AGENDA CULTURAL

25.4.17

Exposição de fotos "Retratos Brasileiros" no Calçadão de Araçatuba

Nesta quarta-feira (26), a partir das 8h, no calçadão da Princesa Isabel, Araçatuba receberá o projeto Retratos Brasileiros, que produz e exibe retratos da população brasileira com o objetivo de "trazer à tona todas as belezas e lutas desse fascinante povo".

O projeto, criado em 2014 por Tomás Cajueiro e Carlos Rincon, é composto pelos fotógrafos Tomás Cajueiro, Genivaldo Amorim, Erica D. Dezonne, Jardiel Carvalho e Daniel Arroyo, que viajam o Brasil na busca por imagens que retratem o perfil do nosso povo. Eles já percorreram 35 cidades em mais de 10 estados e publicaram mais de 800 histórias.


A iniciativa foi selecionada pelo Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC) no biênio 2014/2015 e desenvolveu um ciclo de exposições na Itália em setembro de 2016, além de já ter estado na Inglaterra. Em sua trajetória, Retratos Brasileiros já produziu séries especiais como "Retratos Campineiros", premiado com o Fundo de Investimentos Culturais de Campinas 2014/2015, e "Retratos Brasileiros: SP". Apoio: Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba

FOTÓGRAFOS

Tomás Cajueiro - nascido em Sete Lagoas (MG) e criado em Valinhos (SP), é co-fundador do Retratos Brasileiros. Graduou-se bacharel em Ciências da Comunicação pela Universidade para Estrangeiros de Perugia (Itália) e mestre em Ciências Políticas pela Universidade de Manchester (Reino Unido). Idealizou o Retratos Brasileiros junto a Carlos Rincon para dar uma pequena contribuição ao debate ao redor da pergunta “Quem é o Brasileiro?”. Estudou Jornalismo com ênfase em questões relacionadas a aspectos teóricos sobre a formação de identidades e a relação entre o jornalismo e a formação de opinião pública.

Daniel Arroyo - paulistano, formou-se em artes visuais pelo Centro Universitário Belas Artes, de São Paulo. Trabalha como fotojornalista no canal Ponte Jornalismo, que cobre questões sobre Segurança Pública, Justiça e Direitos Humanos. Colaborou para diversos veículos de comunicação como portal R7, Aljazeera, Apublica, El mundo e diversos coletivos digitais. O foco do seu trabalho fotográfico é dar voz às pessoas que sofrem da desigualdade e opressão.

Erica D. Dezonne - natural de Campinas (SP), Érica vem de uma mistura de famílias onde parte tem sangue artístico e outra é representada por mulheres revolucionárias e à frente dos tempos. Graduada em Jornalismo, ela vivenciou por alguns meses a rotina de fotojornalistas do Grupo RAC, principal veículo de comunicação de Campinas e região Metropolitana. Trabalhou na empresa por quatro anos e foi finalista de diversos prêmios nacionais, incluindo os prêmios Esso e Embratel em 2011, com a foto “A luta de uma mãe contra o vício”. Também trabalhou nos jornais Dário de São Paulo e O Estado de São Paulo. Hoje mora e estuda fotografia em Londres e busca e busca no Retratos Brasileiros ‘retratar o brilho nos olhos e a esperança que motiva cada brasileiro a buscar uma vida nova fora do país’.

Genivaldo Amorim - artista plástico, produtor cultural e curador, nasceu em Umuarama (PR) em 1973. Como artista plástico, trabalha em diversos meios como pintura, desenho, instalação, esculturas, fotografia e projetos especiais, como o World Body Project, que já alcançou mais de 80 países até o momento. Expõe regularmente desde 1995 no Brasil e em países como Alemanha, Moçambique, Camboja e Namíbia. Como produtor cultural e curador, atua há mais de uma década na área de artes visuais, com destaque para grandes projetos como Pontos de Cor, Os 60 anos de Imagens de Haroldo Pazinatto, Muros na Mata Atlântica, Retratos Brasileiros e outros.

