perceba, caro leitor, a ironia. Era preso cuidando de preso sob a guarda de homens livres. A nossa civilização chegou a contradições terríveis, mas é uma saída sem fugir dos problemas.

Na solenidade de entrega de um ônibus para uso interurbano à Secretaria Municipal de Educação, o vereador Márcio Saito deixou escapar, deu um fora, que com o ônibus novo, ficaria mais fácil levar as crianças ao Zoológico de Bauru. Como se nosso zoológico não merecesse visita.

Não conheço o de Bauru, mas vi o nosso antigo "bosque municipal" ser fundado, criado, com pretensões de ser um zoo. Nunca visitei o de Bauru, mas com certeza, por aquilo que falam os visitantes, é bem melhor. Apesar de ser público, cobra-se um pequeno ingresso que certamente ajuda na gestão.

Araçatuba é pobre na área de lazer, principalmente para os bairros. Os campos de futebol são escassos na periferia. Nesses anos de secretário municipal de Cultura, senti uma mentalidade tacanha na cidade de que pobre só serve para trabalhar, não tem direito a entretenimento. 

E saí frustrado porque não consegui mudar isso. Diferente de outras cidades, Araçatuba não possui centros culturais nos bairros, porque até os equipamentos centrais estavam mal-conservados.   

Então, vereador Márcio Saito, companheiro de Rotary, dê um empurrãozinho, vamos fazer com que Araçatuba se orgulhe de seu zoológico (ou coisa parecida), sem precisar levar nossas crianças para outra cidades.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras


17.9.17

Um menino morreu na escola

Morre-se em qualquer lugar e idade. Em Araçatuba, um menino de dois anos morreu na creche. 

LEIA NOTÍCIA, CLICANDO AQUI 

Hélio Consolaro*

Atualmente, o Estado - palavra que designa Poder Público - representa o coletivo. A sociedade evoluiu, a mulher assume o seu protagonismo dentro dela, o Poder Público (a coletividade) oferece ajuda para que ela exerça sua maternidade, mesmo trabalhando fora. 

Então, ficou acertado na Constituição de 1988 (um documento coletivo) que as prefeituras ficavam encarregadas da educação infantil, oferecendo também creches. E assim aconteceu.

Bem antigamente, quando não havia escolas públicas, a maioria das crianças ficavam analfabetas, principalmente as meninas. A família que tivesse posse, contratava um professor para ensinar em casa, ou, então, algum parente mais letrado assumia a tarefa de professor.

Hoje, temos escolas particulares e públicas atuando na educação formal que certificam a capacidade de seus alunos na conclusão de cursos. Esse modelo de escola propicia a convivência de crianças entre si, os pequenos descobrem que além da família, há mais gente.   

Nesse ajuntamento de crianças num mesmo local se oferecem riscos, mas também, sempre digo àqueles que querem esconder seus filhos em redomas, basta nascer para já correr riscos. Quem não arisca não petisca, diz o ditado popular.

Minha mãe vai fazer 91 anos, de 21 irmãos, só ela vive. Isso significa que para ela chegar a essa idade, muitos morreram à sua volta, desde o tempo em que ela era criança. Há gente que vai cedo; de outrem, Deus perde a ficha, vive muito. A isso damos o nome de destino, sina, seleção natural e assim por diante. 

Como cristãos, descendentes da civilização judaica, sempre procuramos um culpado para nossas tragédias, quando, na verdade, nem sempre o encontramos. Pode ser o nosso jeito de viver, o descuido com o mundo é que foram os motivos. 

Quando se encontra a causa de um acidente, o mais importante é eliminá-la, para que outro acidente não aconteça, mas nem sempre agimos racionalmente, há aquele impulso de querermos punir alguém. 

Tomara que saiamos desse incidente da morte de um menino de dois anos em Araçatuba, sem dedos em riste. Meus sentimentos à família e à escola. 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras.

16.9.17

Onde fica o cemitério de livros?

Livros didáticos são jogados no lixo por escola de Araçatuba. O registro ocorreu no final da tarde de quinta-feira (14/09/2017), após denúncia de um leitor à redação. (Folha da Região, 15/09/2017)

Foto: Folha da Região
Livros descartados por escola de Araçatuba

Hélio Consolaro* 

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Joga-se qualquer mídia fora, menos livros. Já joguei minhas fitas cassete, minhas fitas de vídeo, mas ninguém reclamou porque viu aquele monte de mídia obsoleta na calçada de minha casa. Ninguém pegou também. Tive que dar outro fim.  

Livro não fica desatualizado? Claro que sim. Não existe nada mais obsoleto do que uma enciclopédia Mirador da década de 80. Por que guardar aqueles volumes se as informações atualizadas estão todas na internet. A única justificativa para a guarda de quase 20 volumes seria uma apego afetivo. Onde fica o cemitério de livros, onde os livros acabam sua trajetória?

Quando algum leitor de uma família falece, mas não passou a seus descendentes o gosto pela leitura, os herdeiros procuram logo se desfazerem do incômodo. Jogar fora os livros do morto é uma afronta, então, seus descendentes deixam o acervo da querida biblioteca, tão zelada e amada por seu dono, como doação a uma biblioteca pública.

A bibliotecária descobre tantos livros desatualizados, na grafia como no conteúdo, que aproveita poucos volumes, mais, os de caráter literário. Ela guarda os imprestáveis, há espaço para tanto?

Biblioteca pública não é museu de livros. Eles, certamente, vão para algum triturador de papel de um depósito de materiais recicláveis. Então, caro leitor, descobriu onde fica o cemitério de livros?

Há uma certa hipocrisia entre nós. Já li, não sei quem escreveu, que somente uma sociedade com índice alto de analfabetismo valoriza demasiadamente o livro (chega ao endeusamento), porque ele é um objeto de consumo inacessível para quem não sabe ler.

A notícia de a escola de Araçatuba ter descartado os livros de forma tão ostensiva levanta algumas perguntas:

1) Será que as autoridades estão comprando bem os livros necessários às escolas, não está havendo corrupção nessa compra também?

2) Em vez de biblioteca, as escolas têm sala de leitura, assim Governo do Estado e Prefeitura se desobrigam de contratar uma bibliotecária (formada) por escola, conforme determina a lei, que podia coordenar as atividades de leitura no educandário. Ter uma política de leitura não é apenas comprar livros, não é mesmo?


E assim outras perguntas poderiam ser feitas, porém, encerramos por aqui para não lhe cansar os olhos, caro leitor.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras