AGENDA CULTURAL

19.1.21

Felicidade: 4x0. Só?

Pintura: Brasil Futebol Rei, de Aldemir Martins

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP


Felicidade é um tema eterno, enquanto houver ser humano no planeta tal sentimento estará em discussão.

"Dinheiro não traz felicidade" é máxima dos ricos. "Sem dinheiro, não há felicidade" é frase usada por todos os pobres, sem exceção. "Não há felicidade, apenas momentos felizes" - canta Odair José.    

A Helena gosta de assistir aqueles programas de TV à tarde que vai do canal do Pai Eterno à TV Gazeta. E ontem pescoceei um momento em que o animador do programa ia discutir a felicidade em tempos de pandemia.    

Anteontem, saí nervoso de uma reunião virtual nesses tempos bicudos de pandemia. Tudo acontecia porque resolveu trovejar e relampear bem na hora, assim a conexão caía a toda hora. Comunicação comprometida. Um momento infeliz.

Fui ver o jogo Palmeiras e Corinthians na TV, quase no final: 4x0 para o verdão. Olhei, sacudi a cabeça, não acreditava. O rosto foi desanuviando, ficando tranquilo, até brotar um sorriso transformado num grito:

- Que goleada! Massacre!

A Helena já veio com uma cerveja para a comemoração. Pronto, a felicidade estava restabelecida. Você, caro leitor, percebeu que meu bom humor só foi o resultado de 4x0: só? Vai perguntar para o futebol brasileiro quanto trabalho dá para construir tal resultado. Muito pouco?  

Fazendo justiça: a cervejinha servida pela Helena ajudou bem. Sei que não é fácil assim para todas as pessoas, mas foi dessa maneira que arrastei até agora meus 72 anos com saúde. 

16.1.21

Hora do basta? - Marcão Francisco Alves

 


Basta não? Mortes aos montes de inocente, alguns nem tantos, negacionistas, sem ar, sem leitos, sem dó. Cemitérios ocupados, lares últimos...

Quanta incompetência de generais, de presidente desatinado. Sociopata ou seguindo um plano de assassinato em massas?

Ao seu lado, pastores milagrosos e padres acovardados.

Cadê os milagres das curas? Sem dízimos,  não há o que se fazer!

Políticos/as, justificando as loucuras criminosas de seu líder.

Burgueses, lucrando sempre, mais e mais, como sempre.

A dor dos subalternos é um mar de grana em seus cofres!

Quem há de negar, nesses tempos vis, as lutas de classes?

Façamos memes, piadas, posts, panelaços, análises...

Não basta apenas isso: é preciso morder.

Quando o basta for com o cortador de gramas

poderemos acertar as arestas dos homens e mulheres vis.

Eles/as não ligam para postagens virtuais...

Seus seguidores/as se lambuzam na alienação dos medos.

Não é hora, com máscaras no rosto, de vingança, parar de engolir longos anos de sementes professorais, inférteis?

Basta de estômagos fartos de promessas e aflições.

Que nenhuma bandeira seja hasteada a não ser aquela da revolta, que tenha a cor incolor da justiça, que seja  feita, com as próprias mãos, nas lutas por todos/as que queiram justiça já.

Não basta gritar “Fora, Bolsonaro!”

Mãos em carne viva, com fome, por dignidade, mesmo com olhares de mortos-vivos, pés de andanças tantas por tantas  lutas perdidas, é preciso arrancá-lo do conforto.

Arrancar as ervas daninhas e palavras varridas aos ventos.

Chega de engoli-las!

É preciso ocupar ruas, tomar as praças e  bancos, calar os nazifascistas antes que seja tarde.

As flores estão murchando, o pior está por vir.

A serpente chocou seus ovos.

Basta!

Basta de esperar...

É agora...

Marcão do PCdoB - 18 99744-0047

Francês - boi de estimação


Boi Francês - Rio Preto


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Há certas notícias que cativa o cronista por sua ternura, se não fizer um texto, parece que deixei de cumprir uma obrigação. Foi chamado de boi, apesar de ser touro, pois não era usado como reprodutor. 

Quando ouvi o Lúcio Ramos e vi pela TVTEM o furto do boi Francês gravado por câmaras de segurança de ruas por onde passou, imaginei que tivesse naquela história uma boa crônica. Não se mata um boi de estimação para comer sua carne.

O dono do boi era Aparecido Silva de Oliveira, fotógrafo, que usava o boi para tirar fotos das crianças e de marmanjos encavalados. Explorava o bichinho de jeito mais maneiro.

Não sei o motivo do nome, mas raça do boi é guzerá, por suas características. Vai que recebeu o nome de Francês por sua fineza e tratava bem a freguesia, sem coices e chifradas. Ou era cheiroso?

O meliante nem pode ser chamado de ladrão de gado, porque roubou apenas uma cabeça. Pegou o boi pela rédea, e o animal foi atrás. Pelo jeito da caminhada, não era um toureiro. Se o cachorro, tido em prosa e em verso, como o animal fiel ao dono, é roubado, não foi difícil afanar o bovino. 

Foi roubado no domingo, 10/01/2021, e seria abatido na quinta, mas na hora da reportagem, na segunda-feira, pensei: "Esse já deve ter virado bifes!" 

E Lúcio Ramos, como bom jornalista, farejou o pensamento dos telespectadores:

-Não sei se o telespectador está tendo o mesmo pensamento meu, mas...

E não quis terminar a frase. E eu gritei de minha casa:  

-Lúcio, está querendo ser convidado para o churrasco? 

Não deu tempo do boi Francês virar picanha, pois a polícia encontrou-o na cidade de Sales. No enredo do Bumba Meu Boi, o bovino ressuscitou. Em Rio Preto, ele foi resgatado.  

Como essa festa popular é muito realizada no estado do Maranhão e lá houve os franceses como colonizadores, vai ver que nome boi Francês veio de lá. 

O importante é que dessa vez houve um final feliz para o animal,  a mansuetude bovina venceu a agressividade humana.   

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15.1.21

Vivendo com leveza - Gervásio Antônio Consolaro

  

Essa semana tive a triste notícia do falecimento do amigo Antônio de Oliveira, com apelido carinhoso de “Coquinho”, Agente Fiscal de Rendas aposentado, com 88 anos. Deixou a esposa Dona Mildes, filhos: Rosana, Paulo, Simone e Solange e netos: Poliana, Mayara, João Vitor, Felipe, Leonardo e Antonio, Helena e Luísa. Além de Fiscal, também era dentista nas horas vagas, formado pelo UNESP local. Pode ser estranho começar um artigo, parecendo não ter a ver uma coisa com a outra. Mas tem tudo a ver, trabalhei com o amigo por 30 anos na fiscalização, aprendi muito com ele,  exemplo de viver com leveza. 
  

     Negro, até certo ponto franzino, presenciamos o seu “modus vivendi”, de uma simplicidade impar, andava  de fusquinha branco, Caravan antiga e uma moto apesar de usada, potente e sempre brilhando, amigo para toda hora, trabalhador, sempre leal com as chefias, adorado pela família e pelos amigos de trabalho. Corredor de rua, diziam em brincadeiras que ele ia correndo de costas pela vicinal 

Araçatuba/Birigui, motivado pela preocupação de morte precoce, também jogava futebol, já que a família tinha  tendência de doença cardiológica. Não fumava e não bebia, mas como todos temos que ir embora, acabou morrendo de outra enfermidade.  No velório, o filho Paulo dele disse-me que o pai dizia sempre “resolva os teus problemas”. Exemplo de vida, nunca se queixava de racismo, moleque pobre, foi trabalhando, estudando, não se importando com qualquer preconceito, que à época era mais acentuado, buscando sempre o foco que certamente traçou para a sua vida, com sucesso, levando uma vida alegre de amor e leveza.

    A ciência moderna explica a conexão entre leveza e prazer, mas a grande questão é como viver com maior leveza em um mundo tão corrido e com alto nível  de estresse, acentuado pela pandemia do Covid.

     Uma vida leve é uma vida com menos estresse e mais momentos alegres, menos preocupações e mais otimismo, menos pressa e mais bom humor, menos cansaço e mais vontade. Quando falamos em “viver com leveza”, falamos sobre saber viver, mais e melhor.

     Existem alguns caminhos que você pode escolher e atitudes a tomar que certamente vão deixar sua vida mais leve. Inicie por ter menos coisas. Buda já dizia: “Quanto mais coisas você tem, mais terá com o que se preocupar”. Quanto menos você se preocupar em manter muitos bens e menos pensamentos sobre possuir coisas ocuparem sua mente, mais espaço se abre na sua vida para viver com serenidade, ser feliz e afastar-se de sentimentos como angústia e ansiedade.

      De igual forma, não leve a vida tão a sério. Você não precisa estar sempre certo. E o mundo não vai parar se você, de vez em quando, fizer uma pausa nos deveres para se divertir, esquecer as partes chatas do dia a dia e não responder a e-mails nem atender o celular.

      Amigo Coquinho, você vai nos deixar muitas saudades, pelo exemplo de  simplicidade, leveza, vontade de vencer pelos próprios esforços, pela amizade sincera, e graças a Deus, que pudemos usufruir também de sua convivência, seu sorriso de alegria, nos fazendo rir de suas piadas, nos fazendo sempre nos  sentir bem.   

Gervásio Antônio Consolaro, ex- delegado regional tributário do estado/SP, agente fiscal de rendas aposentado. Administrador de empresas, contador, bacharel em Direito e pós-graduação em Direito Tributário. Curso de Gestão Pública Avançada pelo Amana Key e coach pela SBC.  


13.1.21

Programação de filmes no Cineflix - Shopping Praça Nova, Araçatuba, de 14 a 20 de janeiro de 2021

 

Filme: Mensagem do último dia

SCOOBY! - O FILME 2D (DUB) (DUBLADO) (SCOOBY) Ano de Produção: 2019, Idioma: INGLÊS, Diretor: Tony Cervone, Duração: 01:35:00h, com: Will Forte, Mark Wahlberg, Jason Isaacs 

SALA 3 

14/01/2021 - Quinta-Feira: 14:45h - 16:45h

15/01/2021 - Sexta-Feira: 14:45h - 16:45h 

16/01/2021 - Sábado: 14:45h - 16:45h 

17/01/2021 - Domingo: 14:45h - 16:45h 

18/01/2021 - Segunda-Feira: 14:45h - 16:45h 

19/01/2021 - Terça-Feira: 14:45h - 16:45h 

20/01/2021 - Quarta-Feira: 14:45h - 16:45h 

TROLLS 2 (DUB) (DUBLADO) (TROLLS 2) Ano de Produção: 2020, Idioma: INGLÊS, Diretor: Walt Dohrn, Duração: 01:35:00h, com: Anna Kendrick, Justin Timberlake, J Balvin 

SALA 4 

14/01/2021 - Quinta-Feira: 16:50h 

15/01/2021 - Sexta-Feira: 16:50h 

16/01/2021 - Sábado: 16:50h 

17/01/2021 - Domingo: 16:50h 

18/01/2021 - Segunda-Feira: 16:50h 

19/01/2021 - Terça-Feira: 16:50h 

20/01/2021 - Quarta-Feira: 16:50h 

MULHER-MARAVILHA 1984 (DUB) (DUBLADO) (WONDER WOMAN 1984) Classificação: 12 anos, Ano de Produção: 2020, Idioma: INGLÊS, Diretor: Patty Jenkins, Duração: 02:31:00h, com: Gal Gadot, Connie Nielsen, Pedro Pascal

 SALA 2 

14/01/2021 - Quinta-Feira: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

15/01/2021 - Sexta-Feira: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

16/01/2021 - Sábado: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

17/01/2021 - Domingo: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

18/01/2021 - Segunda-Feira: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

19/01/2021 - Terça-Feira: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

20/01/2021 - Quarta-Feira: 16:00h - 19:00h - 22:00h

 SALA 3 

14/01/2021 - Quinta-Feira: 18:45h - 21:45h 

15/01/2021 - Sexta-Feira: 18:45h - 21:45h 

16/01/2021 - Sábado: 18:45h - 21:45h 

17/01/2021 - Domingo: 18:45h - 21:45h 

18/01/2021 - Segunda-Feira: 18:45h - 21:45h 

19/01/2021 - Terça-Feira: 18:45h - 21:45h 

20/01/2021 - Quarta-Feira: 18:45h - 21:45h 

MULHER-MARAVILHA 1984 (LEG) (LEGENDADO) (WONDER WOMAN 1984) Classificação: 12 anos, Ano de Produção: 2020, Idioma: INGLÊS, Diretor: Patty Jenkins, Duração: 02:31:00h, com: Gal Gadot, Connie Nielsen, Pedro Pascal 

