AGENDA CULTURAL

24.10.16

Os pobres podem salvar o capitalismo



Hélio Consolaro*

Tenho medo de não ter mais cartão de crédito. Sou de uma geração de um capitalismo brasileiro muito tacanho, cartorial, em que os capitalistas e o governo se autoprotegiam em detrimento do público, contra o povo.

No início da década de 90, como professor, eu queria ter um cartão de crédito. Preenchi o formulário e a direção da instituição financeira respondeu, pelo correio, que eu não tinha renda para tanto. Apenas os ricos possuíam a prerrogativa do cartão de crédito.

Vivi mais de uma década com carro velho, porque não se financiava carro em muitas prestaçõe. No máximo, três meses. O ciclomotor, a famosa Mobylette, era a condução da grande maioria.

Então, meu jovem, já pensou viver sob uma inflação de quase 90% ao mês. Comprar algo agora por R$10,00 e o no mês vindouro pagar a mesma mercadoria por R$ 19,00.

Capa de livro

E de repente, o Governo Collor, confiscou todas as aplicações financeiras e a poupança de todos os brasileiros. Todos dormiram com um saldo bancário e acordaram com saldo zero noutro dia. 

Por isso, desarranjar o país, querer bagunçar o coreto deixa os mais velhos com os nervos à flor da pele, porque sofremos os desarranjos na carne. 

O maior benefício que o capitalismo financeiro pode promover, agindo com modernidade, é democratizar o crédito. Se há quem se lambuze, se endividando mais do que devia, o problema é dele, pois cada um precisa cuidar de suas economias.

Capa de livro

Quem começou a entender o crédito como a parte boa do capitalismo financeiro foi Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mas quem mergulhou de cabeça, promovendo inclusive o financiamento imobiliário foi o Presidente Lula (PT).

Não quero voltar ao capitalismo cartorialista do PMDB,  à época do Sarney (PMDB), não quero ressuscitar o governo Itamar (PMDB – sucessor de Collor). Tenho medo do governo Temer (outro PMDB). Peemedebista só gosta de criar cargos e empregar apaniguados, não toma as atitudes necessárias. Exemplo: Plano Cruzado da época do Sarney.


*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras.  HHHH  

Um comentário:

Ruy Barbosa disse...

O que me deixa desesperado é o fato de ser um socialista que reconhece o que o capitalismo tem de bom e aceito, democraticamente, que vivemos em um país capitalista e então temos que aplicar da forma mais justa possível as regras do jogo e, infelizmente, estamos assistindo o país mergulhar numa forma de capitalismo selvagem que pensávamos haver sido superada. E o pior de tudo é ver que os maiores prejudicados com este retrocesso estão a bater palmas, como que comemorando a "mudanca". Vamos perder muito mais que os cartões de crédito.