AGENDA CULTURAL

24.6.17

Programa "Mais Médicos" em Araçatuba e Birigui

Se o prefeito Dilador Borges ao assumir a administração municipal viu que o programa é bom, quer continuar com ele, está pensando mais na população


Hélio Consolaro*

Tenho todo o moral de elogiar o prefeito Dilador Borges diante do programa "Mais Médicos" porque defendi a iniciativa quando ele foi implatado no governo do prefeito Cido Sério e eu era o seu secretário municipal de Cultura. Além disso, com ele ganhamos um curso de medicina (Unisalesiano). 

Se o prefeito Dilador Borges ao assumir a administração municipal viu que o programa é bom, quer continuar com ele, está pensando mais na população do que nas posições políticas de seu partido, o PSDB, que na época era totalmente contra trazer os médicos cubanos para o Brasil. O prefeito está tomando uma posição correta. 

A população, no geral, gosta dos médicos cubanos e não houve nenhum vendaval ideológico e nem tirou o emprego de médicos brasileiros como os "fora Dilma" propagavam.

Apenas não estou entendo o prefeito de Birigui, Cristiano Salmeirão, que tem petistas em sua administração e está dispensando o programa "Mais Médicos", ou seja, a população vai ficar com 11 médicos a menos. Quem sabe ele tenha uma explicação.     

Neste item, Araçatuba está tendo mais sorte.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. 

Criança não namora. Nem por brincadeira?

Essa brincadeirinha do namoro infantil é uma aprendizagem para a identidade sexual 
http://pensamentoliquido.com.br/crianca-nao-namora-nem-de-brincadeira

Hélio Consolaro*

Não leve muito a sério, caro leitor, as palavras deste croniqueiro que nasceu na primeira metade do século passado. Essa minha carroça de anos "na cacunda" não me faz pôr tanta força na fé da razão e na valorização demasiada da ciência, não desprezo outras formas de conhecimento, como a arte e a filosofia.

Não desprezo a ciência, mas as palavras tradição e erro não são sinônimas. As quatro áreas de saberes, como: tradição, filosofia, ciência e arte são complementares.

Se seguir a toada da primazia da ciência, daqui a pouco contar histórias infantis, brincar de casinha, para ficar apenas em dois exemplos, serão todas politicamente incorretas.


Quando eu era molecote no bairro rural da Água Limpa, me arrumaram uma namorada. Assim conta minha mãe. Hoje, a menininha daquela época é uma senhorinha em Araçatuba e não houve consequências.

A minha neta de quatro anos chegou me dizendo bem baixinho que tinha um namorado na escola. Perguntei-lhe se era bonito, claro que ela respondeu "sim". Na verdade, era apenas um amiguinho mais próximo. Essa brincadeirinha do namoro infantil é uma aprendizagem para a identidade sexual. 

Se antes do Iluminismo (surgimento da Psicologia), as crianças eram igualadas aos adultos, não havia a divisão do ser humano em faixas etárias, hoje descobriu-se que a criança é um adulto em formação.


Atualmente, há uma tendência para a sexualização das crianças, não concordo com isso, mas não chego a recomendar que pai e mãe não se beijem na frente dos filhos (não estou falando de beijo de cinema). O beijo, no caso, é uma demonstração de amor, uma lição vital para a própria criança de que ela é fruto do carinho entre duas pessoas. 

Entre a sexualização das crianças pela mídia e as simples brincadeiras entre família, como também elas brincam de casinha, há uma grande diferença. Já sabemos que o jogo do faz-de-conta tem caráter educacional, um preparo da criança para a vida adulta.   

Ruim mesmo é pais ensinarem aos filhos gestos e frases obscenas, como se estivessem educando o filho (menino) para serem machos, com medo da homossexualidade. 

Não se pode exagerar, fazer da vida um mar de ignorância ou uma obediência cega de profissionais (até PhD) que recitam tantas recomendações na mídia, como se fossem curandeiros ou feiticeiros do século 21.

*Hélio Consolaro, professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras

23.6.17

O Leopardo, um livro que merece a sua leitura

Há uma frase que já se tornou parte do folclore político, mas tem autor, que é Giuseppe Tomasi di Lampedusa: "Se quisermos  que tudo continue como está, é preciso que tudo mude". 

Componentes do kit
Hélio Consolaro*

Como escrevi noutra oportunidade, me tornei sócio do "TAG - Experiências Literárias", uma espécie de clube do livro (papel), com volume bem encadernado. Além da capa, há um box. Coisa fina.

O sócio pode escolher o livro que quiser naquele mês, dentre os títulos oferecidos ou deixar que o TAG o surpreenda. Há conselho de curadores que indicam os títulos; no mês de junho, Mario Vargas Llosa (prêmio Nobel) indicou "O Leopardo", julho é a vez de Marcelo Rubens Paiva (escritor brasileiro) indicar.
Caixa embalagem do kit entregue na porta da casa de cada membro do clube

Meio caro?  Para quem é acostumado a comprar livros, nem tanto: R$ 69,90, mas dá para comprar em duas pessoas, num só volume muitos leem. Aliás, não sei se em Araçatuba há muitos assinantes do TAG, mas já daria para fazer uma reunião mensal. A direção do clube sugere isso. 

Se alguém se interessar, entre em contato comigo, faríamos o encontro na Academia Araçatubense de Letras (18 99786 9445 - WhatsApp também). Se há algum grupo já formado, me convide.  

Acabei de ler "O Leopardo", de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, literatura italiana, escrito em 1957, único livro do escritor. Publicação pós-morte, porque as editoras achavam que o livro era "démodé", em descompasso com a literatura da época. Até que, após a morte do autor, um editor se sensibilizou e publicou. Ficou por várias décadas como best-seller italiano, só foi derrubado por Umberto Eco, com o livro "O nome da rosa". 
Giuseppe Tomasi di Lampedusa

O sucesso do livro foi tanto que em 1963, "O Leopardo" virou filme, do diretor Luchiano Visconti e no elenco Burt Lancaster, Claudia Cardinale e Alain Delon. Você, caro leitor, pode assistir o filme pelo YouTube, graciosamente.

Mario Vargas Llosa, peruano, prêmio Nobel da Paz, que foi candidato a presidente de seu país (disputando com Fujimori, perdeu), com sensibilidade política, é que recomendou "O Leopardo" para os brasileiros (o TAG tem mais de 13 mil sócios), já pensando (suposição minha) na realidade em que vivemos.

Há uma frase que já se tornou parte do folclore político, mas tem autor, que é Giuseppe Tomasi di Lampedusa, reveladora de pessimismo político próprio de quem está perdendo o poder  (o autor pertencia à nobreza), como a monarquia italiana: "Se quisermos  que tudo continue como está, é preciso que tudo mude". O cenário do livro é o ressurgimento italiano que se configurou como a Itália é hoje.

O livro apresenta a política como cenário, não é o motivo principal, não se preocupe, caro leitor, caso não goste de ler um livro sobre política.

Já falei tanto de Mario Vargas Llosa, agora reproduzo uma apreciação dele sobre o livro: "O Leopardo é uma dessas obras literárias que aparecem de tempos em tempos e que, uma vez que nos deslumbram, confundem-nos, porque nos confrontam com o mistério da genialidade artística".

O começo do livro é desanimador, meio difícil, mas passando a primeira parte, a leitura deslancha. No final, há um posfácio do tradutor Maurício Santana Dias muito esclarecedor e apêndices.  

Boa leitura.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras

21.6.17

A ressaca de Gilmar Mendes

Preferências partidárias e atuação política de Gilmar sempre foram notórias e não há questionamentos ou "vigilância" por parte da mídia em relação a isso.

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Tatiana Carlotti - revista Carta Maior

Em 2002, quando Gilmar Mendes foi indicado ao posto de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, o jurista Dalmo Dallari alertou em artigo publicado na Folha:
 
“Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério riscos a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes...”
 
Quinze anos depois, impressiona a atualidade do artigo.
 
Na última quarta-feira (14.06), um pedido de impeachment contra o ministro foi protocolado no STF, por conta da sua atuação partidária no Judiciário. Desta vez, a solicitação teve como base a conversa telefônica, divulgada em maio, entre ele o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG).
 
As preferências partidárias e a atuação política de Gilmar sempre foram notórias e não há questionamentos ou “vigilância” por parte da mídia em relação a isso. Pelo contrário, nos últimos anos, as declarações de Mendes serviram de munição à agenda golpista.
 
Porém, isso pode mudar com a guinada da mídia ao ForaTemer. Nas últimas semanas, o ministro esteve no centro de uma enxurrada de críticas – Globonews à frente – após ter proferido o voto de Minerva que absolveu a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
 
A Folha de S. Paulo, inclusive, divulgou duas reportagens no mínimo inquietantes: “Instituto de Gilmar Mendes recebeu patrocínio de R$ 2,1 milhões da J&F” e Família de Gilmar Mendes fornece gado para a JBS, sobre as relações entre Mendes e os irmãos Batista.
 
O racha no condomínio golpista é notório, o cinismo também.
 
Pedidos de impeachment
 
Alegando “crime de responsabilidade”, o ex-Procurador-Geral da República Cláudio Fontelesprotocolou um pedido de impeachment contra Mendes na última quarta-feira (14.06.). A solicitação tem como base a conversa telefônica, interceptada pela PF, entre Mendes e Aécio Neves.
 
Na gravação, o ministro se compromete a conversar com parlamentares envolvidos na votação da Lei de Abuso de Autoridade, atendendo ao pedido de Aécio. Segundo Fonteles, a conversa evidencia “o exercício pelo ministro de atividades político-partidárias”, “por meio de atos de influências”, persuadindo “parlamentares a votarem a favor de um determinado projeto de lei”.

“É claramente uma atuação política que não condiz com o cargo que ele exerce", complementa o ex-PGR, ao acrescentar que o ministro proferiu julgamento em processos no qual estaria impedido de atuar e que age fora do decoro compatível à condição de ministro da Suprema Corte.
 
Em nota, a assessoria de Mendes alega que, desde 2009, o ministro “sempre defendeu publicamente o projeto de lei de abuso de autoridade, em palestras, seminários, artigos e entrevistas, não havendo, no áudio revelado, nada de diferente de sua atuação pública”. Diz ainda que “os encontros e conversas mantidas pelo ministro Gilmar Mendes são públicos e institucionais”.
 
Esta é a segunda vez que Fonteles protocola um pedido dessa magnitude contra Mendes. O primeiro ocorreu em dezembro de 2016, após o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) arquivar, por conta própria, outros dois pedidos de impeachment contra o ministro que corriam no Senado.
 
Ao analisar o episódio, o jornalista Jânio de Freitas foi taxativo na última quinta-feira: “são inúmeras as provas de conduta imprópria desse ministro que se considera acima de todo regramento. E das maneiras pessoais civilizadas – sobretudo se recomendadas pela ética da magistratura”.
 
Acima do regramento
 
Vale lembrar que, em setembro de 2016, juristas de peso como Celso Antônio Bandeira de Mello, Fábio Konder Comparato, Sérgio Sérvulo da Cunha, Eny Raymundo Moreira, Roberto Amaral e Álvaro Augusto Ribeiro também protocolaram um pedido de impeachment contra Mendes no STF.
 
“No exercício de suas funções judicantes, [Mendes] tem-se mostrado extremamente leniente com relação a casos de interesse do PSDB e de seus filiados, tanto quanto extremamente rigoroso no julgamento de casos de interesse do PT e de seus filiados, não escondendo sua simpatia por aqueles e sua ojeriza por estes”, afirma o documento.
 
Eles citam, inclusive, vários exemplos da atuação político-partidária do ministro. Entre eles, a liminar de Mendes, concedida em outubro de 2002, determinado o arquivamento de dois processos por improbidade administrativa contra o então senador José Serra e os ministros de FHC, Pedro Malan (Fazenda) e Pedro Parente (Casa Civil).
 
Destacam, também, o pedido de vista de Mendes durante a votação do financiamento privado de campanhas eleitorais no STF em 2014. A matéria já contava com maioria dos votos no Plenário (seis contra um) quando a votação foi suspensa e ficou mais de um ano parada nas mãos do ministro.
 
A postura e atuação antipetista de Mendes também foi destacada pelos juristas.
 
Foi dele, por exemplo, a liminar que impediu a posse do ex-presidente Lula na Casa Civil, em março de 2016. Alegando “desvio de finalidade”, Mendes utilizou uma gravação ilegal para justificar sua decisão: a conversa entre os ex-presidentes petistas, obtida por meio de grampos instalados na Presidência da República.
 
“No momento, não é necessário emitir juízo sobre a licitude da gravação em tela. Há confissão sobre a existência e conteúdo da conversa, suficiente para comprovar o fato”, afirmou o ministro.
 