SALA 5 

14/01/2021 - Quinta-Feira: 21:55h 

15/01/2021 - Sexta-Feira: 21:55h 

16/01/2021 - Sábado: 21:55h 

17/01/2021 - Domingo: 21:55h 

18/01/2021 - Segunda-Feira: 21:55h 

19/01/2021 - Terça-Feira: 21:55h 

20/01/2021 - Quarta-Feira: 21:55h 

SAPATINHO VERMELHO E OS SETE ANÕES (DUB) (DUBLADO) (RED SHOES AND THE SEVEN DWARFS) Ano de Produção: 2019, Idioma: INGLÊS, Diretor: Hong Sung-Ho, Duração: 01:33:00h, com: Chloë Grace Moretz, Sam Claflin, Nolan North 

SALA 4 

14/01/2021 - Quinta-Feira: 14:50h 

15/01/2021 - Sexta-Feira: 14:50h 

16/01/2021 - Sábado: 14:50h 

17/01/2021 - Domingo: 14:50h 

18/01/2021 - Segunda-Feira: 14:50h 

19/01/2021 - Terça-Feira: 14:50h 

20/01/2021 - Quarta-Feira: 14:50h 

LEGADO EXPLOSIVO (DUB) (DUBLADO) (HONEST THIEF) Classificação: 14 anos, Ano de Produção: 2019, Idioma: INGLÊS, Diretor: Mark Williams, Duração: 01:40:00h, com: Liam Neeson; Kate Walsh; Jeffrey Donovan 

SALA 1 

14/01/2021 - Quinta-Feira: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

15/01/2021 - Sexta-Feira: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

16/01/2021 - Sábado: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

17/01/2021 - Domingo: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

18/01/2021 - Segunda-Feira: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

19/01/2021 - Terça-Feira: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h

 20/01/2021 - Quarta-Feira: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

UM TIO QUASE PERFEITO 2 (IDIOMA ORIGINAL) (UM TIO QUASE PERFEITO 2) Ano de Produção: 2019, Idioma: PORTUGUÊS, Diretor: Pedro Antonio Paes, Duração: 01:42:00h, com: Marcus Majella, Danton Mello, Jullia Svacinna 

SALA 5 

14/01/2021 - Quinta-Feira: 17:50h - 19:50h 

15/01/2021 - Sexta-Feira: 17:50h - 19:50h 

16/01/2021 - Sábado: 17:50h - 19:50h 

17/01/2021 - Domingo: 17:50h - 19:50h 

18/01/2021 - Segunda-Feira: 17:50h - 19:50h 

19/01/2021 - Terça-Feira: 17:50h - 19:50h 

20/01/2021 - Quarta-Feira: 17:50h - 19:50h 

O MENSAGEIRO DO ÚLTIMO DIA (D) (DUBLADO) (EMPTY MAN) Classificação: 16 anos, Ano de Produção: 2019, Idioma: INGLÊS, Diretor: David Prior, Duração: 02:18:00h, com: Stephen Root, Robert Aramayo, James Badge Dale 

SALA 4 

14/01/2021 - Quinta-Feira: 18:50h - 21:40h 

15/01/2021 - Sexta-Feira: 18:50h - 21:40h 

16/01/2021 - Sábado: 18:50h - 21:40h 

17/01/2021 - Domingo: 18:50h - 21:40h 

18/01/2021 - Segunda-Feira: 18:50h - 21:40h 

19/01/2021 - Terça-Feira: 18:50h - 21:40h 

20/01/2021 - Quarta-Feira: 18:50h - 21:40h 

SALA 5 

14/01/2021 - Quinta-Feira: 15:00h 

15/01/2021 - Sexta-Feira: 15:00h 

16/01/2021 - Sábado: 15:00h 

17/01/2021 - Domingo: 15:00h 

18/01/2021 - Segunda-Feira: 15:00h 

19/01/2021 - Terça-Feira: 15:00h 

20/01/2021 - Quarta-Feira: 15:00h 

10.1.21

O camaleão reage à lei do mais forte

 

Canivete múltiplo, versátil

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Houve alguns anos atrás em que o cronista Tito Damazo só escrevia sobre o seu quintal. Eu morria de inveja, porque naquela época, eu estava com a vida muito atribulada, cuidando da cidade. Quem varria o quintal de minha casa, tinha lá algumas plantas nele, era a Helena.  

Nos dias atuais, tenho menos dinheiro e mais tempo, então cuido do quintal de minha casa. Há nele um oitizeiro com quase 40 anos, que na última seca quase morreu, precisei aumentar minha conta de água para socorrê-la

Fiz uma edícula e uma churrasqueira. Virou uma área de lazer da família, meu rancho, com cama elástica e uma piscina que muda de lugar. Antes da pandemia, recebia meus netos. Cuidava da árvore de um lado, e gastava água tratada do outro. Preciso tomar algumas providências.

De manhã, dou um passeio pelos vasos, verifico quais  estão com flores, como está a muda que transplantei, abasteço o bebedouro de beija-flor e a  vasilha de água das rolinhas, retiro algum galho quebrado das plantas. 

Enfim, dou uma geral, para socorrer e ser presenteado com flores e folhagens ornamentais. Há espécie que exige muito do jardineiro, a gente cuida, cuida, mas demora para soltar um pendão. De vez em quanto, aparecem pássaros diferentes, que não fazem parte daquele microcosmo. 

A gente vai cuidando e forma um pequeno ecossistema: lagartixas, rolinhas, beija-flor, bem-te-vi. O único bicho rejeitado, tratado aos gritos é gato, porque eles querem comer os passarinhos. Sei que fazem parte da cadeia alimentar, mas intervenho com toda força.    

Nesta semana, a água do bebedouro do beija-flor começou a baixar com rapidez. Pensei: "ladrão na área, vou observar mais". Preocupação à toa, afinal, devia ser outro ser vivente com sede, mas fiquei curioso.    

A Helena me disse que havia um casal diferente de passarinho no quintal. E me chamou. Vi os dois no oitizeiro. Cantavam um canto desajeitado, mas cantavam, pulavam muito, mas não eram tizius. 

Na figura, há um camaleão camuflado

Mobilizei minha rede de assessores ornitólogos. Afinal, sou presidente da Associação dos Criadores de Pardal - Acriapa, conheço os carcereiros de passarinhos da cidade. O único que me deu uma resposta lógica foi o Tadami Kawata: casal de melro.  

Fiquei contente com o morador. De repente, cuidando do quintal, levanto a cabeça, quem está mamando a água doce do bebedouro do beija-flor: o melro. Assentava, se agarrava com os pés, e metia o bico no furinho. A sua versatilidade de se ajeitar para tomar a água é sinal de inteligência.

O Tadami me informou que o melro é uma ave  canora, mas não tem canto próprio, não é compositor,  pois a sua melodia imita os pássaros da redondeza. Outra versatilidade do bichinho.

Agora, caro leitor, a conversa é com você que deve estar se perguntando: "Por que o Consa está contando essas lorotas do quintal deles? Para que preciso saber disso"?  

Então vai uma lição passada pelo melro. Ele mostra que a versatilidade (aprender com a nova realidade) é melhor que ter cabeça dura. Para matar a sede, aprendeu a agir como um beija-flor. Canta conforme a música local, pois se cantasse de modo diferente, talvez seria expulso do local. Não sei se bota ovo em ninho alheio, como faz o chupim. 

Há muitos humanos que agem assim para conseguir a sobrevivência, são observadores, dançam conforme a música, tornam-se agradáveis, até puxa-sacos. Se você não tem condições de competir, às vezes, não quer criar caso, a melhor saída é aderir. O camaleão reage à lei do mais forte, se confundindo com o meio ambiente.

Daniel Freitas lança livro sobre o ensino de bateria

 



Método de bateria “Ideias Criativas para 
Construção de Fraseados e Grooves”

Conteúdos:
- Figuras
- Tocando e improvisando com as figuras
- Misturando as figuras e criando células rítmicas
- A bateria melódica
- Criando grooves
- Criando ideias para condução
- Construindo ritmos lineares
- Ritmo e melodia
- Construindo ideias rítmicas em fórmulas de compassos irregulares
- Construindo Hemíolas
- Sugestão de fraseados e possibilidades

 WhatsApp: 18 99772-0792

Livro Digital (PDF): 29,90 / Livro físico: R$ 50,00 

Obs: brinde para os primeiros 20 compradores  do livro físico. 

Veja e ouça Daniel explicando o livro:
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9.1.21

Já tive! Eu ainda transmito? - Alberto Consolaro

A imunidade nos livra de desenvolver a doença, mas não impede que transmitamos o vírus que esteja em nós!

 Sim! A imunidade e a imunização impedem que a doença ocorra nas pessoas, mas não impedem que os microrganismos circulem no meio ambiente e nem mesmo que microrganismos fiquem presentes na parte externa do corpo destas pessoas. Parte externa é pele, unhas, cabelos, boca, nariz, ouvido, olhos, genitais e as suas respectivas secreções. Exames tipo PCR detectam a presença do vírus ou não, naquele momento exato do exame, mas não indica se a doença existe ou não naquela pessoa.

A pessoa imunizada pela doença ou vacina pode ter no corpo o vírus, não terá a doença neste período, mas pode passar para outras pessoas. Depois toma banho, escova os dentes e o vírus sai do corpo. Depois de horas ou dias pode de novo contatar o vírus que fica na sua pele e mucosas por mais algumas horas ou dias e assim se alternam períodos com e períodos sem o vírus no corpo. Nestes períodos com os vírus pode transmitir para outras pessoas e nem por isto está doente. Por isto que ainda devem usar máscaras e se isolarem, evitando aglomerações.

Os anticorpos e as células sensibilizadas contra o vírus que a pessoa produziu quando teve a doença, ou quando tomou a vacina, servem para não deixar os vírus entrar dentro das células em que eles gostam de morar e replicarem aos bilhões, produzindo assim a doença. A medida que as pessoas imunizadas predominam na população, os vírus irão reduzindo a sua quantidade até tornarem pouco significante numericamente ou até ausentes no meio ambiente. Eles precisam entrar dentro das células para multiplicarem–se aos bilhões.

Os anticorpos e as células contra os vírus que a pessoa produziu quando teve a doença ou quando tomou a vacina, não servem e não conseguem impedir que os vírus fiquem temporariamente ou de passagem na pele, mucosas, cabelos, boca, nariz e garganta da pessoa que tenha já sido imunizada de alguma forma. Pode se adquirir estes vírus de outras pessoas via gotículas de saliva e aerossóis do meio ambiente dos restaurantes, bares, festas e aeroportos, assim como dos objetos que usam, dos toques corporais e muitas outras formas de contágio.

Em outras palavras, esta pessoa que já teve ou já foi vacinada, não terá mais a doença, pois estará imunizada, mas poderá ter o vírus ainda em seu corpo e também em suas roupas, óculos, calçados, luvas e outros objetos de uso pessoal.

Isto explica porque uma pessoa que já teve a doença ou já foi vacinada contra a covid-19 ainda pode transmitir a doença para as demais pessoas. Se já teve Covid-19, como qualquer outra pessoa, ainda pode transmitir o vírus pela saliva, aerossol e gotículas, além da pele, olhos, objetos e calçados. A imunidade de 15 a 90 dias oferecida pela doença, ou a induzida pela vacina, serve para você não “desenvolver” a doença, mas pode ter o vírus no corpo em qualquer momento novamente, transmitindo a doença para outras pessoas! Se a imunidade acabar, estes vírus podem voltar a induzir a doença novamente na pessoa. 

Uma pessoa pode até dizer: - Eu já tive mesmo! Ou já vacinei não pego mais! “Dane-se agora os outros”. Eu nem penso que alguém possa falar assim, seria uma vergonha para a nossa espécie! Vamos sempre lembrar que a imunidade protege e impede o desenvolvimento da doença, mas não purifica e nem esteriliza o nosso corpo. Até seria interessante sairmos da vacinação dizendo que agora estamos imaculados e purificados, mas a vacina imuniza e não purifica nem o corpo e nem a alma. 

Alberto Consolaro – Professor Titular da USP - FOB -
Bauru - consolaro@uol.com.br 

2020 - Vai deixar saudades? - Gervásio Antônio Consolaro


No inverno da minha vida, me sentia até orgulhoso de ter vivido, se não tudo, mas muita coisa desta vida.

Novos tempos, vi que eu não sabia de nada, dentro do meu mundo cristão, da ética, da honestidade, da solidariedade, do amor ao próximo e compaixão.

Começando pela China, o vírus foi fabricado ou não? Se não por que este país exerceu total controle da epidemia em seu território, só atingindo algumas cidades, já com a maioria da população vacinada. Vacina produzida em grandes quantidades, inclusive com investidores externos, com pronta exportação para vários países.

Brasil, a questão dos respiradores e os ditos EPIs, liberados legalmente pela União, para compra sem licitação, pelos estados, distrito federal e municípios, destes equipamentos, levando a uma corrupção vergonhosa, deslavada, pelo território nacional, claro que há exceções, também nas compras de hospital de campanha, leitos de UTI etc.

Além de um cenário político de disputa pelo poder, entre governantes, de vários níveis, atrapalhando toda a estratégia no tratamento do Covid-19, os mais necessitados da população sofrendo, indo a óbito, sem atendimento, por falta de leitos suficientes.

Agora a guerra das vacinas, todo fabricante quer chegar primeiro, para faturar horrores, em cima dos governos compradores, com toda a polêmica de terem sido devidamente testadas ou não para consumo humano.

Não bastasse isso, com todo esse cenário, 2020 com certeza entra para a história como o ano em que o mundo todo parou e acumulou uma verdadeira mistura de sentimentos: choro, medo, pânico, solidão, depressão, tristezas, incertezas e frustrações.

Médicos e profissionais de saúde exaustos. Cidades vazias. Cemitérios lotados de rico, pobre, velho, jovem, famosos e anônimos. Um vírus e milhões de sonhos cancelados. Um vírus e milhões de famílias destruídas.

A escritora brasileira Lya Luft postou nas redes sociais um texto bem verdadeiro, porém triste ...Disse: “Estamos todos na fila... A cada minuto alguém deixa esse mundo para trás. Não sabemos quantas pessoas estão na nossa frente. E não dá pra sair da fila! Então, faça valer a pena a cada minuto da sua vida. Ame, sem querer nada em troca”. E lá na frente a gente vai olhar para trás e perceber que tudo o que aconteceu teve um propósito maior. Lá na frente, vamos ter a certeza de que nunca estivemos sós...

Que até no silêncio Deus estava ouvindo nossas preces. Lá na frente vamos continuar sentindo saudade daqueles que se foram, sim... Mas essa saudade não será de dor, mas de amor.

Por fim, como disse Bel César, psicóloga Budista Tibetana: “Não importa a intensidade do baque, qualquer pessoa pode voltar a enxergar caminhos com clareza, gestar novas ideias e sentir vontade de recomeçar”.        


Gervásio Antônio Consolaro, ex- delegado regional tributário do estado/SP, agente fiscal de rendas aposentado. Administrador de empresas, contador, bacharel em Direito e pós-graduação em Direito Tributário. Curso de Gestão Pública Avançada pelo Amana Key e coach pela SBC.  

8.1.21

Trump não tomará cianeto - Boaventura de Sousa Santos

 


Trump não é Hitler, os EUA não são a Alemanha nazi, nenhum exército invasor está caminho da Casa Branca. Apesar de tudo isto, não é possível evitar uma comparação entre Trump nestes últimos dias e os últimos dias de Hitler. Hitler no seu bunker, Trump na Casa Branca. Os dois, tendo perdido o sentido da realidade, dão ordens que ninguém cumpre e, quando desobedecidos, declaram traições, e estas vão chegando até aos mais próximos e incondicionais: Himmler, no caso de Hitler, Mike Pence, no caso de Trump.  Tal como Hitler se recusou a acreditar que o Exército Vermelho soviético estava a dez quilómetros do bunker, Trump recusa-se a reconhecer que perdeu as eleições. Terminam aqui as comparações. Ao contrário de Hitler, Trump não vê chegado o seu fim político e muito menos recolherá ao seu quarto para, juntamente com a mulher, Melanie Trump, ingerir cianeto, e ter os seus corpos incinerados, conforme testamento, no exterior do bunker, ou seja, nos jardins da Casa Branca.  Por que não o faz?

No final da guerra, Hitler sentia-se isolado e profundamente desiludido com os alemães por não terem sabido estar à altura dos altos destinos que lhes reservara. Como diria Goebbels, também no bunker: “O povo alemão escolheu o seu destino e agora as suas pequenas gargantas estão sendo cortadas”. Ao contrário, Trump tem uma base social de milhões de norte-americanos e, entre os mais fiéis, grupos de supremacistas brancos armados e dispostos a seguir o líder, mesmo que a ordem seja invadir e vandalizar a sede do Congresso. E, longe de ser pessimista a respeito deles, Trump considera os seus seguidores os melhores norte-americanos e grandes patriotas, aqueles que farão a “America great again”.  Hitler sabia que tinha chegado ao fim e que o seu fim político seria também o seu fim físico. Trump, longe disso, acredita que a sua luta verdadeiramente só agora começa, porque só agora será convincentemente uma luta contra o sistema. Enquanto muitos milhões de norte-americanos querem pensar que o conflito chegou ao fim, Trump e os seus seguidores desejam mostrar que agora é que vai começar – e continuará até que a América lhes seja devolvida. Joe Biden está, pois, equivocado quando, ao ver a vandalização do Congresso, afirma que isto não é os EUA. É, sim, porque os EUA é um país que não só nasceu de um acto violento (a chacina dos índios), como foi por via da violência que todo o seu progresso ocorreu, traduzido em vitórias de que o mundo tantas vezes se orgulhou, da própria união dos Estados “Unidos” (620.000 mortos na guerra civil) até à luminosa conquista dos direitos cívicos políticos por parte da população negra (inúmeros linchamentos, assassinatos de líderes, sendo Martin Luther King. Jr. o mais destacado entre eles), como ainda é o país onde muitos dos melhores líderes políticos eleitos foram assassinados, de Abraham Lincoln a John Kennedy. E essa violência tanto dominou a vida interna, como toda a sua política imperial, sobretudo depois da segunda Guerra Mundial. Que o digam os latino-americanos, o Vietname, os Balcãs, o Iraque, a Líbia, os palestinianos, etc. etc.

Joe Biden também está equivocado quando diz que o pesadelo chegou ao fim e que agora se vai retomar o caminho da normalidade democrática. Pelo contrário, Trump tem razão ao pensar que tudo está a começar agora. O problema é que ele, ao contrário do que pensa, não controla o que vai começar e, por isso, os próximos anos tanto lhe podem ser favoráveis, reconduzindo-o à Casa Branca, como podem ditar o seu fim, um triste fim. Enquanto sistema político e social, os EUA estão num momento de bifurcação, um momento, próprio dos sistemas muito afastados dos pontos de equilíbrio, em que quaisquer pequenas mudanças podem produzir desproporcionadas consequências. É, pois, mais difícil ainda do que o usual prever o que se vai passar. Identifico alguns três dos factores que podem causar mudanças num ou noutro sentido: desigualdade e fragmentação, primado do direito, Stacey Abrams.

Desigualdade e fragmentação. Desde a década de 1980, a desigualdade social tem vindo a aumentar, e tanto que os EUA são hoje o país mais desigual do mundo. A metade mais pobre da população tem hoje apenas 12% do rendimento nacional, enquanto o 1% mais rico tem 20% desse rendimento. Nos últimos quarenta anos o neoliberalismo ditou o empobrecimento dos trabalhadores norte-americanos e destruiu as classes médias. Num país sem serviço público de saúde e sem outras políticas sociais dignas do nome, uma em cada cinco crianças passa fome. Em 2017, um em cada dez jovens com idade entre os 18 e os 24 anos (3.5 milhões de pessoas) tinha passado nos últimos doze meses por um período sem lugar onde morar (homelessness).  Endoutrinados pela ideologia do “milagre americano” das oportunidades e vivendo num sistema político fechado que não permite imaginar alternativas ao statu quo, a política do ressentimento que a extrema-direita é exímia em explorar fez com que os norte-americanos vitimizados pelo sistema considerassem que a origem dos seus males estava noutros grupos ainda mais vitimizados que eles: negros, latinos ou imigrantes em geral.  Com a desigualdade social aumentou a discriminação étnico-racial. Os corpos racializados são considerados inferiores por natureza; se nos causam mal, não há que discutir com eles. Há que neutralizá-los, depositando-os em prisões ou matando-os. Os EUA têm a taxa de encarceramento mais alta do mundo (698 presos por 100.000 habitantes). Com menos de 5% da população mundial, os EUA têm 25% de população prisional.  A probabilidade de jovens negros serem condenados a penas de prisão é cinco vezes superior à de jovens brancos. Nestas condições, é de surpreender que o apelo ao anti-sistema seja atractivo? Note-se que há mais de 300 milícias armadas de extrema-direita espalhadas por todo o país, um número que cresceu depois da eleição de Obama.  Se nada for feito nos próximos quatro anos para alterar esta situação, Trump continuará a alimentar, e com boas razões, a sua obsessão de voltar à Casa Branca.

Primado do direito. Os EUA transformaram-se nos campeões mundiais da rule of law e da law and order. Durante muito tempo, em nenhum país se conhecia o nome dos juízes do Supremo Tribunal, excepto nos EUA. Os tribunais norte-americanos exerciam com razoável independência o papel de zelar pelo cumprimento da Constituição. Até que certos sectores das classes dominantes entenderam que os tribunais podiam ser postos mais activamente ao serviço dos seus interesses. Para isso, decidiram investir muito dinheiro na formação de magistrados e na eleição ou nomeação de juízes para os tribunais superiores. Esta mobilização política da justiça teve uma dimensão internacional quando, sobretudo depois da queda do Muro de Berlim, a CIA e o Departamento de Justiça passaram a investir fortemente na formação de magistrados e na mudança da lei processual (delação premiada) dos países sob a sua influência. Assim surgiu a Lawfare, guerra jurídica, de que a Operação Lava-Jato no Brasil é um exemplo paradigmático. Trump cometeu vários crimes federais e estaduais, entre eles, obstrução da justiça, lavagem de dinheiro, financiamento ilegal de campanha eleitoral e crimes eleitorais (o mais recente dos quais foi a tentativa de alterar fraudulentamente os resultados das eleições na Geórgia em Janeiro de 2021).  Funcionará o sistema penal como nos habituou no passado? Se assim for, Trump será condenado e muito provavelmente preso. Se assim acontecer, o seu fim político estará próximo. Caso contrário, Trump trabalhará a sua base, dentro ou fora do partido republicano, para regressar com estrondo em 2025.

Stacey Abrams. Esta ex-congressista negra é a grande responsável pela recente eleição dos dois senadores democratas no Estado da Geórgia, uma vitória decisiva para dar a maioria do Senado aos democratas e permitir assim que Biden não seja objecto de obstrução política permanente. Qual é o segredo desta mulher? Ao longo de dez anos procurou articular politicamente todas as minorias pobres da Geórgia – negras, latinas e asiáticas – um estado onde 57.8% da população é branca, um estado tido por racista e surpremacista, onde tradicionalmente ganham os conservadores. Durante anos, Abrams criou organizações para promover o registo eleitoral das minorias pobres alienados pelo fatalismo de ver ganhar sempre os mesmos opressores. Orientou o trabalho de base para incentivar a união entre os diferentes grupos sociais empobrecidos, tantas vezes separados pelos preconceitos étnico-raciais que alimentam o poder das classes dominantes. Ao fim de dez anos, e depois de uma carreira notável que podia ter atingido o auge com a nomeação para vice-presidente de Biden – no que foi preterida em favor de Kamala Harris, mais conservadora e próxima dos interesses das grandes empresas de informação e de comunicação de Silicon Vale – Abrams consegue uma vitória que pode liquidar a ambição de Trump de regressar ao poder.  No mesmo dia em que os vândalos partiam vidros e saqueavam o Capitólio, festejava-se na Geórgia este feito notável, uma demonstração pujante de que o trabalho político que pode garantir a sobrevivência das democracias liberais nestes tempos difíceis não pode estar limitado a votar de quatro em quatro anos, e nem sequer ao trabalho nas comissões parlamentares por parte dos eleitos. Exige trabalho de base nos locais inóspitos e muitas vezes perigosos onde vivem as populações empobrecidas, ofendidas e humilhadas que, quase sempre com boas razões, perderam o interesse e a esperança na democracia.  O trabalho de Stacey Abrams, multiplicado pelos movimentos Black Lives Matter, Black Voters Matter e tanto e tantos outros, muitos deles inspirados por Bernie Sanders e a “nossa revolução” por ele animada, podem vir a devolver à democracia norte-americana a dignidade e a vitalidade que Trump pôs em risco.  Se assim for, a melhor lição que os norte-americanos podem aprender é que o mito do “excepcionalismo americano” é isso mesmo, um mito. Os EUA são um país tão vulnerável como qualquer outro a aventuras autoritárias. A sua democracia é tão frágil quanto frágeis forem os mecanismos que podem impedir autocratas, antidemocratas de serem eleitos democraticamente.  A diferença entre eles e os ditadores é que, enquanto estes últimos começam por destruir a democracia para chegar ao poder, os primeiros usam a democracia para ser


eleitos, mas depois recusam-se a governar democraticamente e abandonar democraticamente o poder. Da perspectiva da cidadania, a diferença não é muito grande. 

Professor e sociólogo português, pensador crítico de esquerda mundial.



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7.1.21

Venezuela vai intervir nos Estados Unidos para pôr ordem naquele galinheiro


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Em 2018, em pleno processo eleitoral no Brasil, escrevi uma crônica neste blog com o seguinte título: "Bolsonaro e Hugo Chavez são semelhantes", quase fui linchado da cidade, mas nada melhor que um dia atrás do outro. Naquele texto, eu me esqueci do Trump. 

Um grupo de manifestantes favoráveis ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, invadiu nesta quarta-feira (6/01/2018) o Capitólio, sede do Congresso americano em Washington, onde ocorria a sessão para certificar a vitória eleitoral do democrata Joe Biden.

Imitando o cronista-mor, lá do Rio Grande do Sul, Fabrício Carpinejar, o leitor Liuz Carlos Ribeiro escreveu "Que tal um golpista no melhor estilo 'republiqueta de banana' na Metrópole do Capital, tida e havida como guardiões da democracia. E eu que achava que já tinha visto de tudo."

Sempre ouvi dos mais sabidos que os Estados Unidos eram o exemplo de democracia e do desenvolvimento humano. Lá era tudo, mas tudo mesmo, "primeiro mundo". Como um sujeito que nasceu no pós-guerra (1948), bestamente acreditei. Nem fui lá ver.

A China, a inimiga terrível dos norte-americanos, ganhou a guerra sem guerrear no sentido restrito. Colocou os ianques no devido lugar. Chinês é um governo paciencioso, como o urubu, que espera a vítima morrer para comer a carne.

O país asiático venceu tanto que transformou a poderosa América (a do Norte) na pobre América (a do Sul) que sedia as republiquetas. Os poderosos Estados Unidos estão de joelho. Nem eleição funciona lá, nem tem urna eletrônica. Quando vi as fotos da tentativa de golpe do Trump, com a direita radical invadindo o Congresso norte-americano, pensei que Maduro tivesse sofrido uma tentativa de golpe.

Aqui, Bolsonaro tentou fazer o mesmo, mas o Supremo Tribunal Federal deu um basta naquele radicalismo pago com verbas de gabinetes de parlamentares e cartão corporativo do presidente da República. 

Voltando a Luiz Carlos Ribeiro:    

"Dizem as más línguas que a Venezuela estuda a possibilidade de intervir nos EUA pra reestabelecer a ordem naquele país". Eu escreveria: naquele galinheiro. 

6.1.21

Programação de filmes no Cineflix de Araçatuba - de 07 a 13/01/2021 - Shopping Center Praça Nova

 

Filme "Legado explosivo"

TROLLS 2 (DUB) (DUBLADO) (TROLLS 2) Ano de Produção: 2020, Idioma: INGLÊS, Diretor: Walt Dohrn, Duração: 01:35:00h, com: Anna Kendrick, Justin Timberlake, J Balvin 

SALA 4 

07/01/2021 - Quinta-Feira: 19:20h 

08/01/2021 - Sexta-Feira: 19:20h 09/01/2021 - Sábado: 19:20h 

10/01/2021 - Domingo: 19:20h 

11/01/2021 - Segunda-Feira: 19:20h 

12/01/2021 - Terça-Feira: 19:20h 

13/01/2021 - Quarta-Feira: 19:20h 

MULHER-MARAVILHA 1984 (DUB) (DUBLADO) (WONDER WOMAN 1984) Classificação: 12 anos, Ano de Produção: 2020, Idioma: INGLÊS, Diretor: Patty Jenkins, Duração: 02:31:00h, com: Gal Gadot, Connie Nielsen, Pedro Pascal 

SALA 2 

07/01/2021 - Quinta-Feira: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

08/01/2021 - Sexta-Feira: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

09/01/2021 - Sábado: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

10/01/2021 - Domingo: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

11/01/2021 - Segunda-Feira: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

12/01/2021 - Terça-Feira: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

13/01/2021 - Quarta-Feira: 16:00h - 19:00h - 22:00h 

SALA 3 

07/01/2021 - Quinta-Feira: 15:45h - 18:45h 

08/01/2021 - Sexta-Feira: 15:45h - 18:45h 

09/01/2021 - Sábado: 15:45h - 18:45h 

10/01/2021 - Domingo: 15:45h - 18:45h 

11/01/2021 - Segunda-Feira: 15:45h - 18:45h 

12/01/2021 - Terça-Feira: 15:45h - 18:45h 

13/01/2021 - Quarta-Feira: 15:45h - 18:45h 

SALA 4 

07/01/2021 - Quinta-Feira: 21:20h 

08/01/2021 - Sexta-Feira: 21:20h 

09/01/2021 - Sábado: 21:20h 

10/01/2021 - Domingo: 21:20h 

11/01/2021 - Segunda-Feira: 21:20h 

12/01/2021 - Terça-Feira: 21:20h 

13/01/2021 - Quarta-Feira: 21:20h 

MULHER-MARAVILHA 1984 (LEG) (LEGENDADO) (WONDER WOMAN 1984) Classificação: 12 anos, Ano de Produção: 2020, Idioma: INGLÊS, Diretor: Patty Jenkins, Duração: 02:31:00h, com: Gal Gadot, Connie Nielsen, Pedro Pascal 

SALA 3 

07/01/2021 - Quinta-Feira: 21:45h 

08/01/2021 - Sexta-Feira: 21:45h 

09/01/2021 - Sábado: 21:45h 

10/01/2021 - Domingo: 21:45h 

11/01/2021 - Segunda-Feira: 21:45h 

12/01/2021 - Terça-Feira: 21:45h 

13/01/2021 - Quarta-Feira: 21:45h 

SAPATINHO VERMELHO E OS SETE ANÕES (DUB) (DUBLADO) (RED SHOES AND THE SEVEN DWARFS) Ano de Produção: 2019, Idioma: INGLÊS, Diretor: Hong Sung-Ho, Duração: 01:33:00h, com: Chloë Grace Moretz, Sam Claflin, Nolan North 

SALA 4 

07/01/2021 - Quinta-Feira: 15:20h - 17:20h 

08/01/2021 - Sexta-Feira: 15:20h - 17:20h 

09/01/2021 - Sábado: 15:20h - 17:20h 

11/2 10/01/2021 - Domingo: 15:20h - 17:20h 

11/01/2021 - Segunda-Feira: 15:20h - 17:20h 

12/01/2021 - Terça-Feira: 15:20h - 17:20h 

13/01/2021 - Quarta-Feira: 15:20h - 17:20h 

LEGADO EXPLOSIVO (DUB) (DUBLADO) (HONEST THIEF) Classificação: 14 anos, Ano de Produção: 2019, Idioma: INGLÊS, Diretor: Mark Williams, Duração: 01:40:00h, com: Liam Neeson; Kate Walsh; Jeffrey Donovan 

SALA 1 

07/01/2021 - Quinta-Feira: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

08/01/2021 - Sexta-Feira: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

09/01/2021 - Sábado: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

10/01/2021 - Domingo: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

11/01/2021 - Segunda-Feira: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

12/01/2021 - Terça-Feira: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

13/01/2021 - Quarta-Feira: 15:10h - 17:30h - 19:40h - 21:50h 

UM TIO QUASE PERFEITO 2 (IDIOMA ORIGINAL) (UM TIO QUASE PERFEITO 2) Ano de Produção: 2019, Idioma: PORTUGUÊS, Diretor: Pedro Antônio Paes, Duração: 01:42:00h, com: Marcus Majella, Danton Mello, Jullia Svacinna 

SALA 5 

07/01/2021 - Quinta-Feira: 15:00h - 17:00h - 19:10h - 21:10h 

08/01/2021 - Sexta-Feira: 15:00h - 17:00h - 19:10h - 21:10h 

09/01/2021 - Sábado: 15:00h - 17:00h - 19:10h - 21:10h 

10/01/2021 - Domingo: 15:00h - 17:00h - 19:10h - 21:10h 

11/01/2021 - Segunda-Feira: 15:00h - 17:00h - 19:10h - 21:10h 

12/01/2021 - Terça-Feira: 15:00h - 17:00h - 19:10h - 21:10h 

13/01/2021 - Quarta-Feira: 15:00h - 17:00h - 19:10h - 21:10h

4.1.21

Imunidade da doença ou da vacina? - Alberto Consolaro

 

A imunidade pela vacina é mais intensa e dura mais tempo, a induzida pela doença gira entre 15 a 90 dias

Toda resposta imune é específica, atua apenas contra uma determinada proteína reconhecida como estranha pelo organismo. As vacinas estimulam a resposta imune específica contra a proteína viral que a compõe a ser injetada. Ou ainda, contra uma proteína viral estranha que foi induzida a ser fabricada dentro do corpo por uma vacina como a vacina da Pfizer e da Moderna.

Se uma vacina tem várias proteínas virais, teremos várias respostas imunes ao mesmo tempo, o que faz parte do dia a dia normalmente. Ao mudar a estrutura da proteína viral injetada ou que foi induzida a ser fabricada no corpo, tem que se ter outra resposta imune específica para ela.

A vacina Pfizer, Moderna e outras que usam ou induzem apenas uma proteína viral, correm este risco se o vírus sofrer mutações. A vacina Coronavac/Sinovac e outras que usam o vírus completo e atenuado/morto tem várias proteínas virais, pois introduzem o vírus fragmentado com todas as suas proteínas, induzindo uma imunidade mais ampla neste sentido.

As mutações virais explicam por que certas vacinas são para a vida toda como a do sarampo, caxumba e outras. Os vírus destas doenças são mais estáveis e sofrem poucas mutações importantes. Enquanto que vacinas para a gripe, se tem que tomar todos os anos, pois são produzidas por vírus que sofrem muitas mutações ao longo de um ano ou alguns anos. Outros vírus, como o da varicela-zoster também são estáveis, mas a medida que as décadas passam, a imunidade que as vacinas para a V-Z induziram na infância, vai diminuindo e precisa de um reforço, ou seja, precisa tomar de novo para ficar protegido depois dos 40-50 anos.

DIFERENÇA

Qual a diferença entre uma resposta imune, ou imunidade, induzida pela doença e a pela vacina? A imunidade induzida pela própria doença tende a ter uma menor eficiência, pois foi induzida por muitas proteínas virais diferentes que entraram deixando uma memória celular e anticorpos razoável, mas ainda é pouco para se dizer que está imune de forma prolongada. A quantidade de proteínas virais ainda é pouco se comparada com a quantidade que tem na vacina.

As vacinas têm uma quantidade ou volume muito maior destas proteínas virais, além de conter substâncias que potencializam esta resposta imunológica chamadas de adjuvantes. Formam muito mais células de memória e anticorpos, o que pode durar por muito mais tempo gerando uma eficiente imunidade. E para aumentar muito mais ainda, se tem as doses de reforço que pode ser uma ou duas, a depender de cada doença.

E quanto tempo dura uma imunidade? Isto vai depender muito de cada vírus e da quantidade e velocidade de mutações que ele apresenta no tempo. Pode ser por alguns meses ou anos. Tudo leva a crer que no caso da covid-19 deva ser algo parecido com as gripes, influenzas e H1N1. Nossa, mas é pouco tempo, mas a imunidade oferecida pela doença em quem já pegou varia de 15 a 90 dias. Falar sobre a duração da imunidade oferecida pelas vacinas anticovid ainda está no terreno das hipóteses!

ESCOLHA

Perguntam-me muito: - Qual vacina vai tomar? Respondo sempre que estou preparado para tomar aquela que terei acesso primeiro. Não devemos adiar, a questão é de vida ou morte!

 

Alberto Consolaro – Professor titular da USP - FOB Bauru - consolaro@uol.com.br