AGENDA CULTURAL

16.1.20

Ter uma vida de rei

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Fico observando as peripécias dos noticiários e vejo que o neto da Rainha Elisabeth II renunciou à realeza. 

Riqueza e luxo em excesso não trazem a felicidade. Parecem que querem provar que só pobre acredita naquele velho chavão de que "dinheiro traz felicidade". Plebeu não acredita nisso não. Para nós, pobres, dinheiro é bom pra caramba.

Tal processo de afastamento de Harry da nobreza já vinha acontecendo quando Harry se casou com uma plebeia norte-americana e afrodescedente, a atriz Meghan Markle. 

O casal quer trabalhar como cidadãos comuns em outros países, mas que não estejam na África e América Latina. Vão para o Canadá e Estados Unidos. Estavam com o saco-cheio de salamaleques palacianos. Pagar, por exemplo, R$ 46 mil para a babá. Que chato!

Se eu fosse jovem, talvez iria admirar a coragem do casal. Eu me lembraria de Francisco de Assis e outros santos que abandonaram suas riquezas para servir a Deus e aos pobres. 

Como sou velho e plebeu, lutei muito para ter uma casa para pagar o IPTU e um carro para acertar anualmente o IPVA, acho tudo isso uma excentricidade. Parecem que os caras querem gozar com a nossa cara.

Nasci pobre, que é destino, sina, mas cometi um erro maior ainda: me casei com mulher pobre em nome do amor. Ela me falava que comigo morava até debaixo de uma árvore. Isso não durou uma semana.

Quando vejo uma moça linda agarradinha com um pobretão, fico com dó e pensando: "ela não está sabendo usar os dotes que Deus lhe deu para melhorar de vida". Romantismo é um negócio meio esquisito, não acredito nele não.

Não achei ninguém que me sustentasse. Tive que socorrer pais e irmãos. Agora, estou feliz da vida porque meus filhos têm sua vida econômica independente. 

Aquilo que o príncipe quer de uma forma falsa, pois nunca será abandonado numa situação difícil pela realeza da Inglaterra, meus filhos conseguiram com seus méritos. 

Um monte de gente, inclusive este cronista, querendo uma vida de rei, cansado com a mísera independência,  e Harry enfastiado com tanto luxo.  Certamente, voltará logo como o filho pródigo.

E ainda temos brasileiros monarquistas.


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