AGENDA CULTURAL

13.6.15

Assassinato de Paola: o monstro já foi uma criança

Paola Bulgarelli foi assassinada com pancada na cabeça

Jovem estava desaparecida desde a tarde do dia 5 e o corpo foi encontrado ontem no início da tarde, no Ribeirão Baguaçu 
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Foi uma semana de muita especulação, denúncias falsas e buscas desesperadas por familiares e muitos amigos. A jovem Paola Cristina Bulgarelli, 20 anos, desapareceu na sexta-feira à tarde e no sábado começaram as buscas. Foram feitos cartazes para fixação em postes e as redes sociais se transformaram em ferramenta de busca digital. Nada resolveu. Ontem (12), no início da tarde, acabou o mistério. Um corpo foi encontrado boiando no Ribeirão Baguaçu, no Jardim Alvorada.

Familiares e amigos desesperados. Por fim, o duro reconhecimento. Era Paola Bulgarelli. A polícia confirmou que ela morreu de traumatismo craniano. Porém, ainda não se sabe o que foi usado para agredi-la. A jovem vai ser sepultada hoje.


(Jornal "O Liberal", 13/6/2015)





"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você." Friedrich Nietzsche

Existe a teoria de que mora um monstro em cada um de nós, basta baixar a guarda para que ele comece a rosnar.

Portanto é fácil se expressar num momento de incompreensão, chamar o assassino de Paola Bulgarelli de monstro, mas o monstro já foi uma criança, e ele vai tomando conta dela conforme o desamor recebido.

Nestes momentos de êxtase, de não ter o que falar diante de  tanta barbaridade, é bom recorrer aos filósofos, aos psicólogos, à Palavra de Deus.

Os monstros em nossa sociedade são cevados, criados, alimentados por nós. Eles são a expressão extremada de nossa maldade coletiva. 

Perder um filho ou filha é literalmente a perda de "um pedaço de mim". Isso, se morrer de doença. Morrendo como Paola, os pais se sentem como se tivessem perdido a humanidade.

Sigamos o conselho de Friedrich Nietzsche, não olhemos tanto o monstro, não o encaremos para que ele não se mude para dentro de nós.

A gente mata o monstro com a flecha de um olhar de perdão, de compreensão. A melhor vingança para uma pessoa que odeia é se sentir amada.   

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba-SP

Acharam o monstro


José Emerson de Barros Lins, o 'Miojo' dentro de viatura, em Castilho; ele era apaixonado pela moça
 Um rapaz de 18 anos, preso neste domingo (14) na casa do pai dele, em Castilho, confessou à polícia ter estrangulado Paola Cristina Bulgarelli, 20, abusado sexualmente dela, acertado duas pauladas em sua cabeça e jogado o corpo no ribeirão Baguaçu, em Araçatuba. As roupas da moça foram colocadas em uma sacola e também abandonadas no manancial.

A Polícia Militar chegou até José Emerson de Barros Lins, o “Miojo”, após receber uma denúncia anônima, que indicava onde estaria o celular da garota. Um servente de 25 anos, que comprou o aparelho do acusado, foi abordado em sua casa, no bairro Alvorada, onde manteve o amigo escondido. Ele indicou o terreno onde o aparelho estava enterrado


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11 comentários:

Andresa Martins disse...

Prezado Hélio Consolaro, acredito que o senhor não estava fazendo pleno uso de suas faculdades mentais ao escrever este artigo.

"Desamor" não transforma criança alguma em assassino. Milhões de pessoas, incluso meu próprio pai, sempre cresceram largadas e sem o amor dos pais, mas nem por isso se tornaram assassinos.

Hoje foi solta uma notícia sobre o depoimento de um dos menores que participaram do estupro coletivo no Piauí. Na frente do promotor e do juiz, ele disse "Eu quero é ser bandido mesmo". Ele mora com a mãe e duas irmãs. Você realmente acha justificável dizer que ele estuprou, torturou e tentou assassinar 4 garotas por "desamor"? As outras dezenas de passagens que ele tem pela polícia também foram somente um "desamor"?

Eis a matéria em questão - http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/estupro-espancamento-e-morte-a-tarde-de-horror-no-piaui

Lamentável sua postura com relação ao assunto. Se o senhor acha que o que falta para esses assassinos é "amor", por quê não os leva para sua casa e enche eles de amor? Comprometo-me a trazer esses 4 meninos do Piauí para que o senhor comece sua missão.

Hélio Consolaro disse...

Explicando à Andresa Martins

Dou-lhe uma resposta porque se identificou, embora não tivesse sido o suficientemente educada com um professor de 66 anos. Você precisa pesar mais as palavras ao ler um texto.
Minha crônica não defende a impunidade nem diz que o assassino esteja com a razão, apenas propõe que se olhe o pecador com olhos de piedade. Se você for cristã, deve ter aprendido na igreja que a gente deve odiar o pecado e não o pecador. Dele devemos ter dó, vê-lo como coitado. Um pecador, qualquer um de nós, não deve ser tão duro com o outro pecador. Se fosse para levar a ferro e fogo como propõe, as igrejas não iriam evangelizar nas prisões. 14/06/2015, Hélio Copnsolaro

MARCELO ANTONIO disse...

"olho por olho dente por dente" é o que eu acho .

É isso disse...

Meu Caro Professor Hélio Consolaro, excelente texto, obriga-nos a reflexão.
Infelizmente, saber interpretar textos e ter bom senso, são "virtudes" raras nos tempos atuais.
Um abraço.
Madson Cardoso

Oderlan Carvalho disse...

Helio vc nao passa de um idiota de 66 anos.

Israel Jesus disse...

Saudações, Professor!
Gostei do seu ponto de vista, me identifico com ele.
"Estamos" mais preocupados na pena do que no motivo do crime...
Forte abraço e fique na paz!

Ana Paula Lima disse...

Pega ele Para você Hélio. Ame você ele!

Paulinha Lima disse...

Cada uma que sou obrigada a ler.
Já não basta falar asneiras em sala de aula, o Sr. ainda escreve asneiras sobre esse assunto? Leva esse ser, que não teve amor durante sua infância para sua casa, e o crie com amor! :)

Anônimo disse...

As pessoasvnão conhecem a história dele. Não sabem e nem sonham em saber pelas coisas que esse rapaz já passou. Falar é muito facil, julgar melhor ainda. É certo q nada justifica morte alguma. Mas muita coisa poderia ter sido diferente na vida desse rapaz ... A vida foi e está sendo dura com ele.

Andresa Martins disse...

Hélio, primeiramente, o fato de você ser um idoso não significa que merece mais respeito do que qualquer outro.

Segundo, eu lhe pergunto: este assassino - que também é cristão, assim como você - olhou para esta moça com "olhos de piedade"?

Não sei se o senhor já se deu ao trabalho de ir em uma penitenciária, mas se você for lá e perguntar aos detentos, 99% são cristãos. Se crime tiver relação com religião como você fez parecer, então podemos dizer que a culpa da criminalidade é do Cristianismo.

"Ateus são menos de 1% da população carcerária":

http://forum.hangarnet.com.br/index.php?showtopic=109041

Nada justifica um assassinato. Meu pai teve uma infância miserável, de maus tratos e sem amor, e nem por isso está matando gente ou roubando.

Mário Kister disse...

Com todo respeito Seu Hélio, discordo do seu posicionamento.

Que tal demonstrarmos preocupação com os pais e familiares da vítima? Incentivar a sociedade a ser mais empática e dar apoio aos familiares vitimizados? Promover grupos com outras famílias que vivenciaram o mesmo tipo de trauma? Políticas ou ações comunitárias para evitarmos isso no futuro?

Não. Aparentemente isso fica em segundo plano, é o de menos. Importante mesmo é o sujeito (confortável em sua sala-de-estar climatizada) ter "piedade" do assassino e, por alguns momentos sentir-se um grande homem "de bem", capaz de perdoar as mais vis atrocidades.

Digo-lhe uma coisa, se você perdoa esse rapaz não é por grandeza de caráter, mas sim por pequenez de coração. As únicas pessoas que tem ideia da dimensão do ocorrido são os pais dessa menina. E por tanto são eles os únicos que estão em posição de perdoar alguém. Agora, pra alguém que nem conhece a menina é facílimo perdoar o bandido. Você simplesmente fecha a aba do internet explorer e volta pra sua vida normal. Infelizmente, pros pais não é bem assim...

Acho extremamente danosa essa filosofia moral de quinta categoria que norteia o debate público no Brasil.