Aliás, de grampo, Gilmar Mendes entende.
 
Em 2008, durante a Operação Satiagraha, após ter concedido dois habeas corpus a Daniel Dantas do grupo Opportunity, o ministro afirmou ter sido grampeado pelos agentes da investigação. A Satiagraha investigava o desvio de verbas públicas cometidos por Dantas que adquiriu participações em várias empresas privatizadas durante o governo Fernando Henrique (1995-2002).
 
Em 2011, a Operação foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a alegação de que a participação irregular de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) invalidou provas produzidas por meio de quebra de sigilo telefônico e rastreamento de e-mails.
 
Neste mesmo ano, outro pedido de impeachment foi apresentado contra Mendes no STF, questionando as relações do ministro e de sua esposa com o advogado Sergio Bermudes. O pedido foi protocolado em 2001, pelo advogado Alberto de Oliveira Piovesan que alegava suposto recebimento de benesses de advogados por Mendes, colocando em dúvida a isenção do ministro na Suprema Corte.
 
A solicitação foi negada e arquivada pelo STF.
 
Voto de Minerva
 
Um dos ministros mais midiáticos do STF, a atuação partidária de Mendes e seus pitacos nas searas política e econômica do país foram incensados de forma positiva pelo aparato midiático do golpe. A reabertura do processo contra a chapa Dilma-Temer, em agosto de 2016, ápice do golpe, é um exemplo crasso.
 
Naquele momento, Mendes reabria o processo solicitado pelo então senador Aécio Neves, candidato derrotado nas urnas, que pressionava pelo terceiro turno no país. Sobre o pedido, Mendes afirmava:
 
“Diante de sérios indícios de conduta com viés também eleitoral, reforçados pelo noticiário diário da imprensa sobre os referidos fatos” negar a abertura do processo significaria fazer da Justiça Eleitoral “um órgão meramente cartorário”.
 
Dez meses depois, afastada a presidenta Dilma Rousseff e o PT do governo, o ministro ponderou sobre o mesmo processo:
 
“Isto não é uma ação de reintegração de posse. Não é uma ação de responsabilidade civil. Estamos tratando de uma ação especial, especialíssima, quando se trata de presidente da república, que é chefe de Estado e chefe de governo”. 
 
“A cassação de mandato deve ocorrer em situações inequívocas” e “não se substitui um presidente da República a toda hora, ainda que se queira”, complementou Mendes. O mesmo Mendes que durante a votação do impeachment não só criticou a manutenção dos direitos da ex-presidenta Dilma, como considerou  o processo “exageradamente regulado pelo Supremo Tribunal Federal”.
 
Vão-se os anéis...
 
O antipetismo de Mendes não é novidade, tampouco sua defesa da agenda de austeridade no país. Nestes pontos, aliás, ministro e empresas de comunicação estão de pleno acordo. A diferença reside, justamente, em como assegurar a imposição do estado mínimo neste momento, em meio à forte reação popular.
 
Mendes permanece na defesa do governo golpista. A mídia, por sua vez, abraça o ForaTemer, aposta na criminalização da política e no discurso da “anticorrupção”, enquanto seus heróis de outrora caem em desgraça. “Vão-se os anéis e ficam os dedos”. O comportamento das estrelas globais após a gravação de Aécio Neves é sintomático: apagam-se as fotos.
 
Na última quarta-feira (14.06), o jornalão da família Frias trouxe uma capa com duas chamadas impensáveis meses atrás: “STF deve julgar pedido de prisão de Aécio no dia 20”, com uma foto do senador afastado e “Instituto de Gilmar Mendes recebeu patrocínio de R$ 2,1 milhões da J&F”.
 
Segundo a Folha, a holding J&F, que controla as empresas dos irmãos Batista, repassou R$ 2,1 milhões, ao longo de dois anos, para o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) do qual Mendes é sócio. A soma teria sido destinada à execução de cinco eventos e a um grupo de estudos em Direito do Trabalho.
 
