AGENDA CULTURAL

30.4.16

Façanhas domésticas

Hélio Consolaro*

No recôndito do lar, surge certas situações engraçadas. Cada coisa boba é motivo de muitas conversas e gargalhadas nas reuniões familiares, principalmente quando se toma uma cerveja.

Esta história é mais ou menos épica, de um heroísmo doméstico vivido com dois sessentões numa casa.

Há dias, a Helena está me dizendo que há um rato passeando pela cozinha. Esse mau comportamento de deixar vasilhas sujas na pia, lixeirinha aberta, atrai os camundongos, principalmente. Já o tinha visto, prometi-lhe vingança.

Estava assistindo à televisão à noite, antes de iniciar o jogo de futebol, quando me levantei e sentenciei profeticamente:

– Vou ver o rato na cozinha, quero cumprimentá-lo.

E não é que ele estava lá. Acendi a luz e o vi passeando pelo fogão, belo e folgado. A única arma à minha disposição era uma caneca de plástico bem endurecido com o brasão do Palmeiras.

Pá de cá, pá de lá, mas o fogão tem grade, nada de pegá-lo na canecada. Até que o infeliz teve uma péssima ideia de correr para a pia, superfície lisa. Peguei-lhe em cheio com uma canecada.

Caiu no piso. Pé calçado em cima, estripado, esmagado. A Helena chegou apavorada para ver o que ocorrera na cozinha. Quando viu o quadro do rato vencido, não acreditou:

– Foi você que matou o rato!!!

– Não, foi o saci-pererê! Vai duvidar de mim?

Depois só foi admiração:

– Nossa, você ainda está ágil, apesar da idade...

Olhei a caneca com o brasão do Palmeiras e soltei a pérola:

- O time é uma merda, mas a caneca não se quebrou, apesar das pancadas dadas com ela.

A Helena para brincar disse que eu ia ser processado pela associação protetora dos animais, mas respondi-lhe que o homem ainda divide os animais em úteis e nocivos. E o rato se danou!   


*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras. Secretário Municipal de Cultura de Araçatuba-SP  

Um comentário:

Helio Consolaro disse...

COMENTÁRIO MANDADO POR E-MAIL POR LEITOR DE PENÁPOLIS: JOISÉ MARIA DO VALLE

Meu caro Hélio Consolaro:

O texto escrito no blog do Consa e editado no diário de Penápolis neste último domingo
08/05/16 , sob o título em pauta , contando a façanha do extermínio de um roedor nocivo,
asqueroso e causador de um terrível pânico nas pessoas e evidentemente muito mais nas
mulheres , e como este animal , cheio de repulsas habita em todos os lugares , no campo
ataca paióis de milho , arroz e outros mantimentos e tem como inimigos os gatos, cachorros,
e cobras que faz destes as suas refeições e principalmente o homem, que além de destruir
os produtos colhidos para a sua manutenção ainda é conhecido como transmissor de doenças
como a leptospirose, e na zona urbana não é diferente , como você relatou, se tiver sobras de
comida eles não hesitarão em dar as caras ameaçando a nossa tranquilidade e a nossa inte-
gridade física e aí é uma batalha para realmente expulsa-lo ou fazendo-o fugir ou eliminando-o
Creio que não existe uma casa sequer que estes medonhos roedores não tenham aparecido uma
única vez. Aqui em casa volta e meia algum resolve ultrapassar o largo quintal e a Tiriça minha
cachorra vira-latas liquida-os com boas mordidas , mas as vezes , como num campo minado
ou vendo os desenhos do Jerry aquele ratinho esperto dos desenhos infantis, que ludibria o
gato Tom , acabam por chegar no interior de nossas residencias .
No ano de 2004 a minha filha, aprovada em concurso público para professora estadual e com
minha netinha ainda com pouco meses de vida, veio até minha casa para que eu a levasse
até São Paulo para escolher onde daria aula, uma vez que meu genro estava em São Paulo
fazendo um curso no Banco que ele trabalha até hoje, iríamos fazer uma escala em Valinhos-SP
para descansar, onde morava meu irmão Dr.Dirceu. Na véspera da viagem,à noite ,ela estava no
telefone conversando com o marido, quando de repente passou ao seu lado uma enorme rata-
zana vinda do quintal, tinha escapado da vigilância da Tiriça e correndo a toda entrou na sala da
frente, cuja porta de entrada estava fechada, ela prontamente fechou a porta que adentrava a
esta sala , e gritou que havia uma ratazana muito grande na sala.Tentamos a todo custo achar a
maldita roedora e nada , este animal tem uma facilidade de esconder-se. Deixamos a portas
trancadas com a ratazana dentro e fomos dormir, pois, tínhamos que descansar, uma vez que
viagem seria cansativa. Alta madrugada acordamos com um roc , roc, roc, não é que a ratazana
estava roendo a porta para sair.Eu e minha esposa munidos de vassouras e outros adereços
macetantes , adentramos na sala e já com a luz acesa começamos a procurar, aí foi uma luta,
uma hora a ratazana subia nas cortinas, outra outra escondia atras dos sofás, outra nas estantes,
e cada vez que ela vinha para o lado da minha esposa ela dava gritos alucinantes de medo e nojo
e eu dava pancadas e gritava " toma sua vadia, vagabunda, animal nojento e etc." obviamente
estava xingando a ratazana que desviava pra cá e desviava pra lá, em síntese demorou mais de uns
40 minutos nesta peleja , quando conseguimos entre os gritos da minha mulher e as pancadas
que eu dava , matar a infeliz da ratazana, e aí suados e cansados respiramos aliviados quando
percebemos que toda vizinhança estava com as luzes acesas nos portões aterrizados, achando
que eu estava matando a minha esposa , faltou pouco para que tivessem acionado às autoridades
policiais, quando explicamos aos vizinhos mostrando o motivo da gritaria e das vassouradas, todos
caímos em gargalhadas , terminando esta madrugada fatídica.