AGENDA CULTURAL

23.9.26

Gênios e loucos são necessários

 

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

A Fátima acompanha grupos cinéfilos nas redes sociais e veio sugerindo “O gênio e o louco”. O ator me chamou a atenção: Mel Gibson. Como gosto de seguir sugestões, assistimos junto. Não era um filme à toa. Contava a história de como foi composto Oxford English Dictionary, por onde se deu a consolidação do idioma inglês. Plataforma: PrimeVídeo.

Mel Gibson comprou os direitos do livro em 1998 e tentou rodar o filme por duas décadas. Durante a pós-produção, uma disputa judicial entre a produtora de Gibson e o estúdio sobre o direito ao corte final e gravações adicionais fez com que Gibson e o diretor Farhad Safinia se desvinculassem da promoção do longa.

O Gênio e o Louco (2019) é um drama biográfico e histórico dirigido por Farhad Safinia (assinado como P.B. Shemran) e estrelado por Mel Gibson e Sean Penn. O longa adapta o livro O Cirurgião de Crowthorne de Simon Winchester.

Narra o nascimento do Oxford English Dictionary, um projeto acadêmico ambiciosos da história para a língua inglesa.

OS PROTAGONISTAS:

James Murray (Mel Gibson): O linguista autodidata encarregado de catalogar todas as palavras da língua inglesa. O corpo docente da universidade não deu conta da tarefa, fazer um dicionário acabou delegando a um autodidata.

William Chester Minor (Sean Penn): um médico e veterano de guerra americano que, enquanto estava recluso em um manicômio judiciário por homicídio durante um surto psicótico, tornou-se o maior colaborador do dicionário, enviando mais de dez mil definições. Ele alugou mais uma sala do manicômio para pôr a sua biblioteca.

O relacionamento epistolar entre Murray e Minor durou anos antes que o professor descobrisse a verdadeira condição e localização de seu maior colaborador: internato de manicômio.

 

ALGUMAS CURIOSIDADES

O espaço continha 1.029 nichos de madeira (pigeonholes) para separar as fichas alfabeticamente. Não havia computador na época.

A equipe recebia mais de 1.000 fichas manuscritas de citação por dia via correio.

O projeto original previa levar 10 anos e ocupar 4 volumes; o Oxford English Dictionary levou 70 anos para ser concluído, reunindo mais de 3,5 milhões de citações em 10 volumes.

Além dos eventos centrais do crime e do trabalho no dicionário, a história real do Dr. William Minor e de James Murray esconde detalhes logísticos, psicológicos e humanos impressionantes.

A maioria dos voluntários do dicionário lia livros aleatoriamente e enviava citações conforme as encontrava. O Dr. Minor, porém, desenvolveu um método muito mais rigoroso.

​Pode-se dizer que “O gênio de louco” traz três denúncias em seus subtextos:

a) O mundo acadêmico (das universidades) estava embalsamado, não dava conta de suas tarefas;

b) A língua de um país não é composta apenas por palavras dos livros, o acervo popular precisa também estar nos dicionários;

c) O tratamento psiquiátrico precisava na época de modernização, novos métodos.  

OBSERVAÇÃO: ajuda da IA

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