AGENDA CULTURAL

24.3.16

Homofobia em Araçatuba

Carlos Paupitz (secretaria de Cultura) Hugo (turbante - visitante) Hélio Consolaro (secretário municipal de Cultura), Nandara Sakamoto (visitante), Willian Sancler (Secretaria de Cultura)
Hélio Consolaro*

Não estou aqui para dizer se homofobia é crime ou não, deixemos as formalidades jurídicas de lado, analisemos atitudes, comportamentos. Há gente que quer só ela viver, sufocando as demais. 

Recebi dois jovens em minha sala, Nandara e Hugo, para ouvir como a Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba analisava as seguintes reações homofóbicas durante a 2.a Semana da Diversidade Sexual de Araçatuba - 16 a 20/3/2016:



1) escolas que não deixaram divulgar os eventos para seus alunos;
2) grafites que foram destruídos, feitos  em logradouros públicos.

Respondi que a Semana da Diversidade Sexual de Araçatuba começou com financiamento da Secretaria Estadual de Cultura, através de um projeto apresentado em 2015 pelo produtor cultural Fernando Fado (Fernando Faria Prado), que obteve apoio do Sesc e da Prefeitura de Araçatuba. Os locais públicos tiveram autorização para receber grafites de Rafael Suriani, um artista de renome internacional. 

Afinal, a cidade precisa se tornar mais colorida, enfeitada, com imagens e esculturas de Jesus Cristo, anjos, figuras bíblicas e históricas, artes abstratas e também os grafites. É só o interessado apresentar um projeto e pedir autorização. Araçatuba precisa se mostrar plural no seu espaço físico. Em vez de destruir a obra de arte do outro, faça também a sua.

Não é possível Araçatuba ser uma Ouro Preto (MG) que em cada esquina há imagens de santos e igrejas, porque a concepção de cidade atual é bem diferente, vivemos numa sociedade democrática, marcada pela pluralidade. 
  

Se a comunidade da Diversidade Sexual de Araçatuba quiser reconstruir as imagens, as autorizações em lugares
públicos continuam válidas.   

A cidade é de todos, não tem dono; todas as culturas devem ser respeitadas. Precisamos viver e deixar os outros viverem também.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba-SP


2 comentários:

Elaine Sallas disse...

Que bom que a cultura começa a discutir questões profundas e se abrir para a diversidade artística e a diversidade social. Necessário!

Telmo Kiguel disse...

Estas ocorrências poderão ser menos frequentes se procurarmos a prevenção da homofobia. Bons exemplos vem do Canadá, da Alemanha e das pesquisas abaixo:
http://saudepublicada.sul21.com.br/2016/02/21/homofobia-no-canada-querem-prevenir-e-aqui-quem-nao-quer/