Jardiel Carvalho - fotógrafo maranhense, nascido em 1984 na cidade de Araióses, é membro fundador do R.U.A Foto Coletivo. Tem como foco em seu trabalho o Fotojornalismo voltado para causas humanitárias e documentação de cultura popular. Contemplado nas edições do livro O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro 2014, 2015 e 2016, já teve trabalhos publicados em jornais como Folha de São Paulo, Estadão, Diário de São Paulo, Agora SP, Metro, Folha de Londrina e diversos portais da web, além de ter realizado trabalhos e palestras em diversas cidades do Brasil. Atualmente atua como freelancer da revista VICE Brasil.

  • Sexta-feira, 28/04/2017, 19h30 até 21h30
  • Rua Marcos Manfrinati, 2147 - Jardim Iporã (perto da Nestlé) - Araçatuba




Como estaria o Brasil sem o impeachment de Dilma?

Acompanho as mensagens diárias no Facebook do filósofo (professor da USP), que nasceu em Araçatuba, Renato Janine Ribeiro, e foi também ministro da Educação por seis meses no governo Dilma. 

A mensagem de hoje do Renato, transcrita abaixo, é o que penso, por isso a transcrevi abaixo (Hélio Consolaro):     

Uma pergunta interessante: como estaria o Brasil sem o impeachment de Dilma? 

Minha resposta: ela só teria continuado a governar se o Congresso lhe desse as condições mínimas para tal. Nem Eduardo Cunha nem Aécio quiseram isso. Caiu por essa razão. Não dá para imaginar um governo Dilma continuando sem as condições econômicas que Joaquim Levy pediu. Ou Nelson Barbosa. 


As condições mínimas seriam parecidas com o que disse em 2015 o senador Aloysio Nunes: deixá-la cumprir o mandato, mas sangrando. Na verdade, o governo precisaria de um pouco mais do que isso. 


O erro da oposição foi não ter dado ar para o governo respirar, negando medidas que afinal eram mais leves do que as que hoje, um ano após seu afastamento, ainda estão longe de surtir efeito. Joaquim Levy tentou uma política que não era petista, que poderia até ser tucana, mas que naquela ocasião teria custado menos e rendido mais do que as adotadas um ano e meio depois. 


A oposição agravou o problema econômico, com seu bombardeio, e o político, ao entregar o poder ao PMDB. 


Se o PSDB tivesse dado esse ar pouco para o governo respirar, a crise econômica estaria superada, ou perto de; mas não muito mais do que isso. O governo Dilma iria até o fim, teria feito algumas reformas mas mais leves do que o atual, chegaria às eleições de 2018 fraco. 


O PSDB ganharia as eleições de 2018 sem dificuldade e com legitimidade. Daria Serra, Aécio ou Alckmin. O PT iria para a oposição, onde tentaria se refazer. 


Não viveríamos um clima de tanto ódio.
Sinceramente, não vejo bem quem ganhou com essa guerra.
Ou vejo.

Varal de poesia em homenagem às mães


O Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras vai promover na véspera do Dia das Mães, 13 de maio de 2017, das 9h às 16h, na sua sede, na rua Joaquim Nabuco, 210, um varal de poesia.

COORDENAÇÃO DO EVENTO: José Hamilton Brito, Elaine Alencar, Larissa Alves, Alice Silva, Hosanah Spíndola, Hélio Consolaro. Supervisão: Yara Pedro de Carvalho

TEMA: a figura da mãe

GÊNERO LITERÁRIO: poema (poesia) de autoria do expositor.

FORMATO: papel sulfite A4, digitado ou escrito à mão (legível). O texto deve ter título. O poema não pode ultrapassar a uma página de sulfite A4.

QUEM PODE PARTICIPAR: poetas de Araçatuba e região, escolas de forma organizada (com painéis próprios - móveis ou afixados em paredes), estudantes avulsos, qualquer faixa etária. Haverá emissão de certificado de participação.