Vale lembrar que o IDP é o mesmo instituto que, em  29 de março de 2016, reuniu a camarilha golpista em Portugal, em pleno furor do impeachment. Estavam lá, entre outros, Michel Temer, Aécio Neves, José Serra, o ministro do TCU Aroldo Cedraz. Todos, sem exceção, citados por delatores na Lava-Jato. O encontro, inclusive, foi financiado pela FIESP e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
 
Enquanto o pato inflável atiçava os ânimos na Av. Paulista, a mídia cobria o evento com naturalidade. O Estadão informava: Instituto de Gilmar Mendes reúne Temer e líderes do impeachment em Portugal. Na Folha: Seminário em Portugal é acadêmico, não político, diz Gilmar Mendes. Em O Globo, Ricardo Noblat ponderava: “Ao que tudo indica, nada haverá de suspeito no encontro de Temer com Mendes, agendado desde meados do ano passado”.
 
Agora, porém, a Folha chama atenção para um outro evento em Portugal, ocorrido em abril deste ano, dias após os executivos da JBS terem firmado o acordo de delação com o MPF, ou seja, depois deles terem assumido a execução de crimes pela empresa.
 
Passava boi, passava boiada...
 
O IDP garante ter devolvido R$ 650 mil do valor recebido da J&F, após as delações virem à tona. Até então “a conduta das empresas do grupo J&F era considerada exemplar”, apontou o Instituto. Mendes, por sua vez, disse nunca ter administrado o IDP, portanto, não teria como se “manifestar sobre questões relativas à administração do instituto”.
 
reportagem também destaca que a delação dos irmãos Batista, homologada pelo ministro Edson Fachin (STF), parou na Justiça devido ao questionamento do governador tucano Reinaldo Azambuja, do Mato Grosso do Sul, sobre a relatoria do processo. Frisando que “o colegiado do qual Gilmar faz parte terá que tomar decisão sobre a delação” e que “não há ainda data para esse julgamento”.
 
Segundo os delatores da JBS, entre 2007 e 2016, Azambuja e o ex-governador André Puccineli, ambos tucanos, embolsaram R$ 150 milhões em troca de benefícios fiscais às empresas da J&F.
 
Outro aspecto explorado é a relação entre a família de Mendes e os donos da JBS. Em Família de Gilmar Mendes fornece gado para a JBS, o mesmo jornal destacava que os familiares de Mendes vendem gado ao frigorífico dos irmãos Batista. Questionadose isso, por si só, não o impediria de participar das votações relacionadas à empresa, Mendes respondeu:
 
“Não. Por quê? As causas de impedimento ou suspeição são estritas. [Se fosse assim] Eu não poderia julgar causas da Folha, Carrefour, Mercedez-Bens, Saraiva”, respondeu o ministro, referindo-se a empresas das quais é cliente.
 
Da mesma forma, Mendes não viu nenhum problema em viajar para Portugal, no avião presidencial, junto com Temer, apesar dele ser o juiz em um processo que definiria, meses depois, a continuidade ou não do presidente ilegítimo no governo.
 
Sobre o episódio, o ministro afirmou: “não vou nem falar das relações que mantenho com o presidente Temer, que são as mesmas que mantive, por exemplo, com o presidente Lula”.
 
Não é a primeira vez que surgem denúncias sobre o IDP. Em 2014, o jornal GGNcolocava em suspeita um contrato, sem licitação, celebrado pelo Tribunal de Justiça da Bahia com o Instituto de R$ 13 milhões. Em 2012, a revista Carta Capitalcontava sobre um processo contra Mendes, promovido pelo ex-procurador-geral da República Inocêncio Mártires Coelho.
 
Ex-sócio fundador do IDP, Coelho acusava Mendes de fazer retiradas ilegais do Instituto. O processo tramitou em segredo de Justiça e foi encerrado, segundo a reportagem, ao custo de R$ 8 milhões. Em nota, Mendes afirmou ter sanado as irregularidades apontadas em auditoria e quitado a dívida.
 
A mesma Carta Capital, em 2008, trazia outra reportagem sobresupostas manobras e tráfico de influência na obtenção de contratos sem licitação, que somariam R$ 2,4 milhões. Processada, a revista foi condenada pelo STJ a pagar R$ 90 mil por danos à credibilidade do Instituto.
 
O fato é que o alerta do jurista Dalmo Dallari permanece mais atual do que nunca. Ao clamar a vigilância da sociedade e da mídia, naquele artigo de 2002, ele também lembrava que:
 
“Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais”.

