AGENDA CULTURAL

27.11.17

Por que a unidade do Sesc foi construída em Birigui?

Fachada da antiga sede do Sesc Birigui, bem acanhada
A inauguração da nova sede da unidade do Sesc em Birigui-SP foi um sucesso, a unidade verde, construída dentro dos padrões da sustentabilidade, cujo custo foi de 90 milhões de reais. Engana-se quem acha que o Sesc é só cultura, ele é também esporte, saúde e turismo para os comerciários. 

Mas há uma pergunta em cada araçatubense que não quer calar, mais para questionar os homens públicos de Araçatuba do que propriamente para reavivar qualquer bairrismo. Afinal, cada um deve lutar para melhorar o seu lugar. 

A intensidade dessa luta está condicionada ao amor, ao sentimento de pertencimento que cada um tem pelo lugar onde mora. Parece que os araçatubenses amam menos a sua cidade, pelo menos as suas lideranças.
Uma das quadras da atual sede - majestosa
O Sesc tem no significado de sua sigla o nome "Comércio", é uma entidade dos empresários comerciantes. E o comércio de Araçatuba é mais pujante do que Birigui, verdadeiramente regional. Não seria ela a cidade que devia sediar uma unidade do Sesc?  

Isso significa que se os comerciários precisarem do Sesc, vai ter que ir para Birigui, por mais que um pequeno polo fora instalado em Araçatuba. Quem supre esta falha é o Sindicato dos Comerciários de Araçatuba com sua se sede social na cidade. O Seca.

Na entrevista coletiva dada por Danilo Santos de Miranda, diretor do Departamento Regional do Sesc São Paulo via vídeo, em 16/11/2017 aos jornalistas da região de Araçatuba na sede de Birigui, quando uma jornalista do jornal O LIBERAL se identificou como sendo de Araçatuba, ele se adiantou dizendo mais ou menos assim: 
1) Antes de responder à sua pergunta, quero esclarecer o motivo pelo qual a sede regional do Sesc está em Birigui e não em Araçatuba. E disse que a direção da entidade não agiu de forma atabalhoada ao fazer isso, porque "aqui fazemos tudo com planejamento". O comportamento dele diante de um repórter de Araçatuba revela que existe uma polêmica dentro da própria entidade sobre isso.

2) E continuou: em 1998, quando criou-se o Sesc em Birigui, a sua sede regional foi oferecida a Araçatuba, mas a administração municipal (da então prefeita Germínia Venturolli) não se interessou, pelo menos não atendeu ao pré-requisito exigido pelo Sesc de doação de um prédio. E que o presidente do Sincomércio de Birigui, Dario Miguel Pedro, se empenhou para que a prefeitura de Birigui o fizesse. O presidente do Sincomércio de Araçatuba era Gener Silva. 

E deu no que deu, caro leitor. O Sesc foi para Birigui. O último governo da prefeita Germínia foi tão fraco que ela não conseguiu a reeleição. Assim, perdeu o Sesc, como perdemos outras coisas, com certeza. A "república dos velhinhos" como era conhecida a sua administração não conhecia a importância do Sesc numa cidade.
Vídeoentrevista de Danilo Santos de Miranda com jornalistas da região de Araçatuba

Assim, a primeira sede do Sesc foi o Birigui Tênis Clube, bem imprópria para tal finalidade, acanhadíssima. Nem deu reforma, precisou fazer outra. 

A unidade do Sesc foi construída em Birigui porque houve interesse das autoridades biriguienses há 19 anos em receber a entidade no município. Assim, entendemos os versos do Cazula: "Toda essa droga/ Que já vem malhada/ Antes de eu nascer".

Houve muitos outros detalhes nesses 19 anos de Sesc em Birigui que merecem análise, mas fico por aqui para não cansar o leitor. 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras.


Um comentário:

Gabriel Araujo dos Santos disse...

A questão da administração da cidade pela família Venturoli foi, de fato, um fracasso, a começar pelo Silvio. Falo isto porque tive muitos entrechoques com ele, e se agravou quando a A Comarca acolheu minha crônica "O ÚLTIMO CARTUCHO". Ele, em plena campanha para se reeleger, perdeu para o saudoso e sempre bem lembrado Cuiabano.