INSCRIÇÃO: até o dia 09/05/2017, na sede da AAL, rua Joaquim Nabuco, 210 – centro – perto do Museu Histórico-Pedagógico Cândido Rondon, das 13h às 17h, com o acadêmico Antenor Rosalino. Entregar dados numa folha (veja abaixo) e entregar com o poema no mesmo momento. Cada pessoa apenas pode expositor apenas um poema. Não aceitamos inscrição pela internet.

APOIO: Diretoria de Ensino e Secretaria Municipal de Cultura

CONTATO
Academia Araçatubense de Letras (acadêmico Antenor Rosalino)
Rua Joaquim Nabuco, 210 - centro - 
18 3624 7638 - aracaletras@outlook.com 

Dados da inscrição (entregar junto com o poema) - pôr numa folha grampeada ao poema

Nome do poema:
Autor(a):
Idade:
Rua:
Cidade e CEP:
Telefone fixo: 
Celular: 
WhatsApp: 
Escola ou entidade a que pertence. Se não houver, deixar em branco.

24.4.17

Comportamento ético cabe até na zona

Por outro lado, há quem fale que em jogo, há blefe, truque, levar vantagem.
]

Hélio Consolaro*

O futebol é um instrumento forte de ensinamento, como também pelo comportamento de seus atletas em campo, conhece-se o caráter do povo daquele time. Tenho sentido que os jogadores brasileiros melhoraram muito em campo nesse quesito. Não sei se as partidas de futebol perderam a graça, mas o canibalismo foi superado.

O fato de o jogador Rodrigo Caio (São Paulo F.C.) dizer ao juiz Luís Flávio de Oliveira, na primeira partida da semifinal do Campeonato Paulista 2017, 16/04), que o Jô não havia pisado no pé do goleiro Renan Ribeiro, mas quem havia dado o pisão era ele, tirando do adversário o cartão amarelo e a suspensão do próximo jogo, causou uma grande polêmica, deixando o praticante do "fair play" em situação ruim diante de sua torcida, do técnico e da diretoria do São Paulo F.C. Não sou são-paulino, mas o tenho o direito dizer que não gostei do comportamento dos dirigentes.

Na segunda partida da semifinal do Campeonato Paulista de 2017, 23/4, por ironia do destino, o Jô marcou um gol impedido e não foi falar para o juiz de sua situação irregular. A argumentação dos contrários ao "fair play" jogaram pesado: confiar em corintiano! E até afirmações racistas cheguei a ouvir de são-paulinos, apesar do gol de Jô não ter influenciado na classificação corintiana.

Há um senão que precisa ser analisado,  a infração cometida pelo Jô não se tratou de agressão física, naquela confusão na porta do gol, apenas quem tem a visão do conjunto é o juiz. Cobrar "fair play" dele não é uma atitude inteligente.

Por outro lado, há quem fale que em jogo, há blefe, truque, levar vantagem. As competições esportivas tem um caráter bélico na disputa, tratar o adversário como irmãozinho não faz parte da natureza humana. Apesar de que o comportamento ético cabe até na zona.

As afirmações: 1) o homem é bom por natureza, a sociedade é quem o deforma; 2) o homem é mesmo um animal, a sociedade é quem deve burilá-lo. Elas são explicações que não justificam o mau comportamento, de uma forma ou de outra, para se viver em sociedade, precisamos de um código de comportamento (a ética, a moral, etc). A atitude de Rodrigo Caio foi construtiva, merece a nossa a admiração, alguém precisa avançar nas mudanças, ir para o sacrifício.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras.

22.4.17

A enxada azul do prefeito Dilador

Como também o prefeito quer sacrificar os donos de terrenos baldios que não cuidam deles com altas multas
Hélio Consolaro*

A administração do PSDB mandou trocar a cor do teatro municipal Castro Alves de Araçatuba, porque considerou que a cor vermelha era partidária, já que a administração anterior era do PT, então pintaram-no de azul, alegando que é uma das cores da bandeira do município, mas também é a cor forte da agremiação dos tucanos. 

Agora, mais que de repente, quando ficou claro que o PSDB está atolado até o pescoço na Operação Lava Jato, o azul passou a ser endemoninhado, eis que surge o jogo Baleia Azul, iniciado em 2015 na Rússia, que leva adolescentes já fragilizados com a sua existência ao suicídio.

