AGENDA CULTURAL

18.12.17

Românticos como dois animais

Fátima Florentino e José Hamilton Brito
Hélio Consolaro* 

Você, caro leitor, não conhece a história desse casal, então, sem as informações precedentes, não passa de um homem e uma mulher que no dia do pagamento, ou dos proventos de suas aposentadorias, foram fazer umas comprinhas no supermercado.

Mas a história não começa e nem se encerra aí, entre as duas casas onde residem como faz um casal moderno, mais especificamente, entre as  duas alcovas, há muita mais que a vã filosofia. 

Não possuem décadas de casados, a paixão ainda perdura, o amor é recente. Hamilton acredita no amor romântico, acha que por ele se mora até debaixo de uma árvore, gosta de bolero. Fatiminha tem um perfil mais existencialista, porreta, busca espiritualidade na matéria, acredita nos versos românticos da MPB.

Ambos fazem inveja aos casais mais maduros, revelando o frescor do amor com seus beijos e insinuações mesmo na terceira idade, frequentam com intensidade a noite araçatubense. Toda sexta-feira, por exemplo, o casal sai à procura de caraoquê; andam quilômetros, se for preciso.  

Parecem dois anjos que vivem de emoções e sentimentos, dispensando os cozidos do fogão. Demonstram uma vida etérea e flutuante.

Eis que meus espiões realistas, combatentes ferrenhos das cornetas angelicais, flagram os dois anjinhos, seres flutuantes com os pés enterrados no chão, um paradoxo, fazendo a compra do mês como pobres mortais. 

Marlov me telefonou dizendo:

- Chefe, a vida dos dois passarinhos é igualzinha à nossa, vivem um teatro. Descobrimos que comem arroz, feijão e carne, nem veganos são, no cardápio não constam papas celestiais.   

- Então, Marlov, somos mesmos sacos de tripas. Há gente querendo ser mais, procurando o sublime, mas no final serão pastos para os vermes.

Aí está a foto dos dois flagrados, buscando sal ao cocho como dois animais.   

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras

3 comentários:

Fatinha disse...

Vivemos e nos amamos como dois animais, já dizia a música!!!

Anônimo disse...

acho muito bonita a convivência destes dois, vivem uma cumplicidade sem cobranças, vivem os momentos, pois a felicidade são os momentos felizes, continuem assim que o amor é lindo!
marianice

Dalton Celso disse...

Suspeito sou por conhecer somente um personagem desta história, mais por este conhecimento posso afirmar que a felicidade sempre esteve na simplicidade de viver. Forte Abraço Zé Hamirto rsrsrsrs