20.6.17

Cultura: pôr a cigarra para viver de seu talento

Um prefeito não pode ter acanhamento de dizer que está investindo em cultura, pois, além de querer as pessoas felizes, está dinamizando a economia local e dando identidade, uma cara, a seu município 


Hélio Consolaro*

Não foi nenhum marxista, socialista ou petista que pôs a questão cultural no mercado, foi iniciativa do liberalismo. Aliás, durante a monarquia no mundo ocidental, ninguém vendia sua arte, o artista produzia para seu mecenas.

Com o advento do capitalismo, a obra de arte passou a ser uma mercadoria, disseram para o artista: "vai trabalhar vagabundo", se quiser viver de sua arte, vai vendê-la por aí. Logicamente, não tão de repente assim, o processo foi lento.

Eu me lembro bem que a patrona das artes plásticas  de Araçatuba, a eminente Dona Mildred Rocha não vendia um quadro seu, dava a amigos ou juntava para si. Quando ela fundou uma entidade e me pôs na diretoria, eu ainda não tinha sido secretário da Cultura, e precisava de dinheiro, sugeri que vendêssemos as antigas pinturas de seus ex-alunos que se tornaram pessoas ilustres na cidade, ela me respondeu que arte não se vendia. Virei as costas, não era a minha concepção de arte, pois vivemos num regime econômico que tudo vira mercadoria.


Filipe Xavier
Mais recentemente, o neoliberalismo voltou com discurso de roupagem nova: a cultura também é um elemento do mercado, por isso faz parte de nossa economia. O PSDB é o principal porta-voz dessa tese, basta olhar para a Secretaria Estadual de Cultura em São Paulo.

A principal expoente dessa ideia é Ana Carla Fonseca Reis, que é "administradora, economista, pesquisa urbanismo e cultura e trabalhou por quinze anos em marketing e comunicação de multinacionais. Conferencista internacional em economia da cultura, economia criativa e cultura e desenvolvimento, é autora de um punhado de livros, dentre eles 'Economia da cultura e desenvolvimento sustentável – o caleidoscópio da cultura' (Manole, 2006), primeira obra brasileira sobre o tema e vencedora do Prêmio Jabuti 2007." LEIA ENTREVISTA DELA, CLICANDO AQUI      

O artesanato é um meio de sobrevivência, cantar na noite, nos barzinhos é uma outra forma, restaurar os centros velhos das cidades,  incorporá-los novamente ao mercado imobiliário é uma atividade cultural com reflexo na economia. Os megashows constroem fortunas, vender quadros é uma forma de sobrevivência. 


Uma comitiva de queima do alho pode se transformar num bufê de comida caipira. A arte faz parte do PIB. E para isso acontecer, precisa elaborar política pública para que o município, principalmente, se insira no mercado.

Exemplo disso são os municípios que vivem, muitas vezes, de eventos culturais, é só se lembrar de Campina Grande-PB com as festas juninas. Um prefeito não pode ter acanhamento de dizer que está investindo em cultura, pois, além de querer as pessoas felizes, está dinamizando a economia local e dando identidade, uma cara, a seu município. 


Investir em cultura não é jogar dinheiro fora como pensam alguns homens públicos (felizmente, alguns), é pôr a cigarra para viver de seu talento. Se as pessoas e a sociedade não vivem sem arte, precisam do entretenimento, que pague por isso por meio de ingressos e/ou por investimento público.   


*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Ex-secretário de Cultura de Araçatuba-SP

Ministério Público Federal lança livro-relatório "Crimes da Ditadura Militar"

Evento acontece dentro da programação do Sábado Resistente, no dia 24 de junho, às 14h, com entrada gratuita, e lançará o livro Crimes da Ditadura Militar, do Ministério Público Federal (MPF), com a presença de Luiza Cristina Frischeisen, Sérgio Suiama e José Carlos Moreira da Silva FIlho


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No dia 24 de junho, o Memorial da Resistência, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, realizará mais uma edição do Sábado Resistente, projeto realizado em parceria com o Núcleo de Preservação da Memória Política. O evento será às 14h00, e lançará o livro “Crimes da Ditadura Militar”, desenvolvido pelo Ministério Público Federal nos últimos cinco anos.

A obra, com quase 350 páginas, contém um resumo de todas as 27 ações penais ajuizadas até o presente, em face de 47 agentes envolvidos em 43 crimes cometidos contra 37 pessoas. Gráficos e tabelas detalham as ações penais para processar e julgar tais crimes, com informações sobre o ano de instauração das ações, localidade da subseção judiciária, identificação dos denunciados e decisões proferidas por instância.

