AGENDA CULTURAL

10.2.15

Deus é carnavalesco

Comunidade Evangélica A Mão de Deus
Hélio Consolaro*


Não pretendo fazer nenhuma afronta aos que pertencem a uma religião e a praticam, que dividem o mundo entre bem e mal, Deus e diabo, corpo e alma, gramática e prática, real e ideal, etc. Adotam o dualismo platônico como filosofia de vida.

Quero apenas expor o meu jeito de ver o mundo, se isso interessar a alguém.  Nesse tempo de carnaval,  o Nordeste é mais Brasil,  onde a participação é bem mais efetiva, menos europeu, como foi nas eleições de 2014. No Sudeste e Sul, o carnaval é feita para ser assistido, por isso está em decadência.

Considero Deus carnavalesco, muito embora há quem diga que o carnaval seja terreiro do diabo. Nos tempos antigos, quando nossa sociedade era mais repressora nos costumes, a imagem de um Deus era apresentada como triste, sério, que era substituída no carnaval pela figura debochada do capeta.  Assim, ficava do jeito que o diabo gosta.

As religiões da culpa, que apresentam o Filho de Deus crucificado para expiar nossos pecados. A religião que não ensina as pessoas fazerem autocrítica de seus erros, mas jogar a culpa do pecado no diabo recomenda a seus fiéis que virem as costas para o carnaval.

Essas religiões apresentam um Deus fiscalizador, capataz, escravocrata que não quer a felicidade de seus fieis. Ou pede o dízimo ou então a penitência. Este não é meu Deus.  Não sou temente a Deus,  Ele é meu amigo, Deus é amor, gosto dele.

Meus Deus me aceita como sou,  permite me diferenciar dos outros pelos meus defeitos, quer a diversidade. Como dizia o escritor brasileiro Mário de Andrade, é arlequinal.

Não quero funda uma religião nova ,libertária, porque toda religião aprisiona Deus numa gaiola e apresenta-o como quer. Toda religião elabora verdades apenas para conseguir seguidores que ainda não se conhecem, não sabem ouvir a voz de dentro, precisam de orientações externas.   Necessitam de gurus.

Se carnaval é folguedo, brincadeira, alegria, então Deus é carnavalesco. Certamente estará fantasiado de ser humano e desfilando no sambódromo.

As pessoas que acompanham uma escola de samba não são diferentes daqueles senhores circunspectos que batem no peito e dizem “estou salvo”. A pequenez humana se revela em todos os lados.

Procuro ser o mesmo na igreja, como no desfile de carnaval, porque sei que a santidade ou a salvação não estão apenas nos templos, nem são distribuídas ou vendidas por presbíteros.


Que Deus seja louvado! Aleluia! Viva o carnaval!


*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba-SP

3 comentários:

Adauto Elias Moreira disse...

Belo artigo. Gostei e recomendo.
Adauto Elias Moreira

Maria Zeí Biagioni disse...

Muito bom como todos os seus artigos.

Anônimo disse...

Ah, Cala boca... que lixo de artigo!