AGENDA CULTURAL

4.2.16

Estive no Titanic

MSC - navio Splendida
Hélio Consolaro*

Aquela monstruosidade de navio, um condomínio vertical, 5 mil pessoas vivendo numa cidade flutuante.

Água dessalinizada, cinco geradores, 38 m de largura por 333m de extensão. Titanic era fichinha perto do Splendida, da MSC.
A Helena, minha esposa, não conseguiu assistir ao filme Titanic porque dava enjoo, mas estava sob efeito de remédios. Na verdade, dava algumas vezes uma tremura sob os pés. Depois, parou até de se medicar. Estavam conosco as companheiras de Rotary Marlene Kato, Janete Novaes e Mariana Slavec.

Para um rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso, passar oito dias naquela vida nababesca era até um pecado, deixava minha consciência judaico-cristã incomodada. Nada de desperdício, tudo dentro dos novos padrões de sustentabilidade. A classe C emergente se fazia presente também.

O último andar do navio, o 16.o
Imaginar que havia um tripulante para cada dois navegantes. Se você desarrumasse dez vezes por dia a cama de sua cabine (bem maior que um quarto da rede Ibis), dez vezes a camareira a arrumava, chegava a ser um exagero.

No cruzamento dos andares 5, 6 e 7 (o navio tinha 16 andares) acontecia o agito cultural (havia até biblioteca com livros em quatro idiomas), com escadas de vidro e corrimãos banhados a ouro e que havia sempre um funcionário lustrando as peças douradas, também é um exemplo de dedicação. Havia teatro, barzinhos, cassino, academias, piscinas, agito geral.

Helena e Hélio Consolaro, no café da manhã, no restaurante self-service

 Além de vários restaurantes à la carte, havia todo o 14.o andar com um self-service que funcionava 24 horas por dia. Se em Foz de Iguaçu, os quatis roubavam a comida dos turistas, no Splendida, os garçãos não deixavam acumular vasilhas sujas ao seu lado. De repente, uma mão misteriosa surrupiava aquilo que já foi usado.

Tudo informatizado, tudo sob controle, nos embarques e desembarques dos passeios em terra. A bebida no navio era cara, como já escrevi noutra crônica “Cruzeiro em dólares”, mas era possível um controle, para que não houvesse o endividamento. 

Janete Novaes na escada da fama - foto de Marlene Kato

Não escrevo isso para esnobar, mas para dividir experiências com os leitores, principalmente para quem tem certo receio com cruzeiros pela costa brasileira ou mesmo noutros mares. Deve-se comprar o passeio bem no início do ano, fica mais barato. Na última hora, o preço dobra.

Boa viagem. Conheça bem sua aldeia, meu jovem, mas não se esqueça explorar o mundo distante.  


*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Secretário municipal de Cultural de Araçatuba-SP

Crônica "Cruzeiro em dólares", de Hélio Consolaro


Mariana Slavec, Hélio e Helena Consolaro, Marlene Kato e Janete Novaes - companheiros do Rotaray Clube Aaçatuba Cruzeiro do Sul. Foto tirada em Búzios. 

Um comentário:

José Hamilton Brito disse...

Parabéns pelo belo passeio. É o que acompanha a alma quando ela sobe...quando sobe, né?