O prefeito de Araçatuba, recém-empossado, Dilador Borges (PSDB) passou, a exemplo de João Dória (prefeito tucano de São Paulo) a ser em tudo o primeiro. A primeira vassourada, a primeira vacina, a primeira xícara de café. Tudo passa primeiro por seu bico. 

Como Dilador gosta da enxada, símbolo da agricultura primitiva, à moda antiga, ele está sempre com a enxada na mão (sem ter calos), dando a primeira enxadada, como símbolo do trabalho. Já estão falando por aí que o símbolo de sua administração será a enxada e o facão.

O prefeito Dilador visitou o centro POP, casa da Secretaria Municipal de Assistência Social e convidou na sua fala os moradores de rua a pegarem na enxada para limpar a cidade. A conversa não terminou de forma amigável.

Como também o prefeito quer sacrificar os donos de terrenos baldios que não cuidam deles com altas multas (geralmente, de propriedade de especuladores imobiliários), que envolve capina, enxada, então já estão falando pelas redes sociais da enxada azul (enxada do PSDB) que está levando Araçatuba ao suicídio.

Com o povo não se pode, principalmente numa democracia, o negócio é fazer piada: a enxada azul do prefeito Dilador. Quem receber essa enxada azul vai ter como desafio capinar 30 lotes de Araçatuba.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. 

Os incômodos da solidão



—Essa luz que vem do prédio aqui da frente me faz perder o sono.
Eu sei, seria mais fácil instalar cortinas mais espessas, escuras, à prova de luz, mas também seria mas fácil me mudar para o apartamento do outro lado do corredor.
—Esse travesseiro de espuma é horrível, me dói o pescoço quando desperto.

Eu sei, seria tão simples trocar de travesseiro, ou então voltaria a dormir no sofá, mas claro sem levar o travesseiro, deitaria sobre a almofada, mais macia.
—Essa sua lembrança me tira a paz.
Eu sei, seria muito mais cômodo me casar novamente, óbvio, não com você, mas com "outra amor", mas também seria tão mais fácil se conseguisse esquecer você de uma vez por todas.
—Essa luz que vem do prédio aqui da frente me faz perder o sono.
Talvez pelo fato de você agora morar justamente ali, naquele prédio, naquele apartamento que me incomoda com a luz.
Eu sei, seria fácil me mudar, dormir no sofá e te esquecer.
Mas...
—Esse travesseiro de espuma é horrível, me dói o pescoço quando desperto, mas só porque desperto sozinho, sem você aqui do lado
*Arlen Pontes é arte-finalista, Buritama-SP

21.4.17

Existe a boa música?

Chamar de "música boa" aquela que você gosta é menosprezar o gosto dos outros. 


Hélio Consolaro* 

Às vezes, locutores de programas de rádio mais cult afirmam: "Aqui você ouve a boa música". Esta afirmação "a boa música" carrega em si uma grande dose de subjetividade, chegando à intolerância subjacente porque se trata de um juízo de valor. 

Em vários programas "Todo Seu" do Ronie Von (TV Gazeta, 22h30), que faz apologia às coisas estrangeiras, tudo que é bom está nos Estados Unidos, quando ele entrevista um músico ou um cantor, ele fazia a pergunta: "Você não acha que a música brasileira está em decadência?" E felizmente Ronie tem levado algumas bordoadas de respostas inteligentes, como: "cada época tem a sua música, nós também em nossa juventude fomos rechaçados". Na verdade, a boa música é aquela que não fica velha, em qualquer gênero, como "Carinhoso", "Chalana", por exemplo.

O canal de TV Multishow tem um programa que se chama "Música boa ao vivo", que já foi animado pelo Thiaguinho e agora pela Anitta. Os nomes dos animadores já prenunciam que lá não há Bossa Nova, MPB biscoito fino, ou seja, nada cult, nem por isso deixa de ser "música boa" aos fãs do pagode, do sertanejo, etc. 

