AGENDA CULTURAL

1.8.15

Piquenique no zoológico municipal de Araçatuba

Hélio Consolaro*

DE PÉ: Yuri, Elis, Hélen (Menininha), Helena, Hélio Consolaro (com o neto Caio no colo). SENTADOS: Luísa e Áurea 
Não sei caro leitor se você fez piquenique ou convescote nalgum dia de sua vida: um passeio à moda antiga em que se levavam as crianças, a família toda para um passeio, geralmente no campo. Era uma prática das famílias abastadas.

Na sexta-feira, 31/07/2015, último dia das férias escolares, fui surpreendido por um telefonema de meu neto Yuri:

- Vô, venha ao zoológico municipal, estamos fazendo um piquenique. Todo mundo está aqui.

Esse "todo mundo" era a família, menos o genro que é um provedor incorrigível, trabalha sempre. Aí me lembrei que havia assumido o compromisso de passar pelo piquenique, como fazem as autoridades nos eventos. E fui.

Dirigindo, pensando: "Só minha filha, a Menininha, para realizar um piquenique no Zoológico Municipal Flávio Leite Ribeiro". Pensei em dar de cara com os assassinos do hipopótamo Miltão, das emas, das antas. Nossa, minha família estaria insegura...

Larguei esse pensamento besta de classe média amedrontada, fui com a alegria de um avô que foi chamado pelos netos, apenas quatro. Lá também estava a avó Helena, a tia-avó Áurea, a pajem Vitória e os netos: Yuri, Luísa, Elis e Caio.

Uma das mesas que se distribuem pelo zoo, estava repleta de lanches, guloseimas. Fui comprar picolés e refrigerantes. De repente, vejo uma cesta feita de bambu, como no tempo de minha avó.

- Que é isso, buscou no museu? - perguntei.

Menininha, minha filha explicou:

- Exigência da Luísa, segundo ela piquenique sem cesta não é piquenique... Comprei-a de um artesão. 

Fiquei meio pasmo, porque Luísa tem quatro anos. Não sei onde ela aprendeu que piquenique precisa ter cesta. Talvez nalgum desenho animado. Lembrei-me do local quando em minha adolescência pobre, ia passear no "bosque municipal" nos domingos à tarde, paquerar as meninas. Quando o respeito pelos animais não era uma filosofia de vida, pois lá à noite havia até boate, no estilo cabaré.

Perguntei à Menininha o porquê da escolha do zoológico municipal como um local para o piquenique da família. E ela foi muito simples na resposta:

- Muita gente reclama que Araçatuba não tem um espaço de convivência coletiva, quer coisa melhor do que o zoológico?

Verdade. É um lugar arborizado, com equipamentos para as crianças brincarem e até academia ao ar livre. Para a minha surpresa, havia muita gente. E segundo o secretário Jorge Rozas, em fins de semana, passam por lá cerca de 10 mil pessoas.   

Pedi que uma foto fosse retirada, porque além de um passeio, aquele piquenique era um ato político espontâneo a favor da ocupação dos espaços públicos por pessoas que não moram em condomínio luxuosos, nem têm ranchos, quase sempre moram em pequenos apartamentos ou conjuntos habitacionais.

Como disse Tico Santa Terra, o mundo não se limite à fronteira de meu condomínio. Assim, minha filha, sem ser militante político, sem filiação partidária, organizou um ato público em forma de piquenique para provar que viver numa cidade é ocupar todos os seus espaços.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba-SP


       

2 comentários:

Luceli Zorzetto disse...

Parabéns....um passeio que ficará como uma boa lembrança e digno de ser contado.

Ellen Nunes disse...

Fiz uma festa piquenique para minha filha no zoológico em uma tarde de domingo, ficou linda e as crianças convidadas amaram. Colocamos toalha xadrez no chão em uma sombra e várias almofadas coloridas em volta para as crianças sentarem, a tradicional cesta de piquenique com muitas frutas, guloseimas, pães, flores e balões de gás!
Ficou tudo simples e lindo, aproveitamos muito bem o espaço que estava bem agradável!
Minha família ama piquenique e agora quero fazer um piquenique bíblico com meus alunos da escola dominical, onde no lugar das frutas, na cesta, colocarei livros com histórias bíblicas para contar para eles em uma boa sombra...