AGENDA CULTURAL

9.12.16

No Japão, alunos limpam até banheiro da escola para aprender a valorizar patrimônio

Ewerthon Tobace

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Marcelo  HideImage copyrightMARCELO HIDE
Image captionAjudar na limpeza ensina estudantes a terem responsabilidades e consciência social
Enquanto no Brasil escolas que "obrigam" alunos a ajudar na limpeza das salas são denunciadas por pais e levantam debate sobre abuso, no Japão, atividades como varrer e passar pano no chão, lavar o banheiro e servir a merenda fazem parte da rotina escolar dos estudantes do ensino fundamental ao médio.
"Na escola, o aluno não estuda apenas as matérias, mas aprende também a cuidar do que é público e a ser um cidadão mais consciente", explica o professor Toshinori Saito. "Ninguém reclama porque sempre foi assim."
Nas escolas japonesas também não existem refeitórios. Os estudantes comem na própria sala de aula e são eles mesmos que organizam tudo e servem os colegas.
Depois da merenda, é hora de limpar a escola. Os alunos são divididos em grupos, e cada um é responsável por lavar o que foi usado na refeição e pela limpeza da sala de aula, dos corredores, das escadas e dos banheiros num sistema de rodízio coordenado pelos professores.
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Marcelo HideImage copyrightMARCELO HIDE
Image captionReunidos em grupos, alunos se revezam nas tarefas
"Também ajudei a cuidar da escola, assim como meus pais e avós, e nos sentimos felizes ao receber a tarefa, porque estamos ganhando uma responsabilidade", diz Saito.
Michie Afuso, presidente da ABC Japan, organização sem fins lucrativos que ajuda na integração de estrangeiros e japoneses, diz ainda que a obrigação faz com que as crianças entendam a importância de se limpar o que sujou.
Um reflexo disso pôde ser visto durante a Copa do Mundo no Brasil, quando a torcida japonesa chamou atenção por limpar as arquibancadas durante os jogos e também nas ruas das cidades japonesas, que são conhecidas mundialmente por sua limpeza quase sempre impecável.
"Isso mostra o nível de organização do povo japonês, que aprende desde pequeno a cuidar de um patrimônio público que será útil para as próximas gerações", opina.

Estrangeiros

Ewerthon Tobace I BBC BrasilImage copyrightEWERTHON TOBACE I BBC BRASIL
Image captionMichie Afuso, da ONG ABC Japan, sugere intercâmbio educacional entre Brasil e Japão
Para que os estrangeiros e seus filhos entendam como funcionam as tradições na escola japonesa, muitas prefeituras contratam auxiliares bilíngues. A brasileira Emilia Mie Tamada, de 57 anos, trabalha na província de Nara há 15 e atua como voluntária há mais de 20.
"Neste período, não me lembro de nenhum pai que tenha questionado a participação do filho na limpeza da escola", conta ela.
Michie Afuso diz que, aos olhos de quem não é do país, o sistema educacional japonês pode parecer rígido, "mas educação é um assunto levado muito à sério pelos japoneses", defende.
Marcelo HideImage copyrightMARCELO HIDE
Image captionPrática é aplicada nas escolas japonesas há várias gerações
Recentemente no Brasil, um vídeo no qual uma estudante agride a diretora da escola por ela ter lhe confiscado o telefone celular se tornou viral na internet e abriu uma série de discussões sobre violência na escola.
Outros casos de agressão contra professores foram destaques de jornais pelo Brasil nos últimos meses, como da diretora que foi alvo de socos e golpes de caneta em Sergipe e da professora do Rio Grande do Sul que foi espancada por uma aluna e seus familiares durante uma festa junina.
No Japão, este tipo de abuso dentro da escola é raro. "Desde os tempos antigos, escola e professores são respeitados. Os alunos aprendem a cultivar o sentimento de amor e agradecimento à escola", diz Emilia.

Violência

Marcelo HideImage copyrightMARCELO HIDE
Image captionEducadores explicam que, desta forma, estudantes aprendem a 'limpar o que sujaram'
No ano passado, durante as eleições, a BBC Brasil publicou uma série de reportagens sobre a violência de alunos contra professores no Brasil. As matérias revelaram casos de professores que chegaram a tentar suicídio após agressões consecutivas e apontaram algumas das soluções encontradas por colégios públicos para conter a violência – da militarização à disseminação de uma cultura de paz entre escolas e comunidade.
Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que ouviu mais de 100 mil professores e diretores de escola em 34 países, o Brasil ocupa o topo de um ranking de violência em escolas – 12,5% dos professores ouvidos disseram ser vítimas de agressões verbais ou intimidação pelo menos uma vez por semana.
"Assim como o Brasil tem um programa de intercâmbio com a polícia japonesa, poderíamos ter um na área educacional", propõe Michie, da ABC Japan, ao se referir ao sistema de policiamento comunitário do Japão que foi implantado em algumas cidades do Brasil.
A brasileira lembra que a celebração dos 120 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Japão seria uma ótima oportunidade para incrementar o intercâmbio na área social e não apenas na comercial.
"Dessa forma, os professores poderiam levar algumas ideias do sistema de ensino japonês para melhorar as escolas no Brasil", sugere Michie.
Arquivo pessoalImage copyrightARQUIVO PESSOAL
Image captionOs próprios alunos servem a merenda escolar aos colegas

Márcia Porto pinta na academia

Foto de Hélio Consolaro
Hélio Consolaro*

Na quinta-feira, 08/12/2016, tivemos um fim de tarde muito animado na Academia Araçatubense de Letras. Tudo porque a presidenta Yara Pedro Carvalho convidou Márcia Porto, artista de Araçatuba morando noutras plagas, para enfeitar internamente a sede da AAL com seus pincéis. E chamou os escritores para testemunhar o início.
 
