AGENDA CULTURAL

31.10.18

Brincando com a morte

Simulação do túmulo do Consa

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
Houve tempo em que eu não queria morrer, pois precisava realizar meus sonhos. Alguns impossíveis, não foram realizados. Outros se tornaram realidade em parte. Muitos, os abandonei com a idade,  eram ridículos. E conforme a marcha permitiu, consegui alguns. 

O jovem quer ser famoso, tornar-se jogador de futebol, artista. Poucos descobrem que estamos aqui para ser feliz. E felicidade é coisa diferente para cada pessoa. Muitos queriam ter sacos de dinheiro, outros gostariam de uma casa no campo. E nem sempre lutamos para realizar nossos sonhos, quando se dá fé, a viagem terminou.
Simulação de túmulo do Consa - design mais moderno

Segundo o calendário católico, há o dia de Todos os Santos. Uma homenagem a quem veio ao mundo para ser exemplo, e quase sempre foi perseguido por causa disso. Como a maioria não é santa, homenageiam-se os finados, pecadores, anônimos, principalmente aqueles que têm os ossos ao pé do cruzeiro do cemitério.

Antes do feriado de Finados, fui fazer com a Helena a faxina no túmulo de meu pai. Deixar tudo limpinho, pois aquela construção é símbolo da memória familiar. Na verdade, estão enterrados lá alguns ossos. O túmulo é mesmo um monumento erguido em homenagem a alguém.

Tive até a ousadia em tirar uma foto junto ao túmulo do velho Luís Consolaro. Pedi ao Arlen Pontes, arte-finalista, que criasse um túmulo para mim, para ver como ficaria. 
Túmulo do Sr. Luiz Consolaro, ao fundo, de pé, o Consa, seu filho

A minha mãe está me ensinando a brincar com a morte. Ela está com 92 anos, de vez em quando ela chama a foicenta:

- Vem ne mim, morte! Será que Deus se esqueceu de mim?

E todos ficam surdos.

As coisas são assim mesmo. Cada um tem o seu jeito, constrói a sua história, e é bom que aceitemos essa diversidade. Se todos fossem iguais, seria uma chatice. E para completar, tenho um neto que faz aniversário no dia 02 de novembro. É só festa!

Quem brinca com a morte aceitou bem a vida como ela é. Já que não tem outro caminho, que façamos uma estrada de alegria. 

4 comentários:

arlenpontes disse...

Grande mestre professor Hélio Consolaro, calma, o senhor ainda tem muito tempo de vida pela frente.

Gabriel Araujo dos Santos disse...

Já constitui um grande e nobre sonho o fato de ainda estar vivo.Uma alegria para todos nós.

Wanilda Borghi disse...

Corajoso, Hélio!
Muito linda a crônica.

Chico Garcia disse...

Caro amigo e companheiro Consolaro
.quando encontro amigos de infância ou dos bailes e brincadeiras dançantes, das brincadeiras nas praças (São Joaquim) minha preferida, sempre digo conseguimos.