AGENDA CULTURAL

27.3.20

Neoliberalismo na corda bamba


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Durante meus quase 40 anos de magistério, aprendi que o professor não deve abraçar apenas uma teoria pedagógica e aplicá-la a ferro e fogo, mas pegar o que cada corrente oferece de bom, tornando o seu ensino personalizado.

Na política econômica  de um país se faz a mesma coisa, não deve se alinhar na diplomacia e nem no sistema econômico. As experiências comunistas, capitalistas, socialistas, social-democratas devem ser levadas em consideração. Não fazer governo de uma ideologia só. É o que fazem os países nórdicos. 

E quando um governo assume numa democracia, nada de desprezar tudo que outro fez, melhore, sem jogar a experiência acumulada fora. Assim fez o PT, quando assumiu a presidência da República do PSDB. Não tentou inventar a roda, como se ela não existisse. 

O governo Bolsonaro é (era pelo menos) uma aliança entre a direita radical, da qual participa o presidente, a direita tradicional que não acreditava em seus candidatos e os economistas neoliberais. Nisso tudo, há algumas particularidades como os militares e Sérgio Moro.

O neoliberais, seguidores e formados pela Universidade de Chicago (ligados ao sistema financeiro e bolsas de valores), liderados por Paulo Guedes, assumiram o ministério da Economia babando vontades neoliberais. 

Não aprenderam nada das outras correntes, só seguiam a cartilha: estado mínimo, equilíbrio fiscal, nada de investimento social. Tendo o funcionário público como a desgraça. 

Aí veio a catástrofe: coronavírus, que exige um estado forte. Danou-se. Paulo Guedes e seus seguidores, inclusive no Banco Central, não sabem nada de como enfrentar crises. Aliás, o neoliberalismo não ensina isso. Que o diga o presidente Franklin Roosevelt em 1929.

Ficaram paralisados, o negócio era deixar todo mundo morrer, salve-se quem puder, como prega a teoria neoliberal, deixando os políticos apoiadores do Governo Bolsonaro, inclusive os liberais, com as calças na mão. Tem a questão da reeleição, coisa e tal.

Parece que Paulo Guedes e sua turma estão se adaptando à nova realidade, porque todos estão falando, inclusive os economistas da Rede Globo, que precisa abandonar o liberalismo na hora de crise, ele não dá conta. 

Se não for assim, o ministro e sua turma vão ser substituídos. 

26.3.20

A água da torneira tem cloro, isso é bom


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Quem inventou esse negócio de pôr cloro na água foram os cientistas, os pesquisadores em saúde pública. Há gente que odeia o cloro na torneira, sendo que purifica a água e combate doenças.

A ciência não cai do céu, não faz milagres, porque é o acúmulo dos conhecimentos humanos sobre o nosso planeta. O ser humano foi vivendo anos e anos, cada geração vai descobrindo as coisas, passando depois para a sistematização, eis que surge o palavrão "ciência".

Hoje, no Brasil, as universidades públicas brasileiras é que fazem pesquisas, não ficam apenas diplomando gente para trabalhar no mercado de trabalho. Não usam apenas o empirismo, mas o método científico de pesquisa.

Aquela velha briga entre fé e ciência não existe mais, ela só está na cabeça de gente interesseira que às vezes tem uma igreja a seu serviço. 

A fé está no campo subjetivo, é crença; a ciência trabalha com o objetivo, observa, anota. Deus quer que seus filhos progridam, coloquem para funcionar a inteligência que Ele nos deu. 

A água da mina ou do garrafão pode ser purinha, mas não combate doenças. E a água que sai nas torneiras, tratada com cloro, é que higieniza nosso ambiente, matando o coronavírus.

Quando a SAMAR sai higienizando os lugares públicos, lava-os, coloca um pouco mais de cloro no caminhão pipa para eliminar o vírus numa só lavada.    

Não estou fazendo propaganda da SAMAR, apenas desejo como jornalista, escritor e professor ver a ciência a serviço de todos.   

24.3.20

Texto divertido sobre a relação dos filósofos e o coronavírus

O texto original está na revista IHU da Unisinos - universidade brasileira - http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/596989-o-coronavirus-e-os-filosofos .

Leia o resumo, você vai se divertir muito. 

PLATÃO
Fiquem na caverna, porra!

FRIEDRICH NIETZCHE
Fique em casa, por mais difícil que seja suportar sua própria presença. 

RENÉ DESCARTES
Habito, ergo sum.

HEGEL
Tese: fique em casa; 
Antítese: fique em casa; 
Síntese: fique em casa.

HERÁCLITO
Não se pega duas vezes o mesmo vírus, na segunda vez o vírus e você já são outros. 

JEAN JACQUES ROUSSEAU
O homem é bom por natureza, mas o vírus o corrompe.

ARISTÓTELES
O vírus está apenas cumprindo seu papel no Cosmos ao infectar corpos. 

SANTO AGOSTINHO
A medida de amar é amar longe. 

SÃO FRANCISCO DE ASSIS
Onde houver vírus, que eu leve álcool em gel. 

PROTÁGORAS
O vírus é a medida de todas as coisas. 

HANNAH ARENDT
Para o vírus, matar é uma tarefa banal e cotidiana. 

IMMANUEL KANT
Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado lá fora e eu aqui dentro.

SIGMUND FREUD
O vírus dá plena vazão a suas pulsões reprodutivas porque não é reprimido sexualmente, na infância, pela civilização.  

LUDWIG WITTGENSTEIN
Aquilo que não se pode contrair, não se pode transmitir.

JACQUES DERRIDA
O objetivo de todo vírus deve ser a desconstrução do corpo infectado. 

ZYGMUNT BAUMAN
A maior evidência da sociedade líquida é sua dependência do álcool.

VILÉM FLUSSER
O DNA do vírus não pode ser decodificado porque a escrita acabou.

MICHEL FOUCAULT
Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo são o que podemos chamar vírus. 

WALTER BENJAMIN
A reprodutibilidade excessiva e sem freios do vírus traz como consequência a perda de sua aura de sacralidade. 

SIMONE DE BEAUVOIR
Não se nasce infectado, se torna infectado. 

JEAN PAUL SARTRE
Nada a retificar, o inferno são os outros. 

KARL MARX
Trabalhadores do mundo, separai-vos.

CRISTO
Amai-vos uns aos outros ficando longe uns dos outros.

JUDITH BUTLER
O fato de esta lista ser composta por 95% de homens revela como a história da humanidade é a história da dominação patriarcal. Homens são o verdadeiro vírus.

23.3.20

Ter um celular é questão de cidadania


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP


A minha última tarefa no centro de Araçatuba, antes de meu isolamento social por causa do coronavírus, foi calibrar meu celular. 

O aparelho vai se desorganizando, de repente, precisa de uma arrumação. Afinal, prisão domiciliar com celular funcionando pela metade é castigo dobrado. 


As garotas da Mega Cel, uma empresa de mulheres, no calçadão da Princesa Isabel, 95-A, são doutoras em celular, principalmente a Emily. Tratamento nota 10.


Fiquei lá por três horas. Não se assuste, caro leitor, porque no meu celular está o notebook por inteiro, todos os arquivos, nas nuvens e no chão.  Minha mãe, com 93 anos, detesta celular, mas o filho dela, com 71, adora.

A pessoa pode não ter endereço fixo, pode morar debaixo da ponte, mas precisa de um celular. Antigamente, ser cidadão era morar numa rua com identificação da casa, hoje é ter um número de celular para sempre, como se fosse o RG. O meu está comigo há 20 anos. 


Enquanto eu esperava a Emily ajeitar o meu celular, chegou um cidadão, com características de morador de rua, perguntando pelo orçamento do conserto de seu celular. Para dar trela aos contrários ao bolsa-família, achei que o cara tivesse um iPhone.


Espiando sobre os ombros do cara, percebi que era celular antigo, usado por ele mesmo por algum tempo, doado por um amigo ou comprado por R$ 10,00 de gente com mesma condição. Nem bateria funcionava, estava bem fraquinha. Sem possibilidade de conserto. Não era coisa roubada.


Eu estava quase por fazer uma boa ação, devolver a cidadania àquela pessoa, pagando pelo serviço, mas quando soube que o montante era de R$ 250,00, desisti. Pensei logo: “Jogue fora e compre outro!”  


Há smarthone mais barato no mercado que o conserto. Não justificava tanto investimento num aparelho antigo. E o adjutório seria grande, me contive.


A gente acha normal pessoas dormirem nas calçadas, viverem como bichos. Alguns tomam alqueires e mais alqueires do planeta para si, outros não têm uma casa para chamar de sua, nem conseguem pagar aluguel para morar na Terra.


Como os moradores de rua estão enfrentando a pandemia do coronavírus? Estão sabendo, estão sendo ajudados ou escorraçados? 


Tomara que a maioria de meus concidadãos não sejam covardes como eu e estejam ajudando os necessitados nessa hora difícil.  

22.3.20

Obrigado, cara!


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

O músico é alimentado por aplausos de seus ouvintes. Nós, seres humanos, também, gostamos de ser reconhecidos. 

Elogiar é mais fácil, mas não pode cair na insignificância do elogio fácil, da bajulação. Sei que as palavras de Nevil vieram do coração. Ele não leu uma crônica, mas um livro com quase 100 textos meus. 

Quem escreve adora um elogio, mas quando não se consegue, uma crítica bem-feita também é bem-vinda, porque a desgraça é a indiferença.

Assim, me deliciei com as palavras de meu amigo professor Nevil Reis Verri, de Penápolis. Companheiro de antigas lutas da Apeoesp. A mensagem veio voando por e-mail, o primeiro gênero da era da internet. 

Provavelmente, também me lê no jornal escrito e digital Diário de Penápolis, onde escrevo semanalmente. Tenho apreço especial por Penápolis-SP, pois foi na FUNEPE que aprendi a escrever, a ressignificar minha vida, sendo protagonista dela. Assim, a leitura de Nevil do meu último livro "Analógicos e digitais" significou muito mais.

Obrigado, cara! 
(É assim que falam sujeitos com mais de 70 anos, perseguidos pelo coronavírus.)


Olá meu amigo Hélio, bom dia!
(E-mail de 12/03/2020.)

            Ainda que incerto se recepcionará este e-mail, estou me atrevendo a escrevê-lo.

       Ontem quando acabei de reler o Analógicos & DIGITAIS, livro que mo deu, em 20/09/2019, quando esteve aqui na subsede da APEOESP para conversar sobre conjuntura com nossos REs, ao final, me deparei com seus contatos e resolvi, como dito, me atrever a escrever-lhe para demonstrar-lhe (ao menos com poucas palavras) minha gratidão pelo belíssimo presente, pois que, como bem o disse na crônica Dieta para emagrecer e espartilho, “A pessoa leitora é diferente, porque viaja sem sair do lugar e...”,  viajei bastante (como sempre que leio) sem sair do lugar por “dois dias” (tempo que despendi à noite antes do repouso merecido para a leitura do livro), exatamente por gostar tanto de leitura quanto do seu jeito “caipira” de abordar assuntos extremamente interessantes e, por que não dizer, sérios do nosso cotidiano. Quem me dera tivesse essa facilidade e pudesse também assim o fazer!
            Obrigado, professor, mais uma vez e que Deus, pai de infinita bondade, realmente nos proporcione o que pediu ao final da crônica Viver tudo, viver sempre, pois que também são meus desejos.
            Um grande abraço fraterno!

Nevil

21.3.20

Um livro para deixar o leitor fascinado

Kit do assinante da TAG

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Não sou de ler livros policiais, como também não assisto a filmes do gênero, mas quando eu entro num clube de leitura, eu me submeto. Está nisso a virtude de receber um livro todo mês em casa, sair de meu quadrado.
Porém a TAG teve o cuidadode preparar o seu leitor para ler um romance policial, mandando junto uma caixa com três clássicos, sendo um deles "Um estudo em vermelho", de Sir Arthur Conan Doyle, o pai de Sherlock Holmes. Os outros dois eram "O alienista", de Machado de Assis; Alice no país das maravilhas", de Lewis Carrol. Comemoração dos cinco anos do clube.
"Apenas um olhar", de Harlan Coben,  não se trata de um livrinho que não para de pé, mas contém 425 páginas. O autor trata de sair do esquema tradicional. Ele trama várias histórias com muitos mistérios, adotando vários pontos de vista, deixando no leitor a impressão de que não vai conectar tudo no final do livro.
Para não dizer que é uma literatura de entretenimento, o escritor norte-americano vai dando algumas lições no decorrer da história. Exemplo na página 318: 
"Fora criado em um ambiente que enfatizava o poder dos homens e a subordinação das mulheres, mas sempre considerava isso mais um desejo do que a verdade. As mulheres eram mais difíceis, mais imprevisíveis. Lidavam melhor com com o sofrimento físico..."  Nesta reflexão ele já adianta o final do livro. 
O livro foi publicado em 2004, só agora publicado no Brasil. Na história  ainda há máquinas de filmes e revelações das fotos, pois o motor da narrativa se baseia numa fotografia antiga, colocada dentre as novas num envelope de festa familiar. Grace ao perguntar para o seu marido Jack, ele olha a foto, faz um telefonema, sai de casa e desaparece.
 Harlan Coben
Outra novidade foi a motivação original de tantos crimes, pois não era diretamente o dinheiro, mas os direitos autorais de rock, envolvendo bandas do gênero é que gerou o Massacre de Boston numa casa de espetáculo.   
Na trama, aparece escola, van escolar, crianças, escritórios de advocacias, como não podia deixar, as perseguições. 
"O livro se desenvolve nessa busca de Grace em saber quem são as pessoas da foto, por que ela foi parar do meio das fotos reveladas e quem a colocou lá. Pessoas perigosas estão à sua volta e as vidas dela e de sua família podem estar correndo perigo" - leitora Sinthia Cunha Benavides Ritter.
O escritor Dan Brown, autor de "O código Da Vinci" escreveu que "Harlan Coben é mestre em prender a atenção do leitor e criar histórias surpreendentes. Ele vai seduzir você logo na primeira página só para chocá-lo na última". Boa leitura.

Os vírus têm vida? Como assim? - Alberto Consolaro

Interior de célula com milhares de vírus prontos como carros no estacionamento da montadora de veículos!
É tão pequeno que fica difícil vê-los e por muito tempo se achou que eram sustâncias tóxicas ou venenos! A palavra “vírus” é sinônimo de veneno! A maioria são mutantes e modificam sua composição a todo instante, como os coronavírus. Quando se faz uma vacina, logo aparece outra variante!

Imaginem o vírus como jabuticabas e lichias muito pequenas, mas muito mesmo, soltas por aí ao sabor dos ventos em todos os lugares como partículas nanométricas! Onde tem mais gente, tem mais vírus e são tão pequenos que uma bactéria parece uma gigante e pode ser infectada por eles, acreditem! Sim, bactérias têm viroses!

Os vírus podem estar quietos na floresta, dentro de uma geleira ou em animais sem fazer mal algum como nos frangos e porcos. Se liberados sofrem variações e começam a fazer mal aos humanos: assim nasce uma nova doença! Eles são tão minúsculos que não dá para falar em milhares ou milhões de vírus, mas sim bilhões e trilhões, e cabem em todos os lugares!

As “jabuticabas” ou vírus, por fora têm proteínas na capa e no interior tem um “fiozinho” ou filamento de DNA ou RNA, mas não têm metabolismo próprio e nem prolifera sozinhos! Proliferarão apenas se entrarem em uma célula do corpo e da qual usará tudo para ela virar uma “fabriquinha” de vírus até que morra depois de liberar “zilhões” de novos vírus! Neste período o corpo fica doente! Onde tem gente, eles deitam e rolam, afinal cada um de nós tem 10 trilhões de células ou potenciais “fábricas virais”!

“VIDA”?

Para a ciência, vida é todo fenômeno que anima a matéria, como os íons que mudam a posição na molécula! Se assim for, tudo tem vida, até os vírus! Se a reprodução for critério para ter vida, os animais híbridos como as mulas não deveriam ser chamados de seres vivos, pois não proliferam. As formigas obreiras não se reproduzem!

Se o movimento, a capacidade de se transformar, de acumular energia e massa podem ser critérios para confirmarmos a presença da vida, as estrelas são vivíssimas pois fazem tudo isto e ainda pulsam, piscam, emitem energia. O Sol é nossa estrela maior. Lindas estrelas!
A barata, o sapo, o carrapato, a pulga e o morcego são vidas. As vacas, porcos, frangos e peixes também são vidas como as plantas. Definir vida não é fácil, então definir o que é tirar a vida, dar a vida ou estragar a vida também deve ser difícil. Quando matamos os animais ou cortamos o pé de uma planta, como a alface, estamos tirando uma vida de circulação.

POR FIM!

Nas refeições ingerimos o que foi vida! Será que precisamos comer vidas para manter a nossa existência? Quando não se fornece alimentos, tira-se a vida. Quando não atendemos no hospital, tiramos a vida. Quando não se presta socorros, nega-se a vida. Quantas vidas tiramos de circulação, negamos ou comemos por dia? Quantas vidas moram em nós?
E todos querem a vida eterna. Ai, ai, ai e agora?
 
Alberto Consolaro – professor titular da USP-Bauru-SP

CORONAVÍRUS – Provocam doenças respiratórias com sintomas semelhantes aos da gripe e resfriado em humanos e animais. Algumas variantes ou mutantes de coronavírus podem provocar pneumonias graves e levar à morte. A transmissão se faz pelo ar, pelo toque e contato com objetos que estão impregnados com secreções da boca, nariz e dos olhos! Lavar as mãos com frequência, usar luvas nas concentrações humanas e aviões diminuem os riscos.

CABELO BRANCO – A cor dos cabelos é dada pela melanina produzida pelos melanócitos na raiz. Quando estressados, os camundongos ficavam com cabelos brancos, pois os neurônios do sistema simpático próximos a raiz do cabelo secretavam neuroadrenalina e reduzia o número de melanócitos e melanina. Conclusão: cabelos brancos decorrem de estresse nos camundongos! Saiu na “Nature” por brasileiros da Usp e apoio da Fapesp.
  
USP: FUGA ACELERADA DE CÉREBROS



Além do grande número de aposentadorias, a Usp passa por um aumento acentuado de pedidos de demissão e licenças não remuneradas com dezenas de casos nos últimos 3 anos, comprometendo ensino e pesquisa! Tipo de aposentadoria, teto salarial e hipercompetitividade são as explicações.

19.3.20

O coronavírus e o neoliberalismo - o dia em que a Terra parou


Afrânio Silva Jardim, 17/03/2020

1) Agora os "liberais" estão percebendo a importância do Estado, seja no aspecto econômico, seja nos aspectos médico e sanitário.

O "deus mercado" não resolve estas questões. A iniciativa privada fica "pendurada" nas políticas do Poder Público.

Trata-se de um capitalismo que concentra os lucros e socializa os prejuízos. Vale dizer, capitalismo com baixo risco para os empresários.

Que medidas concretas a classe empresarial está tomando para minimizar os danos sociais decorrentes desta pandemia?




Qual a contribuição efetiva da iniciativa privada para diminuir o sofrimento e desconforto da população?

2) Agora os místicos e religiosos estão percebendo a importância da ciência e da tecnologia.

Parece que não estão realizando curas espirituais ou simplesmente rezando à espera de milagres divinos ...

Por que os "bispos macedos" não estão afastando o demônio das pessoas contaminadas pelo novo coronavírus?

Por que os idiotas que são contra as vacinas estão ansiosos pela pesquisa científica em prol de medicamentos aptos a combater o danoso vírus? Estão eles seguindo os conselhos preventivos fornecidos pelos cientistas e médicos especializados?

A conclusão que se tira disso tudo é o que o novo coronavírus veio tornar ainda mais claro a fragilidade deste sistema capitalista extremado e que a figura do Estado é fundamental para a própria preservação da espécie humana.

O capital não sabe, não quer, e não tem condições para resolver os grandes problemas mundiais e está sempre “sugando” o Poder Público. Na verdade, como sempre digo, neste modelo deletério de sociedade, o Estado passa a ser a expressão política do poder econômico. Por isso, se diz que o capitalismo financeiro é um grande genocida.

Não há como negar: o capitalismo mata. O capitalismo é o maior genocida da história da humanidade, seja pelas guerras colonialistas ou imperialistas, seja pela pobreza e miséria da maioria da população mundial.

A conjugação do capitalismo com o autoritarismo deságua no tenebroso fascismo, cujos valores deletérios levam a nossa civilização à truculência e ao obscurantismo.

Importante perceber a importância do conhecimento científico e combater, com todas as forças, o obscurantismo pregado pela extrema direita em nível mundial. O fundamentalismo religioso não é compatível com a ciência, o conhecimento histórico e com a cultura de um modo geral.

Esperamos que esta trágica pandemia venha, ao menos, servir para expor as falsas promessas deste pernicioso sistema econômico neoliberal e desperte a população para uma percepção mais crítica do desenvolvimento de nossa civilização.

Justiça social, humanismo, educação, cultura e ciência são a salvação para as futuras gerações.


Mais Estado!!! Mais democracia!!! Mais distribuição da renda nacional!!! Menos cobiça, ganância, mediocridade e concentração de rendas!

Afrânio Silva Jardim é professor associado de Direito Processual Penal da UERJ, mestre e livre-docente em Direito Processual, Procurador de Justiça (aposentado). https://emporiododireito.com.br/leitura/novo-coronavirus-e-o-neoliberalismo

18.3.20

Aviso aos clientes do Mané Simpatia

Mané Simpatia, criador do caldo de jegue

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Há uma lanchonete, ou melhor, um restaurante, bom mesmo se chamássemos de boteco, mas ele é grande para ser reduzido a um bar. Ele fica em Birigui e Mané, seu proprietário, é uma simpatia. Então o apelido pegou: Mané Simpatia. Ponto turístico da Cidade Pérola.
  
Lá as famílias, aquelas tradicionais, com um jeito ainda rural, passam pelo local após as missas com todos os seus membros. Então há sanduíches enormes que pegam um pão bengala inteirinho, todos no aumentativo, homenageando as cidades da região: Bilacão, Biriguizão, Araçatubão, etc.  



Nas paredes do estabelecimento há fotos de todas autoridades e pessoas importantes que passaram por lá. Não há mais espaço para mais nada.

Nesse tempo de coronavírus, houve uma reformulação, mas ele está com medo de perder a freguesia, por isso fez um comunicado à praça:

AVISO IMPORTANTE
Mané Simpatia informa aos seus clientes.

Se vocês perceberem alteração de sabor dos sanduíches não se alarmem. É que o cozinheiro agora está lavando as mãos e os panos de prato que foram trocados. Logo tudo voltará ao normal! Venham aproveitar a promoção do Biriguizão.

Atenciosamente,
Mané 



Mané, fique tranquilo, estarei em seu estabelecimento todas as vezes que irei a Birigui. Você tem o antídoto para o coronavírus. 

Sabe qual é? A sua simpatia! O melhor marketing.


Coronavírus: repensar nossa existência

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Não queria escrever sobre o coronavírus, já não aguento mais ouvir, escutar, ler sobre o infeliz, mas não consigo. Todos os meus compromissos foram cancelados, não há nem futebol na tevê, não sei se vamos sobreviver. "Um exílio em suas casas, um exílio do contato social."

Já li que há uma guerra biológica entre a China e os Estados Unidos cujo exército soltou o vírus criado em laboratório lá na China. E os efeitos sobraram para o mundo todo. 

Outros escrevem que a manipulação veio da China, pois querem ultrapassar os Estados Unidos como primeiro país do mundo. E nós, pobres mortais, ficamos obedecendo as ordens a título de prevenção. Teoria da conspiração?

Será que cerimônias de casamentos foram adiadas? Defuntos ficaram sozinhos nas funerárias? Já sei que missas foram canceladas por força judicial. Quem trabalha com as relações das pessoas, como o Rotary, por exemplo, está desesperado. "Descobrimos um mundo vulnerável e dependente." 


As mães, com filhos dispensados das creches e escolas, andam engaiolando seus filhos, pois não conseguem segurá-los em casa. 

Os artistas estão em crise, pois os shows foram todos cancelados. Quem vive de vendas no entorno das arenas esportivas perdeu a renda com a suspensão dos campeonatos.  "Na Itália e na Espanha, vizinhos saíram às suas sacadas para cantar juntos.  Um sentimento de uma comunidade real surgido às sombras do mundo virtual?"

Estão dizendo que o coronavírus é doença  da grã-finagem e seus criados estão pegando a doença dos patrões. Coronovírus é o suvenir que eles estão trazendo para seus empregados.  

Tal afirmação tem fundamento, porque o mundo não para por causa do ebola, da dengue, zica, chicungunha que matam muito mais, pois são doenças de países emergentes (para usar um pleonasmo de pobre). 

"Para uma classe privilegiada do mundo, nunca foi tão fácil vencer uma pandemia. Fechados, temos as janelas abertas ao mundo graças às dezenas de conexões e possibilidades tecnológicas."

Tomara que a solidariedade seja mais contagiosa que o coronavírus. 

As expressões entre aspas são de Jamil Chade no artigo: A crise que definirá nossa geração

Sugestão de leitura: livro "A peste", de Alberto Camus

13.3.20

Estreou no Cineflix do Shopping Praça Nova "Bloodshot" - Araçatuba

Cena do filme "Bloodshot"

Outra novidade da semana é o emocionante "Terremoto", de John Andreas Andersen

Dando vida a um super-herói, Vin Diesel protagoniza o eletrizante "Bloodshot", uma das estreias da semana na rede Cineflix. Outro filme de ação também entra em cartaz na Cineflix do Shopping Praça Nova nesta quinta-feira, 12.

Adaptação dos quadrinhos para o cinema, "Bloodshot", de Dave Wilson, coloca Vin Diesel no papel de uma máquina biotecnológica super-humana. Depois que o protagonista Ray Garrison e a esposa são assassinados, ele é ressuscitado por cientistas, que o tornam uma máquina de matar.

Entre os poderes conquistados, a super máquina tem a possibilidade de se regenerar e fazer metamorfose.

A memória dos anos anteriores de vida é retomada aos poucos e o faz lembrar dos homens que o mataram e que também assassinaram sua mulher. A partir daí, a busca do Bloodshot é por vingança.

Em cartaz a partir desta quinta-feira, o longa tem sessões às 14h10, 16h40, 19h10 e às 21h40.

Também no grupo das estreias, o emocionante "Terremoto" começa a ser exibido nesta semana na rede Cineflix. Sob direção de John Andreas Andersen, o filme narra o desespero da capital norueguesa Oslo com a aproximação de um novo terremoto. A cidade, em 1904, enfrentou o mesmo desastre e a população pode estar prestes a viver um novo pesadelo.

Na próxima semana, a Cineflix prepara uma sessão especial para a pré-estreia de "Um Lugar Silencioso - Parte II". A sessão será na quarta-feira, 18, às 21h50.

Continuam em cartaz na Cineflix do Shopping Praça Nova "A Maldição do Espelho", "Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica", "Dolittle", Jumanji: Próxima Fase", "Maria e João: O Conto das Bruxas", "O Homem Invisível" e "Sonic".

Para conferir a programação completa da Cineflix acesse: cineflix.com.br

12.3.20

Pôncio Pilatos nos ensinou a lavar as mãos


Hélio Consolaro é professor,  jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Nesse tempo de histeria com o coronavírus, ouve-se muito a expressão "lavar as mãos". Algum dia, não sei se muito longe, alguém vai dizer que houve manipulação política nisso tudo. Bug do milênio é um exemplo. Aguardemos.

Quando imaginávamos ter chegado ao fundo do poço, quando parcela importante do eleitorado brasileiro não votou em ninguém, lavou as mãos, eis que surge o coronavírus. Precisam lavar as mãos novamente.

Com o ato de lavar as mãos com assiduidade, a humanidade combateu várias pestes. Em casa e nas escolas, mães e professoras tentam criar nas crianças o hábito de higienizar as mãos antes das refeições. 
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Ouça a música Lavar as mãos, de Arnaldo Antunes:


Uma lava outra, lava uma

Lava outra, lava uma mão

Lava outra mão, lava uma mão
Lava outra mão
Lava uma

Depois de brincar no chão de areia a tarde inteira
Antes de comer, beber, lamber, pegar na mamadeira
Lava uma (mão), lava outra (mão)
Lava uma, lava outra (mão)
Lava uma

A doença vai embora junto com a sujeira
Verme, bactéria, mando embora embaixo da torneira
Água uma, água outra
Água uma (mão), água outra
Água uma

A segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira
Na beira da pia, tanque, bica, bacia, banheira
Lava uma mão, mão, mão, mão
Água uma mão, lava outra mão
Lava uma mão
Lava outra, lava uma
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Há políticos que literalmente lavam as mãos durante as campanhas eleitorais. Quando terminam o dia de trabalho, de tanto pegar em mãos alheias e bater as suas nas costas dos eleitores, lavam as mãos, passam nelas gel com álcool várias vezes diariamente.

E o adversário político já grita aos quatro cantos que seu concorrente não gosta de cheiro de povo, estendem as mãos para cumprimentar as pessoas, mas ficam com nojo delas. Lavam-nas na primeira oportunidade.

Se a gente faz uma grande corrente com abraços e cumprimentos de estender a mão, pela mesma via passam a amizade e solidariedade, porém fazem o mesmo caminho os vírus.  Como escreveu Augusto dos Anjos no soneto Versos íntimos: "A mão que afaga é a mesma que apedreja". 

Temos a capacidade de mudar o bom sentido das frases, se a recomendação de São Francisco era "dar para receber" como princípio da caridade, ela é pronunciada com insistência nas negociações políticas; aconteceu o mesmo com "uma mão lava a outra, e as duas lavam o rosto", transformando a saudável troca de favores num ato de corrupção.

O primeiro homem que lavou as mãos em público no sentido de renunciar a responsabilidades, se isentando de culpa, foi Pôncio Pilatos, quando perguntou ao povo quem queria salvar, Jesus Cristo ou o ladrão Barrabás. E a multidão gritou o nome do bandido. E como todos sabem, Jesus foi crucificado 

Só restou a Pilatos balbuciar  a frase: “Estou inocente deste sangue. Lavo as minhas mãos”. E dizem por aí que a voz do povo é a voz de Deus.