Yara Pedro de Carvalho e Márica Porto 
Márcia, irmã do Marcelo, filha do José Carlos do antigo depósito da cerveja Antártica na av. Cussy de Almeida. Magrinha, não sei se vegetariana, vegana ou qualquer coisa, mas tomando cerveja e comendo espetinho em boteco não fica com aquele corpinho. Ela trouxe muito alegria àquela casa soturna.
Manuela, compositora caipira, e o violeiro Celestino na cada da erudição mostrando a sua arte
O escritor Antônio Luceni,  acadêmico da AAL, que valoriza diploma e currículo pra caramba, fez com muita competência uma espécie de biografia da Márcia Porto em seu blog, que reproduzo abaixo:

O início dos trabalhos de Márcia Porto na sede da AAL

Márcia Regina Porto Rovina é araçatubense, formada em Artes Plásticas e Educação Artística pela Universidade Estadual de Campinas - Unicamp,  com mestrado em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Campinas. Foi professora do Unitoledo - Centro Universitário Toledo de Araçatuba, onde coordenou o curso de Design de Moda e ministrou aulas nos cursos de graduação: Arquitetura e Urbanismo, Design de Interiores e Design de Moda; e nos cursos de pós-graduação: Alfabetização e Letramento, Design de Interiores, História e Cultura e Moda, Comunicação e Cultura. Atualmente, doutoranda pela Universidade de São Paulo.

Tem, também, formação no exterior com estudos de pintura no Atelier De Maria, Vicenza, Itália (1990) e, em 1993, no Atelier Porter, Illinois, EUA. Manteve por mais de vinte anos um ateliê próprio, denominado Fare Arte, integrado a APLA (Associação de Artista Plásticos de Araçatuba).

Tem uma vasta produção artística, incluindo pinturas, xilogravuras e desenhos com a utilização de diferentes materiais. Entre alguns de seus orientadores, podemos citar Paulo Pasta e Sergio Fingermann. Seu trabalho, estende-se, ainda, para o campo da ilustração, tendo participado como ilustradora das obras "O pé de jabuticaba" e "Se essa rua fosse minha", da escrita e poeta Calula Rocha Soares.

Participou de diferentes mostras individuais e coletivas, tanto no Brasil quanto no exterior, entre as quais Grupo Onze, Unicamp; Salão Nacional de Arte Universitária de Belo Horizonte; Pinturas, Biblioteca Municipal de Araçatuba; I Salão de Artes Plásticas de Fairfield, Ilinois, EUA; XV Salão de Verão de São José do Rio Preto/SP; VI Salão de Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo; XVI Salão de Arte Contemporânea de Santo André; Panorâmica Arte no Interior, SESC Rio Preto; Márcia Porto e Suzie Signari – Artistas Selecionadas para o Programa Anual de Exposições, São Bernardo do Campo; XVI Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional Contemporâneo.
 
Márcia Porto, Hélio Consolaro, Tito Damazo (de pé), Yara Pedro de Carvalho, Emília Goulart e Hilda Dias
Obrigado, Márcia, por nos proporcionar momentos tão descontraídos.


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*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras.

MAIS FOTOS:

Em destaque: Amarildo Brilhante


8.12.16

Nova diretoria da Amolivros

Na noite do dia 7/12/2016, quarta-feira, na biblioteca municipal Rubens do Amaral, Araçatuba, compareceu número significativo de convidados para a assembleia da entidade Amolivros - Associação de Amigos do Livro de Araçatuba para a escolha da nova Diretoria Executiva e do novo Conselho Fiscal, biênio 2016-2018.  
Leonardo Balsalobre, presidente recém eleito; e Delcyr Jesus Camilo, presidente que encerrou mandato 
O objetivo da associação é apoiar e promover a leitura e a cultura em Araçatuba, dando enfoque especial para o livro e as bibliotecas, principalmente a biblioteca municipal Rubens do Amaral. 
Hélio Consolaro, ex-secretário municipal de Cultura - 2009-2016 - e mentor da Amolivros esteve presente. E juntamente com o presidente da reunião, professor Delcyr Jesus Camilo, explicaram os objetivos e estatutos; e responderam às dúvidas dos presentes    
Aspecto da assembleia
Como presidente, foi escolhido o jovem Leonardo Barsalobre, tendo Taís Caires, como vice-presidente. Ocupando outros cargos: Gabriel de Paula, Maria Fernanda de Brito, Luís Boatto (Boatinho), Felipe Lima, Renata Ribeiro de Lima e Pâmela Martinelli.
No Conselho Fiscal: Antenor Rosalino, Lenira Marques, Euclides Paes de Almeida; suplente: Larissa Alves Marzinek.
Todos os participantes da assembleia
Os eleitos já marcaram data da próxima reunião e se puseram como tarefa o registro da ata no cartório.