AGENDA CULTURAL

1.5.17

Morreu cantor e compositor Belchior, uma flor da engrenagem



Hélio Consolaro*
Atualizado em 03/05/2017

“Vá embora poeta maldito!/ O teu tempo maldito também já terminou” (Belchior)

Então, morreu Belchior, meu compositor e cantor preferido, com sua vida errática que parece ser destino de todos os apocalípticos empedernidos. Dizem que é o mais literato de nossos trovadores.

A última vez que o vi cantar ao vivo foi há 15 anos na quadra do Esporte Clube Coríntians, Araçatuba-SP, na rua Rio de Janeiro, ele  com um violão e acompanhado de outro, tocado por Diego Figueiredo. Não precisava mais que isso para cantar seus poemas.  

Então, morreu Belchior. Como se fugisse de sua própria sombra, nasceu no Nordeste e morreu no Sul. Ayrton Senna, que é um integrado, morreu no feriado de 1o. de Maio, já o rebelde poeta do Ceará se foi na véspera.  

Ele se foi com 70 anos, eu carrego ainda meus 68, portanto o jovem que ele fala em suas letras também sou eu. Somos a geração de maio de 1968, dos anos rebeldes, dos anos de chumbo.



Na juventude, recebemos um mundo que dizem já pronto, mas que os jovens de cada época teimam em descontruí-lo, como se fôssemos maior que o mundo.

Quando descobrem que é a mesma luta de Sísifo, muitos se integram, se incorporam ao sistema, outros se rebelam, se tornam adultos ou velhos apocalípticos, mas triste é descobrir que “somos os mesmos, e vivemos como nossos pais”.  

Enquanto Roberto Carlos mandava tudo para o inferno, Belchior, como incrédulo, remetia para o céu “E eu quero mandar para o alto/ O que eles pensam em mandar para o beleléu / E que tudo mais vá para o céu”, porque céu e inferno são a mesma coisa, não existem.

Assim, cada um se vai, sendo estrelas, astros ou anônimos, descobrindo que somos apenas uma flor da engrenagem, como escreveu José Ângelo Gaiarsa.

REPORTAGEM COMPLETA, CLIQUE AQUI 


*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras

OUÇA AS MELHORES MÚSICAS DE BELCHIOR



P.S. Se alguém quiser ler o lado oculto da vida de Belchior, suas irresponsabilidades como pai, por exemplo, procure no Google que achará. Assim também foram Salvador Dali, Auguste Rodin, Woody Allen, Diego Rivera, Johnny Depp. Sugestão de leitura: 
https://feminismonapratica.wordpress.com/2017/04/30/belchior-era-pai-ausente-por-que-ninguem-liga/

Quem é Diego Figueiredo, violonista que acompanhou Belchior por 07 anos em shows por todo o Brasil, CLIQUE AQUI

Um comentário:

HAMILTON BRITO... disse...

Lá se foi um grande poeta e cantor...um artista.Preciso ficar atento