O material produzido nas investigações em curso foi parcialmente disponibilizado na publicação e representa uma importante fonte de pesquisa histórica a respeito da organização e dos métodos utilizados pelo Estado ditatorial.
Completam a obra esclarecimentos sobre todas as teses jurídicas desenvolvidas pelo MPF para dar cumprimento à sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que condenou o Brasil em 2010 a investigar e punir os crimes da ditadura militar, e depoimentos dos familiares de desaparecidos políticos, como Marcelo Paiva, Victória Grabois, Amelinha Teles e Iara Xavier Pereira. 

PROGRAMAÇÃO
14h00 – Boas vindas – Marília Bonas (Memorial da Resistência de São Paulo)
14h10 –   Coordenação – Oswaldo Oliveira (Núcleo de Preservação da Memória Política)
14h20 –   Mesa Redonda

Luiza Cristina Frischeisen é Subprocuradora Geral da República, coordenadora da Câmara de Coordenação em Matéria Criminal do Ministério Público Federal e membro do Conselho Superior do Ministério Público Federal. Doutora em Direito pela USP.

Sergio Gardenghi Suiama é Procurador da República no Rio de Janeiro, coordenador do GT sobre Justiça de Transição do MPF/RJ e autor do relatório sobre a atuação do MPF em matéria de crimes da ditadura militar. Mestre em Direito pela Universidade de Columbia.

José Carlos Moreira da Silva FIlho é professor na Escola de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais e Graduação em Direito). Ex-Vice-Presidente da Comissão de Anistia do Brasil; bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq; autor do livro "Justiça de Transição - da ditadura civil-militar ao debate justransicional", publicado em 2015 pela Editora Livraria do Advogado.

16h10 – Debate 

SERVIÇO

Memorial da Resistência de São Paulo
Endereço: Largo General Osório, 66 – Luz - Auditório Vitae – 5º andar
Telefone: (011) 3335-4990/ faleconosco@memorialdaresistenciasp.org.br
Aberto de quarta a segunda (fechado às terças)
Entrada Gratuita

Mais informações à imprensa
Memorial da Resistência de São Paulo
Kátia Felipini Neves (11) 3335.4990 | kneves@memorialdaresistenciasp.org.br

19.6.17

Vai valer a pena andar de ônibus nas ruas de Araçatuba

Licitação para transporte coletivo em Araçatuba deve sair na próxima semana 

Prefeitura quer concluir processo até agosto

(Jornal Folha da Região) 
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Hélio Consolaro*

Eu só sei quando o outro se entristece com uma crítica minha, quando ele se alegra com meu elogio. Essas coisas do relacionamento humano só Freud explica, ficam no campo da subjetividade, porque objetivamente uma opinião minha não vale quase nada.

Fiquei muito contente com o primeiro passo dado pelo prefeito Dilador Borges ao regulamentar, juntamente com a Câmara Municipal, o transporte coletivo de Araçatuba. 

A atual administração vai pôr a nossa cidade ao lado de outras que são vanguardistas em termos de dar conforto aos usuários dos transportes coletivos, tratá-los como gente e não, como gado.  

Tenho uma cunhada que há três anos se mudou de Santos para Araçatuba, ela não paga o bilhete por causa da idade, mas lá era só vivia "trepada" em ônibus e o mesmo não aconteceu aqui. Questionada, ela me respondeu:

- Aqui em Araçatuba o transporte coletivo é horrível, é melhor andar dependurada em moto. 

Ter um transporte coletivo decente melhora a mobilidade urbana, porque dá coragem de largar o carro em casa e usar o "coletivo", serão menos veículos transitando pelas ruas.

Outro dia, o prefeito Dilador Borges ficou meio pê comigo porque ele anda investindo pouco em cultura na cidade, mas é difícil contentar a todos e agradar sempre a mesma pessoa. E regulamentar os transportes coletivos não exige dinheiro, o administrador precisa de algo mais valioso: coragem e independência política.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. 

17.6.17

Oficina gratuita de elaboração de projetos culturais

Nos dias 23 e 24 de junho artistas e produtores poderão participar de formação para elaboração de projetos culturais no Centro Cultural Graciliano Ramos, na cidade de Buritama

Boa tarde a todas e todos, peço licença para compartilhar atividade gratuita que realizarei em Buritama neste mês.