Chamar de "música boa" aquela que você gosta é menosprezar o gosto dos outros. Cada segmento social tem a sua arte, seria a mesma coisa de chamar a igreja católica de igreja e as evangélicas de seitas. 

Assim também é "votar bem" ou a afirmação de que "o brasileiro não sabe votar". Para saber votar é preciso escolher o meu partido, os meus candidatos? Não e não. Votar bem é exercer a cidadania com consciência, não ir pela cabeça dos outros, procurar um candidato que corresponda a seus princípios, pode até ser o Tiririca, o abestado.

Há gente que considera etiqueta coisa de gente chique, requintada. Na verdade, etiqueta é derivada da palavra ética. Aceitar os outros como são, se discordar, fazê-lo com elegância. Tudo isso faz parte da boa etiqueta (ética). 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras.

20.4.17

Museu Marechal Cândido Rondon faz exposição sobre índios para alunos


Na última terça-feira (18), Fernando Bacelar, do Museu Histórico e Pedagógico Marechal Cândido Rondon, apresentou a história e vida dos índios da nossa região para os alunos do 6º ano do período integral da Escola Estadual Altina Moraes Sampaio.

A exposição mostrou banners sobre a criação do SPI (Serviço de Proteção aos Índios) e da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), o trabalho de Marechal Cândido Rondon na pacificação dos índios, os costumes alimentares daqueles que habitaram o país antes da chegada de Pedro Álvares Cabral, suas moradias e as principais etnias no Brasil.


Também foram expostas aos alunos do professor Rodolfo Chiccoli algumas peças como a borduna e o cocar (um dos símbolos de poder dos caciques), chocalhos e máscaras utilizados em rituais e festas e arco e flecha usados para caça e defesa.

Tiradentes, o herói, vilão ou um mito criado?

Tiradentes existe sob várias faces: o mártir símbolo dos republicanos, o sacrificado como Jesus Cristo, o bode expiatório, o líder da Conjuração Mineira, o ignorante. Qual dessas seria a face verdadeira? 


Texto: Silmara Andrade/Hoje Centro Sul (jornal do Paraná)

Tiradentes existe sob várias faces: o mártir símbolo dos republicanos, o sacrificado como Jesus Cristo, o bode expiatório, o líder da Conjuração Mineira, o ignorante. Qual dessas seria a face verdadeira? O historiador João Carlos Corso explica a realidade da época e oferece subsídios para a discussão sobre o mito Tiradentes.

Desde os anos iniciais do ensino fundamental ouvimos falar muito no famoso Tiradentes. De acordo com o que aprendemos na escola, ele foi um herói da época, teve diversos trabalhos, entre eles de minerador e tropeiro. Tiradentes também foi alferes, fazendo parte do regimento militar dos Dragões de Minas Gerais.

Junto com vários integrantes da aristocracia mineira, entre eles poetas e advogados, começou a fazer parte do movimento dos inconfidentes mineiros, cujo objetivo principal era conquistar a Independência do Brasil.

Dizem que Tiradentes era um excelente comunicador e orador. Sua capacidade de organização e liderança fez com que fosse o escolhido para liderar a Inconfidência Mineira. Em 1789, após ser delatado por Joaquim Silvério dos Reis, o movimento foi descoberto e interrompido pelas tropas oficiais. Os inconfidentes foram julgados em 1792. Alguns filhos da aristocracia ganharam penas mais brandas como, por exemplo, o açoite em praça pública ou o degredo.
-----------------------------------
Tiradentes ficou no anonimato histórico durante o império brasileiro, não era herói, já que tinha sido condenado à morte pela avó de D. Pedro I,  filho de Maria I, a Louca. Ele só surgiu como herói quase 100 anos depois de sua morte, com a Proclamação da República
-----------------------------
Tiradentes, com poucas influências econômicas e políticas, foi condenado à forca. Foi executado em 21 de abril de 1792. Partes do seu corpo foram expostas em postes na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais. Sua casa foi queimada e seus bens confiscados. Por isso ele foi considerado herói nacional, já que segundo o que aprendemos ele lutou pela independência do Brasil, num período em que nosso país sofria o domínio e a exploração de Portugal.

Mas será que Tiradentes não foi um herói inventado? A historiografia recente aponta que este homem pode não ter sido nada do que dizem ser. O nosso Tiradentes, herói nacional após a proclamação da República, era considerado um vilão até 15 de Novembro de 1889. Tiradentes provavelmente foi apenas um bode expiatório de uma revolução que estava mais preocupada com o quinto do ouro das Minas Gerais que era enviado a Portugal.
TIRADENTES ESQUARTEJADO: pintura a óleo sobre tela feita pelo artista Pedro Américo, em 1893, onde o rosto de Tiradentes é pintado com rosto de Jesus Cristo. O pintor também fez a tela gigantesca Independência ou Morte  
O historiador João Carlos Corso, professor da Universidade Estadual do Centro-Oeste,  comenta que a clássica imagem de Tiradentes, de barba e cabelo comprido, é ilusória, pois ele era alferes, ou seja um soldado da coroa. Segundo o historiador, possivelmente Tiradentes nunca possuiu cabelos compridos, nem barba. Seja em sua época de militar (posto em que os membros do exército devem moderar a quantidade de pelugem pelo rosto), seja em seu período na prisão (os pelos eram cortados a fim de evitar piolhos), ou mesmo no momento de sua execução (todos os condenados à forca deveriam ter a cabeça e a barba raspadas, para expor bem o rosto). João Carlos Corso lista motivos para que esse mito fosse criado. “Esse mito foi construído pela necessidade de criar um herói da República e também um discurso fundador, visava mostrar que a luta pela implantação da República já havia começado na Inconfidência. Além disso, a República foi instalada no Brasil no ano de 1889 e não teve participação do povo, foi um golpe estruturado por militares, tanto que os dois primeiros governos foram Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto (dois militares)”.

Só nos últimos anos, a ideia do mito vem sendo desconstruída por alguns pesquisadores, algo que representa, de fato, um retorno aos documentos, à valorização de uma pesquisa empírica mais apurada, à busca de uma nova leitura, de aspectos ainda não tratados em fontes anteriores que, apesar de já muito utilizadas, ainda têm muito a revelar.
Embora a historiografia oficial considere a Conjuração Mineira como uma grande luta pela libertação do Brasil, o historiador inglês Kenneth Maxwell, autor de A devassa da devassa (Rio de Janeiro: Terra e Paz, 2ª ed., 1978) fala que "a conspiração dos mineiros era, basicamente, um movimento de oligarquias, no interesse da oligarquia, sendo o nome do povo invocado apenas como justificativa e que objetivava, não a independência do Brasil, mas a de Minas Gerais. Colocando também o Tiradentes bem diferente do que a história passou, um homem sem barba, sem glórias e sem liderança".

Tiradentes existe sob várias faces: o mártir símbolo dos republicanos, o sacrificado como Jesus Cristo, o bode expiatório, o líder da Conjuração Mineira, o ignorante.
Como patrono das polícias militares, ele foi pintado sem  barba e vem vestido
Qual dessas seria a face verdadeira? Especulações à parte, o que importa na história da Inconfidência Mineira é que a imagem de Tiradentes enquanto herói resiste ao tempo. Mas, como a História do Brasil continua sendo escrita, qual a história que será contada, no futuro, sobre o que está ocorrendo no presente?
Como se pode perceber, desde o enforcamento de Tiradentes, a sua imagem e a sua história foram sendo recontadas por diversos grupos. Os republicanos foram aqueles que mais se apropriaram e incorporaram em seu discurso a importância de Tiradentes na história brasileira, apontando-o como o principal responsável pela "salvação" do povo, para que nem ele e nem a república fossem esquecidos.

Muito ainda há para ser abordado e discutido, e a historiografia brasileira vem se enriquecendo a cada dia com novos trabalhos e novas pesquisas, um processo ainda árduo e demorado. A constatação de elementos que têm se mantido desde o século XIX indica, por um lado, a vitalidade do mito e, por outro, o poder persuasivo das associações estabelecidas, entre o sacrifício heroico de Tiradentes e as condutas dos que se colocam como seus herdeiros: Tiradentes ficou eternizado na História.




Vídeo publicado no YouTube em 13 de janeiro de 2017

São Paulo (Brasil), 13 jan (EFE), (Imagens: Alex Mirkhan).=. O cineasta brasileiro Marcelo Gomes sente "uma alegria imensa" por ser um dos concorrentes na 67ª edição da Berlinale com "Joaquim", um filme que desmitifica a figura do herói nacional Tiradentes e resgata a "cruel" colonização portuguesa que deixou marcas "terríveis" no país.

"Estar presente nesta competição com diretores que admiro tanto, já é uma vitória. Era algo inesperado para nosso filme, de tão poucos recursos. Se vier o Urso de Ouro, será bem vindo ", disse Gomes à Agência Efe.jq

19.4.17

Suicídio de dois jovens: houve vida desperdiçada?

 A estudante Kaena Novaes Maciel, 18 anos, encontrada morta no domingo de Páscoa com o namorado Luís Fernando Hauy Kafrune, 19, em um quarto do hotel Maksoud Plaza, nos Jardins (zona oeste), cidade de São Paulo
A estudante Kaena Novaes Maciel, 18 anos, encontrada morta no domingo de Páscoa com o namorado Luís Fernando Hauy Kafrune, 19, em um quarto do hotel Maksoud Plaza, nos Jardins (zona oeste), assistiu à série "13 Reasons Why" ("Os 13 Porquês"), da Netflix, uma semana antes do crime, segundo a Polícia Civil. A série, de ficção, tem como tema o suicídio (jornal AGORA).

Hélio Consolaro*

Quando eu era menino imberbe, que idolatrava o livro, alguém me disse que nem todos os livros são bons. Fiquei indignado porque eu elegia o livro como uma mídia confiável,  por ela descobri o mundo, não era possível que um livro não prestasse.

O filme “Os 13 Porquês”, antes de ser filme, é um livro. Até tive a intenção de vê-lo pela Netflix, mas faltou coragem e sobrou precaução. Vai que a carne é fraca e o espírito vacila. Não tenho nada contra os suicidas, até recebi como brinde da editora o “Dicionário de suicidas ilustres”, Editora Record. Não sei se são corajosos ou covardes, prefiro não julgá-los.

Na verdade, autor do livro e produtor do filme ganham marketing gratuito, se em cada país há suicídios motivados por suas obras. A ética tem muito que responder nessa atitude marqueteira. 

Nós que somos medíocres, caro leitor, não devemos nos enganar, achando que o suicídio vai nos dar genialidade. E lembre-se de que o suicídio é mais praticado em países ricos, porque o pobre nunca chega a tanto, porque ele tem um sonho besta de ficar rico que o mantém vivo. O casal que praticou um suicídio combinado não se hospedou em nenhuma espelunca, reservaram quarto no Maksoud Plaza, eram filhos de famílias abastadas.

Atualmente, com essa tal depressão, que já teve o nome de fossa, amuo, melancolia, e muita gente ganha dinheiro sobre tal estado de espírito, há um passo curto para o suicídio. Nós todos tivemos momentos e períodos de desprezo pela vida, de vontade de se jogar do décimo andar, pois a felicidade, a alegria não são permanentes.



Durante o Romantismo Literário, século 19, em sua radicalidade, os poetas faziam apologia da morte e o suicídio era uma prática comum, só ver com quantos anos morreram Castro Alves e Álvares de Azevedo, para ficar em dois exemplos brasileiros. A vida não compensava ser vivida.

Luís Fernando e Kaena morreram felizes, se posso dizer isso. Eles acreditavam em que o amor precisava ser eterno. Convenceram-se de que o amor entre eles nunca mais ia ficar tão bom como estava. Preferiram, como se fala na comunicação, congelar a imagem. Ou você, caro leitor, acha que foi um desperdício de vida?

Se houver transcendência, espero que o Senhor do Universo compreenda a opção deles ao solicitar morada em sua casa.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras