AGENDA CULTURAL

31.1.23

Emprestar batom é beijar outra boca - Alberto Consolaro

Batons e outros produtos labiais usados podem transferir microrganismos para outras bocas

1.Beijo com amor e paixão é lento e com pegada, escorrendo o molhado pelo mento e nariz. A mente comanda o balé das línguas e lábios. As bocas ditam os movimentos seguintes das mãos e os abraços atendem os pedidos mentais de fusão corporal e espiritual.

2.Beijo com volúpia. Mais conhecida como tesão, a volúpia é luxúria, sensual e carnal com lascívia. No beijo, as mãos e corpos se antecipam aos lábios e língua e se consumem na voracidade do desejo, atendendo aos impulsos e hormônios na loucura de um encontro desejado. Sobre pensamentos e sentimentos, depois se verá como ficam.

3. Beijo beija-flor. São beijos competitivos, molhados e dados para contar quantos se beijou naquele dia ou noite. Pode ter língua e saliva na procura do raro néctar, mas são beijos quase que burocráticos para sair nas redes sociais, constar e nutrir de vaidade a autoestima questionada! O que vale é a quantidade e não qualidade nos beijos beija-flor.

4.Beijo Selinho. São beijos secos e dados apenas para mostrar uma intimidade que não se tem e deixar a plateia intrigada. Não haverá troca de saliva e contato de língua, e os lábios rapidamente se tocam, mas os corpos ficam distantes tipo “Deus me livre”.

PERGUNTAS CHATAS

Perguntas incômodas, mas necessárias:

a) Você sabe onde é fabricado o batom, hidratante, protetor solar, brilho ou lápis que passas em seu lábio? Está na embalagem ou caixinha!

b) Qual é o prazo de validade, você viu? Foi aprovado pela Anvisa?

c) Qual é a composição, o que ele possui como conservante, corante e produto ativo para a semimucosa labial?  Está na embalagem!

d) Quem usou este produto pela última vez, foi você? Certeza?

Ao usar estes produtos devemos ter cuidado para que não tenham metais pesados como chumbo, cádmio, cromo e alumínio que podem ter efeito carcinogênico. Eles potencializam outros agentes carcinogênicos que já atuam rotineiramente em nossa semimucosa labial como sol, tabaco inclusive o eletrônico, álcool, vírus e numerosos outros produtos químicos.

EMPRESTADO OU EMPRESTAR?

Se deve valorizar muito os produtos labiais na transmissão e na aquisição de doenças, as mesmas que podem passar pelo beijo no contato com outras bocas. O batom pode ser moradia transitória de vírus, bactérias e fungos a ser transmitidos para outra boca. Entre estas doenças se tem o herpes simples, mononucleose infecciosa, papilomavírus, sífilis, blenorragia e muitas outras. Muitos agentes infecciosos como o papilomavírus e o herpesvírus são carcinogênicos.

Já pensou você pegar estas doenças pelos brilhos, batons, pinceis e lápis emprestados de outra pessoa? Seria o fim da linha pegar estas doenças sem nenhuma emoção, sem beijo, sem abraço e sem nada. É triste demais! Até os microrganismos devem reclamar. Imagine então, pegar de “provadores” de lojas e vendedoras”: sim, isto é possível.

Se contaminar no beijo ou na relação sexual, é um descuido de vacilões e vacilonas que abrem a guarda para esta possibilidade, mas a partir do batom, protetor labial e brilho que emprestou ou pegou emprestado, é quase revoltante. Usar estes produtos emprestados, microbiologicamente, é a mesma coisa que beijar a boca de outra pessoa, sem sentir seus lábios quentes, seus odores inebriantes ou a sua energia corporal pronta para invadir você!

TRÊS REFLEXÕES FINAIS

1- Antes de beijar os lábios de alguém, dê uma inspecionada sutil, pois até Shakespeare alertou-nos em Romeu e Julieta: “Os lábios que nos trazem beijos, muitas vezes também nos trazem a praga de bolhas, pois seus hálitos doces estão contaminados.”

2- Antes de usar os produtos labiais, conheça a sua origem de fabricação e composição. Não jogue a embalagem fora sem antes lê-la.

3- Não use produtos labiais emprestados de alguém e nem empreste a ninguém! Isto pode custar caro para sua qualidade de vida. O uso destes produtos labiais tem que ser individual e consciente, pois o risco biológico é muito grande.  

Alberto Consolaro  

Professor Titular da USP  
FOB de Bauru

consolaro@uol.com.br 

Um comentário:

Patrícia Bracale disse...

Nossa...eu peguei herpes qdo criança sem volúpia rsrs
Fiquei na vontade de bjos e até de passar meus batons depois de parados tanto tempo na pandemia.