Nos dias 23 e 24 de junho artistas e produtores poderão participar de formação para elaboração de projetos culturais no Centro Cultural Graciliano Ramos, na cidade de Buritama. O objetivo do curso é minimizar as dificuldades ao escrever projetos e concorrer a prêmios em editais públicos. Por isso, o curso é direcionado para pessoas atuantes na área da cultura, interessados em obter conhecimentos básicos em editais e outros mecanismos de contratação/seleção pública.

São 20 vagas disponíveis e podem participar moradores de Buritama e também de outras cidades do entorno.
“O plano é fazer um curso rápido e intensivo que de conta de ser ao mesmo tempo um plantão de dúvidas sobre os editais e que apresente uma explanação sobre o que é fundamental na escrita e apresentação de um projeto, o próprio exercício da escrita, e o debate sério sobre as políticas e ferramentas de fomento", comenta Amanda Prado consultora em projetos culturais queira realizar a formação.
O encontro terá 10 horas de duração, distribuídas em dois encontros. O primeiro será no dia 23 de junho, sexta-feira, das 19h às 21h, e a formação continua no sábado, das 10h às 18h.

A realização do curso é uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura, Poiesis, Prefeitura Municipal de Buritama e Avangi Cultural.

A participação é gratuita os interessados podem se inscrever pela internet no endereço:http://avangicultural.com/oficinaburitama, ou pessoalmente na recepção do centro cultural que fica na Praça da Matriz, no centro de Buritama.

16.6.17

Ignorância de vereador

Depois de ler sobre o papel da doula, cheguei à conclusão de que ela cobre a ausência do marido na hora do parto 

Hélio Consolaro*

O jornal O LIBERAL denunciou na edição de 14/06/2017, coluna OLHO VIVO, a ignorância de um vereador de Araçatuba (não citou nome) que votou favoravelmente a um projeto na Câmara Municipal de Araçatuba, que permite a presença de doula nos partos, já que ele foi surpreendido falando mal da uma matéria (clique aqui para ler a notícia).

Votou sem ler, porque analfabeto não pode ser candidato, além disso confundiu parteira com doula. Veja o que diz a enciclopédia: "adoulas não podem ser consideradas parteiras, pois não realizam procedimentos médicos como auscultação fetal, aferição de pressão e exame de toque do colo uterino. Sua função intraparto é de dar apoio físico e emocional à mulher em trabalho de parto". A palavra "doula" tem origem grega e significa serva (ver enciclopédia, clique aqui).

Parabenizo o jornal pela denúncia, precisamos fazer isso para melhorar o nível de nossos legislativos municipais, embora não tenha dito o nome da criatura com todas as letras. O vereador não é obrigado a saber, mas não pode ter preguiça de ler o projeto, de pesquisar.

NOTA DO JORNAL "O LIBERAL"
Recentemente, ao participar de um evento com pessoas da comunidade, um vereador
referiu-se com descaso ao relatar a aprovação da lei de regulamentação das doulas em Araçatuba. Referiu-se a aprovação da lei como um erro da Câmara e referiu-se a doula como a antiga parteira. Chegou a falar, zombando, o que uma parteira fazia no centro cirúrgico obstétrico. As pessoas presentes, talvez por não saberem realmente o papel da doula, concordaram com o vereador.

SEM BUSCAR INFORMAÇÃO


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Percebe-se que o vereador não teve a menor preocupação em buscar a informação correta quanto ao papel da doula, que nada tem a ver com a parteira. As pessoas que estavam na reunião acreditaram na informação do vereador e criaram uma imagem errada da doula e até mesmo da vereadora que apresentou o projeto de lei. São duas situações. O vereador não procurou saber o que é doula e votou sem saber no que estava votando ou quis comprometer o trabalho de sua colega vereadora. A matéria publicada neste jornal na edição de domingo e que teve grande repercussão, deixou bem claro o papel da doula na assistência. a parturiente e a família.


OBSERVAÇÕES DE UM MARIDO MEIA-COLHER  

Depois de ler sobre o papel da doula, cheguei à conclusão de que ela cobre a ausência do marido na hora do parto. O bom marido é um "marido doula". Este croniqueiro foi um marido meia-colher, não me emprenhei, não tive coragem. 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor.