AGENDA CULTURAL

15.4.16

Brasil Pavoroso


Tharso Ferreira*
  
Brasil, paraíso desengonçado de longa geografia, de terras quentes que murcham flores deprimentes e engordam políticos demagogos e corruptos.  

Homens vis que sugam o suor de seu povo de roupa ruim, que vivem oprimidos em seus buracos de ignorância desenfreada. Ai Brasil, como eu te amo! Como quero salvá-lo de suas desgraças e desonras! Como eu quero livrá-lo destes ratos que vivem em seus ombros, os mesmos que assombraram meus avós, farrapos pré-históricos.  

Ratazanas Cinzentas, enormes, famintas de uma fome indomável que nunca acaba. Roedores eternos que desfazem sonhos, que minam esperanças, que assolam tudo. Golpeiam florestas, rompem barragens, criam impostos, dominam imprensa, encarceram honestos, persegue o pobre caminhante, cidadão de bem. Legislam em causa própria, devastam o próprio quintal em que nasceram, mas não amam. Fustiga os bons, onera os trabalhadores até ao limite. Golpeiam nossa democracia que tratam como pequena prostituta. 
Este, meu caro, está sendo um mau ano. Os principais ratos depois de açoitarem nossa atormentada democracia, deixaram o navio prostíbulo num bando unido, trasladados um no outro bêbado de moedas. Ato final, depois que tentaram por que tentaram amarrar a língua dos honestos, prender por calúnia quem nada devia. Convenceram um juiz jovem e desventurado com sede de holofotes que tentou cobrir com luz suas próprias e pobres palavras obscuras.  

Esculhambaram, mentiram, forjaram com suas metralhadoras de mentiras que não funcionam nas águas da verdade. Fizeram gente estúpida e abastada que ama mais a si que o povo ou o país, perderem sua domingueira ao sol para protestarem com seus cachorrinhos ornados de lacinhos, babás alvamente impecáveis ao sol torturante do meio dia a estenderem vagas faixas em frente a restaurantes de luxo que separa muito bem o joio do trigo. 

Bateram desajeitadamente grotescas panelas cheias em seus apartamentos de luxo enquanto os políticos tiranos decretavam, roubavam, cheiravam, sorriam e pregavam com suas línguas ferinas leis de poder para si, rodeados de taças do mais fino vinho, sentados em suas cadeiras de ouro. 

O sistema de corrupção no Brasil é uma escama endêmica, um ciclone de forças que manda nos corredores. Pertence aos ratos quem escavam o poder a todo preço e em rápido riso da partilha. A corrupção é extraída do sangue e da força do povo, é o torrão negro das democracias e de governos de todo tipo. A corrupção saqueia a honra e a riqueza de seus povos e os proíbem de se chamarem de irmãos. Caminha como uma besta, um trovão de cavalos devastando tudo em meio aos soluços confusos dos povos condenados. É um animal a galope, insano, que devora merenda escolar, leito hospitalar, asfalto, bolsa família, esgoto, praças públicas, vacinas, índios.  
A corrupção enche o povo de dores com sua foice escondida de tormentos comandada pelos sanguinários de ocasião, malandros de cordão de ouro e sapatos de veludo, que enchem nossas prefeituras, nossos palácios de Estado e impregnam o planalto central com suas negociatas. O pântano da corrupção afunda o povo alimentado pelos políticos com suas promessas e sorrisos bailando sobre nosso pobre povo inculto, operários incrédulos com seus rostos queimados de vergonha e sol, enquanto mandam nossas moedas roubadas para bancos estrangeiros de adormecida e calada magnitude. 

A corrupção é um mal banalizado que conhecemos tanto que podemos chamá-la de cultura de um povo. Se não é faz parte, parece que fomos treinados desde criançinha para aceitarmos a corrupção como uma coisa normal como a lua. É um mal que se torna regra e aprendemos a viver com isso e imaginamos tolamente que não nos faz diferença, afinal sempre esteve por aí. Sonhamos que um dia também usufruiremos deste mal que faz bem a tantos. A corrupção entre nós não é mais a exceção, e sim a regra, pois que entre nós valorizamos fins privados e levamos a sério o fato de querermos levar vantagem em tudo. E isso é um lado estranho e afirmativo de nossa cultura acumulada da mesma linguagem. 

   E aí vem tu Dilma, combater a corrupção onde ela é cultura no meio de quem se julga trigo. Este foi teu mal, combater um mal que faz tão bem aos seus. Rodeada de chacais, saqueadores do saqueável paraíso desengonçado, terra de ninguém, sentiram que você era desleal quando autorizou a polícia federal a chutar a porta dos covis, eram tantos e tão numerosos que você ficou só, isolada da matilha com a sua verdade tão fora de moda. Roeram nossa bandeira, bateram na democracia, para encurralá-la em seu próprio palácio infestado de ratazanas.  
Deixaram-na sangrando, com seu próprio tormento de buscar a verdade. Escavaram com milhares de mãos ágeis sua cova úmida, com ajuda de juízes, polícia federal, povo abastado que se julga trigo. Cinismo elevado à razão social pela televisão onde falar mal de teu governo é a regra. Leis oportunistas, arranjos políticos descarados. A matilha dos atingidos arrebentou a própria casa para te atingir, pois para eles, os secretários de governo, os policiais, os juízes, os legisladores, a corrupção é a regra de sobrevivência no poder.  

Então, os que dão veneno para minha pátria, se uniram para condená-la, crucificar tuas palavras e castigar tuas verdades. Fizeram de teu palácio teu cárcere. Iracundos, cuspiram em 54 milhões de votos. Saquearam tua vitória e num êxodo vergonhoso, abandonaram tua estrela à míngua do poder. O meu coração livre te acusa: seu erro elementar foi combater a corrupção pelos meios comuns, no meio dos corruptos, e sem avisar o povo, 54 milhões de mãos na urna, pois a corrupção, minha presidente, atinge os poderes que deveriam combatê-la. O próprio sistema vive e sobrevive da corrupção que dizem combater. O vil sistema político e econômico já decretou que a corrupção é seu modo de ser mais elementar, e isso já há muito tempo. O político se serve da corrupção para não perder o lugar. Aprende-se isso no primeiro mandato de vereador, e você sabe disso, minha cara presidente. 

 Mas meu livre coração ousa perguntar no meio dessa brasa verde: que acontecerá? Que acontecerá com minha pátria neste mau ano onde se separou com ódio meu povo ao meio? Arrisco-me em dizer que o povo vencerá e iluminará os caminhos da América, mas a conta que teremos com você, minha presidente, ficará sem pagar. 

*THARSO JOSÉ É ESCRITOR E OCUPA UMA CADEIRA NA ACADEMIA DE LETRAS 

Um comentário:

José Hamilton Brito disse...

Eu, nesta altura e sinceramente, nao sei quem deve para quem. Alguem disse que o PT é o setimo partido em corrupção.Sétimo, primeiro, último, se se admite que ele é corrupto, estamos perdidos. O último em corrupção é tão corrupto quanto o primeiro e a Presidente é a lider de um deles.
Espero que isso termine logo e o Brasil possa seguir o seu rumo em direção a um governo que ....vai cometer outros tipos de crimes e desmandos. Tudo farinha do mesmo saco. Estou descrente.