AGENDA CULTURAL

26.9.26

Sou de direita, sim. E vou votar no Lula.

      Digo isso com tranquilidade, sem medo de rótulos e sem necessidade de aprovação. Porque posição política não é torcida organizada, nem identidade fixa. É resultado de análise, experiência, comparação e, sobretudo, estudo.

      E não, não sou exceção. Somos milhões de pessoas que começaram a perceber as incoerências, as farsas e as mentiras repetidas à exaustão pela direita mundial. Narrativas que prometem liberdade, mas entregam concentração de poder. Que falam em moral, mas praticam hipocrisia. Que se dizem defensoras do povo, enquanto os dados nunca fecham e a realidade social só piora para a maioria.

      Quando se olha com honestidade para os números, para os resultados concretos e para a história recente, algo fica claro: muito do discurso foi construído para gerar medo, dividir a sociedade e blindar interesses específicos. Não para resolver problemas reais. A retórica é forte, mas a entrega é fraca. As promessas são altas, mas os fatos desmentem.

      Minha escolha não nasce de idolatria, nem de paixão por político algum. Nasce da comparação entre projetos, contextos e consequências. Nasce da constatação de que o extremismo travestido de “direita” abandonou princípios básicos como racionalidade, responsabilidade institucional e compromisso com a verdade. Em muitos casos, flertou abertamente com o autoritarismo, com o culto à força e com o desprezo pela democracia quando ela não entrega o resultado desejado.

      Não escrevo isso para convencer ninguém, nem para dizer em quem você deve votar. Cada pessoa tem o direito — e o dever — de pensar por si. O que defendo é algo mais simples e mais profundo: continue estudando. Continue questionando. Não aceite discursos prontos, não trate líderes como salvadores e não confunda barulho com verdade.

      O fascismo não se impõe apenas pela violência explícita. Ele avança, muitas vezes, pelo medo, pela repetição acrítica de slogans e pela recusa em lidar com fatos inconvenientes. Libertar-se disso é um processo. Exige humildade intelectual, coragem para rever posições e disposição para encarar a realidade como ela é, não como gostaríamos que fosse.

      A política deveria ser instrumento para melhorar a vida das pessoas, não um campo de guerra permanente. Quando o debate vira ódio, quando a mentira vira método e quando o inimigo interno passa a ser inventado todos os dias, algo está profundamente errado.

      Por isso, reafirmo: minha escolha é consciente, crítica e responsável. Não peço que sigam meu caminho. Peço apenas que ninguém abandone o próprio pensamento. O conhecimento liberta. E todos são capazes de se libertar do fascismo quando escolhem a razão no lugar do medo e os fatos no lugar da propaganda.

Autor desconhecido

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