AGENDA CULTURAL

23.8.15

A cor vermelha do PT

Hélio Consolaro*



Quando eu era coroinha na Capela São Benedito, os padres claretianos faziam discursos anticomunistas terríveis que eu tinha pesadelos à noite. Isso foi antes do Golpe de 1964, de João 23 e do Vaticano Segundo. 

Vermelho, a cor do Espírito Santo, era misturada com foice e martelo e virava um banho de sangue no Brasil. Era uma lavagem cerebral. Já vi isso antes, hoje é apenas uma refilmagem pasteurizada. 


A cor vermelha é a mais antiga e a primeira, porque era mais fácil de ser produzida desde os tempos da caverna. Houve época em que reis e papas usavam um vermelho vivo pois isso significava poder.


Mas vermelho também significa, no mundo ocidental, a festa, o natal, o luxo, o espetáculo: as salas de teatro são decorados com cortinas vermelhas. 

O uso político da cor vermelha se deu pela primeira vez na Revolução Francesa, adotada posteriormente pelos partidos comunistas europeus. Como o PT fora formado em 1980 com exilados políticos (ex-comunistas), militantes da Igreja Católica (Teologia da Libertação) e sindicalistas, a cor vermelha foi adotada porque é um partido de esquerda.


Escrevo essa crônica porque recebi uma mensagem em caixa de entrada (inbox) de um ex-aluno sobre a minha entrevista na TV Araçatuba durante a manifestação do dia 20/8/2015 na Praça das Artes, defronte à Casa Europa. O assunto era a cor vermelha.

A mensagem:  
Só acho que o PT deveria utilizar mais das cores do Brasil e da bandeira do Brasil ao invés do vermelho. Bom, minha opinião apenas... Mas parabéns gostei do teu discurso. Você falou de uma forma muito democrática. Parabéns!

E respondi-lhe:

Quantos às cores, digo que os partidos se identificam por símbolos (estrela, tucano) e cores, a exemplo dos times de futebol. Não podem todos escolher as mesmas cores. O partido é parte da nação, não é a nação. Todos os partidos a seu jeito defendem a nação. O outro lado é que está usando em vão os símbolos nacionais.

Às vezes, não gostamos da cor vermelha porque encheram a nossa cabeça de gravetos, bobagens, deixando-nos portadores de preconceito. Você pode não gostar do PT, mas não estenda essa repulsa também à cor.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Secretário municipal de Cultura de Araçatuba-SP

LEIA 

Pequena história da cor vermelha - Mazé Leite 

Um comentário:

Gustavo Guimarães disse...

Muito bom Hélio. Estamos juntos nessa luta por igualdade e respeito! Um super abraço!